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terça-feira, 10 de maio de 2011

MICHEL FOUCAULT: HISTÓRIA DA LOUCURA


O «milagre» de que algumas terapias apropriadas são «acusadas», é apenas um fenómeno vulgar que o estado pré-científico da ciência médica explica e provoca. O «milagre» resulta de uma simples relação lógica e ecológica, linear, de causa-efeito, que a medicina ainda não conseguiu enquadrar. Neste sentido, a medicina moderna está cada vez mais afastada da ciência das evidências ou do «fiat lux» que é a relação causa-efeito, repentinamente descoberta. Quanto mais a ciência moderna se afasta da condicionante ecológica, mais se afasta da relação entre causas e efeitos.
Quando se trata a história da Medicina, no entanto, sempre em termos de glorificação heróica, identifica-se com a história do combate (a posteriori) à doença, evidencia-se o carácter épico, desmesurado e ciclópico dessa luta. A história da loucura narrada por Michel Foucault na sua obra célebre «Histoire de la Folie à l'Age Classique», é um hino colossal à tenacidade humana contra esse flagelo - a loucura - que assolou e assola a espécie.
Poder-se-á perceber a reacção violenta que as soluções terapêuticas simples de Alquimia Alimentar - como a Oligoterapia, a Homeopatia ou a Macrobiótica - poderão obter ainda das pessoas, doutrinadas numa ideia de complexidade abismal em que a doença ainda mergulha. Vamos supor que o tratamento de um terreno orgânico carente em lítio, por exemplo, pode eliminar todos os sintomas da esquizofrenia (rótulo usado pela Psiquiatria). Quem irá acreditar, se a medicina nunca conseguiu debelar essa doença? Quem irá aceitar a simplicidade da terapia? Não admira que algumas proezas rocem o fantástico, quando a actuação humana é ainda tão pouco científica, quer dizer, tão incapaz de relacionar causa e efeito e de ir à causa rerum do que acontece. [1990]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EDGAR MORIN NA BIBLIOTECA DO GATO






GOOGLE REGISTA E OBRIGADO:

1. http://catbox.info/big-bang/oescriba/morin-3.htm
2. http://catbox.info/big-bang/oescriba/+seleccao%20auto+.htm
3. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/fs-3.htm
4. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/+bigbang%20arquivos+.htm

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FILES AC AFINS:

1-4 -morin-md-1-4-sexta-feira, 7 de Novembro de 2003

morin-1-ls- terça-feira, 24 de dezembro de 2002 - novo word - solta ou em secção «releituras do acaso» - suplemento «largo» - 1452 caracteres - correspondências mágicas - caminhos do maravilhoso


O SÁBIO É O INOCENTE: PENSAMENTO ANALÓGICO PARA PENSAR O IMPENSÁVEL

[ 3-2-1992] - Na sua obra «O Homem e a Morte», página 102 da edição em língua castelhana, Edgar Morin considera que a velha máxima ocultista «o «macrocosmos reproduz o microcosmos» é imediatamente mágica», isto é, «está intimamente ligada à vontade do microcosmos de identificar-se com o macrocosmos ou de se apropriar dele, imitando-o ou ordenando-o».
Edgar Morin cita depois S. Anthony para definir magia: «comportamento que implica que as coisas ocorrem tal como foram pensadas, desejadas ou imitadas.»
As tecnologias apropriadas (TA's) poderão ter algo de mágico, nesta acepção, mas a áurea mitológica desaparece dessas técnicas, que se mostram afinal de um pretenso rigor experimental e científico.
Tornar «mágicos» os poderes do homem é o convite das tecnologias humanas apropriadas, sem que esse objectivo de poderio seja necessariamente deliberado. Para não ser violência nem violento, o poder só pode acontecer em simultâneo com a sabedoria, que se traduzirá por inocência ou candura na nomenclatura original (radical, de raiz).
Daqui resulta a noção de oculto inerente ao poder verdadeiramente demiúrgico do homem possesso da sua ligação com Deus!
O pensamento contraditório ou paradoxal, a que os livros chamam analógico ou sincrónico, é, por isso, o único instrumento capaz de acompanhar o desafio do fantástico.
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1-3 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

A EQUIPA DE EDGAR MORIN E OS SÁBIOS  (*)

21-1-1973 - Sem perder o carácter de proliferação  que caracteriza o Sistema, as doenças do Sistema, os mitos, vícios, manias e alibis do Sistema, as " ciências humanas " estão a produzir uma explosão bibliográfica, como lhe chamava a revista " Psychologie”, no seu número de Dezembro último.

De facto, é impossível controlar esta crescente proliferação de " ciências humanas ". Quando não se pode convencer o estudioso pela razão, esmaga-se com " exaustiva bibliografia ".

Centenas de títulos por mês, só em França ( pátria destas coissas cartesianas), dão a medida de outros tantos especialistas empenhados na  tarefa de salvar o Sistema , à custa de desvirtuarem todos os outros (múltiplos, variados) sistemas de mitos e valores que, através do tempo e do espaço,  fingiram ignorar e por fim decidiram atacar pela porta sempre aberta nas "ciências experimentais ", mais tarde ditas humanas. Assim se põe na mesa de anatomia o que lograra escapar à ordem ocidental .

O Sistema analisa.  Goza a analisar. Mas, para analisar, a condição sine qua non é matar o bicho que pretende autopsiar. Para isso, coloca-o na mesa operatória e, depois de bem morto, começa o piedoso trabalho de autópsia.

As ciências humanas, que tanto se ufanam do título, são pois e sempre ciências necrófilas. E, além de necrófilas, uma petição de principio por definição. Matam primeiro a vida que pretendem conhecer, estudar, analisar.

Primeiro as "ciências humanas" desenham um mito, um molde, uma imagem puramente fictícia e fantasmagórica . Depois vá de censurar esse fantasma como se de realidade se tratasse e por não ser realidade.
E, depois, vá de classificar de utopia toda a proposta que, apesar das deformações sofridas, se apresenta evidentemente de qualidade superior às triviais e concorrentes propostas do Sistema único.
Dado que as "ciências humanas " têm, por objecto de estudo, que se debruçar sobre sistemas de valores que lhes são alheios e a que o Sistema é hostil, o fim das  "ciências humanas" é - quando surge um sistema, uma civilização, um módulo ou uma comunidade cultural de evidente qualidade e superioridade , cognominá-la de "infame utopia". 


ASTROLOGIA NUNCA EXISTIU

Exemplo faiscante é o da astrologia.

Astrologia é coisa que, em verdade, nunca existiu fora dos  catalogadores profissionais. Dos que levam a vida a espetar a borboleta na secretária e a fichá-la.

Vai daí, pegam na astrologia que inventaram e restabelecem a ordem.

Racionalistas de um lado, homens de fé pelo outro, sabemos o que tem sido a história do fantástico e, por extensão, da heresia imaginativa frente aos poderes constituídos. Sabemos muito bem quantas vezes se crucificou, crucifica e crucificará Galileu, em nome de razão, em nome da fé, em nome do Negócio.

Le Nouvel Observateur, hebdomadário de muita razão,  entrega a observação do fenómeno "astrologia" a uma bem apetrechada equipa de sociólogos.

O resultado saiu há pouco em edição portuguesa com o titulo «O Retorno dos Astrólogos».

Alguém definiu a sociologia como a « pescadinha de rabo na boca ". Outros, não gostando do plebeísmo, preferem a metáfora mais nobre: "a sociologia é a víbora que morde a sua própria cauda".

Relativamente aos sociologistas de Le Nouvel Observateur não se pode afirmar, com segurança,  se se trata de pescadinha, se de víbora.

Mas deixemos a metáfora e falemos em linguagem científica: a astrologia é vista, por este grupo de observadores novos, de todos os ângulos incluindo o de cima para baixo, apenas para que fique demonstrada a tese adrede preparada e mantida; só os pobres de espírito se dedicam à astrologia.

Os ricos como Le Nouvel já não precisam. Cultivam outras astrologias mais puras e eruditas.

Isto claro sem falhanços, depois de se ter dado da astrologia a minuciosa e única imagem que a sociologia pode dar, e que é o puro, exacto, rigoroso reflexo da sua própria pobreza de espírito .

Quer dizer; reduzindo esta e outras técnicas iniciáticas ao capítulo redentor das "ciências ocultas" (outro fantasma das cabecinhas sociológicas), analisando fenómenos que se começa por deformar.
Produto da sociedade que o consome (outra vez a pescadinha de rabo na boca) o psiquismo que se ocupa de horóscopos - concluem triunfalmente os  observadores de Le Nouvel - ou é de massas, ou burguês, ou de raiz culta mas ... idealista.

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1-2 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

DOIS TESTEMUNHOS SOBRE A DISSIDÊNCIA(*)

[«Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970 ] - Não é possível analisar, de uma só vez, as várias obras que, recentemente aparecidas, se ocupam do fenómeno «contracultura» com ponto de irradiação nos Estados Unidos - mas um primeiro balanço de títulos impõe-se, como medida prática de informação e como prefácio para análises mais detalhadas que venham a fazer-se dessas obras e de tudo quanto de urgente implicam.

Claude Roy não reuniu ainda em livro as suas reportagens nos Estados Unidos mas elas devem citar-se, nesta resenha de conjunto: publicadas em Le Nouvel Observateur, foram a posição lúcida de um intelectual que se interna e aventura em pleno terreno de contradições, sem receio dos mal-entendidos das academias.

Apenas ocupado e preocupado em compreender, em ver a verdade que só o conhecimento prático da realidade e a experiência vivida dão, Claude Roy foi dos primeiros testemunhos, em França, a enfrentar o imobilismo de todas as frentes.

Edgar Morin já publicou em livro - Journal de Californie (1) – os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, - de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk de San Diego. Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: Que é a vida? Que é o homem? Que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase-mutação que esta revolução põe desde já à Humanidade.

Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tsé, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o vórtice onde a civilização se acelera, se destroi e renasce. E a cabeça investigante da nave espacial Terra . O fenómeno «hippy», as grandes cerimónias colectivas como park-in e concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.

Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.

Enquanto operava uma como que revisão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.

Para Jean-François Revel, autor de «Ni Marx ni, Jesus», a contra-cultura é apenas um pretexto de alimentar o seu anticomunismo e um alibi mais para impingir o manifesto radical do seu amigo Jean-Jacques Servan-Schreiber. Se ele conclui que a revolução está nascendo nos Estados Unidos, é apenas para demonstrar que ela não está feita, nem será feita em mais parte nenhuma, bloco socialista e Terceiro Mundo inclusive.

Vemos então como a contestação radical pode ser recuperada pela tecnocracia e seus funcionários, tipo Raymond Aron ou Jean-Fançois Revel ou Jean-Jacques Servan-Schreiber. Contradição esta que o estudioso não deixa de registar e de levar em conta, quando ler um livro que até convém que leia. Neste terreno fértil de contradições em que a dissidência nos lança, temos afinal o sinal evidente do seu carácter exorcistemático e da sua vitalidade... cultural.

(1) «Journal de Californie», de Edgar Morin, Seuil, Piais, 1970.
(2) «Ni Marx ni Jesus»,
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(*) Este texto de Afonso Cautela, breve nota de leitura, foi publicado em «Notícias do Futuro», jornal «Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970
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1-1 notas de leitura – inéditos ac de 1970

CALIFÓRNIA:
LABORATÓRIO DA NOVA ALQUIMIA

1970 - Edgar Morin publicou em livro - Journal de Californie (1) - os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk, de San Diego. O Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: O que é a vida? O que é o homem? O que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase mutação que esta revolução põe desde já à humanidade.
Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tse, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar, essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o cadinho onde a civilização se acelera, se destrói e renasce. É a cabeça investigante da nave espacial Terra. O fenómeno "hippy", as grandes cerimónias colectivas como park-in e rock-concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.
Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas, e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.
Enquanto operava uma como que re-visão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.
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(1) - Journal de Californie, de Edgar Morin, Seuil, Paris, 1970.■
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1-2- 6222 caracteres morte-1>fs-3 >priori> diário de uma descoberta – diário de um aprendiz

PRIORIDADE ABSOLUTA À TANATOLOGIA

30/8/1994 – Meu Caro F.S.: Sobre a morte e como ensinar os vivos (ou moribundos) a morrer, eis o meu programa de vida, actualmente, do qual só as necessidades de atender às exigências da sobrevivência me distraem. Gostaria de encontrar alguém com quem trabalhar nisto: que, para comprazer à parte material, teria também uma «vertente» de holodiagnóstico, um diagnóstico global ou «perfil holístico».
Tenho estado a preparar a m/ casa com vista a poder obter um espaço viável para esse efeito. Será um dia destes o momento de te dar conhecimento de alguns «files» que meti em computador - sobre esse projecto do «perfil holístico».
Só que, quanto a projectos, eu encontro-me numa fase em que toda a cautela é pouca: não se pode projectar nada enquanto não se integrar. E estando eu em Nigredo puro (desestruturação completa e violenta do suporte) não posso aspirar já a qualquer reestruturação projectiva, a qualquer forma assumida. Estou, creio, na fase de «mescla» em que a decantação está longe ainda de fazer-se.
Não quero converter ninguém a nada. Quanto muito, converter cada um a si próprio. Já Nietszche preconizava «ser o que se é», repetindo o Sócrates do «conhece-te a ti mesmo», o Sócrates que, por sinal, escreveu pouco - ou nada, o que faz suspeitar de que era analfabeto. Graças aos deuses (gregos), era analfabeto, pelo que nos falou a linguagem universal, herdada do egípcio Hermes Trismegisto, via Pitágoras.
Penso, neste momento, que devo partir de uma assumido analfabetismo, sem saber quando vou aprender e se vou aprender a nova «linguagem vibratória de base molecular». Entretanto e como «burro velho não aprende línguas», desisti de «aprender línguas», inclusive a mais aberrante de todas e com o diabo na alma que é a dos computadores. Ou essa língua de piratas e merceeiros que é o inglês. Ou essa outra de punhos de renda e rigores analíticos que é o francês.
Nunca vou é fazer carreira, se não aprender os léxicos todos que eles, os patrões, querem e adoram. Admiro é Ivan Illich que conseguiu dominar aí umas oito línguas, inclusive o rebarbativo português. Mas o que eu estou mesmo excitado em fazer é um apanhado divertido dos vários «léxicos» tecnocráticos com que os tecnocratas de todos os quadrantes nos divertem.
Aliás, um dos projectos que deixei em «stand-by» (este palavrão já aprendi) foi o de inventariar (listar) os palavrões dos modernos jargões com que nos moem a paciência. Claro que o meu jargão é mais do Cais do Sodré e menos dos «yuppies» nova vaga e «new age» (outro palavrão que eu aprendi).

Perante isto - perante esta nova Torre de Babel - máximas universais como «ser o que se é», «o Verbo é Deus», «ama-te a ti mesmo» são meras banalidades de base, ditas através dos tempos e das culturas e que só aguardam o momento de ser integradas no dia a dia da custosa, penosa, vaidosa tragédia humana.
Ecologia, por exemplo, se é que serviu para alguma coisa, veio ajudar a relativizar as coisas terrenas: e se a Ecologia nos diz que não há saída horizontal (porque não há mesmo, o chafurdo é mesmo chafurdo, o tremedal é mesmo tremedal), é de acelerar então a saída vertical. Deparamos com uma multidão de escolas, seitas, tradições, mas a gnose radiestésica tem talvez a vantagem de apurar todas as técnicas (sem holismo nem ecletismo) e unificá-las em uma só.
Sem vampirizar o duplo de cada um, o que - diz-se - acontece a todas as formas manipulatórias de energia: ganha-se, nessas egrégoras, em satisfações materiais (ainda quando levam o nome de espírito, mas que diz respeito ainda ao corpo espiritual) o que se perde em natureza essencial.
Uma palavra que vou imediatamente integrar no meu léxico de sucesso é o «Know-how», cheio de ressonâncias e de consequências. Fizeste com que me apercebesse disso, nunca tinha pensado nessa vantagem. É sempre bom ter alguma coisa que nos possa pôr em posição de vantagem face à bicharada que dia a dia nos suga. Como se diz em inglês «bicharada»? Mas a palavra «know-how», tão simpática, tem conotações para mim antipáticas, muito ligadas a «sapos vivos» e a «vontade de vingança»: se der atenção a esse passado de memórias, acabo por ficar com os cabelos eriçados, agora que o Delgado Domingos lança a revista de ecologismo, por exemplo, com prefácio de Mário Soares e com o José Mattoso amigo do ambiente, sinto-me ainda mais insignificante e inútil do que quando a Maria Santos se candidatou ao lugar de deputada europeia.
Se vou a pensar em termos de «know-how» e reavivar memórias de «sapos vivos», nunca mais saio desse lodaçal. Nem consigo apagar memórias que me apegam à vida e, como te disse, a morte é agora, tem de ser agora a minha prioridade. Como vou apagar memórias e apagar apegos, se der importância ao tal «Know-how»? Aliás, se falo muito em escrever as minhas memórias, esta carta não vai chegar ao destino, como aconteceu à outra...Se tiver que voltar a narrar a crónica dos sapos vivos, já tenho file , e já lá deitei considerandos, a propósito de alguns sv mais recentes: eles não faltam nunca neste país, como sabes.
Academia de artes primordiais? Só vejo, nas artes primordiais, esta que é indicada pela retoma do Egipto faraónico, dos seus deuses, da sua sabedoria, da sua gnose. Com as ciências dele advindas: Teurgia, Numerologia, Astrologia, Magia, etc. Os orientais são porreiros, especialmente os que inventaram essa magnífica vassoura que é o Zen (aspirador dos detritos da alma), mas agora estou mais virado para o Oriente próximo. Até que a morte tenha a complacência de me levar. Foi mesmo o acaso - que não existe - que nos fez encontrar aquele sábado, em que me emprestaste a revista «Caduceus» mas principalmente o artigo sobre Tanatologia e Música. Tanatologia é quanto a mim a arte (primordial) de todas as artes: pelo que lhe estou dando neste momento prioridade absoluta. Dentro daquilo que a vida deixa, só a Morte me interessa.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ECO-REALISMO: IVAN ILLICH E MICHEL BOSQUET





1-5-segunda-feira, 14 de Outubro de 2002- pronto a editar on line – com pouca censura – parece um texto impecável e até decente – a tese póstuma, sim senhor – dossiês de convergência holística, ok

5 páginas - inédito de 1977 - antecedentes da hipótese vibratória- capítulo do livro principal

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA: ETAPA DA CONSCIÊNCIA CÓSMICA

1977 - O mundo em geral, animado e inanimado, apresenta-se com uma forma e um comportamento em tudo semelhante ao mundo particular da vida e dos seres vivos.
Este é o salto qualitativo que uma leitura ecológica da realidade implica.
A leitura ecológica da realidade não visa especialmente escandalizar o burguês, embora também não veja inconveniente nisso: mas pode acontecer que escandalize mesmo, ao considerar, por exemplo, dois dos autores mais radicais do ecorealismo - Ivan Illich e Michel Bosquet - pouco menos que reformistas.
Quererá isso dizer que uma leitura ecológica da realidade obriga a pôr postulados e a dar saltos muito mais mortais do que os da convivencialidade, da autogestão, da autoregulação e da autosuficiência?
A ecologia ou dimensão biológica não entra ainda no discurso de ecopolíticos como Michel Bosquet e Ivan Illich. Tudo se passa e resolve exclusivamente em termos de relacionação social: o radicalismo de Illich e Bosquet só é ecológico porque o rearranjo da sociedade que eles propõem pressupõe que a vida, os seres vivos e todo o fenómeno vivo irá indirectamente sofrer alterações com essa mudança.
O que se propõe com uma leitura ecológica da realidade é um postulado muito mais ambicioso:
a) Que cada indivíduo seja entendido como um ecossistema
b) Que cada ecossistema seja entendido como um indivíduo, um corpo organizado, um mecanismo orgânico, uma ...pessoa
c) Que cada pessoa ou ecossistema seja considerado apenas uma célula do corpo ou ecossistema global chamado universo.
Talvez se classifique esta hipótese de trabalho como organicismo, pan-vitalismo, retorno a Taine, metafísica, fundamentalismo, etc.

