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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EDGAR MORIN NA BIBLIOTECA DO GATO






GOOGLE REGISTA E OBRIGADO:

1. http://catbox.info/big-bang/oescriba/morin-3.htm
2. http://catbox.info/big-bang/oescriba/+seleccao%20auto+.htm
3. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/fs-3.htm
4. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/+bigbang%20arquivos+.htm

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FILES AC AFINS:

1-4 -morin-md-1-4-sexta-feira, 7 de Novembro de 2003

morin-1-ls- terça-feira, 24 de dezembro de 2002 - novo word - solta ou em secção «releituras do acaso» - suplemento «largo» - 1452 caracteres - correspondências mágicas - caminhos do maravilhoso


O SÁBIO É O INOCENTE: PENSAMENTO ANALÓGICO PARA PENSAR O IMPENSÁVEL

[ 3-2-1992] - Na sua obra «O Homem e a Morte», página 102 da edição em língua castelhana, Edgar Morin considera que a velha máxima ocultista «o «macrocosmos reproduz o microcosmos» é imediatamente mágica», isto é, «está intimamente ligada à vontade do microcosmos de identificar-se com o macrocosmos ou de se apropriar dele, imitando-o ou ordenando-o».
Edgar Morin cita depois S. Anthony para definir magia: «comportamento que implica que as coisas ocorrem tal como foram pensadas, desejadas ou imitadas.»
As tecnologias apropriadas (TA's) poderão ter algo de mágico, nesta acepção, mas a áurea mitológica desaparece dessas técnicas, que se mostram afinal de um pretenso rigor experimental e científico.
Tornar «mágicos» os poderes do homem é o convite das tecnologias humanas apropriadas, sem que esse objectivo de poderio seja necessariamente deliberado. Para não ser violência nem violento, o poder só pode acontecer em simultâneo com a sabedoria, que se traduzirá por inocência ou candura na nomenclatura original (radical, de raiz).
Daqui resulta a noção de oculto inerente ao poder verdadeiramente demiúrgico do homem possesso da sua ligação com Deus!
O pensamento contraditório ou paradoxal, a que os livros chamam analógico ou sincrónico, é, por isso, o único instrumento capaz de acompanhar o desafio do fantástico.
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1-3 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

A EQUIPA DE EDGAR MORIN E OS SÁBIOS  (*)

21-1-1973 - Sem perder o carácter de proliferação  que caracteriza o Sistema, as doenças do Sistema, os mitos, vícios, manias e alibis do Sistema, as " ciências humanas " estão a produzir uma explosão bibliográfica, como lhe chamava a revista " Psychologie”, no seu número de Dezembro último.

De facto, é impossível controlar esta crescente proliferação de " ciências humanas ". Quando não se pode convencer o estudioso pela razão, esmaga-se com " exaustiva bibliografia ".

Centenas de títulos por mês, só em França ( pátria destas coissas cartesianas), dão a medida de outros tantos especialistas empenhados na  tarefa de salvar o Sistema , à custa de desvirtuarem todos os outros (múltiplos, variados) sistemas de mitos e valores que, através do tempo e do espaço,  fingiram ignorar e por fim decidiram atacar pela porta sempre aberta nas "ciências experimentais ", mais tarde ditas humanas. Assim se põe na mesa de anatomia o que lograra escapar à ordem ocidental .

O Sistema analisa.  Goza a analisar. Mas, para analisar, a condição sine qua non é matar o bicho que pretende autopsiar. Para isso, coloca-o na mesa operatória e, depois de bem morto, começa o piedoso trabalho de autópsia.

As ciências humanas, que tanto se ufanam do título, são pois e sempre ciências necrófilas. E, além de necrófilas, uma petição de principio por definição. Matam primeiro a vida que pretendem conhecer, estudar, analisar.

