domingo, 9 de dezembro de 2007

HÁ JÁ 25 ANOS

1-2 - 82-11-20> - pauwels-1> leituras mágicas – diário de um leitor

O DESPERTAR DOS MÁGICOS (*)

[(*)Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital» (Crónica do Planeta Terra), 20/11/1982]

20/11/1982 - Se um dia os cientistas descobrirem que houve sociedades com civilizações infinitamente superiores a esta dita civilização que temos, na base barrenta e cancerígena do petróleo, o estado de pânico que se criará em todo o funcionalismo da política, da economia, da ideologia, andará perto do que se verificou na invasão marciana de Orson Welles.
Nesta sociedade do petróleo - dita industrial e avançada - que conseguiu impor, a Leste e a Oeste, os seus padrões de vida (quer dizer, de morte) a quase todo o Planeta - apenas com algumas pequenas bolsas de resistência - o mito do progresso é a pedra de toque. Tudo se justifica, ou tenta justificar, em nome do progresso, nomeadamente as chacinas e mortandades, do biocídio puro e simples ao etnocídio e ao genocídio expresso.
Ora o que está para trás são fases deste apogeu - os três estados do senhor Augusto Comte - desta etapa final da Humanidade, a contas agora com a digestão de várias transamazónias, a caminho como todos notam do paraíso. Só quem tenha a mania de dramatizar tudo, não vê.
Caso a história e a arqueologia, pois, viessem a provar que antes disto houve mesmo uma Civilização, e que civilizações efectivamente houve muitas e dignas desse nome, exactamente antes desta ter começado a raiar (dar raia) nas fraldas do Mediterrâneo e arredores, pode imaginar-se quantos eruditos iriam ficar sem emprego.

OBEDIÊNCIA OU MORTE

Daí que a arqueologia hoje oscile entre a metafísica da pedrinha e a pedrinha da fotogrametria, entre o criado e o malcriado. Só pode ir - dizer que foi - até certo ponto, quer dizer, até onde não ponha em causa os fundamentos em que este sistema apoia os seus podres alicerces: a ciência ocidental, a que normalmente se chama ciência ordinária.
Se a arqueologia investiga um pouco mais, vai descobrir que ciência houve, da boa e da melhor, muito antes desta que os historiógrafos oficiais do reino anunciam.
Em suma: recuar uns séculos oferece perigos de tremendas revelações e revoluções. A verdade vem à tona. Claro que entre arqueólogos logo se mobiliza a contra-ofensiva e o rótulo de "esotérico" surge então para anatematizar tudo o que não passe pelo filtro, pelo exame, pela real mesa censória da ciência ordinária e seus exércitos de fiéis servidores.
Em 1962 - há portanto vinte anos - dois autores franceses, um químico e outro (apenas) escritor lançavam um feixe laser de hipóteses, que atordoaram muita gente.
O livro em Portugal, na tradução de Gina de Freitas, chamou-se "O Despertar dos Mágicos” e o editor não acreditava nele quando o lançou. O argumento de sempre: vanguarda não se vende. Cremos que vai na 10ª edição e continua a esgotar-se.
Gabo-me de ter escrito sobre esse livro logo que apareceu em França, o primeiro e não sei se único artigo que sobre ele apareceu na imprensa portuguesa. Posteriormente, os cadernos de “O Século” – colecção «A Par do Tempo» - viriam igualmente a consagrar-lhe exclusivamente um dos seus números.
Apostar vinte anos antes no que vai ser um êxito editorial, cultural e de opinião pública vinte anos depois, eis o que ninguém jamais neste país deverá fazer, sob pena de morte. Antecipar-se ao que o tempo vai dizer e confirmar, eis o pecado mortal. Mas não dramatizemos.
O êxito daquele livro significa que milhões de pessoas sintonizaram uma banda do espectro cultural até então interdita e tabu. Com esse livro e o movimento intelectual que dele derivou, milhões de pessoas já perceberam que a historiografia oficial foi posta em causa. Não significa isso que toda a classe dos historiadores, arqueólogos, geólogos e palentólogos se tenha convertido à verdade. A inércia tem muita força e os interesses criados ainda mais.

A NOVA GERAÇÃO QUE ESCOLHA

À nova geração cabe mais esta opção difícil, mais este salto por cima dos pais, patrões e patronos da Pátria. Entre os sacerdotes das ordens imobilistas estabelecidas - que exigem rendição e culto - e a liberdade de pensar livremente a verdade, quem vier que escolha.
Anos depois de aparecer "Le Matin des Magiciens” com um título português que não ajudava nada, surge daqueles mesmos autores franceses “O Homem Eterno”, outra bomba no charco. A Neo-Arqueologia ganhava foros de cidade, avançava na neblina de "noite e nevoeiro", livros de capa preta e letras douradas iam saindo entre o medíocre e o óptimo, colecções mantiveram-se enquanto jornais que pretendiam macaquear o novo realismo fantástico iam falindo à medida que surgiam, aliás convenientemente mal feitos, quase todos, precisamente para se provar que toda a Neo-Arqueologia e todo o Neo-Esoterismo de fancaria não passavam. Sobrevive só o mais incrível de todos.
Convinha à ciência oficial avacalhar o produto , para o que não faltaram profetas e gurus de pacotilha , à uma, cumprindo. Quando a Acupunctura chegou, não tardaram os curandeiros a invadi-la, para que os curandeiros diplomados pudessem dizer que aquilo era charlatanice punível por lei.
Em tais casos a lei funciona sobre esferas. Impecável.
Entre a ciência, a historiografia oficial e a rapioqueira mediocridade de curandeiros-astrólogos.-parapsíquicos & tal, aí temos a situação de beco, tentando convencer outra vez as massas de que não há alternativa nem saída, nem a luz da verdade deslumbrante. Mas há vinte anos, Louis Pauwels e Jacques Bergier demonstraram que sim, que havia.
Como era de esperar, esta época que tudo polui, também abocanhou a maior e melhor descoberta que a ciência jamais fez - a anticiência, exactamente, a ciência subversiva por natureza, a Neo-Arqueologia e todas as outras anti-ciências adjacentes.
Ou não fosse ela - a Neo-Arqueologia - a outra ponta de uma linha que desemboca hoje na Ecologia, a outra das subversivas por excelência.
Vinte anos depois dos mágicos despertarem, ao toque de Pauwels e Bergier, ainda há quem durma a sono solto. A nova geração que decida. Nesta como noutras matérias, não esperemos que a salvação nos venha dos pais da pátria ou dos pais do Mundo.
Abrir os olhos e ler, abrir os ouvidos e ver, abrir o coração e sentir é a única regra de oiro para a nova geração que não quer morrer estúpida, agarrada à bomba de cobalto da televisão, ou do cinema, o tal que mente à velocidade de 23 imagens por segundo, ou do rock e outros produtos farmacêuticos.
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(*)Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital» (Crónica do Planeta Terra), 20/11/1982

HÁ JÁ 35 ANOS

1-2 - 72-11-11-ie> sábado, 19 de Abril de 2003-novo word - poluição-4-ie>

11-11-1972

UM BECO SEM SAÍDA(*)

(*)Este texto de Afonso Cautela permaneceu inédito

Alguns dos poucos que tentam levar até às últimas consequências as reflexões sobre o meio ambiente, sobre a vaga galopante da poluição, chegam inevitavelmente à conclusão de que a poluição é irremediável mas irremediável, também, a sua fatalidade.
Nem só na contaminação, porém, se verifica este ciclo vicioso, esta fatalidade, este "beco sem saída"; eu diria que a (civilização da) Abjecção se caracteriza exactamente por conduzir a becos sem saída.
Não falta, também e por exemplo, quem lamente a contaminação dos alimentos pela Química e a mortandade cancerígena provocada por aditivos, corantes, pesticidas, detergentes, etc...: mas logo a seguir se verifica que nada é possível fazer contra, pois a necessidade de "conservação" dos alimentos pela Química é inelutável e resulta de uma característica inalienável do Sistema, característica mais ou menos definida nestes termos: "o aumento constante de população, a elevação (sic) do seu nível, de vida e a complexidade crescente das trocas comerciais, tornam inevitáveis o armazenamento dos produtos alimentares e, por esse facto, a. sua protecção contra a deterioração, sendo assim inevitável a incorporação de anti-sépticos no trigo, na farinha, na manteiga e nos frutos, que se têm de armazenar durante meses."
Outra inevitabilidade, outra necessidade, outra fatalidade, outro beco sem saída é o que ocorre com os medicamentos químicos: alguns já ousam reconhecer o abuso que constituem, mas logo a seguir afirmam que o Sistema não pode passar sem eles, porque não conhece outras soluções e outras terapêuticas.
A pouco e pouco, o Sistema auto-critica-se mas para verificar sempre a sua própria incapacidade ou impotência em debelar na base as seus vícios e crimes radicais.
Tudo isto vem apenas dar razão ao crítico radicalista - o "hippy", por exemplo - da civilização e aos que entendem não ser possível fazer reformas mas unicamente substituir esta por outra civilização. Alternativas não faltam.
No fundo, o “hippy", o vegetariano, o budista, o macrobiótico, apenas aproveita a auto-crítica feita até certo ponto pelos próprios funcionários do Sistema, forçados a reconhecer os vários "becos sem saída" da civilização, e a tornar automaticamente lícita, necessária, urgente a Utopia que pretende exactamente conhecer outras alternativas de sobrevivência para a humanidade, reconhecendo na Tecno-burrocracia a sua estrutura homicida básica.
Evidenciada fica também a ineficácia dessa crítica reformista (funcionária) que se vai limitando a reconhecer o Mal e, quando muito, a propor medidas de melhorar a Mal. Ora o que a Utopia propõe não é melhorar o Mal mas erradicá-lo. Liquidá-lo.
Não posso nem quero ocultar a satisfação que me dá verificar os balanças da Porcaria feitos pelos próprios responsáveis dela.
Ao enunciar os efeitos cancerígenos dos corantes químicos utilizados nos alimentos, provoca-me uma infinita hilariedade ler a seguir que o número desses corantes é às dezenas e que as legislações mais "avançadas" dos países mais prósperos, ditos desenvolvidos, num gesto nobilitante em defesa da saúde pública do consumidor, apenas autoriza 17 desses corantes...
Não posso conter o riso ao ler mais ainda:
"A base destes resultados" (refere-se o articulista às conclusões sabre a acção cancerígena dos corantes) "decretou-se em 1958, numa emenda à Lei sobre géneros alimentícios, uma forte restrição de utilização de corantes de géneros a1imentícios, pelo que actualmente só são (sublinhado meu) autorizados 17 corantes sintéticos - seis vermelhos, quatro amarelos, dois laranjas, três azuis e dois pretos."
E o articulista, funcionário dilecto, vitorioso escreve:
"Todas as substâncias estranhas só são permitidas enquanto não houver indício de efeitos negativos sobre a saúde."
Tranquilizemo-nos: eles investigam e só não permitirão o uso dos cancerígenos quando houver um indício...
Para rir são também as intérminas discussões sobre a nocividade ou inocuidade dos insecticidas para as plantas, ou dos antibióticos para o gado.
Em tais casos, o "rigor científico" (sic) consiste em dar crédito às mais grosseiras e ridículas mistificações: experiências com ratinhos, como se a fisiologia humana estivesse ao nível. de complexidade e sensibilidade dos ratinhos (os cientistas devem julgar por si...); opiniões emanadas de doutos cientistas que, no fundo, são apenas assalariados de gigantescas e poderosas empresas químicas, com interesses arreigados na produção de antibióticos, insecticidas, corantes, aditivos, detergentes, etc., etc.; por fim, respeitáveis academias que, reagindo aos acontecimentos 300 anos depois deles se darem, ainda estremunhadas, de remela no olho, emitem pareceres que se pretendem autorizados, pertinentes, actualizados.
De toda esta mascarada fazem-se artigos de informação para os consumidores. E se o escândalo com certos produtos é tão grande que tem de ser reconhecido, logo o processo será arquivado meses de pois e logo entrarão a circular uma data de marcas novas, ditas inócuas.
"As pesquisas com ratinhos continuam", continua o articulista «e não se pode por enquanto afirmar de seguro nem a inocuidade nem a nocividade."
Assim, entre dentes, nas meias tintas propiciatórias, entre as 10 e as 11, se descarta a gravidade do assunto. Aliás, sendo a matéria telecomandada por empórios tão poderosos, que outra chance fica aos cientistas senão deixar-se telecomandar e ao consumidor desconfiar, ou sistematicamente recusar o que nos for possível recusar?
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(*) Este texto de Afonso Cautela permaneceu inédito