DIAGNÓSTICO SEM TERAPIA

Fazer o diagnóstico não será, no entanto, propor a cura.
Em criança, pensa-se que o termómetro é que faz baixar ou subir a febre... Ainda hoje muitos adultos pensam que o diagnóstico já é a cura.
Se a leitura ecológica da realidade torna essa realidade (opaca, brutal e absurda) apenas um pouco mais legível, já é alguma coisa mas não é ainda a terapia da doença.
Sem mais exigências, pois, do que ser um método de diagnóstico, a ecologia humana dá um primeiro passo para que as terapias políticas possam avançar.
Os partidos têm agora o hábito de, aos fins de semana, realizarem uma «análise política da situação». É um método de diagnóstico como outro qualquer.
Tal como Freud nunca teve coragem de se autopsicanalizar, aplicando apenas e sempre aos outros a sua invenção, eis que os partidos padecem da mesma imodéstia, do mesmo «complexo de Freud»: excluem-se eles próprios da (psic)análise.
É como se os partidos - e Freud - postulassem a omnividência divina do diagnosticador, a sua impecável objectividade, o seu estado absoluto e permanente de saúde.
Como Freud e a medicina em geral, o médico age como Deus fora do mundo que analisa e diagnostica. Nunca se inclui como doente entre os doentes deste mundo. Até Einstein descobriu que o investigador é indissociável da investigação.
Eis porque uma leitura ecológica (ou ecoanálise) é diferente de uma psicanálise ou politicoanálise: o observador, investigador, analista ou diagnosticante inclui-se no contexto analisado, susceptível portanto de estar contaminado da mesma patologia. Estamos todos neste aquário, neste frasco de álcool: respiramos o mesmo irrespirável fluido ambiental.
De uma maneira geral , a doença é comum e os sintomas individuais não devem ser mais do que sinais a remeter-nos sempre para a doença. Quer dizer: para o ecossistema na sua generalidade e globalidade.

A MALHA TÂNTRICA

Corpo doente, a sociedade apresenta (também) os seus sintomas.
Uma leitura ecológica da realidade social, portanto, postula a existência desses corpos ou ecossistemas, susceptíveis de adoecer ou morrer como os indivíduos chamados homens.
E trata de interpretá-los para tentar saber de que doença principal sofre o ecossistema maior: e de que maneira se articulam as doenças dos vários ecossistemas, entrelaçados entre si, tal qual os fios de uma malha (tantra).
Uma leitura ecológica da realidade distingue-se da romântica convivencialidade (convivialidade) proposta por Ivan Illich e seguida por Michel Bosquet, em vários aspectos fundamentais:
a) O diagnóstico deles é, como o do médico, unilinear e acredita que há uma só linha que vai da causa ao efeito, da patogénese à patologia;
b) O ecodiagnóstico postula que ontem, hoje e amanhã estaremos sempre mergulhados num continuum, ora mais ora menos poluído, ora mais ora menos asfixiante, ora mais capitalista ora mais socialista, ora totalitário ora liberal e que a única coisa a fazer é sabermos de que doença sofremos: não termos nunca a petulância de considerar que alguma vez existiram, existem ou existirão ecossistemas totalmente sãos, quer dizer, em absoluto equilíbrio ou em equilíbrio estático;
c) Com a ecoanálise (ou leitura ecológica da realidade) cessa o aleatório de um presumível futuro, o messianismo do reformador, do apóstolo e do revolucionário, para ficar apenas o (eco) realismo do que existe em perpétuo movimento mas, por isso mesmo, sem mudança;
d) Sendo o pesadelo de ontem igual ao de hoje e ao de amanhã, a politicoterapia possível é a do instante. Quer dizer: seja qual for o ambiente, devo imunizar-me permanentemente, procurando muito menos mudá-lo do que encontrar eu próprio a maneira de a ele resistir ou de com ele conviver;
e) Seja qual for o status - estado totalitário de hoje ou repúblicas autogestionárias de amanhã - o que importa já para um entendimento imediato, quer dizer, ecológico da realidade é estar biofisicamente imunizado a ele.
E isto é que é tudo.

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS POR TUDO

Esta trama, este continuum, esta malha sem fim de causas-efeitos-causas, eis o que o nosso instinto de conservação rejeita com um certo mau-humor, porque nos recusamos fundamentalmente a considerar responsáveis por tudo o que acontece, porque tendemos a ilibar-nos da violência, do ódio, do sofrimento que varre, como um vendaval de inferno, o mundo.
A política, neste contexto, é a arte de encontrar bodes expiatórios das nossas próprias culpas.
A tal ponto os nossos mecanismos de autodefesa estão bem montados, que rotulamos de metafísica qualquer tentativa para mostrar a evidência: que tudo se liga a tudo, que tudo depende de tudo, que todos somos responsáveis de tudo, que todos criamos tudo o que nos acontece.
Tudo é energia. Tudo é infinito e eterno. Tudo existe sempre.
Por isso criamos uma infinita piedade pelo nosso ego. Inventamos mil argumentos para o desculpar.
Afinal - que injustiça! - porque nos atinge a inflação, o desemprego, a doença, o cancro, o defeito físico, o desastre, o acaso, o destino, a sorte?! Se eu fui sempre tão bom, tão bem comportado, tão esmoler, tão amigo das crianças e dos pobres, dos velhos e dos animais, porque sofro tanto, porque tenho tanto medo, porque sou tão perseguido?
Assim raciocina o nosso ego.
O nosso ego é não só a afirmação de auto-orgulho mas uma tentativa permanente para ilibar e encobrir a nossa condição totalitariamente condicionada. Para encobrir a evidência de que estamos condenados à Eternidade.
A nossa condição é totalitária e a este totalitarismo há quem chame karma. O nosso ego inventa então um mito chamado liberdade para esquecer aquela temível evidência totalitária. Um mito chamado livre arbítrio.

NASCER PARA A VIDA É NASCER PARA A MORTE

Nada do que acontece é por acaso, toda a desordem acontece porque há uma ordem infinita do infinito universo. Tudo acontece porque todos ajudamos a que aconteça.
Quando se diz nós, digo o corpo infinito e eterno do qual somos hoje apenas um momento, apenas uma célula, corpo que vai para trás até à eternidade e caminha para a frente até à eternidade.
A esta realidade puramente física chamam metafísica os homens assustados que recuaram ao saber que estavam condenados a ser para sempre. Inventaram a morte. Inventaram o suicídio.
Inventaram narcóticos e alucinogénicos. Inventaram a política e o xadrez. Inventaram o cinema e o futebol. Inventaram palavras - metafísica, religião, mito, misticismo - com que pretendem exorcismar a responsabilidade de ser (mos) não um ego ou ilha separada do todo mas a consciência do todo ou eu total.
Por isso talvez não haja exagero, face a este extremismo fundamentalista do óbvio e do evidente, considerar ecoreformistas um Ivan Illich, um Michel Bosquet.
Desde que se cai na rede, desde que se nasce para a vida (que é nascer para a morte como avisavam os cátaros, que por isso foram perseguidos como heréticos), desde que se entra no processo de putrefacção ou de-composição chamado mundo, desde que nos empurram para a caverna platónica chamada existência, todo o gesto ou acção com que se pretende amortizar o sofrimento irá, a curto ou médio prazo, agravar ainda mais esse sofrimento ou karma.
Irá internar-nos mais na caverna das sombras.
Uma vez enredado na inextricável trama chamada realidade, mundo, natureza, meio ambiente, ordem do universo, qualquer veleidade de sair significará sempre e cada vez mais o (afundamento no) caos, a doença, a violência instalada e instaurada, o absurdo em movimento, a infecção generalizada.
Desde que se entre, nunca mais é possível sair. Daí que os mitos de libertação, da evolução, da redenção andem a par com os mitos do futuro, do ideal, da salvação.
Uma vez enredado na malha, o bicho homem projecta na caverna a sua sombra e chama-lhe ideais (idola tribu lhes chamou Francis Bacon): Paz, Saúde, Felicidade, Justiça, Amor, eis a galeria de grandes palavras que cristalizam na mente humana as suas próprias sombras mais temidas. A utopia e o vício de sonhar ou idealizar caracteriza sempre a escravidão de facto.
Prisioneiro da caverna, o homem sonha que no futuro, sempre no futuro, verá o sol e a luz, sonha com jardins do paraíso, com o Eden de Adão e Eva, com o Jardim das Delícias, enfim, não faltam, nas mitologias douradas, de ontem e de hoje, referências constantes à utopia.
Realismo será a posição búdica que reconhece a queda, a escravidão, a caverna, a ilusão das ilusões ou sombras.
Realismo é saber que quanto mais esforços e acções se fizerem para sair do buraco, mais fundo nele ficamos.
O que uma ordem iniciática propõe é apenas a hipótese realista para encontrar a porta de saída da caverna, recuando em relação às sombras em vez de paroxisticamente nos colarmos a elas pelo cultivo da acção, pelo cultivo do ego, pela crença de que se chega mais depressa fortalecendo a vontade de chegar.
O esforço iniciático é uma pausa nesse paroxismo da vontade, uma retirada estratégica do foco infeccioso - o mundo das relações profanas ou ilusões - um recuo na orgia da acção que dê possibilidade de avançar na in-acção ou desfazer de mitos, ilusões, fantasmas.
Palavras-chave deste texto:
Caos
Caverna platónica
Continuum
Convivencialidade
Convivialidade
Ecoanálise
Ecopolítica
Ecossistema
Ego
Equilíbrio estático
Eternidade
Física e metafísica
Imunidade ortomolecular
Carma
Leitura ecológica do real
Malha de causas-efeitos
Metáfora orgânica
Mito da liberdade
Omnividência
Ordem iniciática
Politicoterapia
Rede
Tantra
Utopia