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

PONHAM LUTO-1


TESTES TERMO-NUCLEARES
Balanço da France Press em Jacarta, 26 de Novembro de 2007: «três mortos – entre eles uma criança de 5 anos – e 554 feridos: sismos de magnitude 6,7 na Ilha Indonésia de Sumbawa.»
Mais uma vez (infelizmente) a rotina dos sismos ao domingo foi confirmada. Desta vez e para ajudar, coincidiu com a Lua Cheia.
Mais uma vez o Geological Survey norte-americano, que sabe tudo sobre magnitudes na escala de Richter, não nos poderá elucidar da coincidência e da relação causa-efeito, entre os rebentamentos termo-nucleares subterrâneos (os chamados testes) e os sismos devastadores como foi o tsunami de Dezembro de 2004, 220 mil mortos ou desaparecidos.
Mais uma vez ficamos sem saber quem fez rebentar a bomba: Coreia do Sul, China, Índia, Paquistão ou França (atol da Muroroa).
O Geological Survey norte-americano devia saber.
Sabe-se , no entanto, que é conhecido por vários nomes: Instituto de Geofísica Norte-Americano, departamento de estudos Geológicos e Geological Survey: as notícias só não localizam onde funciona este atento observatório.
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Em qualquer caso, ao domingo como são a maioria , ou às quintas-feiras como também acontece, a rotina dos sismos no chamado «anel de Fogo do Pacífico» tem um bom alibi: ali ocorrem, segundo as estatísticas, 7.000 sismos por ano.
Embora, claro, só os que provocam mortos, feridos, desaparecidos ou edifícios destruídos sejam naturalmente notícia, ora da Reuters ora da France Press.
Entretanto as Ilhas do Arquipélago da Indonésia continuam um lugar atractivo para turistas.
«Quer conhecer Bali? Praias paradisíacas, Nusa Dua, Kuta Sanyur, Ubdu, Candi» - anunciam múltiplos sites na Net.
E Tsunami Frontier é, como se sabe, uma marca de computadores hoje muito popular.
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Ainda a paradisíaca Ilha de Bali.
O Francisco Ferreira, da Quercus, vai lá estar, conforme nos anuncia no jornal «Meia Hora», 27 de Novembro de 2007: é a chamada megaconferência ambiental da ONU, a 13 de Dezembro, não deve haver problema porque está a Lua em quarto minguante e é uma quinta-feira. Pode ser apenas que tremam alguns edifícios.
Perante esta rotina dos fins de semana com Lua Cheia, portanto, só nos resta pôr luto pelos mortos e aguardar outra Lua Cheia, e outra, e outra...
Enquanto houver ilhas paradisíacas.

PONHAM LUTO-2


CRONOLOGIA DOS EVENTOS
2007-11-26 - 09:01:00

Com a magnitude de 6,4 na escala de Richter
Sismo mata seis pessoas na Indonésia

Pelo menos seis pessoas perderam a vida e 45 outras ficaram feridas na sequência de um forte sismo com a magnitude de 6,4 graus na escala de Richter registado a noite passada na região oriental da Indonésia.

Um balanço provisório das autoridades da ilha de Sumbawa, a mais afectada pelo tremor de terra, dezenas de edifícios foram destruídos ou bastante danificados.

O sismo, registado por volta das 23h00 locais, teve o epicentro localizado a cerca de 40 quilómetros da cidade de Raba, na província de Nusa Tenggara Ocidental.

Horas mais tarde, cerca das 03h00 locais desta segunda-feira, a região foi sacudida por um novo tremor de terra, com 6,3 graus na escala de Richter.

Os sismos são frequentes na Indonésia, um imenso arquipélago situado numa zona de risco elevado denominado "Anel de Fogo do Pacífico”, onde ocorrem cerca de 7.000 sismos por ano.
+
26.11.2007 - 12h02

(AFP)

Na ilha de Sumbawa
Sismo de 6,7 na Indonésia faz três mortos e 55 feridos

Um sismo de magnitude 6,7 abalou hoje a ilha indonésia de Sumbawa, fazendo, pelo menos, três mortos – entre eles uma criança de cinco anos - e 55 feridos, segundo um balanço oficial.

“As pessoas estão nas ruas. Algumas preferiram dirigir-se para o campo de futebol. Ninguém quis ficar sozinho”, contou Adit, um habitante da cidade de Bima, na rádio Elshinta.

A maioria dos ferimentos foi causada pelo desabamento de estruturas, segundo fonte do hospital geral do distrito de Dompu, em Sumbawa. Neste momento continuam hospitalizadas 20 pessoas, com fracturas de ossos e ferimentos no crânio.

O epicentro do sismo, no mar, localiza-se a 349 quilómetros de Denpasar (ilha de Bali), informou o Instituto de Geofísica Americano (USGS).

O sismo foi sentido nas ilhas vizinhas de Lombok e Bali.
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2007-11-26 - 15:00:00

Sismo de 6,2 graus
Terra treme no centro do Japão

Um sismo com a magnitude de 6,2 graus na escala aberta de Richter abalou esta segunda-feira a região central do Japão. Não há registo de vítimas ou de danos materiais.

De acordo com o Instituto Geológico norte-americano, o tremor de terra teve o seu epicentro localizado cerca de 70 quilómetros a nordeste da cidade de Iwaki.
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2007-11-27 - 00:00:00

Centenas de pessoas ficaram sem casa
Sismo mata seis na Indonésia
Famílias ficaram sem nada

(Reuters)

Dois sismos registados na Ilha de Sumbawa, na Indonésia, causaram anteontem seis mortos, 45 feridos, centenas de desalojados e dezenas de edifícios ficaram destruídos.

O primeiro sismo atingiu os 6,7 graus na escala de Richter e registou-se pouco depois da meia-noite. O segundo ocorreu quatro horas mais tarde e foi ainda mais forte, com 6,8 graus de magnitude.

Entretanto, um sismo com a magnitude de 6,2 graus na escala de Richter abalou ontem a cidade de Iwaki, no Japão, mas não se registaram vítimas nem danos materiais.
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2007-11-23 - 09:14:00

Na província de Aceh
Sismo de magnitude 6 na Indonésia

Um sismo com a magnitude 6,1 na escala aberta de Richter foi sentido, esta sexta-feira, na província indonésia de Aceh. Não há registo de vítimas ou danos materiais e não foi lançado qualquer alerta de tsunami.

De acordo com Instituto de Geofísica norte-americano, o sismo, que ocorreu às 06h02 (23h02 de quinta-feira em Lisboa), teve o seu epicentro localizado no mar 113 quilómetros a sudoeste de Banda Aceh.

Os tremores de terra são frequentes na Indonésia, um imenso arquipélago situado numa zona de risco elevado denominado "Anel de Fogo do Pacífico”, onde ocorrem cerca de 7.000 sismos por ano.

Em Dezembro de 2004, um sismo com a magnitude de 9,3 nesta mesma região provocou um tsunami (ondas gigantes) que atingiu as costas de vários países causando cerca de 220mil mortos ou desaparecidos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

o stress dos cientistas-4

barata-3-ac-ab> segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

CRIME E CASTIGO:
O ININPUTÁVEL, O PROGROM E O RESTO

Depois disto tudo, ainda há quem não queira que se fale de Juízo Final e dos quatro cavaleiros do Apocalipse e das trombetas do Armagedão?

A bem do meio ambiente, o melhor é não diminuir o simbolismo do caso James Watson, os que condenaram James Watson e o demitiram de todos os cargos, porque o homem usou o direito à opinião e disse o que pensava.
Se o próprio George Steiner, na sua histórica vinda a Lisboa (Fundação Gulbenkian) se sentiu na obrigação de o defender, é porque o ambiente kafkiano, no tempo-e-mundo em geral e na comunidade científica em particular, também está a fazer holocaustos.
Sem que ninguém, dos que tanto se comovem com o holocausto, venha dizer basta.
Também há covardes a fingir de heróis.
O episódio do Prémio Nobel, julgado (sem julgamento formal), condenado e expulso pelos seus pares, assume a categoria de símbolo.
E um símbolo, tal como a imagem, diz mais do que mil palavras.
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Os novos inquisidores estão mais activos do que nunca: os homens de negro, em que falam os adeptos da ovniologia, começam a reaparecer pelos cantos, ora de cinzento ora de vermelho ora cor de burro quando foge.
O tempo não vai decididamente para heroísmos, nem sequer para a gente dizer o que pensa.
Aqui na Ambio, elogiei o judeu George Steiner e o P.M.B. não se cansa de gritar que o insultei. Quando um elogio é considerado um insulto, valha-me deus que a perversão vai adiantada e a noite do obscurantismo ainda mais negra.
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O ambiente só não é inteiramente kafkiano, porque Kafka seria o primeiro, nestes tribunais do povo improvisados, neste contexto de progrom, seria o primeiro a quinar, se se atrevesse a escrever, na Ambio, uma sinopse d’ «O Processo».
Entre Doistoewsky, Kafka e a tragédia clássica – estilo Sófocles e/ou Ésquilo – o actual panorama de culpas e desculpas, culpados e condenados é de trevas (tenebroso) e, embora de pechisbeque, todos os dias desconta novos capítulos.
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Incluindo o ambiente político, onde a sanha persecutória dentro do partido todos os dias é notícia, há que ver a coisa de cima e à distância.
Por toda a parte se convida a punir o ininputável, a julgar, a fiscalizar, a indemnizar.
O progrom solicitado pelo P.M.B. aqui na Ambio, está aí afinal em todo o seu esplendor.
Há um tribunal permanentemente montado e em sessões contínuas, onde se representa mais uma cena de crime e castigo. Quando não há o flagrante delito, inventa-se.
As televisões já não vivem sem isso e o J.R. dos Santos não sorri – de orelha a orelha - se não tem uma boa notícia de perseguição policial para dar.
A malta quer é histórias de Maddie, polícias, ladrões, detectives, espiões, delactores, perseguidos e perseguidores. Nova religião da nova inquisição: «Chercher le criminel».
Apito Dourado, Operação Furacão, o espectáculo não pode parar.
Algoz e vítima, há lá coisa que se compare a este forrobodó?
«Corrupção», o filme sobre Carolina Salgado e Pinto da Costa, fez mais de 20 mil espectadores num dia ( 4.Novembro.2007).
Escutas? Vendem-se na Loja dos 300, na Feira da Ladra e na Feira das Vaidades. Já há descartáveis, as legais e as ilegais.
Em nome da democracia e dos valores da democracia.
Logo aparece um a dizer que ainda há quem sonhe com os fantasmas da PIDE. Que ideia!
Onde iriam os semanários inventar capa a cores, se não fossem estas belas intervenções de quem pode intervir.
Escuta que escuta e logo ouvirás o que não gostas.
Ruídos estranhos no telemóvel?
É das manchas solares: e quando a Vera Lagoa, mulher das direitas e à direita, denunciava no então semanário «O Diabo» as escutas que lhe chegavam aos ouvidos de jornalista bisbilhoteira (um bom jornalista tem que ser bisbilhoteira e fazer de polícia), caíam os andaimes todos da democracia em construção. Que pelos visto ainda está nos andaimes. E sem tecto. Assim que os senhores deputados aprovaram a lei respectiva, passou então a haver escutas: legais e ilegais, claro.
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E ainda falta a outra vertente do sistema que destrói ecossistemas: o espírito de clube, o ganhar e o perder, o totobola a toda a hora, a lotaria todos os dias: aí a lista não acaba mesmo.
Metas e mega-metas a atingir, até ao ano 2013, 2020, 2030, 2050, etc.
Pois é: isto de fazer planos futuros dá muito jeito para fazer esquecer o momento presente.
Olimpíadas e corridas olímpicas, iodeto de prata sobre nuvens, a China há dezassete anos que trabalha esta tecnologia, atrasara-se mas agora, com as corridas à porta, acelera.
Aqui em Portugal, no perímetro de Valladolid, fizeram-se, não sei se ainda se fazem, ou se o iodeto de prata se acabou na despensa: que os cientistas façam de nós cobaias, depois de fazerem de nós parvos, não é nada e ainda lhes dão mais um prémio Nobel.
Na pátria de Putin é a «guerra sem tréguas entre serviços secretos» (4.Novembro.2007)
O sistema já deve ter esgotado os ecossistemas que destrói e agora, autofagicamente, devora-se a si mesmo, pela cauda, como a serpente da fábula.
Depois disto, ainda o meu amigo Mário Heleno me diz que eu levo tudo muito a sério.
Depois disto tudo, ainda há quem não queira que se fale de Juízo Final e dos quatro cavaleiros do Apocalipse e das trombetas do Armagedão.
+
Invariáveis deste tempo-e-mundo: biocídio, biocracia, homicídio, genocídio, etnocídio, o holocausto que preocupa o P.M.B. e os holocaustos que não o preocupam.
Palavras mais comuns no discurso quotidiano dos jornais:
«paranóia sancionatória» (Carlos Brito, in RCP)
«sanha sancionatória»
Verbos mais vezes conjugados:
acusar
perseguir
odiar
vingar-se
insultar
proibir
desconfiar
queixar-se
Ismos mais usados:
Revanchismo
Justicialismo
A complicar o quadro de culpas e culpados, o hinduísmo (que o George Steiner considera a cultura do futuro) vem com o Karma, a contabilidade, o deve e haver das almas: aí temos mais um tribunal onde iremos responder, ou em que já estamos a responder sem saber. Inocentes e culpados exactamente porque inocentes.
Do verdadeiro juízo e do verdadeiro julgamento é que ninguém parece muito (pre) ocupado: o da Ordem cósmica, a que os egípcios deram o lindo nome de MAAT. E os taoístas Princípio Único.
Mas isso é outra história e não a misturemos nesta salada russa, neste folhetim de polícias e ladrões que todos os dias se debita para diversão da malta.

o stress dos cientistas-3

barata-2-ac-ab> sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

P.M.B.: OS ESPIRROS DE UM ESBIRRO
A NOVA INQUISIÇÃO E A NEW AGE

Ódio, vingança e revanchismo é o resumo desta ideologia e que este caso (digno de estudo) ilustra

Depois da queixa contra o Holocausto, vem o convite ao progrom. E ao linchamento (do negro ou do ambionauta distraído)

Já tinha dado por arrumado o assunto do P.M.B. – e seus espirros de esbirro aqui na Ambio – quando o meu anjo da guarda me segreda no ombro: «cautela, afonso, olha que ele quer indrominar-te, diz que se afasta mas é só para te jogar a unha na primeira esquina. Estes intelectuais do holocausto são vingativos e andam sempre à procura de pretexto para lixar (linchar) alguém».
Como, de facto, o que era o assunto inicial por mim proposto – os limites da ciência e o stress dos cientistas George Steiner e James Watson (tema claramente ambiental e com cabimento na Ambio) – descambou numa sujeira verbal do P.M.B. com adjectivos e apelos à punição do ininputável A . C. , lá tive que voltar ao assunto mas desta vez no Blogue «Ecologia em Diálogo», deixando aqui na Ambio apenas o essencial da minha defesa.
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Como eu não sabia o que era ininputável e até que ponto o P.M.B. me insultara (ou elogiara) fui ver a um Dicionário do José Pedro Machado mas não encontrei a palavra. Só encontrei punição e aí fiquei perfeitamente elucidado: o P.M.B. queria a punição e apelou ao povo da Ambio para que se fizesse um progrom ao desgraçado.
Esta terminologia jurídico-legal – imputável e ininputável - atrofia-me um bocado mas temos que fazer um esforço quando um rufia nos sai ao caminho a gritar : «És culpado, és culpado e tens que ser punido mesmo sem ser julgado»
Mas culpado de quê, minha Nossa Senhora?!
Isto seria kafkiano se não fosse pura e simplesmente estúpido.
Desta feita o gendarme que me abordou à queima roupa apelou a toda a comunidade da Ambio para que apoiassem o seu gesto e me linchassem na pública praça.
Por acaso não apareceu ninguém a punir o ininputável AC, antes pelo contrário: o João Soares acorreu em minha defesa (corajosamente, aliás) e a Manuela Soares, indirectamente, disse as palavras certas sobre o que havia a dizer sobre o tema de fundo por mim proposto e desde logo ignorado pelo polícia de costumes que me abordou, chamando-me ininputável.
Eles tratam de tudo com adjectivos, imprecações e insultos: mas que merda é esta e porque teremos que os aturar?
Desta vez, o P.M.B. não conseguiu que o seu apelo ao progrom surtisse efeito. Pode ser que na próxima tenha mais sorte. Desejo-lhe sucesso na sua missão de purificar os ares de agentes perniciosos à ordem pública, de gentalha como eu que costuma chamar aos bois pelo seu nome, quer dizer, se o George Steiner é judeu porque não encarecer e elogiar e enaltecer essa qualidade?
Foi o que fiz.
Se este elogio é, para o P.M.B., um insulto, aí está mais uma prova de que ele vê tudo ao contrário e terá que regular as diopterias. Ou então pedir protecção à Associação Protectora dos Animais.
O P.M.B. fala em «shoah» e em outros termos que eu também conheço porque tenho estudado a Kabbalah e o Talmude e me interesso profundamente por tudo o que é a grande tradição hebraica do sagrado, ao lado evidentemente de outras tradições que ele igualmente despreza: a maya e a egípcia, para começar.
Ele está é empenhado em rotular tudo o que encontra, mete tudo no saco da New Age e vá de bater, às cegas, sobre aquilo que diz defender.
Mas há pachorra para aturar esta geringonça?
Se o P.M.B se sente benzinho na sua mediocridade (e no seu interminável ódio), porque raio há-de querer toda a gente lá dentro?
Desculpem lá mas que ele me tivesse chamado ininputável, execrável e outras adjectivações, é lá com ele e com a sua indigência mental que só conhece adjectivos e nada de substantivo tem na cabeça: agora que nem sequer defenda o que diz defender, não entendo nem admito. Digo e repito: não admito.
+
P.M.B. chamou execrável à minha prosa sobre Steiner e Watson. Além de execrável nem o P.M.B. sabe os nomes que já lhe chamei a ele. Além dos mais comuns, claro: um chatarrão do caraças e que nunca mais se cala com as queixinhas do costume. Coitado dele, vítima do holocausto.
Porque é execrável falar da New Age (a mais complexa constelação de ideias que o mundo conheceu) sem saber peva do que se fala e aprioristicamente, com todos os preconceitos e chavões do costume, exalar os estereótipos da estupidez. Chega! Basta!
Ele sonha com fantasmas e só pensa, quando acorda, em punir, punir, punir. Daí a pergunta patética do P.M.B: Será o AC ininputável?
Não há ninguém na Ambio - «dos mais vocais» como ele diz - para punir este palestiniano que reivindica o território que lhe pertence?
Agora a Ambio também serve para discutir religiões?
E política?
Andam sempre à procura da autoridade policial que os avalize na sua sanha (febre) persecutória crónica.
O que o P.M.B. ansiava mesmo era um linchamento à boa maneira dos progroms famosos.
Enganou-se, porque ninguém lhe ligou boia.
+
Desviando a questão central e inicial e até interessante para a Ambio – os limites da ciência e o stress dos cientistas Steiner e Watson – para uma coisa perfeitamente lateral e ainda por cima fictícia – o que raio é isso de sionismo e anti-sionismo? - o P.M.B., mais do que um tipo irritado e aos espirros, é um caso de estudo para sociólogos, psiquiatras e outros especialistas.
A gritar para que toda a gente lhe dê atenção e lhe vá cofiar o pelo.
A questão central que ele ilustra de maneira perfeita era e continua a ser apenas uma: a nova inquisição, a pretexto de ciência e da reverência à ciência (que de científica nada tem e é apenas uma religião degradada) entende por bem proibir, proibir, proibir. Há que proibir e punir os que se querem abrir à multiplicidade de caminhos e de conhecimentos e correntes e tendências e ideias e ciências (novas e antigas), de tradições, tecnologias, alternativas de vida, etc, etc
Tal como a Manuela Soares aqui acentuou, a criatividade é que conta. Não os epígonos de régua e esquadro, a recitarem (ainda por cima mal) a lição que julgaram aprender (mal) de qualquer especialidade (ou de especialidade nenhuma).
Só que não tenho a paciência e a serenidade da Manuela Soares, a explicar bem explicadinho ao senhor P.M.B que ciência não é o papagueio que ele quer, nem andar às cabeçadas chamando nomes – ainda por cima elogiosos ecologicamente – ao «lixo da New Age».
Não tenho a vocação pedagógica da Manuela Soares nem tempo para acompanhar clinicamente estes atrasos de vida. Deixá-los rosnar até que se cansem.
+
Com o rei na barriga, com os estereótipos todos do progresso e do caminho para a luz (se até a luz da Kaballah é para eles obscurantismo!), o «study case» de P.M.B. não termina aqui: no ódio a uma coisa – a New Age – de que não percebe patavina.
Há outro ódio que ele quer alimentar e a que chama anti-sionismo!
Valha-me Nossa Senhora, se o Deus de Israel não me puder valer nesta trapalhada: quem criou o anti-sionismo (se é que tal coisa existe) foram os «pensadores» do jaez do P.M.B. que tratam de tudo em «ismos», bem alimentados a ódio, vingança e revanchismo até dizer chega.
Uma gente para quem a New Age é toda lixo, não vê (o ódio os cega) que, entre as grandes tradições está precisamente a Kaballah judaica: preferem falar do que não existe (sionismo e anti-sionismo) em vez de proclamar os valores eternos de uma cultura eterna, uma das grandes tradições que a New Age veio trazer corajosamente à luz (do obscurantismo) da idade moderna, apesar dos novos inquisidores estarem a cada canto, ancorados nos seus preconceitos de raça, religião e ideologia, apesar dos esbirros que dia e noite nos fiscalizam, nos policiam, nos ameaçam, nos insultam, nos chateiam.
Colocar a coisa em termos de semitismo e de anti-semitismo, além de ridículo, é de uma altíssima inteligência: quem produziu o anti-semitismo foi o semitismo, valha-nos o Deus de Israel.
Já agora: será que o Deus de Israel também é obscurantismo? E a sublime Kaballah? E a grande tradição do esoterismo / misticismo judaico? E os ideogramas hebraicos? E a numerologia Kabalística?
Ou será que o P.M.B quer fazer da gente estúpidos? E parvos? E ignorantes? E covardes que nem sequer defendem o que dizem defender?
Droga de conversa: o que em princípio poderia e deveria ser uma discussão de ideias minimamente civilizada, o senhor P.M.B. quer transformar em questão religiosa ad hominem (ou racista, ainda por cima). Será que não temos ainda loucos e fundamentalismos suficientes à solta?
Alguma coisa de muito errado está aqui, se em nome do próprio semitismo (ou lá o raio que é) e do anti-obscurantismo, também metemos no «lixo» da New Age a grande tradição da mística judaica, insultando um dos tesouros da cultura humana – a Kaballah, uma das doze ciências sagradas – para lá de todas as fraldiqueirices da ciência moderna, do racionalismo irracionalista, da ciência paranoica, dos paranóicos da ciência, dos reverenciadores da religião dita científica e que nem sequer tem nada a ver com a ciência daqueles que a criaram porque são pura e simplesmente os chulos daqueles que criaram alguma coisa.
+
Estou certo de ciência certa do que entendo do tempo novo que está nascendo, com o rótulo de New Age ou seja lá o que for. Venham os P.M.B. que vierem a queixarem-se do calo que lhes dói.

o stress dos cientistas-2

barata-1-ac-ab> 30 de Outubro de 2007

«OS MEMBROS MAIS VOCAIS DESTA LISTA» (PEDRO MARTINS BARATA):
APELO AO PROGROM ?