Autores citados:
Francis Bacon
Freud
Ivan Illich
Michel Bosquet
Platão
Taine

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sábado, 27 de dezembro de 2008

ECO-REALISMO 1983

1-3- lumpen-1> os dossiês do silêncio – manifesto do lumpen - inéditos & publicados em 1975, 81(*)

SOMOS TODOS UMA ESPÉCIE EM VIAS DE EXTINÇÃO

Sumário:
- Proteger também a espécie humana
- Para um manifesto do lumpen proletariat
- Para um manifesto do eco-realismo
- Ecologia, luta do povo (CPT,21 /3/1981)
- O fascismo quotidiano

18/4/1983 ( in «A Capital») - Se todos os explorados e todas as espécies em vias de extinção compreendessem que travam a mesma luta, o movimento alternativo seria rapidamente uma poderosa realidade.
Se um minuto de consciência súbita colectiva - a que alguns chamam "milagre" - unisse todas as vítimas do mesmo inimigo principal comum, unisse tacitamente todos os que resistem ao ecocídio, ao etnocídio e ao biocídio, o movimento surgiria por si sem precisar de vanguardas.
Se todos compreendessem que não estão sós, o movimento avançaria como uma necessidade vinda das bases.
Era apenas necessário compreender - sentir, intuir - que a luta é a mesma nas várias frentes:
o pequeno agricultor que luta contra a invasão do latifúndio capitalista ou colectivizado;
o artesão que luta, à sua banca, contra o desemprego, a inflação e a conspiração organizada do trabalho proletarizado e proletarizante, a neo-escravatura a que se chama "trabalho assalariado";
o peão que luta para não ser passado a ferro por um tráfego liberalmente assassino;
o activista que não quer centrais nucleares ;
o objector de consciência que enfrenta os aparelhos da Hierarquia;
o escritor que, por não ter aderido ao sindicato dos virtuosos, morre com uma obra de génio realizada, num asilo, só e desamparado;
o operário da média e pequena empresa, que não pode fazer greve porque a arma da greve é só para os privilegiados das estatizadas e porque a greve numa média empresa significa o desemprego a curto prazo;
a dona de casa que toda a vida trabalhou por três e a quem não foi ainda reconhecido estatuto, porque à direita basta a retórica da família como célula da Nação e à Esquerda não interessa reconhecer um trabalho que evita a proletarização;
o pequeno proprietário rural a quem a Celulose, as Auto-Estradas, o Eucalipto, a Petroquímica, as todo-poderosas Barragens, os Oleodutos da NATO, as Cimenteiras, etc. , pura e simplesmente expropriaram os bens "em favor da colectividade";
o contribuinte que, além de espoliado pelo fisco, passou a ser apenas um número para o Estado que se vangloria de moral e de levar em conta a Pessoa Humana, quando afinal se limita a arrancar-nos pele e a deixar-nos no osso;
o eleitor que, como carne de canhão, apenas serve para depor votos na urna e a quem, antes e depois do funeral, os partidos votam o mais absoluto desprezo;
o jovem que na escola é tiranizado por programas absurdos, depois da escola é convidado a empregar-se no desemprego e que em resposta ao futuro cor-de-rosa prometido pelos papás - altos funcionários da Engrenagem tecnocrática - apenas lhe oferecem a droga, a prostituição, o Suicídio, etc;
o doente colonizado por uma medicina demencial que adoece propositadamente, que fabrica doentes, que reproduz consumidores de fármacos, de análises, de operações, de consultas, que estropia e produz à sua conta o maior contingente de deficientes;

SIMBOLOS DA RESISTÊNCIA

A destruição, se entra na rotina, chama-se progresso.
Um lagar de varas ainda a funcionar, na freguesia de Meimão, pode ser um símbolo da Resistência quando a barragem de Meimão vier.
A Aldeia da Luz, no concelho de Mourão, a fábrica de reciclagem de papel, o monumento megalítico de Monsaraz e o monumento romano da Lousa (Luz) podem ser outros tantos símbolos desta resistência à destruição, à pilhagem, ao dessoramento que eles chamam progresso.
A Foz do Dão, outra aldeia engolida pela Barragem da Aguieira é, como foi Vilarínho das Furnas, outro símbolo da Resistência que desistiu.
Os proprietário da área de Sines, expoliados de terras, casas, bens, alfaias, culturas, são outro fenómeno da Resistência Humana ocupada, invadida e esmagada pelo canibalismo tecnocrático, a Leste e a Oeste.
" Hermes da Cruz Passarinho vai ficar sem seis dos seus sete prédios, em Meimão, quando vier a barragem" diziam os jornais com o seu habitual jeito de quem debita frivolidades (15.2.1980).
Se a indústria dos louseiros, em Valongo, baseada na ardósia das minas, entrou em crise pura e simplesmente pela concorrência da quinquilharia plástica - e para uso coercivo do papel em vez de ardósia nas escolas... - não vamos acreditar que foi tudo progresso e que era inevitável banir a ardósia dos costumes escolares.
Nunca como agora, em que o frenético desperdício de papel se tornou na corda que nos há-de enforcar a todos, nunca como agora a ardósia podia e devia ser promovida a produção de primeira grandeza neste País de gente mesquinha e estúpida, de cérebros atravessados e lavados por todas as ladainhas dos progressistas da Morte .
A chamada "empresa familiar", da qual o agrocrata fala com tanto desprezo, também não é nada que se conserve em redoma ou meta em vitrine de museu.
Ou vive e sobrevive como sector alternativo da sociedade - ou será um bocado do País e da sociedade que morre com cada uma dessas empresas familiares que forem desaparecendo. Que forem sendo exterminadas, porque é disso que deliberadamente se trata.

APRENDER COM OS OUTROS A DIFÍCIL ARTE DE RESISTIR

Numa visão sem preconceitos, penso que podemos e devemos tentar aprender junto de organizações que não tendo aparentemente afinidades com este projecto, são, no entanto, muito mais significativas, enquanto pequeno trabalho reformista dentro da Engrenagem do que supostas e pretensas organizações pomposamente designadas de culturais.
Por exemplo: as corporações de bombeiros, as ordens monásticas e as Casas do Gaiato dão informações de funcionamento muito úteis a uma reaprendizagem da resistência local contra o monopólio da Engrenagem central e das sub-engrenagens centrais.
Os ciganos e suas vicissitudes no seio das sociedades ditas democráticas, são outro exemplo bem flagrante do carácter etnocida e segregacionista dos nossos costumes cristãos.
Eles são outra espécie que resiste à paranói. E de tal maneira têm sido, por isso, obrigados a degradar-se que, recorrendo ao último recurso de subsistência, o comércio, esqueceram as suas práticas taradicionais de trabalho e economia de auto-abastecimento.
Quando a retórica pseudo-ecologista apresenta os defensores do ambiente isolados deste contexto étnico - esquecendo que pertencem à mesma raça de explorados, à mesma espécie das espécies em vias de extinção, esquece que a resistência das minorias rácicas é um dos aliados naturais com o qual deviam fazer frente comum. Ecológica ou não.

- - - - -
(*) Publicado no jornal «A Capital»(Crónica do Planeta Terra), 18/4/1983

segunda-feira, 31 de março de 2008

+11 AFORISMOS AC

VARIAÇÕES SOBRE A NATUREZA


Estamos em dívida com a Natureza, ajude-nos a pagá-la.
A Natureza acaba onde o capitalismo começa.
Descolonizar o homem e a Natureza.
O homem é apenas um átomo da Natureza.
A Natureza vencerá porque é mais forte.
A Natureza não precisa de ser protegida, protege-nos.
Não se pode libertar o homem sem libertar a Natureza.
A ciência ocidental está agora a descobrir os maiores lugares-comuns da ciência original de todos os tempos. Por exemplo este, lançado como slogan da conferência de Estocolmo, em Junho de 1972: «A Terra é só uma...». Mas sempre foi, oh malta.
Soltaram o leão, agora queixem-se.
Tudo normal, Deus Nosso Senhor ainda não voltou à Terra, o céu ainda não caiu, não há novidade.
É o que eu digo: se este país não existisse, tinha que ser inventado.

+ 29 AFORISMOS AC

BOM AMBIENTE

 Não se trata de mudar a sociedade mas de mudar de sociedade.

 A luta pelas alternativas é a luta pela sobrevivência planetária.

 Sejam quais forem as aplicações (ditas pacíficas ou ditas bélicas) ao serviço de regimes capitalistas ou de regimes socialistas, a energia nuclear é intrinsecamente reaccionária.

 A energia electro-nuclear consome mais energia (eléctrica) do que aquela que produz.

 Sem atender aos imperativos ecológicos, nenhuma política, seja ela qual for, se pode formular em termos revolucionários: seja uma política de saúde, uma política económica, umas política industrial, uma política energética, uma política de ambiente.

 A aspirina é reaccionária.

 veterinário trata os animais como gente.

 médico trata a gente como animais.

 Antibióticos - o fascismo por via oral

 Vacinas - o fascismo por via intravenosa

 Supositórios - o fascismo por via anal

 Lixo a lixo enche o capitalismo o papo.

 A poluição a quem a produz.

 Morte na estrada: quilómetros de prazer.

 Nem só de merda vive o homem

 Aquele tecnocrata era tão delicado, que em vez de merda só dizia poluição.

 Ecomilitante é o que mantém a imunização natural ao ópio da poluição e a todo o tipo de intoxicação que a sociedade da porcaria o obriga a suportar.

 Aquela doença a que Marx chamou Alienação.

 Pela terminologia se conhece a ideologia.

 Agir já: abaixo os empatocratas.

 Nenhum reformista gosta de se ver ao espelho da revolução.

 Fazer da sociedade de consumo uma arma para a voltar contra si própria.

 Alimentar a fome: alvo da agricultura química.

 Sociedade de consumo: morte da civilização, civilização da morte.

 A exploração do homem pelo homem só termina com a manipulação do homem pelo homem.

 Neste tempo e mundo, só vale tirar olhos

 Progresso capitalista, retrocesso humano.