A questão não é bem como o Pedro Martins Barata a coloca, em 28 de Outubro passado, nesta Ambio, na rubrica «o stress dos cientistas».
Se «os membros mais vocais desta lista» não aparecem a contestar a «indigência extrema» das minhas prosas - como ele se queixa - é porque o clima de «medo» de há muito está instalado nesta lista e não é só o P.M.B. a contribuir para isso, não.
A prova de que as pessoas têm «medo» das peixeiradas que ocupam dias e dias desta compassiva lista e desse compassivo robô que até as gralhas reproduz na íntegra!, é que no caso concreto deste item - «o stress dos cientistas» - recebi em particular palavras de apoio e simpatia.
Só o João Soares teve «coragem» de publicar o que achava e de me cumprimentar pelo que eu disse de George Steiner – do que G.S achou por bem dizer em Lisboa, na Fundação Gulbenkian – que aliás foi do conhecimento público e ao qual não acrescentei nem (mais)uma vírgula.
Não conheço o G.S. de banda nenhuma, não quero conhecer e nem sequer era ele o tema central mas o que a Fundação Gulbenkian entendeu ser pertinente (por sugestão do próprio G.S.): «Terá a ciência limites»?
Vai daí, o P.M.B. esquecendo o fundo da questão (como vai sendo regra nesta lista), dá conta das suas alergias (dos seus espirros) pessoais, apelando ao povo da Ambio -«os membros mais vocais desta lista» - que o apoiem e aplaudam nas suas irritações e subjectivismos e estados de alma e soberbas e stresses e ódios:
«espanta-me que»
«o meu nojo por»
«é uma tristeza que»
«de uma indigência extrema»: esta é a prosa altamente rica, profunda, filosófica, do P.M.B. face à «extrema indigência» da minha.
Não hão-de as pessoas fugir disto? Alhear-se disto?
Graças a Deus que temos uma lista onde cada um tem o direito de dizer o que pensa (a questão é que pense!).
O problema é que a cada canto de um virtual arame farpado há um guarda do gulag (costumam andar aos pares!), pelo que as pessoas de boa fé e de boas intenções que por aqui navegam - «os membros mais vocais desta lista» - se retraiem, preferindo comunicar em privado em vez de publicar opiniões.
Não responde mais a nenhum mail sobre este assunto – garantiu o P.M.B.
Nem precisa. Já disse de facto tudo. Bate e foge – ainda é uma atitude de grande incidência moral.
De uma, porém, não se livra: «os membros mais vocais desta lista» talvez se resolvam a fazer o que ele pede, neste seu vibrante e comovente apelo ao «progrom» contra um outro membro da lista.
Até agora ainda não resultou mas pode ser que resulte. Quando o director da lista – também incluído, é óbvio, nos «membros mais vocais desta lista» - quiser tomar uma atitude e quando as pessoas perderem o «medo» que os P.M.B. instauraram neste espaço de potencial liberdade.
Tal como os que falam do Holocausto (com toda a razão) mas esquecem os holocaustos, também não esqueço que o P.M.B. me chamou mentiroso e ignorante porque eu citei o autor de «L’Alchimie de la Vie» e a sua descoberta do 2º código genético há vinte anos.
Também, como cristão novo, não vou esquecer o que ele desta vez me chamou.
Mais uma vez, o que seria uma questão para elevar o nível filosófico desta lista foi rotulado de «esotérico» e lançado no caixote do lixo da New Age. Como aconteceu agora, a pretexto do G.S.
Dá vontade de dizer uma palavra feia.
Não hão-de as pessoas - «os membros mais vocais desta lista» - ter «medo» disto e destes guardas do gulag? Dos rótulos e estereótipos? Dos subjectivismos e alergias pessoais? De serem sistematicamente enxovalhados e humilhados? De dizerem alhos e responderem-lhe bugalhos? De psicomoralismos e paternalismos? De arrogâncias e outras doenças crónicas? De soberbas e desabafos? De polícias do pensamento e directores de opinião?
De apelos ao «progrom» contra o palestiniano que está do outro lado da fronteira?
Cruzes, canhoto.

o stress dos cientistas-1

1-4-stress-1-ac-ab> sábado, 27 de Outubro de 2007

O «LIXO» DA NEW AGE E O LIXO DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
O SURREAL-ABJECCIONISMO DE GEORGE STEINER

A comunidade científica anda em grande stress e o stress, segundo dizem os cientistas (clínicos), não faz nada bem à saúde deles. A somatização da ansiedade é o pior que há e fala-se em psicosomática como causa das patologias mais horríveis. É a ecologia do stress.

1-George Steiner, que sofreu as passas do Algarve nos tempos nazis (embora as sinopses biográficas não assinalem se esteve ou não em campos de concentração ), tem todo o direito a debitar (continuar debitando) o discurso de ódio que contra o chamado Holocausto ouvimos por tudo o que é mídia, todos os dias e a toda a hora (como se não houvesse holocaustos no plural).
Mas que os próprios cientistas não escapem às suas setas envenenadas é que torna a aparição de Steiner em Lisboa, a convite da Fundação Gulbenkian, um «study case» a ter em conta e a analisar ao microscópio electrónico.
Aliás, foi ele quem sugeriu o tema – Os limites da Ciência – ao qual a Fundação se limitou a acrescentar um ponto de interrogação. (!)

2-Um outro caso de agudo stress foi o de James Watson, co-descobridor da estrutura helicoidal do ADN molecular, por causa das declarações consideradas racistas a um jornal inglês:«Branco é mais inteligente que negro» - acho que ele disse. Não só lhe cancelaram o programa de palestras no Reino Unido como, em fim de festa, o demitiram de todos os cargos no Instituto de Investigação de Spring Harbor, em Nova Iorque. «Prémio Nobel da Medicina despedido» - dizia laconicamente o título da notícia (26.10.2007). Isto é o que hoje se faz a um Prémio Nobel, faria se não fosse.
Conforme o jornalista Luís Miguel Queirós acentuava no jornal «Público» (26.Outubro.2007), Steiner aproveitaria o contacto com os jornalistas para deixar clara a sua condenação da recente campanha movida contra James Watson, lamentando que este tenha sido perseguido pelas suas opiniões «numa sociedade que afirma prezar a liberdade de expressão».
Bingo! O homem disse uma acertada, a frase conveniente no meio de um discurso todo ele de non sense surrealista, em que se fartou de gozar com o pagode, à conta do macio colchão de penas que aqui acolhe sempre todo e qualquer renomado cientista, diga ele o que disser, faça ele o que fizer. Prémio Nobel ou não.
Quanto ao James Watson, apetece mesmo dizer: «não batam mais no homem, por amor de Deus». Eu próprio estou com remorsos de ter aqui na Ambio feito alguns reparos ao seu discurso bio-tecnocrático, classificado na altura, aliás, pelo Carlos Aguiar de «inclassificável» (eu e o que disse). Vamos a ver é se o demitem também do conselho científico da Fundação Champallimaud: espero bem que não. Seria o Holocausto em que fala o G.S.
Ainda por cima, não se sabe se o prémio Nobel insultou os negros ou se foi um elogio dizendo os brancos mais inteligentes. Afinal parece que a famosa inteligência branca dos europeus e arredores só deu porcaria: à luz dos holofotes agora montados pelo G.S e da tese por ele desmontada, tudo afinal parece lixo e não vejo que seja mais ou menos lixo do que a New Age.
Portanto...

3-Mas a crueldade inter-pares parece não ter limites, ao contrário da ciência que, segundo a Fundação Gulbenkian, tem limites e para isso se fez um colóquio internacional.
Embora vendo a fita toda ao contrário – os dois mil anos de ciência europeia que teriam lançado a sociedade ocidental numa rota de «progresso» – George Steiner acha que estamos agora em total decadência:
«Onde estão os Platões, os Bachs, os Mozarts de hoje?».
Para lá de surrealista nos plurais, a questão é por demais peregrina e entra numa figura de retórica a que se chama petição de princípio.
Partindo da tese que Platão, Bach e Mozart são produtos da «civilização», estamos outra vez a ver a fita ao contrário: eles foram o que foram, e guardamo-los no coração, exactamente contra e apesar do que se chama progresso, do que ele G.S. chama progresso, civilização, ciência, etc. Eles foram as grandes almas que foram: mas essas estão sempre connosco, antes e depois dos G.S. e dos J.W. deste triste tempo-e-mundo.
Além disso, nada nos diz de que os Mozart não estão hoje aí, todos os dias, e até em maior número: com os estereótipos do estilo G.S. é que nunca os iremos ver e reconhecer.

4 - Com postulados destes, o non sense das suas afirmações faz então todo o sentido:
«A Índia florescerá em breve numa civilização plena de arte, ciência e literatura.» Para a afirmação ficar mais completa deveria ele acrescentar: ao tornar-se potência atómica e fazendo regularmente rebentamentos termo-nucleares subterrâneos, que provocam tsunamis devastadores, a Índia, de facto, está a atingir os picos do progresso.

5 - Necessaria e contraditoriamente, lançou outra das suas boutades: «gerações de europeus que preferem lixos New Age, como as astrologias e outras superstições.»
Para quem disse as asneiras que disse, esta pretensamente ofensiva adjectivação da New Age acaba por ser elogiosa.
Por várias razões ecológicas:
Lixo é hoje a matéria-prima mais valiosa em tempo-e-mundo de luxos e lixos;
Na New Age cabe tudo e mais alguma coisa, inclusive os orientalismos e neo-hinduísmos de que ele, uma linha atrás, faz o pomposo elogio;
Os próprios que trabalham em eco-alternativas de vida vêm-se gregos para se demarcar da avalanche de «atrasos de vida» de que o mercado New Age está hoje a abarrotar: como bom judeu, deve ser essa – o marketing New Age e respectivos lucros - a parte que o magoa mais;
O Mozart terá sido uma criança índigo e hoje as crianças índigo proliferam, segundo algumas teses defendidas no âmbito daquilo a que o senhor G.S. chama «lixo New Age»;
Arranjar um saco chamado New Age onde se mete tudo o que nos incomoda porque incomoda os establishments e negócios do establishment, também não é sinal de grande inteligência: mas ninguém nos disse que o senhor G.S. tinha que ser inteligente.
O que confirma também o stress em que anda a comunidade científica: e não me venham dizer que não os avisei do perigo de AVC’s.

6 - Enfim, o homem achou-se em terra de bantus e quis mesmo impressionar a malta, especialmente os jornalistas que têm sempre que gramar este tipo de notabilidades: Filomena Naves foi a vítima no «Diário de Notícias» e Luís Miguel Queirós no «Público». Sei bem o que isso custa.
E quando tentou redimir-se com algumas verdades óbvias – que têm a ver com a noção de progresso científico e tecnológico por ele advogada – já ninguém o levou a sério.
«Ricos que se passeiam nas suas limusines, a malnutrição e a fome de crianças, a religião do futebol, a pornografia, o dinheiro como valor supremo.»
Tudo isso, afinal, perguntamos nós, o óbvio do óbvio, não foi produzido pelo mesmo sistema de progresso que agora, de repente, se acha em decadência?
O que é que raio está em causa e ele quer (ou não quer) pôr em causa?
Não será exactamente o progresso, a ideia de progresso a que alguns chamam retrocesso, a ideia de desenvolvimento a que alguns chamam sub-desenvolvimento, a «racionalidade europeia», o positivismo, a ideologia tecno e biocrática, a corrida para metas megalómanas, a destruição ambiental, o latrocínio de recursos os mais preciosos, etc, etc, todos os estereótipos, ciclos viciosos, becos sem saída, paradoxos de um sistema que vive de ir matando os ecossistemas?

7 – Mas toda esta crónica tem uma grandessíssima vantagem: se o senhor G.S. é «um dos mais prestigiados pensadores contemporâneos», como os jornais lhe chamaram e por isso a Fundação o convidou, então podemos avaliar do que são os outros menos prestigiados.
Vamos é fugir antes que eles cá cheguem.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

TEORIAS CIENTÍFICAS

fim-do-mundo-1> terça-feira, 23 de Outubro de 2007

CULTURA DO SUSTO
O FIM-DO-MUNDO A PRESTAÇÕES

Quando o semanário «Folha de Portugal», órgão da Igreja IURD, grita «Apocalipse», é claro o objectivo do alarme (alarmismo?): levar mais fiéis às reuniões da Igreja.
Mas quando Al Gore (e os algoristas) gritam ó da guarda, qual é o objectivo?
Vender livros no caso do José Rodrigues dos Santos?
Presidir aos EUA, no caso de Al Gore?
A cultura do medo, a onda negra, os gritos de alarme, os sustos e desesperos porquê?
Uma intenção política de submeter os povos já submissos?
Se a previsão maya (para 21 do 12 de 2012) estiver certa, talvez tudo seja muito mais simples do que os actuais epígonos do Apocalipse proclamam: se o eixo da Terra se inclinar como aconteceu por volta dos 13.200 anos antes de Cristo, talvez possamos assistir à extinção dos actuais dinossauros...
E vai valer a pena identificar quem são hoje os dinossauros que uma providencial oscilação do eixo da Terra poderá extinguir de uma vez por todas. Para alívio e sobrevivência das criaturas que de facto merecem habitar este Planeta lindíssimo visto do Céu: flores, árvores e gatos, por exemplo, para só falar dos que mais adoro.
Já tenho a minha lista de candidatos e vou continuar todos os dias a juntar mais uns quantos: o poder (político, financeiro, industrial, cultural, mediático) todos os dias fornece nomes de dinossauros, digladiando-se uns aos outros pela conquista de mais poder.
+
Provavelmente o fenómeno a que actualmente assistimos – a exploração do medo à escala industrial – tem apenas uma explicação comercial e de marketing: o susto tornou-se mais lucrativo do que tem sido sempre e há que o rentabilizar antes que seja tarde.
A enxurrada engrossa, de dia para dia, de hora para hora.
Mas há quem se interrogue se não haverá razões de outra ordem, digamos mesmo transcendente e se, já agora, também este gosto pelo fim-do-mundo (e a sua exploração claramente comercial) não estará escrito (em código) na Bíblia... Que é o lugar seguro para todos estes sustos, à conta do S. João de Patmos que, escrevendo no seu exílio, o Livro da Revelação, acabou responsável pelo Livro do Apocalipse com a conotação catastrofista conveniente.
Dir-se-á que cronistas, romancistas, algoristas e catastrofistas em geral também não podem fazer outra coisa, movidos pela lógica de uma sociedade que tem nos genes o gene da catástrofe : assustar, porque de facto o fim do mundo é um facto e a curto prazo.
Enquanto isto dura, aproveitemos o que resta dos restos e vamos ganhar uns euros, dólares e petrodólares com a desgraça. Porque não?
Morra Marta morra farta, diz a cruel sabedoria popular.
O que não faz muito sentido é, na linha seguinte ou na coluna ao lado do jornal, cantarem-nos mais uma previsão para 2013, 2050, 2070, 2 mil e tantos... Mais um amanhã que vai cantar.
Se estamos condenados, para quê previsões, inclusive a de ir fazer turismo na Lua, paradoxalmente uma das mais patéticas e caricatas?
+
Há trinta anos eras alarmista, fascista, catastrofista e inimigo do progresso se falasses das ameaças globais (já que nem só do aquecimento global vive o homem). Hoje, dão-te o Nobel e fazem de ti best-seller.
+
Se os egípcios construíram em pedra é porque construíram para lá dos aquecimentos globais, dos dilúvios, das catástrofes e dos apocalipses astronomicamente previsíveis.
Serão, portanto, os únicos a sobreviver à próxima calamidade global.
E os que, com eles, ganharam igualmente o nome de civilizações megalíticas. Os mayas, claro.
+
Entre as espécies animais, que são tantas, nenhuma se compara a estes canibais do tempo-e-mundo actual: ganham com a própria morte que, em boa parte, ajudaram a consumar. «Ceux qui vivent, vivent des morts», diria o Antonin Artaud, meu poeta de cabeceira.
Porque todos ajudámos, valha-nos deus. E comem os despojos à maneira dos abutres: mas ainda é ofender os abutres.
+
Há duas teorias hoje na moda e que são modelo de retórica apocalíptica.
De facto, a teoria do aquecimento global compara-se, em força de convencimento, à teoria das viroses: a ciência mostrou, nesses dois casos e em muitos outros, a sua perfeição ao engendrar as duas teorias do moderno eco-horror e que melhor servem à prorrogação do sistema que vive de ir matando os ecossistemas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ecologia alimentar

1-2-autoterapia-1-nw

SOMOS O QUE COMEMOS:
DOENÇAS METABÓLICAS E AUTOTERAPIA ALIMENTAR

«O diabético tem de ser médico de si próprio» - dizia o título de uma reportagem, da jornalista Diana Mendes, no «Diário de Notícias»( 11 de Setembro de 2007).
Não podemos perder a oportunidade de falar sobre alguns itens muito importantes em ecologia alimentar.
Antes de mais, há que render homenagem à Associação Protectora de Diabéticos de Portugal (APDP) uma associação de verdadeiro serviço público e que se sobrepõe em atendimento aos serviços oficiais do Ministério da Saúde – administrações regionais de saúde - , sempre congestionados. As famosas listas de espera.
Em qualquer caso, a diabetes é, por definição, a doença que mais exige do próprio doente e da consciência que ele tiver da sua situação: como alguns dos testemunhos apresentados pela jornalista Diana Mendes, mostram e confirmam.
Doença metabólica directa e claramente dependente do regime alimentar, é mais do que correcto afirmar, como faz o título do jornal: «o diabético tem de ser médico de si próprio».
Nunca a palavra «autoterapia alimentar» fez tanto sentido.
Googlando, encontrei páginas que defendem essa «autoterapia alimentar» na perspectiva da ecologia humana e do famoso aforismo: «somos o que comemos».
«Um diabético deve aprender a controlar a sua doença, educar-se e tornar-se porta-voz, porque a informação é escassa".( Maria Isabel Coelho)
À Maria Isabel Coelho, que tão bem definiu a autoterapia que é urgente defender e divulgar, dedico estas páginas da Net:

1. http://catbox.info/big-bang/vidanatural/autoterapia.htm
2. http://catbox.info/big-bang/vidanatural/+autoterapia+.htm

+
Transcrevo a reportagem de Diana Mendes, no «DN» :

"O DIABÉTICO TEM DE SER MÉDICO DE SI PRÓPRIO"
Por DIANA MENDES

ASSOCIAÇÃO DE DIABÉTICOS É OPÇÃO ÀS LISTAS DE ESPERA

João Pedro Sousa praticava artes marciais até 1977, altura em que lhe diagnosticaram diabetes. Hoje, vê apenas vultos, mas ninguém lhe tira os 18 quilómetros de marcha por dia. Com 60 anos e meia vida partilhada com a doença, acredita que "os médicos devem dar a informação máxima e, a partir daí, o diabético passa a ser médico de si próprio". A gravidade do seu caso obriga a consultas de três em três meses. Mas chegou a ser criticado por um médico por ir a nova consulta nove meses depois.

As listas de espera fazem parte da vida de vários diabéticos, com quem o DN falou em plena Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. A entidade, com dois edifícios unidos e quatro pisos, está recheada de valências e atende diariamente dezenas de diabéticos. Muitos, se não a maioria, cansaram-se da lenta resposta dos serviços públicos de saúde, que chega a superar ano e meio, tal como o DN noticiou ontem.

É esse o caso de Vítor Teixeira, diabético há sete anos e a quem falaram de uma lista de espera "de dois anos para uma consulta". Foi por sugestão sua que a médica de família, em Alcoentre, decidiu passar uma credencial para a consulta. "Estava tudo bem, mas mandaram-me marcar nova consulta de rotina. Quando me disseram que a lista era de dois anos disse logo: Não posso marcar já?" Com 57 anos, Vítor descobriu há um a associação de doentes, onde já é seguido nas consultas de nutrição, oftalmologia e cardiologia, e as listas são curtas, garantem os doentes.

João Pedro Sousa é o doente ideal para os especialistas em diabetes. Conhece os números, os cuidados, e sabe bem os problemas que pode vir a ter. "No meu caso, tive consequências nos olhos", lamentando sofrer de uma retinopatia diabética proliferativa. As cirurgias, tratamentos a laser e viagens em busca dos melhores serviços não salvaram os seus olhos . Mas ainda hoje não cede um milímetro nos seus cuidados. Anda "6500 quilómetros por ano, 18 por dia, mais musculação e bicicleta". Nas festas, pode comer doces, mas o açúcar é substituído por adoçante. A namorada, nome de baptismo do " aparelho para medir a glicémia", tem de ir sempre atrás.

A isto chama "sermos duros connosco próprios. Agora, está na fase de "porta-voz". E explicou: um diabético deve aprender a controlar a sua doença, educar-se e tornar-se porta-voz, porque a informação é escassa".

Também Maria Isabel Coelho mostrou estar muito preocupada com a sua condição de diabética, descoberta há três anos. Depois de ir ao centro de saúde, "onde me informaram que tinha de ir ao oftalmologista, fiquei a saber que tinha de esperar um ano e meio pela consulta. Mas aqui na associação faço exames todos os anos, como a retinografia".

Enquanto espera pelo serviço público, vai visitando os edifícios da associação e, pelo meio, passa por institutos privados para suprir outras necessidades, que espelham o receio de não conseguir combater algum problema em tempo útil.

É esta espera, que pode chegar a ano e meio, que leva alguns médicos de família, como Rosa Galego, a insinuar que "não se deve fazer rastreios quando não se responde em tempo útil ao tratamento".

ecologia do stress

1-4-stress-1-ac-ab> sábado, 27 de Outubro de 2007

O «LIXO» DA NEW AGE E O LIXO DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL
O SURREAL-ABJECCIONISMO DE GEORGE STEINER

A comunidade científica anda em grande stress e o stress, segundo dizem os cientistas (clínicos), não faz nada bem à saúde deles. A somatização da ansiedade é o pior que há e fala-se em psicosomática como causa das patologias mais horríveis. É a ecologia do stress.

1-George Steiner, que sofreu as passas do Algarve nos tempos nazis (embora as sinopses biográficas não assinalem se esteve ou não em campos de concentração), tem todo o direito a debitar (continuar debitando) o discurso de ódio que contra o chamado Holocausto ouvimos por tudo o que é mídia, todos os dias e a toda a hora (como se não houvesse holocaustos no plural).
Mas que os próprios cientistas não escapem às suas setas envenenadas é que torna a aparição de Steiner em Lisboa, a convite da Fundação Gulbenkian, um «study case» a ter em conta e a analisar ao microscópio electrónico.
Aliás, foi ele quem sugeriu o tema – Os limites da Ciência – ao qual a Fundação se limitou a acrescentar um ponto de interrogação. (!)

2-Um outro caso de agudo stress foi o de James Watson, co-descobridor da estrutura helicoidal do ADN molecular, por causa das declarações consideradas racistas a um jornal inglês:«Branco é mais inteligente que negro» - acho que ele disse. Não só lhe cancelaram o programa de palestras no Reino Unido como, em fim de festa, o demitiram de todos os cargos no Instituto de Investigação de Spring Harbor, em Nova Iorque. «Prémio Nobel da Medicina despedido» - dizia laconicamente o título da notícia (26.10.2007). Isto é o que hoje se faz a um Prémio Nobel, faria se não fosse.
Conforme o jornalista Luís Miguel Queirós acentuava no jornal «Público» (26.Outubro.2007), Steiner aproveitaria o contacto com os jornalistas para deixar clara a sua condenação da recente campanha movida contra James Watson, lamentando que este tenha sido perseguido pelas suas opiniões «numa sociedade que afirma prezar a liberdade de expressão».
Bingo! O homem disse uma acertada, a frase conveniente no meio de um discurso todo ele de non sense surrealista, em que se fartou de gozar com o pagode, à conta do macio colchão de penas que aqui acolhe sempre todo e qualquer renomado cientista, diga ele o que disser, faça ele o que fizer. Prémio Nobel ou não.
Quanto ao James Watson, apetece mesmo dizer: «não batam mais no homem, por amor de Deus». Eu próprio estou com remorsos de ter aqui na Ambio feito alguns reparos ao seu discurso bio-tecnocrático, classificado na altura, aliás, pelo Carlos Aguiar de «inclassificável» (eu e o que disse). Vamos a ver é se o demitem também do conselho científico da Fundação Champallimaud: espero bem que não. Seria o Holocausto em que fala o G.S.
Ainda por cima, não se sabe se o prémio Nobel insultou os negros ou se foi um elogio dizendo os brancos mais inteligentes. Afinal parece que a famosa inteligência branca dos europeus e arredores só deu porcaria: à luz dos holofotes agora montados pelo G.S e da tese por ele desmontada, tudo afinal parece lixo e não vejo que seja mais ou menos lixo do que a New Age.
Portanto...

3-Mas a crueldade inter-pares parece não ter limites, ao contrário da ciência que, segundo a Fundação Gulbenkian, tem limites e para isso se fez um colóquio internacional.
Embora vendo a fita toda ao contrário – os dois mil anos de ciência europeia que teriam lançado a sociedade ocidental numa rota de «progresso» – George Steiner acha que estamos agora em total decadência:
«Onde estão os Platões, os Bachs, os Mozarts de hoje?».
Para lá de surrealista nos plurais, a questão é por demais peregrina e entra numa figura de retórica a que se chama petição de princípio.
Partindo da tese que Platão, Bach e Mozart são produtos da «civilização», estamos outra vez a ver a fita ao contrário: eles foram o que foram, e guardamo-los no coração, exactamente contra e apesar do que se chama progresso, do que ele G.S. chama progresso, civilização, ciência, etc. Eles foram as grandes almas que foram: mas essas estão sempre connosco, antes e depois dos G.S. e dos J.W. deste triste tempo-e-mundo.
Além disso, nada nos diz de que os Mozart não estão hoje aí, todos os dias, e até em maior número: com os estereótipos do estilo G.S. é que nunca os iremos ver e reconhecer.

4 - Com postulados destes, o non sense das suas afirmações faz então todo o sentido:
«A Índia florescerá em breve numa civilização plena de arte, ciência e literatura.» Para a afirmação ficar mais completa deveria ele acrescentar: ao tornar-se potência atómica e fazendo regularmente rebentamentos termo-nucleares subterrâneos, que provocam tsunamis devastadores, a Índia, de facto, está a atingir os picos do progresso.