 Colonialismo industrial hiperpoluente: fase agonizante do imperialismo que explora e pilha o Terceiro Mundo.

 Sobre o Terceiro Mundo verte o imperialismo os excrementos que já não quer.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ORIGEM EXTRATERRESTRE

alien-1-ac-cf> 3 de Agosto de 2007

Acho que é uma luta interessante mas os transgénicos são um minúsculo capítulo de um assunto mais vasto que é a biotecnologia e suas patifarias: o livro do Jeremy Rifkin dá um bom resumo dessas putifarias.
Mais um beco sem saída e os becos sem saída, tal como certas profecias, levam à inacção.
Mas a inacção - o não agir taoísta - ainda está para ser compreendida com a nossa mentalidade ocidental.
Enfim, a reconversão exigida pelos tempos de Aquário é ainda um bocadinho difícil de descortinar.
Neste momento e para não me dispersar ainda mais, estou centrado num tema: tecnologia alienígena, a partir de um livro que desconheço mas que gostaria de ir folheando se o tivesse: «The Roswell Day After», do tenente-coronel Philip J.Corso, do Pentágono, que antes de morrer revelou alguns dos segredos que sabia das informações secretas (classificadas) guardadas pelo exército norte-americano e recolhidas do ovni despenhado em Roswell.
Para mim, tudo deve estar aí: inclusive algum do futuro que nos espera nos próximos anos, meses e dias.
E vou ver se consigo saber o software para fazer uma lista de discussão (no género da Ambio) só para estes assuntos: tecnologia alienígena, tecnologias da informação, engenharia reversa, microships, ondas de luz, fibras ópticas, cibernética. Afinal e de maneira muito discreta fui descobrir que as nossas universidades mais práfrentex (a de Évora inclusive) têm cadeiras de engenharia reversa... sabendo (ou talvez não...) que é de origem extraterreste. Acho que já te tinha falado um dia de um sonho meu a que chamei a minha tese (póstuma) de mestrado: onde está a unidade básica da informação estendida a todos os reinos da criação, do mundo e do universo. O que é e não é informação do macro ao microcosmos (ADN molecular): ou será tudo? Mas nesse caso temos que seleccionar os itens prioritários: a tal engenharia reversa parece-me um bom ponto de partida.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

IDEIA ECOLÓGICA 2006

O texto a seguir foi escrito em resposta à jornalista Helena de Freitas que me questionou sobre o tema «ser jornalista e eco-militante»: se havia ou não incompatibilidade, quis ela saber. Lá me expliquei conforme soube e tive depois a satisfação de ver publicadas 10 linhas desta prosa, no artigo de uma página, na revista «JJ», do Clube dos Jornalistas . Aproveito agora para mostrar que ainda tenho jornalistas no presente interessados em saber do meu passado.
Aí fica, com a minha gratidão à Helena de Freitas, minha querida colega.

+
1-4 -

A IDEIA ECOLÓGICA E SEUS MILITANTES

O militante da ideia ecológica, em 2006, tem todo o direito de se considerar investido de uma «missão»: talvez não seja a de salvar o mundo ou as almas, que é uma meta demasiado ambiciosa, mas contribuir, grão de pó perdido no espaço, para ajudar o «imperativo cósmico» a realizar-se.
Potencialmente e segundo os dados das biocosmologias ancestrais e modernas (aquilo a que a Astronomia científica chama «precessão dos equinócios»), a Era do Aquário está aí e podemos (devemos?) aproveitá-la. O eco-militante encontra-se na primeira fila dessa acção: que dantes, nos tempos heróicos do Movimento Ecológico Português (M.E.P.), do jornal «Frente Ecológica» e da «Ecologia em Diálogo» (na rádio), se traduzia nas famosas «manifs» e «agitações de rua» mas que hoje tem um estilo de actuação mais concreto e ao mesmo tempo mais profundo.
«Pensar globalmente e agir localmente» - lema desses anos pioneiros - tem hoje a sua expressão nos grupos locais de activistas, entre os quais a rede Quercus se destaca e continua, dia a dia, a desenvolver-se. Pessoalmente não concordo com algumas tácticas pontuais utilizadas – uma certa obsessão das chamadas «acções cautelares», por exemplo, – mas na estratégia em geral acho que fazem um bom, um belíssimo trabalho.
Dos jornais e telejornais também não nos podemos queixar: nesse campo, como em tantos outros, temos o que (colectivamente) merecemos. E as excepções confirmam a regra. O gigantesco sistema dos media rege-se por leis internas para manter a sua homogeneidade: e o recurso ao chamado «debate», tratando-se da ideia ecológica, é apenas uma forma de cobrir e encobrir aquilo que o sistema não pode deixar de fazer, na sua inércia interna.
Os mídia têm obrigação de ajudar mas é evidente que a ideia ecológica só pode ser defendida em profundidade por militantes franco-atiradores e por autores individuais com a necessária independência de voz e de pensamento: que o jornalista profissional, por exemplo, não tem nem pode ter. Não é essa a sua obrigação, não é essa a sua função, não é essa a sua missão, pelo menos enquanto redactor de notícias, entrevistas e reportagens.
Fora das horas de serviço, ele tem todo o direito de se dedicar à militância ecologista como cidadão. No jornalismo, se o deixarem ter uma coluna de opinião, poderá expor as suas ideias mais genuínas e a sua orientação ideológica.
Considero-me um tipo feliz porque nos jornais onde andei me deram sempre essa dupla oportunidade:
a) fazer jornalismo de ambiente, com as limitações necessárias ao trabalho de
informação que se reclama de alguma objectividade;
b) manter uma coluna de opinião onde tentava ser o militante anarco-libertário que não podia nem devia ser no trabalho jornalístico.
Lembro aqui, com enorme gratidão, as oportunidades que, em ambos os sentidos, me foram dadas nos jornais por onde andei: «O Século» (onde publiquei dezenas de reportagens sobre o ambiente - o «verde» e o «negro» deste país); «O Século Ilustrado» (onde publiquei reportagens, entrevistas, separatas sobre temas de ambiente e uma coluna «O Futuro em Questão» sobre Eco-prospectiva); «Portugal Hoje» (onde, entre outras novidades, me deixaram fazer coisas sobre «ecologia do trabalho»); «A Capital» onde entrei por empenho do Rudolfo Iriarte, que me convidou para escrever uma coluna semanal, aos sábados, sobre ambiente. Ainda hoje não compreendo como isso foi possível, mas a verdade é que a «Crónica do Planeta Terra» durou 12 anos...E onde nunca houve a mais pequena restrição às minhas opiniões de militante.
Inclusive deixaram-me entreabrir aquilo a que chamei os «dossiês do silêncio», temas que se foram tornando cada vez mais tabus e de que pouco ou nada se falava e se fala ainda hoje.
Era giro que a nova geração de jornalistas (especialmente senhoras que estão a fazer um trabalho brilhante em jornais de grande circulação) se interessasse em desvendar esses dossiês secretos e já que também nos encontramos em tempo de decifrar códigos e segredos... Ao que parece, os best sellers dão bons lucros aos editores.
Militantes da Esperança, precisam-se.
E já só temos seis anos da Era Cristã para mostrar o que valemos.
+
O CATASTROFISMO VIROU MODA E IDEOLOGIA POLÍTICA

Nos anos após o 25 de Abril de 1974 (durante o chamado PREC, processo revolucionário em curso), o militante da ideia ecológica era considerado um «alarmista» e um desmancha prazeres, quando não era um retinto fascista que não respeitava o progresso tecnológico e todas as megalomanias dos megaprojectos. Dominava e predominava o discurso dos «amanhãs que cantam» com as tecnologias de ponta e as indústrias pesadas e hiperpoluentes a comandar a procissão. Sines e Alqueva superavam Nossa Senhora de Fátima em capacidade milagreira de nos resolver todos os problemas.
Depois, ainda no calor da guerra fria, quando os partidos verdes começaram a florescer na Europa (França e Alemanha) já era de bom tom que um partido se debruçasse (sem cair) sobre o ambiente, sempre na perspectiva reformista da anti-poluição que muito pouco tem a ver com uma ideia ecológica de fundo (prospectiva, preventiva e profiláctica), mais tarde descoberta sob a designação de «deep ecology».
O Partido Verde, criado pelo PCP e que começou por usar o nome de Movimento Ecológico Português (associação criada em 1975 e com estatutos publicados no Diário da República) chegou à Assembleia da República. Muitos anos depois, com o Partido da Terra, malogrou-se uma esperança: a de um partido independente de outros partidos. Paulo Trancoso, Ribeiro Telles, Delgado Domingos trabalharam por isso mas a conjuntura já não lhes era favorável e tiveram que se socorrer de um partido dominante para ganhar dois lugares na A.R., onde aliás têm feito um trabalho notável.
Tal como sempre quis o José Carlos Marques (que chegou a ser candidato à Presidência da República) os ambientalistas não se dão bem dentro de estruturas partidárias. Sentem-se melhor em rede. A Quercus é o melhor exemplo, com saldo positivo.
Curiosamente, a situação hoje é inversa da dos anos heróicos e pioneiros do movimento ecológico: ainda se rotula (embora menos) o eco-militante de alarmista, derrotista ou catastrofista, mas em contra-partida o discurso dominante em todos os sectores (e nem só no ambiente) é apocalíptico e catastrofista. O catastrofismo virou moda e ideologia política.
O militante da ideia ecologista, hoje, em que todos só falam em desgraças, vírus e aquecimentos globais, deverá estar na primeira linha para contrariar esta «onda negra» que hoje invade os mídia, multiplicadores de um estado depressivo e desesperado.
Provavelmente o Planeta Terra não vai ter muitos anos de vida e até ao dia 21 de Dezembro de 2012, segundo o calendário maya, iremos receber, tranquilamente, do Cosmos todos os sinais necessários e suficientes para saber o que fazer, individual e colectivamente.
Atenção, portanto, aos sinais que terão de ser descodificados, num tempo em que os códigos estão tanto na moda e se vendem tão bem.
Ajudar o Cosmos e a ordem cósmica nesse «imperativo» (paradigma) ao qual ninguém pode fugir e que nos é dado de bandeja, poderá ser hoje a missão do militante e do jornalismo militante.
O catastrofismo e negativismo de que nos acusavam nos tempos heróicos do movimento, pode e deve ser contrabalançado por todas as alternativas de vida que também foram sendo proclamadas (embora com menos veemência) pela ideia ecológica e seus militantes.
Se o ambientalismo casuístico é necessário e continua a ter um papel (reformista, digamos), alargar o horizonte da Terra até ao que chamo «imperativo cósmico» torna-se urgente. Até 21 de Dezembro de 2012, temos seis anos...
Tempo que as carpideiras do Juízo Final e os epígonos do apocalipse vão aproveitar para aumentar e multiplicar o estado de entropia do sistema que nos fez chegar exactamente aos apuros em que hoje nos encontramos: lutar pela neguentropia crescente que o potencial cósmico (macro e microcósmico) nos oferece de bandeja (com o nome lindíssimo de Era do Aquário), pode ser a melhor missão do militante e do jornalismo militante.