5 - Necessaria e contraditoriamente, lançou outra das suas boutades: «gerações de europeus que preferem lixos New Age, como as astrologias e outras superstições.»
Para quem disse as asneiras que disse, esta pretensamente ofensiva adjectivação da New Age acaba por ser elogiosa.
Por várias razões ecológicas:
Lixo é hoje a matéria-prima mais valiosa em tempo-e-mundo de luxos e lixos;
Na New Age cabe tudo e mais alguma coisa, inclusive os orientalismos e neo-hinduísmos de que ele, uma linha atrás, faz o pomposo elogio;
Os próprios que trabalham em eco-alternativas de vida vêm-se gregos para se demarcar da avalanche de «atrasos de vida» de que o mercado New Age está hoje a abarrotar: como bom judeu, deve ser essa – o marketing New Age e respectivos lucros - a parte que o magoa mais;
O Mozart terá sido uma criança índigo e hoje as crianças índigo proliferam, segundo algumas teses defendidas no âmbito daquilo a que o senhor G.S. chama «lixo New Age»;
Arranjar um saco chamado New Age onde se mete tudo o que nos incomoda porque incomoda os establishments e negócios do establishment, também não é sinal de grande inteligência: mas ninguém nos disse que o senhor G.S. tinha que ser inteligente.
O que confirma também o stress em que anda a comunidade científica: e não me venham dizer que não os avisei do perigo de AVC’s.

6 - Enfim, o homem achou-se em terra de bantus e quis mesmo impressionar a malta, especialmente os jornalistas que têm sempre que gramar este tipo de notabilidades: Filomena Naves foi a vítima no «Diário de Notícias» e Luís Miguel Queirós no «Público». Sei bem o que isso custa.
E quando tentou redimir-se com algumas verdades óbvias – que têm a ver com a noção de progresso científico e tecnológico por ele advogada – já ninguém o levou a sério.
«Ricos que se passeiam nas suas limusines, a malnutrição e a fome de crianças, a religião do futebol, a pornografia, o dinheiro como valor supremo.»
Tudo isso, afinal, perguntamos nós, o óbvio do óbvio, não foi produzido pelo mesmo sistema de progresso que agora, de repente, se acha em decadência?
O que é que raio está em causa e ele quer (ou não quer) pôr em causa?
Não será exactamente o progresso, a ideia de progresso a que alguns chamam retrocesso, a ideia de desenvolvimento a que alguns chamam sub-desenvolvimento, a «racionalidade europeia», o positivismo, a ideologia tecno e biocrática, a corrida para metas megalómanas, a destruição ambiental, o latrocínio de recursos os mais preciosos, etc, etc, todos os estereótipos, ciclos viciosos, becos sem saída, paradoxos de um sistema que vive de ir matando os ecossistemas?

7 – Mas toda esta crónica tem uma grandessíssima vantagem: se o senhor G.S. é «um dos mais prestigiados pensadores contemporâneos», como os jornais lhe chamaram e por isso a Fundação o convidou, então podemos avaliar do que são os outros menos prestigiados.
Vamos é fugir antes que eles cá cheguem.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

HÁ JÁ 26 ANOS

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O FATALISMO DE CHEGAR ANTES DO TEMPO
UM INÉDITO DE 1981

Lisboa, 6/8/1981 - Que o ecologista seja precursor e o tecnocrata lhe pilhe, sistematicamente, as teses e as ideias, começa a fazer parte da nossa rotineira delinquência diária.
Que o tecnocrata não diga onde pilhou as ideias e se proclame pioneiro, começa a tornar-se hábito.
Quando amanhã o filho do tecnocrata vociferar também contra o Nuclear, porque o pai lhe arranjou um cancro radioactivo per capita, será que o ecologista ainda será imolado por andar a dizer isso há 36 anos (fazem agora, a 6 de Agosto)?
Sabendo como os ecologistas só querem minar a civilização e os altos valores da Cristandade, como se compreende que a civilização tecnológica mais avançada esteja a plagiar tudo o que os ecologistas defendiam? Tudo o que era, ainda há meses, motivo de escárnio, pelourinho ou inquisição?
Se o solar vem «made in Germany» ou «made in USA», abrem-se as portas, venha ele, é progressista, produz megavátios e o Eurico da Fonseca dá, com certeza, mais um dos seus colóquios sobre apertos energético-combustíveis .
Mas se o solar é dos ecologistas - pequenas unidades geradoras de energia conforme as circunstâncias, as necessidades e a realidade concreta de cada local - uf!, a pressurosa imprensa progressista arranja todos os fumos e bufos para meter a ridículo ou submeter aos Pina Manique da ordem esses rapazes que cada vez mais (mesmo com a desajuda dos «mass media») mobilizam pessoas.
Há dois anos, ou ainda menos, era preso todo o que sugerisse uma disseminaçao de unidades geradoras de energia solar: hoje os alemães dizem que vão implantar no Alentejo (*) uma central solar e vai preso todo o português que não quiser.
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(*) Afinal, a central alemã parece que era só fumaça. Em 26 de Julho de 1997, não consta que essa central alemã tivesse sido construída ou qualquer outra

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

HÁ JÁ 35 ANOS

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SELECÇÃO DE MACRONOTÍCIAS SOBRE ESTADO DO AMBIENTE
1972-1988: O FIM DO MUNDO EM NOTÍCIA

Fui procurar nos meus arquivos, a ver desde quando se anunciava, nos jornais, o fim do mundo por alterações climáticas. Desde 1972 que havia registos e aqui deixo a lista até 1988, 16 anos, portanto, em que o fim do Mundo foi notícia.
Relatórios, manifestos, factos, avisos, sinais, sintomas, previsões, profecias, ameaças, congressos, retroconfirmativos ac, etc., aí ficam. Até 2012 ainda temos, segundo as minhas contas, 1884 dias e uns segundos. (1884 days/ 45219 hours/ 2713162 minutes /162789777 seconds).As macronotícias vão assinaladas com 5 estrelas (*****).

-- 1972 --

09/06/1972 - Quem altera o clima ?

-- 1973 --
14/02/1973 - SOS OCEANO Jacques Cousteau lança o alarme.
13/09/1973 - Terceiro congresso do WWF (Worl Wildlife Fun).

-- 1974 --
27/01/1974 - Fome e seca: 20 milhões de pessoas correm perigo de morte.
04/02/1974 - Quais as possibilidades de sobrevivência do Mundo?
27/02/1974 - Banco Mundial avisa sobre países pobres.
16/04/1974 - Aviso da Fundação(argentina) Bariloche.
--/07/1974 - Anomalias climáticas põem alimentação em perigo.

-- 1975 --
11/01/1975 - Mensagens subliminais por satélite.
18/01/1975 - Cientistas (de Pugwash) avisam sobre guerra nuclear.

-- 1976 --
10/04/1976 - Clube de Roma prevê abismo na década de 80

-- 1977 --
30/08/1977 - Cem países estudam luta contra deserto.

-- 1978 --
03/12/1978 - Explosão demográfica inverte-se (*****).

-- 1979 --
01/02/1979 - Clima do mundo vai sofrer profundas transformações.
11/03/1979 - Inquietação sobre o clima.
15/05/1979 - Energia nuclear nos EUA - Dois mil mortos por cancro nos
próximos vinte anos (*****).
17/06/1979 - O pesadelo das cidades.
28/06/1979 - Poluição no Ocidente industrial.
08/08/1979 - Morte de actores americanos atribuída a radioactividade
(*****).
14/09/1979 - Contaminação industrial na RFA.
31/10/1979 - Poluição das cidades nos países da OCDE.
08/11/1979 - Poeiras na atmosfera influenciam clima.
14/12/1979 - Contaminação mata nas grandes cidades.

-- 1980 --
14/01/1980 - Desmentidas alteraçãoes climáticas apocalípticas.
19/01/1980 - Experiências nucleares no ano que findou (*****).
11/03/1980 - Regiões tropicais podem ficar sem água.
28/03/1980 - O uso de armas biológicas e químicas ameaça os recursos
naturais da Terra - adverte um relatório do SIPRI.
29/03/1980 - Desenvolvimento de armas nucleares ameaça recursos
naturais.
26/08/1980 - Mudanças climáticas.
05/09/1980 - Formigueiros humanos no ano 2000?

-- 1981 --
28/11/1981 - Exploração de petróleo provoca deslocação de cidades na
Venezuela.
-- 1982 --
10/12/1982 - Catástrofes de dois em dois dias.
-- 1983 --
11/07/1983 - Alemães federais já não acreditam no progresso (*****).

-- 1984 --
11/01/1984 - Aquecimento da terra poderá provocar apocalipse em 1990.
15/02/1984 - Segundo relatório americano - O mundo está em estado
lamentável.
-- 1985 --
11/12/1985 - Oxigénio é Eldorado da Amazónia (*****).

-- 1986 --
10/01/1986 - Venezuela - Ruído excessivo das discotecas produz surdez
e neuroses.
18/06/1986 - Relações leste-oeste: Médicos face à guerra nuclear.

-- 1987 --
17/02/1987 - Um em cada quatro trabalhadores pode ter perturbações
psíquicas - alerta a OIT (*****).
28/04/1987 - Comissão mundial alerta - Defesa do ambiente entra em
fase crítica.
-- 1988 --
26/06/1988 - Cientistas contestam cientistas - Ano dois mil será
melhor do que hoje.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

viemos de sírius

1-1-globais-1->3 de Setembro de 2007

PROFECIAS & PREVISÕES: É O FIM DO MUNDO

Seja por aquecimento global e desastres climáticos, seja por endemias e pandemias da mais diversa índole e vírus, seja por ameaças de bioterrorismo (com antrás pelo correio), seja por um crash monumental da bolsa mundial, seja por uma guerra nuclear, seja por asteróides desvairados que perigosamente se aproximam do Planeta Terra, seja por penúria petrolífera num globo em monodependência dos hidrocarbonetos fósseis, seja porque teremos de expiar todos os progressos da tecnologia com retrocessos na qualidade de vida e no ar que respiramos e na comida que comemos, seja porque a sociedade do conforto e do luxo tem uma outra face que é a do lixo (tóxico, radioactivo) sem haver onde armazenar, seja ainda porque as ideologias redentoras dos amanhãs que cantam parece que já cantam pouco ou cada vez mais desafinado,
a verdade é que nos encontramos, todos os dias, à beira do abismo, ou pelo menos, com jornais e telejornais (e canais TV só noticiosos) a clamarem que é o último dia da nossa incarnação.
Perigos, ameaças, ciclos viciosos, becos sem saída, vão compondo o puzzle para que já ninguém consegue arranjar a peça em falta, as peças em falta.
E não se diga que só os especialistas em catastrofologia das grandes organizações internacionais (globais) tipo OMS, OMM, FAO, ONU, dão constantes alarmes sobre o Estado (deplorável)da Nação Terra.
Em matéria de maus agoiros, há instituições religiosas que não param de nos assustar.
Um jornal que costumo encontrar nos bancos do comboio é um belo exemplo e um completo repositório dos vários apocalipses que nos esperam ao dobrar da esquina.
Sejamos ingénuos e perguntemos a que lógica de extermínio e de resignação obedece esta acção conjunta de previsionistas e profetas, de cientistas e seitas religiosas, para nos tirar à queima roupa a mais ténue raspa de esperança num próximo futuro.
Que raio de política é esta do susto?
Quem ganha com tantas ameaças e tanta histeria?
Quem pode ainda confiar nestes epígonos do apocalipse, nestes profetas da desgraça, nestes militantes do desespero e da raiva?
Metade das ameaças e previsões são delírio místico ou científico, e provavelmente nem 20% têm consistência real. Mas que o Meio é favorável a um ambiente de hecatombe, parece bastante evidente.
E se fossem todos, profetas e previsionistas, ver se chove?
+
A ameaça dos asteróides e o desastrismo criado à volta deles terá algum fundamento.
Segundo as minhas fontes, os asteróides são acessórios filiais de Sírius e Sírius é a pátria da nossa pátria de origem.
Em qualquer caso, devíamos agradecer aos asteróides que andam a cheirar-nos e seja qual for o seu objectivo: mesmo que eles decidam destruir o que criaram e que nós – humanóides – não soubemos preservar e respeitar, apenas irão terminar o que nós começámos.
Qual é, no fundo e então, a grande esperança para os humanóides terráqueos?
É que não precisamos de rezar nem de fugir, nem de escavar silos para refúgio de uma guerra atómica, porque os irmãos extraterrestres vigiam esta malta e não deixarão os gananciosos do dinheiro e do poder resingar mais.

pensar o óbvio

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ECO-FILOSOFANDO SOBRE A ARTE DE FILOSOFAR
RECURSOS DE UM APRENDIZ DE FILÓSOFO