IDEOLOGIA DO SUSTO

Hoje todos tocam, como um disco riscado, a melodia da catástrofe que está na moda mediática e pelos vistos rende mais lucros. Economistas (com uma nova estatística todos os dias) e cientistas (com uma nova gripe das aves aterradora, dia sim dia não) alimentam os mídia.
As seitas apocalípticas, com milhões de fiéis e um poder financeiro superior a muitos estados, debitam o mesmo discurso aterrador, onde o pior do pior é sempre notícia de página e o melhor do melhor uma nota de rodapé (quando é).
Segundo a contabilidade deles, o medo parece que é lucrativo e os mídia investem no medo. No panorama internacional de canais que nos chegam por cabo, existe, que eu saiba, uma única excepção: o Canal Infinito, produzido na Argentina e que há seis meses nos chega em português. Espero que não acabem com ele: porque isso sim, seria, quanto a mim, o apocalipse. Ficaríamos exclusivamente entregues aos chacais esfaimados da destruição. Valia a pena o militante aperceber-se dessa voz no deserto: tal como nos tempos heróicos do movimento ecológico, sabemos bem dar valor à voz que prega no deserto.
Desde sempre se sabe que o desespero paralisa a acção: o que querem os lobbies da destruição (agora encabeçados, entre nós, pelo apocalipse da biomassa - 15 centrais 15!, depois do rotundo fracasso do lobby pró-nuclear) é precisamente o catastrofismo convertido em ideologia política. Porque eles, afinal, com suas loucuras e barbaridades, é que nos irão «salvar» de todas as crises e catástrofes.
Compete ao militante e ao jornalismo militante não se deixar indrominar por estes salvadores da pátria, do mundo e das almas.
Essa é a missão do militante até 2012: não se deixar indrominar e não indrominar os seus compatriotas.
«Manipulai-vos uns aos outros» era um slogan dos tempos heróicos que o militante nunca aceitou e que deve continuar a não aceitar. Eles que se manipulem uns aos outros (com alguns, poucos, jornalistas a ajudar em livros sobre o futuro radioso do Nuclear), que se comam uns aos outros e que nos deixem a nós em paz : são os meus votos de ano novo.
Como sou obscurantista, segundo alguns especialistas do nosso meio ambiente (vide Ambio Archives), ainda levo muito a sério a batalha entre a Luz e as Trevas, a grande batalha do Armagedão.
Por isso digo: militantes da Grande Esperança, precisam-se.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O PROGRESSO AC

1-3-tecnologia-1-at>sexta-feira, 27 de Julho de 2007

PROJECTO «ALIEN 2012»

IMPERATIVO CÓSMICO: MAGA VERSUS MEAI

O PLANETA TERRA SERÁ UM PARAÍSO DESDE QUE FIQUE LIVRE DO PREDADOR Nº 1 DITO« HUMANO»

A história do progresso que nos contam, está cheia de lacunas (com u), omissões, erros e fraudes deliberadas. Para já, aquilo a que se chama progresso tem sido um retrocesso constante, que nos últimos anos se tornou vertiginosa queda no abismo. Com todas as desculpas que cientistas em especial e especialistas em geral sempre inventam para justificar os seus cargos, quase sempre e quase todos de grande serviço ao serviço do progresso tecnológico e nem só. Depois e se de facto o progresso tem sido uma progressiva decadência, há que analisar se essa teria sido a única linha (o paradigma) que a humanidade podia ter seguido ou se haveria outra. Os mais recentes progressos verificados na investigação alienígena, confirmam que havia outra linha, tem havido sempre, só que os astros não lhe têm sido favoráveis, o que só agora, com o advento da Era do Aquário, acontece. A Era de Peixes (com o simbolismo da cruz de Cristo Crucificado) tem sido, a posteriori, um bom alibi para todas as patifarias (e putifarias) dos criminosos à solta. «Coitados deles porque a Era dos Peixes é uma Era lixada: eles apenas obedeceram ao imperativo cósmico.» É este um item a merecer desenvolvimento na minha tese de mestrado aqui esboçada. Até que ponto os facínoras do poder tecnológico são responsáveis por tudo o que fizeram ou karmicamente teriam que fazer ou fizeram mas eram livres de poder não o ter feito. Há então duas linhas de evolução possíveis: 1. Uma que remonta à Fonte Primordial da Sabedoria Galáctica e que teve civilizações paradigmáticas: Egipto (escolas de mistérios do Olho de Horus), Mayas e Chineses Taoístas (não confundir com chineses confucionistas/confusionistas) 2. Outra que tem sido uma série de desvios e desvarios dessa linha primordial, uns que se dizem herdeiros mas a desvirtuaram – gnósticos, essénios, rosa-cruzes, maçónicos, teosofia, antroposofia, [ lista completa e exaustiva das correntes MAGA da história] – outros que, em nome do cepticismo, do pirronismo, do iluminismo, do cartesianismo, do cientifismo, do positivismo lógico, do materialismo dialéctico [lista completa e exaustiva das correntes MAGA da história], o diabo a quatro mais a tia. A escolha claríssima que hoje se coloca é entre uma e outra linha, sem possibilidade de meio termo. Talvez uma cronologia comparada da cada uma das duas ajudasse a perceber as diferenças e de como são dois os paradigmas em confronto. A batalha final entre 2 paradigmas: 1. O paradigma do progresso 2. O paradigma do retrocesso. Em defesa do paradigma nº 1 teremos como aliados: Todos os seres sensíveis , as povos, as culturas, as espécies animais e vegetais que sofreram os horrores do chamado progresso e das colonizações em nome da Cruz de Cristo ou do dólar (petrodólar, eurodólar, etc) Os irmãos alien a cuja raça muitos de nós pertencem e isso começa a tornar-se óbvio também na Era do Apocalipse que é, como se sabe, a Era da Revelação, atributo também da Era Aquário. Os amigos dos animais, das árvores, das flores, de tudo o que é maravilhoso sobre o Planeta Terra e que os engenheiros do progresso têm sistematicamente vandalizado e dizimado. A minha certeza, a que chamo imperativo cósmico da grande esperança, é de que será o paradigma nº 1 a ganhar a guerra, embora tudo se incline para nos fazer crer que será e já é o paradigma nº 2 o vencedor, o predador humano da Terra que se julga deus imortal. De acordo com os dados astronómico mais precisos, é MEAI e não MAGA o vencedor. Convém tomar partido quanto antes, porque já temos pouco tempo até 12 do 12 de 2012. + Entra aqui uma primeira lista dos livros a consultar para desenvolver as premissas contidas neste texto inaugural: Entra aqui uma lista cronológica dos eventos e correntes MAGA que nos conduziram ao status actual 2007-07-27 Entra aqui uma lista de correntes «filosóficas» que pretensamente prosseguiram (mas apenas desvirtuaram) a sabedoria primordial das origens, de origem obviamente extra-terrestre: Entra aqui uma lista de files ac no meu computador, afins da matéria tratada: sabedoria alienígena: [---------] Entra aqui uma lista de códigos que na pasta selecta são também afins do destino final (-at = a tese póstuma): - BG = BIBLIOTECA DO GATO - CC = CONTRA A CIÊNCIA - CE = CINCO ESTRELAS - YY = YIN YANG -AV = ALQUIMIA DA VIDA -GV = GNOSE VIBRATÓRIA -HV = HIPÓTESE VIBRATÓRIA -LS = LEITURAS SELECTAS -SW = SELECTED WORKS -TD = TEXTOS TRADUZIDOS

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

ECOLOGIA AC 1974

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11-1-1992

É dos heróicos anos 74/75 um texto de Afonso Cautela, provavelmente inédito, contendo um projecto vibrante de trabalho literário e simultaneamente ecologista [interface que deu algumas das intuições ac mais polémicas],

A PALAVRA É DO POVO E DE MAIS NINGUÉM

# MANIFESTO DAS «VOZES SEM VOZ»
# CRÍTICA DO DISCURSO SOFÍSTICO DOS TRAVESTIS «AMBIENTALISTAS»
# REGRESSO DE AC ÀS ENTREVISTAS DO POVO
# DISCURSO NAIF E ARCAICO
# DE VIVA VOZ
# ESTE TEXTO PODERIA SERVIR DE COMENTÁRIO AO LIVRO DE AC «ECOLOGIA E LUTA DE CLASSES EM PORTUGAL»