Felizmente que há especialistas capazes de nos falarem, em termos de toda a gente, dos assuntos mais especializados, de economia, bolsa e finanças ou de Ambiente.
Foi o caso num artigo de António Peres Metelo, redactor principal do «Diário de Notícias» e um dos nossos melhores especialistas em jornalismo económico.
Várias lições podemos retirar desse magnífico editorial, («DN», 7 de Setembro de 2007) onde, entre outras metáforas certeiras, destaco esta: «a crise está na massa do sangue do nosso sistema económico».
Quem não percebe nada de economia e finanças, nunca se atreveria a escrever isto mesmo que o pensasse.
A metáfora exprime um vasto conjunto de ideias e factos que o discurso analítico normal nunca poderia exprimir com tanta clareza e, curiosamente, com tanta exactidão.
No artigo de António Perez Metelo, detectei outras metáforas igualmente elucidativas e que fazem o leitor comum compreender matérias altamente especializadas:
«o efeito dominó»
«panaceia»
«velocidade da luz»
«transparência»
«lambem as feridas»
«os ventos da fortuna»
«febres cíclicas»
E finalmente, a frase-chave: «A existência de ciclos, com as suas inevitáveis crises, por mais que não se queira, está na massa do sangue do sistema económico que nos rege.»
Sem metáforas, o jornalista nunca se poderia fazer entender em matérias tão especializadas.
+
Dá gosto ver e ler um especialista que eco-filosofa sobre o essencial e o estrutural.
Porque, sendo o essencial o sistema no seu intérmino labor de destruir os ecossistemas, há sempre ocasião de um economista falar de ecologia falando de economia, ou falar de economia falando de ecologia, prestando bons esclarecimentos ao entendimento causal de tudo o que acontece e inter-relaciona (porque, para o bem e para o mal, tudo se interrelaciona com tudo).
Se tudo é Ambiente – outra banalidade de base a que podemos recorrer – então nenhuma especialidade, só por si, pode dar um contributo consistente a uma visão global do enredo (ou rede) chamado ecossistema.
Quem é suficientemente genial para falar de várias especialidades e relacionar (acima de tudo relacionar) umas com as outras? Nem Leonardo da Vinci hoje o conseguiria.
Quem não é génio, nem Leonardo da Vinci da Ecologia, mas não desiste de pensar as inter-relações de causalidade, refugia-se na única coisa que qualquer um pode fazer: eco-filosofar livremente.
E eco-filosofando, tentar relacionar as partes com o todo.
+
Já vimos que, ao falar de sistema (o todo no seu conjunto) a metáfora dá bastante jeito, embora o cientista especialista, aí, fale de Retórica.
Dou exemplos da minha Retórica:
«ciclos viciosos»
«ponto sem retorno»
«crescimento logarítmico»
«a sociedade industrial desemboca em vários becos sem saída»
«ao puzzle do sistema faltam sempre peças»
«a crise é estrutural a um sistema crítico que vive de ir matando os ecossistemas: não pode viver sem matar».
+
Uma aproximação filosófica ao meio ambiente não é evidentemente uma ciência de rigor. Mas será possível uma ecologia de rigor? As ciências humanas e as ciências da vida poderão ser ciências de rigor?
A arte de filosofar não é uma ciência de rigor. É uma arte de conhecer, por aproximações sucessivas, um pouco melhor a realidade ambiente que nos cerca.
O dever de filosofar sobre o (estado do) Ambiente deveria estar inscrito como direito, na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
E o direito à metáfora para expressar ideias gerais.
E o direito a errar, já que errar é caminhar.
O caminho da análise (científica) já nos levou longe demais na atomização da realidade ambiente. Na pulverização do seu entendimento. Na parcelarização do que só faz sentido em pequenos, médios e grandes conjuntos.
Julgo saber que a parte e o todo é um problema por resolver na epistemologia institucional, a que hoje se reduz a Filosofia admitida.
É esta outra dificuldade básica para quem quer pensar sobre o meio ambiente: é que qualquer «todo» que se considere é sempre parte de um «todo» maior. Daí que tenhamos se falar em «ciência alargada» e em «ecologia alargada».
+
A eco-filosofia postula-se em uma banalidade de base:
Reconhecer e pensar o óbvio: Tudo é ambiente.
Por exemplo: relacionar uma patologia com o ambiente (exógeno ou endógeno) que a provoca, é um óbvio ainda não reconhecido oficialmente pela ciência médica oficial. Este óbvio não será reconhecido enquanto a doença for rentável. Enquanto a doença for rentável , nunca mais teremos uma eco-filosofia da saúde (Holística , ou lá o que lhe quiserem chamar).
A ciência médica recusa-se a reconhecer o óbvio – a doença está no ambiente – porque isso contraria uma indústria que é, depois do armamento e do automóvel, uma das mais lucrativas.
+
Outro óbvio ululante é a existência de um continuum energético: a matéria seria apenas um grau de condensação do espírito criador: a eternidade, o infinito.
O microcosmos seria apenas a outra «ponta» do macrocosmos. Por isso se diz que filosofar sobre o óbvio é repetitivo, volta-se muitas vezes ao mesmo ponto para avançar mais alguns.
Este postulado óbvio (outra metáfora) inutiliza muitas teorias que a ciência se gaba de ter produzido mas principalmente a última em data que dá pelo nome de «teoria do todo».
Uma tolice ainda no limbo, ao que parece, e que como tolice irá continuar.
Como é, aliás, óbvio.
+
Entropia e Neguentropia, Nómeno e Fenómeno voltam a entrar no vocábulo básico de uma eco-filosofia.
Os 4 elementos de Empédocles e os 5 elementos da biocosmologia taoista são metáforas muito úteis a quem quer filosofar sobre o todo ambiente.
Fazem um corte transversal – outra metáfora! – onde a ciência analítica cria mais um nicho e faz casuística sistemática (?).
+
Além da metáfora o aprendiz de filósofo dispõe de outros recursos na sua tarefa artesanal de pensar com a própria cabeça: as listas de inventário são outra forma (artesanal, concordo) de nos aproximarmos de uma realidade complexa e, por vezes, inflacionária.
A «lista negra» das poluições, por exemplo, é o menos que podemos invocar quando se pretende apontar uma entre mil poluições.
Os transgénicos são outro exemplo de como a discussão acaba por se polarizar apenas num capítulo do todo que é o horror da biotecnologia e respectivas putifarias (esta das patifarias é outra metáfora útil).
Mas quem diz listas de inventário, diz títulos de jornal: resumem em duas linhas o que levaria páginas a explicar analiticamente.
+
A Retórica , outro recurso muito mal visto nos meios académicos, presta relevantes serviços a quem não conhece todas as especialidades de todas as ciências e matérias sobre as quais tem que se pronunciar, não de maneira analítica mas sintética: como faz a metáfora. E lá vai chegando onde pode, por aproximação e com margem de erro maior ou menor. Afinal, o que a ciência académica também faz. Apenas com maior arrogância.
+
Como o artigo de António Perez Metelo confirma, um bom editorial de um bom jornal (a ilacção geral a partir de um caso particular) é mais um bom caminho de nos aproximarmos à realidade ambiente.
+
Saber é poder. E lucro.
Não vale a pena fingir que ignoramos um dado básico em toda esta questão: com o «monopólio da verdade», quer das religiões quer das universidades, a arte de filosofar deixou de ter legitimidade. O que não for atestado pelas corporações, atestado pela universidade ou abençoado pelas igrejas, é zero.
Mas é nesse zero que os marginalizados do sistema ainda conseguem arranjar espaço para se pronunciarem sobre o que «sabem» (pensar é recordar). O direito a pensar há muito que foi proibido pelas inquisições e instituições. A quem fica de fora – ainda somos uma boa maioria silenciosa – só resta filosofar. Só resta ir eco-filosofando.
E seja o que Deus quiser.

http://ecologiaemdialogo.blogspot.com/
http://myweb26.com.sapo.pt/+hemeroteca+.htm
http://catbox.info/big-bang/ecologiaemdialogo/+deep%20ecology+.htm

contaminação alimentar

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CONTAMINANTES & COMPANHIA: UMA HISTÓRIA MUITO ANTIGA

http://catbox.info/big-bang/vidanatural/dcm87-eh.htm
http://catbox.info/big-bang/vidanatural/silenc.htm
http://catbox.info/big-bang/vidanatural/dcm83-2.htm
http://catbox.info/big-bang/vidanatural/pao-1.htm
http://catbox.info/big-bang/vidanatural/pao-2.htm
http://catbox.info/big-bang/vidanatural/+ecologia%20alimentar+.htm

Ao que foi dito, escrito e publicado em 1987, sobre polímeros e contaminação alimentar, há apenas algumas novidades recentes entre as muitas que todos os dias se acumulam sobre alimentos que são contaminantes e prejudiciais à saúde do indígena.

22 de Maio de 2006 – A federação das indústrias Agro-Alimentares quer criar um código de conduta para o sector sobre estilos saudáveis, que ajude a combater a obesidade, revelou ontem a directora-geral da organização

22 de Julho de 2007 – Leite é o alimento que mais alergias provoca. O jornal «O Destak» sintetizava assim: o leite é a principal causa das alergias alimentares, e cólicas, nos bebés até aos 3 anos, mas muitos adultos também sofrem de intolerância à lactose. O pediatra Libério Ribeiro, especializado em alergias, aconselha o «leite extensivamente hidrolizado ou de soja.»

7 de Setembro de 2007 – Corantes contribuem para a hiperactividade: consumo de alguns aditivos acentua o défice de atenção das crianças. A jornalista do «DN», Maria João Caetano, apontava alguns alimentos «perigosos», onde os cientistas encontraram aditivos (seis corantes e um conservante) em vários produtos que integram a alimentação comum: bolos, refrigerantes, gomas e outros doces, iogurtes, molhos, filetes de peixe panados, gelados.
Crianças e adultos, portanto, ninguém está a salvo.
E sobre o Leite de Soja, aconselhado pelo pediatra Libério Ribeiro, ninguém está seguro, hoje, que essa Soja não seja transgénica nem conservada por radiações ionizantes.
Do que todos podemos ter a certeza é de que estamos metidos em mais um buraco sem saída.
Até quando, Catilina?

ecologia alimentar

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SOMOS O QUE COMEMOS
DOENÇAS METABÓLICAS E AUTOTERAPIA ALIMENTAR

«O diabético tem de ser médico de si próprio» - dizia o título de uma reportagem, da jornalista Diana Mendes, no «Diário de Notícias»(11 de Setembro de 2007).
Não podemos perder a oportunidade de falar sobre alguns itens muito importantes em ecologia alimentar.
Antes de mais, há que render homenagem à Associação Protectora de Diabéticos de Portugal (APDP) uma associação de verdadeiro serviço público e que se sobrepõe em atendimento aos serviços oficiais do Ministério da Saúde – administrações regionais de saúde - , sempre congestionados. As famosas listas de espera.
Em qualquer caso, a diabetes é, por definição, a doença que mais exige do próprio doente e da consciência que ele tiver da sua situação: como alguns dos testemunhos apresentados pela jornalista Diana Mendes, mostram e confirmam.
Doença metabólica directa e claramente dependente do regime alimentar, é mais do que correcto afirmar, como faz o título do jornal: «o diabético tem de ser médico de si próprio».
Nunca a palavra «autoterapia alimentar» fez tanto sentido.
Googlando, encontrei páginas que defendem essa «autoterapia alimentar» na perspectiva da ecologia humana e do famoso aforismo: «somos o que comemos».
«Um diabético deve aprender a controlar a sua doença, educar-se e tornar-se porta-voz, porque a informação é escassa".( Maria Isabel Coelho)
À Maria Isabel Coelho, que tão bem definiu a autoterapia que é urgente defender e divulgar, dedico estas páginas da Net:

1. http://pwp.netcabo.pt/big-bang/vidanatural/autoterapia.htm
2. http://pwp.netcabo.pt/big-bang/vidanatural/+autoterapia+.htm
3. http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&cr=countryPT&q=+site:pwp.netcabo.pt+autoterapia+alimentar
+
Transcrevo a reportagem de Diana Mendes, no «DN» :

"O DIABÉTICO TEM DE SER MÉDICO DE SI PRÓPRIO"
Por DIANA MENDES

ASSOCIAÇÃO DE DIABÉTICOS É OPÇÃO ÀS LISTAS DE ESPERA

João Pedro Sousa praticava artes marciais até 1977, altura em que lhe diagnosticaram diabetes. Hoje, vê apenas vultos, mas ninguém lhe tira os 18 quilómetros de marcha por dia. Com 60 anos e meia vida partilhada com a doença, acredita que "os médicos devem dar a informação máxima e, a partir daí, o diabético passa a ser médico de si próprio". A gravidade do seu caso obriga a consultas de três em três meses. Mas chegou a ser criticado por um médico por ir a nova consulta nove meses depois.