Uma tese é comum aos discursos que traem a ideologia sobre a Natureza ao falarem de progresso, ambiente, técnica, futuro, sobrevivência, energia, ciência, sociedade, alternativas, consumo, crescimento industrial, desenvolvimento económico, curvas exponenciais, etc.
Vem a ser essa tese a seguinte: para lá do discurso aí patente, mais ou menos sofístico e travestido de ecológico, mais ou menos mitológico e teológico, de boa ou má fé, mais ou menos esclarecido e inteligente, guiado mais pela intuição ou mais pelo raciocínio, calculista ou prudente, generoso ou oportunista -- para lá da super-estrutura ideológica sempre deformante comum a esse discurso, é óbvio o contraste que estabelece com o discurso oral, iletrado, inculto e não erudito, do povo que associa a sua voz à sua luta.
O que se sublinha [neste volume, analisa e homenageia] é o fundamento ideológico correcto e rigoroso do (discurso do) pescador, do moleiro, da rendeira, do proletário rural, da dona de casa, do morador, sempre que falam da experiência sofrida, em contraste com o artifício dogmático, sofístico, postiço e falso do discurso culto, do discurso dominante.
Em outro volume -- «A Palavra é do Povo» -- se registará o discurso recolhido ao longo de algumas jornadas pelo País. Neste outro primeiro volume se procura a análise crítica de alguns discursos que podem ajudar tanto a vendar como a desvendar a realidade mas que concorrem quase sempre para a sua mitificação e mistificação.■

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O «NIM» DE JEREMY RIFKIN

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30 ANOS DE BIOTECNOLOGIA
O «NIM» DE JEREMY RIFKIN: A MAIORIA SILENCIOSA CONTINUARÁ SILENCIOSA

A segunda edição do «Thinkeconomics», em Lisboa, trouxe à tona da actualidade um dos nomes fundamentais do nosso tempo-e-mundo, nome com o qual temos de contar para tentar perceber como anda e se metamorfoseia a ideia ecológica, frente à tecnocracia dominante e totalitária.
Jeremy Rifkin, presidente da Foundation on Economic Trends, é um nome incontornável e foi boa ideia trazê-lo a Lisboa.
Tentarei 4 ou 5 pontos de referência, porque me interessa falar de Jeremy Rifkin e do pouco que dele conheço, através dos três livros que tem traduzidos em português.
1.Para começar, a obra seminal «Entropia», traduzida por Henrique de Barros e editada pela Universidade do Algarve quando era reitor o Prof. Gomes Guerreiro. Sub-intitulada «uma visão nova do mundo», recomenda-se a crianças de todas as idades e a todos os graus de ensino, para quem quiser saber o fundamental da ideia ecológica. Só com uma advertência: o que ele chama uma «nova visão do mundo» - entropia versus neguentropia - é a mais antiga sabedoria do mundo, a dialéctica dos opostos complementares, encontrável nas civilizações superiores como a egípcia e a taoísta. A ciência moderna – e Jeremy Rifkin pertence à ciência moderna – por vezes distrai-se e chama «novo» ao que é novo há milénios.
2.Outra área em que Jeremy Rifkin se tornou uma referência deste nosso tempo-e-mundo foi a da biotecnologia: a sua obra «O Século Biotech», felizmente editada em português pela Europa América, 1998, é um tratado sobre o que convém saber das patifarias bio.
Entre a utopia ecológica e a utopia tecnocrática, Jeremy Rifkin fica em uma zona de fronteira ou terra de ninguém que dá para o catalogar na pasta do «NIM», nem sim nem não às imensas patifarias da era megatecnológica. Ele o diz, em 1998, no prefácio a «O Século da Biotech», página 17. Por causa dessa posição «nim» e pelas intermináveis bibliografias e notas de rodapé com que recheia os seus livros (ele é acima de tudo um erudito), alguém o terá interpelado como ele comenta:
«Quando um colega leu uma primeira versão deste livro, comentou que a lista de pormenores citados no manuscrito era tão convidativa que ficara a pensar se eu estaria a fazer a apologia das novas biotecnologias. A minha resposta foi sim e não.»
3.É esta característica – o «nim» - que o torna um adorno adorável das nossas estantes: o «nim» é precisamente a invariável dominante na eco-tecnocracia dominante. E como qualquer ser humano normal, de cérebro normal, nunca poderá abranger a erudição avassaladora que Jeremy Rifkin manipula com particular agilidade, o seu «nim» impõe-se à maioria dos leitores.
4.Mesmo os da utopia ecológica – que não são assim tão poucos e fazem uma boa maioria silenciosa – hesitam em dar um rotundo não às patifarias da biotecnologia de que Jeremy Rifkin nos dá uma sinopse muito pedagógica que devemos anotar na página 13 do prefácio:
« [Em 1978] entre outras coisas , predissemos que as espécies transgénicas, as quimeras e clones de animais, os bebés-proveta, o aluguer de úteros, o fabrico de órgãos humanos, e a engenharia genética humana haveriam de ser todos concretizados antes do final deste século. Também dissemos que a despistagem de doenças genéticas viria a ser uma prática generalizada , suscitando graves questões relativamente à discriminação genética pelos empregadores, companhias de seguros, e escolas. Expressámos a nossa preocupação pela crescente comercialização do material genético da Terra por parte de firmas farmacêuticas, químicas e biotecnológicas, e levantámos questões sobre os impactos potencialmente devastadores a longo prazo de libertar no meio ambiente organismos geneticamente manipulados. Na época, os biólogos moleculares, os líderes políticos, os pânditas mediáticos, e os escritores de editoriais e de artigos científicos do país [E.U.A.], qualificaram as nossa previsões de alarmistas e artificiais. (...) Era um dado adquirido, entre os cientistas, que não havia necessidade de examinar as implicações ambientais, económicas, sociais e éticas daquilo que afirmavam ser um futuro «hipotético». »»
Como a gente te compreende, Jeremy !
Fazendo jus a quem o convidou para vir a Lisboa, Jeremy resolver também botar palavra sobre alterações climáticas (óbvio!) e termina as suas declarações à «Agência Financeira» com um elogio à febril hiperactividade de Portugal (devem ter-lhe sussurado aos ouvidos e ele quis ser cortês). Segundo a entrevistadora, Martha Dahnis, Jeremy disse estar seguro de que Portugal assume a liderança das energias renováveis da Europa.
Sem reticências nem aspas, deixa-nos, evidentemente, impantes de orgulho.
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Um conselho de avô à maioria silenciosa: nunca percam o pé desta dialéctica, entropia/neguentropia. É a melhor amarra para não ser arrastado na corrente.
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Da «Agência Financeira» - publicação on line – transcrevo uma notícia relacionada com o evento:
««O hidrogénio como fonte de energia vai ser o gerador da III revolução industrial, afirma o presidente da Foundation on Economic Trends, Jeremy Rifkin, que está preocupado com a leveza com que o mundo olha para as alterações climáticas.
O responsável, que se encontrava na segunda edição do Thinkeconomics, considera que o mundo «tem a ideia errada das mudanças climáticas e que somos demasiado conservadores a ver a rapidez com que está a avançar» esta fatalidade. «As alterações climáticas estão a acelerar muito mais rápido do que aquilo que imaginámos. Ainda não percebemos que a nossa espécie e biodiversidade estão em risco», apontou o mesmo, sublinhando que alterações climáticas que o mundo tinha previsto que acontecessem no século XXII já estão a acontecer agora e outras irão dar-se em breve.

««Para Jeremy Rifkin, a forma de tentar contornar este problema passa, sem dúvida, pela consciencialização destes problemas por parte de todas as nações e pelas energias renováveis, mas também por reservas de hidrogénio que podem garantir energia quando não há sol, vento, (..). «O hidrogénio vai gerar a III revolução industrial», realça. Renováveis e hidrogénio são assim as grandes apostas do futuro próximo.

««Por outro lado, opõe-se ao nuclear ao ver uma série de problemas que lhe são intrínsecos. «É demasiado cara, ainda não sabemos como fazer desaparecer o lixo que provoca, daqui a 20/25 anos vamos ter falta de urânio e não temos água».

««Quanto à armazenagem do dióxido de carbono, também não vê com bons olhos. «Não se perspectiva tecnologia que permita armazenar CO2, e como o faríamos sem que houvesse fugas», aponta.

«Estamos a iludir-nos se pensamos que podemos voltar às fontes de energia anteriores», referiu Jeremy Rifkin que se mostrou seguro de que Portugal assume a liderança das energias renováveis na Europa.»»
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Do «Jornal de Negócios» on line:
««Energias renováveis marcam arranque do Thinknomics
O presidente da Foundation on Economic Trends, Jeremy Rifkin, propôs ao Governo português que aproveite a presidência da União Europeia (UE) para dar mais espaço às energias renováveis, um tema que marcou o início do Thinknomics, um fórum de discussão promovido pelo Ministério da Economia e da Inovação, que se realiza hoje em Lisboa.»»
Miguel Prado
Miguelprado@mediafin.pt
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MAIS DO MESMO CLIC AQUI:

http://pwp.netcabo.pt/big-bang/gatodasletras/casulo1/rifkin.htm

http://pwp.netcabo.pt/big-bang/gatodasletras/rifkin-1.htm

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&cr=countryPT&q=+site:pwp.netcabo.pt+%C2%ABentropia%C2%BB+de+jeremy+rifkin

quinta-feira, 14 de junho de 2007

A IDEIA ECOLÓGICA

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14 de Junho de 2007

Há mais de uma semana que não actualizava este blog.
Volto hoje para transcrever a mensagem que acabo de enviar para a Ambio Archives sobre matéria altamente controversa: será que o Ambiente tem alguma coisa a ver pouco, muito ou nada) com a ideia ecológica?
Eis a mensagem:

«« IDEIA ECOLÓGICA & AMBIENTE

Cat Books

Agradecendo mais uma vez ao José Moreira, meu interlocutor na Ambio Archives, aproveitei os feriados e as pequenas férias na Ambio, para colocar no meu site pessoal, em seguimento do tema «eco-tecnocracia», mais algumas páginas de diário e de bloco-notas, tentando cobrir alguns itens dos muitos que se relacionam com esta temática.
Não dizendo respeito ao Ambiente, acho que poderão ter algum interesse para alguns dos amigos ambionautas interessados na ideia ecológica:


a desastrosa sociedade industrial
a ideia ecológica à luz da globalização
a ideia ecológica: 40 anos de um oscilador cósmico
a lista negra dos produtos químicos
a utopia trágica do crescimento económico infinito e exponencial
ambientopatologia ou ecologia humana
biocracia cega
bio-informação – a a z
carta ao meu compadre al gore
consumismo desenfreado
crescimento da fome mundial
da tecnocracia à eco-tecnocracia: ambiente e a nova classe dirigente
destruição das duas florestas equatoriais:Amazónia e África Central, pela ganância de muitos gananciosos
do biocídio à biocracia
eco-equívocos
economias do desperdício
exaustão de recursos planetários
exploração do terceiro mundo pelo imperialismo capitalista
imperativo cósmico: a grande esperança
índices de entropia e neguentropia
mecanismo vibratório do cancro: o microcosmos é igual ao macrocosmos
o desenvolvimento do subdesenvolvimento
o ecocídio e a esquerda necrófila
o eco-fascismo segundo michel bosquet
o oportunismo político de algumas teorias científicas
o sistema que vive de ir matando os ecossistemas
os cronófagos
os demónios da entropia
os energívoros
os hidróvoros
os novos sofistas 40 anos depois
palavras-chave para compreender a vida
poluições e/ou desemprego: a chantagem habitual
projecto 2012: a biblioteca de alexandria
retrocessos do progresso
se a ciência é rei, o rei vai nu
sociedade paralela das eco-alternativas: a saída pela vertical
utopia ecológica versus utopia tecnocrática»»

sábado, 26 de maio de 2007

A TRETA DO CO2

ACELERAR A CATÁSTROFE QUE ELES DIZEM QUERER EVITAR
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26 de Maio de 2007

Meu Caro J.V. Serrano:
A sua mensagem [geologia] na Ambio veio acordar-me de uma certa e persistente letargia em que a campanha do CO2 nos deixa. É uma espécie de entorpecente, de narcótico para adormecer consciências e eu confesso, armado em esperto, que claudiquei.
Até porque me convém sempre ficar a descansar, no meu rom-rom predilecto.
Ao relembrar o que parece estar esquecido – gigantescas pavimentação, mineração, deflorestação e ruptura de equilíbrios - levanta o J.V. Serrano o verdadeiro e autêntico problema dos aquecimentos ou arrefecimentos globais, ou seja lá o que for, os desequilíbrios e extremos climáticos.
A mentira generalizada do CO2 tem, evidentemente, objectivos mercenários mas até nem é isso -- o inimigo principal já identificado -- o mais importante: é que, fazendo – deliberadamente - o diagnóstico errado, todas as alegadas «soluções» vão apenas acelerar a catástrofe, o apocalipse e o dilúvio, palavras proibidas em todos os meios ideologicamente correctos.
Tal como acontece com os salvadores da Pátria (que nos hão-de afundar) acontece com os salvadores do Mundo, que tornarão o fim do Planeta irreversível.
O núcleo duro desta estratégia sabe-o perfeitamente, e pragmaticamente usa os provérbios consagrados da grande farra: «morra marta morra farta» e «depois de nós o dilúvio». «Negócio é negócio e tout d'abord».
Só alguns naifs de boa fé se deixaram também ir na conversa, na treta do CO2. (O discurso do poder reforça o poder do discurso.)
E alguns, como eu, que se consideravam muito espertinhos.
Saindo agora, com o seu alerta, desta anestesia colectiva, relembro, além dos seus quatro itens, alguns pontos que já todos esquecemos:
- o fenómeno da evapo-transpiração dos oceanos e os petroleiros que derramam o suficiente para agravar essa evapo-transpiração;
- a deflorestação criminosa que na Amazónia se repete aqui em Portugal com a santíssima trindade dos incêndios, eucaliptos e desertificação, com todos a dizerem que são os pirómanos avulsos a fazer tropelias;
- as experiências de precipitação provocada que no perímetro de Valladolid se soube um dia que havia e que é mais um tópico abafado pela retórica do CO2: se as experiências continuaram, não sei nem me interessa, mas que se fizeram, fizeram;
- complementar da treta do CO2, é a ameaça – agora luso-brasileira – de irem sondar a costa portuguesa para encontrar petróleo (talvez e oxalá encontrem apenas bosta)
Sei que há mais, muito mais itens da destruição, mas de repente ocorrem-me estes.
O que me ocorre também é que tenho de rever a matéria dada ao longo dos anos e lá tenho de ir desenterrar os dossiês do silêncio e continuar a minha carta aberta ao compadre Al Gore e antes que ele presida aos estados unidos da destruição.
Não deixa de ser bem feito o castigo de voltar a mexer na porcaria que já tinha dado como arrumada, à espera do dilúvio que há-de vir, se Nossa Senhora de Fátima ouvir as minhas orações.
Seu leitor e amigo
Afonso Cautela

terça-feira, 17 de abril de 2007

MANSHOLT & F.PESSOA

OS CANIBAIS DA EUROPA E O ORGULHO DE SER PORTUGUÊS
http://www.catbox.info/catbooks/+regressos_ac+.htm

A tudo isto chamou Fernanda Pessoa "provincianismo".

O senhor Sicco Mansholt, que em 1968 decretara para a Europa agrícola a sua certidão de óbito - até 1980 um agricultor em cada dois deveria deixar o campo -, quando chegou a 1972, bateu com a mão no peito e disse "Arrependido, estou arrependido". Entretanto o seu Plano Monstro continuou a rolar, e rolando está ainda para ver se atinge em força países como o nosso. O que tinha a fazer em países como a Itália já fez: e a vaga vertical de desemprego no actual mundo industrializado é, em boa parte, efeito dessa "magnífica" política Mansholt de suicídio euroagrícola, de despovoamento do campo.
Mansholt demitiu-se de presidente do Mercado Comum. A sua política continua, pois a inércia da asneira é como um petroleiro a grande velocidade: não pode parar. Mas em Portugal, suplica-se de mãos postas para que Nossa Senhora nos traga as benfeitorias que o seu preconizador já amaldiçoou.
Se isto não fosse caricato, seria trágico. Se isto não fosse trágico, seria caricato.
Mas é pela menos ridículo. E humilhante dos portugueses.
Porque ridículo e humilhante é que os portugueses continuem de joelhos (ou de cócoras) à porta de uma Europa que é a primeira a reconhecer a pobreza das suas riquezas (ver os indicadores da qualidade de vida emanados da O.C.D.E.)

ver mais do mesmo no meu site catbooks
http://www.catbox.info/catbooks/+regressos_ac+.htm

segunda-feira, 9 de abril de 2007

IMHOTEP O MAIOR

sexta-feira, 6 de Abril de 2007

NOTÍCIA DO DIA: AFINAL O DEUS TOTH EXISTIU

O por mim tão propagandeado Canal Infinito, hoje, sexta, às 10 da manhã passa a espantosa série «O Olho de Horus», já vai no episódio nº 6. Repete às 21 horas. No anterior até soube que afinal tinha existido a alma que deve ser agora, no ranking mundial, o meu génio favorito (além do Etienne, claro): Imhotep, Esculápio ou Asclépius em grego, o conhecido Hermes Trismegisto (Três Vezes Grande) e deus Thoth. Heterónimos de um homem semi-deus ou de um deus que foi homem. Nasceu em 21 de Maio. E além de, como arquitecto, ter construído a primeira pirâmide do Mundo em Saqqara, foi autor de uma obra que se chama «Kyballion» com os fundamentos de toda a sabedoria universal.
Primeiro-ministro, grão vizir e sumo sacerdote da escola de Mistérios do Olho de Horus. A primeira pirâmide, que ele desenhou para os «escravos» construírem, era afinal uma máquina quântica, alimentada por «energia taquiónica», a mesma que o comboio hoje mais veloz do Mundo, no Japão, - o «comboio-bala») utiliza com o nome (imaginem!) de «levitação magnética»: lembrei-me logo dos mestres que levitam...
E soube tudo isto como se fosse a notícia (novidade) do dia.
É caso para dizer que andamos bem informados.
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Notícia de ontem: produção de etanol pode originar penúria alimentar. Vou ver se o Google News a regista.
Regista mesmo: «produção de etanol» era afinal a palavra chave para saber notícias da Biomassa. São só 2968 sítios!!!!
http://news.google.pt/news?hl=pt-PT&ned=pt-PT_pt&q=produ%C3%A7%C3%A3o+de+etanol&btnG=Pesquisar+not%C3%ADcias
Mas a primeira página é a que traz as notícias mais relevantes. Com incidência, claro, no encontro Lula/Bush, onde o Lula deve ter vendido (a preço de saldo) ao Bush o que resta da Amazónia. O que deu notícia, de certeza que é apenas a parte visível do iceberg: falando de aquecimento global, a gente pensa logo em gelo. Até o Canal História, aparentemente respeitável, já anuncia um documentário que se chama «está você preparado para a nova glaciação»? E a RTP 2 alterou programação, uma noite destas, para fazer a mesma pergunta aos senhores telespectadores.

LETTER TO AL GORE




A menos que se verifiquem mudanças fundamentais nas opções de todos os governos, o mundo correrá inexoravelmente para a catástrofe antes de um século.
Relatório do MIT, Janeiro de 1972

OLÁ, BAUDRILLARD






/Fevereiro/1992

Juro que nunca tinha lido Baudrillard। Juro que não copiei, que não plagiei, que não simulei, juro que houve pura coincidência entre belos espíritos, o meu e o dele, o dele e o meu. E à parte os textos humildemente publicados por mim, que podem provar a minha inocência, porque podem verificar-se, por atestado escrito, o preto no branco, consultando a Hemeroteca, as coincidências de tese entre o que ele pensou e o que eu já pensara é um facto, Quem sou eu, aliás, para me comparar, ou mal comparar, a Baudrillard?
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quinta-feira, 10 de Abril de 2003

Livros de Jean Baudrillard na «Biblioteca do Gato»:
Jean Baudrillard - Simulacros e Simulação - Ed. Relógio d’Água - Lisboa, 1991- 201 pg,
Jean Baudrillard - O Crime Perfeito – Ed. Relógio d’Água – Lisboa, Março de 1996 – 190 pg
Jean Baudrillard – L’Échange Symblique et la Mort NRF – Ed. Gallimard – Paris, 1976 – 343