As listas de espera fazem parte da vida de vários diabéticos, com quem o DN falou em plena Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. A entidade, com dois edifícios unidos e quatro pisos, está recheada de valências e atende diariamente dezenas de diabéticos. Muitos, se não a maioria, cansaram-se da lenta resposta dos serviços públicos de saúde, que chega a superar ano e meio, tal como o DN noticiou ontem.

É esse o caso de Vítor Teixeira, diabético há sete anos e a quem falaram de uma lista de espera "de dois anos para uma consulta". Foi por sugestão sua que a médica de família, em Alcoentre, decidiu passar uma credencial para a consulta. "Estava tudo bem, mas mandaram-me marcar nova consulta de rotina. Quando me disseram que a lista era de dois anos disse logo: Não posso marcar já?" Com 57 anos, Vítor descobriu há um a associação de doentes, onde já é seguido nas consultas de nutrição, oftalmologia e cardiologia, e as listas são curtas, garantem os doentes.

João Pedro Sousa é o doente ideal para os especialistas em diabetes. Conhece os números, os cuidados, e sabe bem os problemas que pode vir a ter. "No meu caso, tive consequências nos olhos", lamentando sofrer de uma retinopatia diabética proliferativa. As cirurgias, tratamentos a laser e viagens em busca dos melhores serviços não salvaram os seus olhos . Mas ainda hoje não cede um milímetro nos seus cuidados. Anda "6500 quilómetros por ano, 18 por dia, mais musculação e bicicleta". Nas festas, pode comer doces, mas o açúcar é substituído por adoçante. A namorada, nome de baptismo do " aparelho para medir a glicémia", tem de ir sempre atrás.

A isto chama "sermos duros connosco próprios. Agora, está na fase de "porta-voz". E explicou: um diabético deve aprender a controlar a sua doença, educar-se e tornar-se porta-voz, porque a informação é escassa".

Também Maria Isabel Coelho mostrou estar muito preocupada com a sua condição de diabética, descoberta há três anos. Depois de ir ao centro de saúde, "onde me informaram que tinha de ir ao oftalmologista, fiquei a saber que tinha de esperar um ano e meio pela consulta. Mas aqui na associação faço exames todos os anos, como a retinografia".

Enquanto espera pelo serviço público, vai visitando os edifícios da associação e, pelo meio, passa por institutos privados para suprir outras necessidades, que espelham o receio de não conseguir combater algum problema em tempo útil.

É esta espera, que pode chegar a ano e meio, que leva alguns médicos de família, como Rosa Galego, a insinuar que "não se deve fazer rastreios quando não se responde em tempo útil ao tratamento".

transgénicos+ fome

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1946-2007: MEIO SÉCULO DE LUTA

A despropósito ainda do milho transgénico e dos activistas do estilo verde-eufémia, José Júdice, colunista do jornal «Metro» (5 de Setembro de 2007), aproveitou para dizer mal dos ecologistas em geral e para tentar reanimar um morto totalmente morto(1766-1834) Thomas Robert Malthus. E o seu maltusianismo, completamente arrumado e enterrado, diga-se, pelo biologista, sociólogo e político Josué de Castro, em obras que estão hoje mais vivas do que quando foram publicadas, na segunda metade do século passado: Geopolítica da Fome, O Livro Negro da Fome, O Ciclo do Caranguejo e Geografia da Fome.
Ainda não há muito tempo, Luísa Schmidt, socióloga e especialista na área do Ambiente, rendia grandes elogios a este autor, um dos pensadores fundamentais da Idade Moderna. E considerava o livro «Geografia da Fome» o livro que mais a marcou.
Outros, mesmo não sociólogos, poderiam dizer o mesmo.
Josué de Castro foi voz de uma geração.Quando o Terceiro Mundo, a Fome e a Pobreza ainda eram tema de conversa. E de luta. E de combate. E de ódio ao poder que eterniza a miséria.
Que pena o colunista José Júdice, que de vez em quando diz umas coisas acertadas, não se ter lembrado deste autor e das suas obras fundamentais sobre as causas estruturais da fome.
Em vez disso, desenterra conversas antigas, do tempo em que os animais falavam e em que a famosa teoria de Malthus fazia carreira para pôr os ecologistas a ridículo.
Por causa dos transgénicos e dos activistas do verde Eufémia, ele não hesitou em reanimar o que já tinha sido definitivamente arrumado por Josué de Castro.
Escreve o articulista:
«A humanidade não morreu à fome porque o progresso da química, da biologia e da agronomia produziu nos últimos 15 anos adubos, pesticidas e novas plantas capazes de alimentar o planeta.»
Curiosamente, não invoca a explosão demográfica que era o grande cavalo de batalha dos malthusianos.
O dilema não é, como José Júdice falaciosamente afirma, entre agricultura química (com pesticidas, adubos químicos, transgénicos e etc) e agricultura biológica.
Qualquer das duas é, a médio e longo prazo, insustentável: o que qualquer ecologista sensato defende é uma «agricultura sustentável» e não uma agricultura «biológica» para elites.
Não vale a pena manter antigas falácias para continuar a indrominar a malta.
Mais adubos químicos, mais pesticidas, mais transgénicos, mais biocombustíveis hão-de significar sempre mais fome. Ponto final parágrafo.

RETROSPECTIVA CONFIRMATIVA:
http://pwp.netcabo.pt/big-bang/gatodasletras/casulo1/josué.htm

desperdício de biomassa

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ESPÉCIES INVASORAS: COMBATER OU REAPROVEITAR
EM BENEFÍCIO DOS HUMANOIDES?

1- Todos os dias confirmamos de como sabemos afinal tão pouco de tudo.
Novidade absoluta vou encontrá-la no jornal «Metro» (20 de Setembro de 2007):
«Os restos de comida da cadeia de restaurantes MacDonald’s vão ser reaproveitados para gerar energia em hospitais e teatros.»
Acção exemplar ou golpe de propaganda, a iniciativa não deixa de ser uma boa notícia e a notícia não deixa de ser uma boa iniciativa.
Não tenho conhecimentos que confirmem se tecnicamente é possível transformar alimentos em electricidade.
Mas alguma coisa hoje é impossível aos técnicos e engenheiros do Ambiente?
Por isso confio que os especialistas da Ambio possam esclarecer-nos a todos.
A ser possível (tecnicamente possível) a nossa fé nos cientistas de serviço é que fica profundamente abalada: se eles sabiam isto e não disseram, há aqui qualquer coisa que não bate certo.
Se não sabiam, ainda pior.
2 – Mas isto leva-me de um salto para um assunto no qual tenho pensado muito e de que já lançara aqui na Ambio, em tempos, um repto tipo apelo, dirigido à criatividade dos senhores cientistas.
Na altura estava (e ainda estou) obcecado com o jacinto de água, considerado praga pelos cientistas que só têm soluções do tipo «lança-chamas» e de contra-ataque violento.
E agora continuo magoadíssimo, claro:
a) Porque nunca vou ter resposta a esta minha angústia
b) Porque tanta matéria verde provavelmente nem sequer sequestra CO2 (o que hoje pode ser considerado um crime de lesa pátria global)
c) Porque as acácias são basto de bonitas e, francamente, face ao pepino celulósico (vulgo eucaliptus globulus), preferia que usassem para este o dito lança-chamas.
Vira a coisa no programa Biosfera e volto a ver, num contexto alargado, a mesma questão que, na minha velha inocência, pusera: porque não se aproveitam os jacintos como biomassa?
Tecnicamente não é possível?
Comercialmente não é rentável?
Mas há impossíveis para os cientistas e engenheiros do ambiente?
3- O programa Biosfera, da RTP 2 (19 de Setembro de 2007) coloca a big questão das «espécies invasoras»: cuidado mesmo, porque são terrivelmente prolíficas e não há biodiversidade onde elas acampam.
A acácia das lindas flores amarelas é a primeira na fila das malditas.
Aqui, como calculam, o coração bateu-me forte: será que vão também incluir os eucaliptos globulus nas invasoras?
Sim, a Maria Grego, em menos de um segundo, citou (citou só) o eucalipto e passou adiante, pormenorizando, como se impunha, as restantes infestantes.
E dei comigo a perguntar às jovens biólogas que tão bem falaram das várias espécies em tribunal: queridas, porque raio não é tecnicamente possível usar tanta matéria-prima para biocombustível, tanta biomassa para produzir mais electricidade?
Será que só têm soluções de contra-ataque (violento) para nos desembaraçarem da praga?

custos da saúde

lixo-2-ie-ab>domingo, 23 de Setembro de 2007

PRAGAS & DOENÇAS: COMBATER NÃO CHEGA E SÓ PIORA

A resposta da ciência médica ao que se chama doença, é típica de uma mentalidade: «combate-se» a doença em vez de manter ou recuperar a saúde.
E chama-se «saúde» ao que é, pura e simplesmente, «doença».
É um insulto à inteligência de todos nós, contribuintes, que pagamos o equívoco e os custos deste discurso troca-tintas.
É a sintomatologia a vencer a causalidade.
É o ciclo vicioso da química a criar mais e novas doenças em vez de curar as antigas.
Afinal a analogia com o que vinha dizendo – combater as espécies invasoras com meios químicos e violentos em vez de as recuperar, reutilizar, reciclar – talvez não seja assim tão disparatado.
Temos um antecedente: a medicina profiláctica natural, a medicina metabólica, a medicina ecológica e holística já provou que a via não violenta é muito melhor (e fica muito mais barata ao orçamento) do que a via química e cirúrgica.
Deixo mais um convite aos senhores cientistas: um pequeno golpe de asa (um pouco mais de criatividade) e talvez que muitas «pragas» nossas conhecidas se extinguissem de vez.
Não é preciso ser idealista mas apenas seguir a ordem lógica, científica e natural das coisas. Será assim tão difícil à mentalidade de um especialista?
Será assim tão difícil chamar saúde ao que é saúde e doença ao que é doença?
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Notícia de 20 de Setembro de 2007:
«Cientistas do Porto provaram que o consumo de ecstasy causa danos nos neurónios que podem levar à morte das células cerebrais e que este efeito é travado com um medicamento usado no tratamento da doença de Parkinson.»
De certeza que os cientistas do Porto têm razão e que a sua descoberta é uma grande descoberta.
Para quem não é cientista e se fia apenas no instinto, na experiência ou na intuição, também há algumas certezas:
Qualquer droga química, admitida ou proibida, de farmácia ou de candonga, nunca é inócua e se mata 10 ou 100 ou cem mil células cerebrais ou outras, tanto faz, a fisiologia, a filosofia e a ética é a mesma; metais pesados deixam sempre marca, mesmo quando não têm efeito definitivamente acumulativo.
Que se utilize exactamente essa mesma lógica (fisiologia, filosofia e ética) para engrandecer uma outra droga de farmácia, é que me parece pouco razoável, quiçá imoral e bastante perverso. No mínimo, contraditório.
Teremos então que nos resignar a uma mentalidade dominante – a que chamei unideologia – que nos tem conduzido a uma lista negra enorme de efeitos:
Listas de espera nos hospitais
Escalada de novas e velhas patologias
Escalada de gastos do SNS
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É aqui que encaixa uma outra notícia recente: «Gastamos em saúde 10% de tudo o que produzimos» (DN, 14 de Setembro de 2007).
O jornalista Pedro Sousa Tavares, resume assim alguns itens deste dossiê definitivo (a doença a que se chama, teimosa e estupidamente, saúde):
a) 14, 5 mil milhões de euros foi a factura da saúde paga por todos os portugueses em 2005, segundo o INE
b) 9,7% do PIB foi investido no sector. O equivalente a 1.369, 74 euros por cada habitante.
c) Portugal gastou em 2005, 9,7% do produto interno bruto em despesas de saúde.

Quando tocamos nos milhões, tudo fica esclarecido e à mostra.

Uma mentalidade ecológica e causal em vez de sintomatológica e de sopas depois do almoço, ficaria indubitavelmente mais barata ao orçamento, para lá de evitar sofrimento desnecessário. Listas de espera, cirurgias, novas patologias, hospitalizações, etc.
Quem se trata por meios naturais, no entanto, terá de pagar tudo do seu bolso.
Quem faz auto-profilaxia alimentar e poupa no orçamento de Estado, ainda paga mais de impostos e nem sequer um obrigado recebe das autoridades de «saúde»
Quem modesta e ecologicamente contribui para diminuir aritmeticamente a dor do mundo (diria Albert Camus), só recebe risinhos dos cientistas e especialistas.
Quem aponta a pastilha elástica como um crime de consumo corrente (entre crianças) ainda é classificado de parvo e de pateta (acaba de aparecer no mercado uma marca que junta a pastilha elástica com drop!!!) .
Provavelmente tudo isto está certo e parvo é quem cá anda com militâncias estúpidas.
Mas às vezes dá vontade de gritar alto: «Chega, Basta».