Primeiro as "ciências humanas" desenham um mito, um molde, uma imagem puramente fictícia e fantasmagórica . Depois vá de censurar esse fantasma como se de realidade se tratasse e por não ser realidade.
E, depois, vá de classificar de utopia toda a proposta que, apesar das deformações sofridas, se apresenta evidentemente de qualidade superior às triviais e concorrentes propostas do Sistema único.
Dado que as "ciências humanas " têm, por objecto de estudo, que se debruçar sobre sistemas de valores que lhes são alheios e a que o Sistema é hostil, o fim das  "ciências humanas" é - quando surge um sistema, uma civilização, um módulo ou uma comunidade cultural de evidente qualidade e superioridade , cognominá-la de "infame utopia". 


ASTROLOGIA NUNCA EXISTIU

Exemplo faiscante é o da astrologia.

Astrologia é coisa que, em verdade, nunca existiu fora dos  catalogadores profissionais. Dos que levam a vida a espetar a borboleta na secretária e a fichá-la.

Vai daí, pegam na astrologia que inventaram e restabelecem a ordem.

Racionalistas de um lado, homens de fé pelo outro, sabemos o que tem sido a história do fantástico e, por extensão, da heresia imaginativa frente aos poderes constituídos. Sabemos muito bem quantas vezes se crucificou, crucifica e crucificará Galileu, em nome de razão, em nome da fé, em nome do Negócio.

Le Nouvel Observateur, hebdomadário de muita razão,  entrega a observação do fenómeno "astrologia" a uma bem apetrechada equipa de sociólogos.

O resultado saiu há pouco em edição portuguesa com o titulo «O Retorno dos Astrólogos».

Alguém definiu a sociologia como a « pescadinha de rabo na boca ". Outros, não gostando do plebeísmo, preferem a metáfora mais nobre: "a sociologia é a víbora que morde a sua própria cauda".

Relativamente aos sociologistas de Le Nouvel Observateur não se pode afirmar, com segurança,  se se trata de pescadinha, se de víbora.

Mas deixemos a metáfora e falemos em linguagem científica: a astrologia é vista, por este grupo de observadores novos, de todos os ângulos incluindo o de cima para baixo, apenas para que fique demonstrada a tese adrede preparada e mantida; só os pobres de espírito se dedicam à astrologia.

Os ricos como Le Nouvel já não precisam. Cultivam outras astrologias mais puras e eruditas.

Isto claro sem falhanços, depois de se ter dado da astrologia a minuciosa e única imagem que a sociologia pode dar, e que é o puro, exacto, rigoroso reflexo da sua própria pobreza de espírito .

Quer dizer; reduzindo esta e outras técnicas iniciáticas ao capítulo redentor das "ciências ocultas" (outro fantasma das cabecinhas sociológicas), analisando fenómenos que se começa por deformar.
Produto da sociedade que o consome (outra vez a pescadinha de rabo na boca) o psiquismo que se ocupa de horóscopos - concluem triunfalmente os  observadores de Le Nouvel - ou é de massas, ou burguês, ou de raiz culta mas ... idealista.

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1-2 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

DOIS TESTEMUNHOS SOBRE A DISSIDÊNCIA(*)

[«Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970 ] - Não é possível analisar, de uma só vez, as várias obras que, recentemente aparecidas, se ocupam do fenómeno «contracultura» com ponto de irradiação nos Estados Unidos - mas um primeiro balanço de títulos impõe-se, como medida prática de informação e como prefácio para análises mais detalhadas que venham a fazer-se dessas obras e de tudo quanto de urgente implicam.

Claude Roy não reuniu ainda em livro as suas reportagens nos Estados Unidos mas elas devem citar-se, nesta resenha de conjunto: publicadas em Le Nouvel Observateur, foram a posição lúcida de um intelectual que se interna e aventura em pleno terreno de contradições, sem receio dos mal-entendidos das academias.

Apenas ocupado e preocupado em compreender, em ver a verdade que só o conhecimento prático da realidade e a experiência vivida dão, Claude Roy foi dos primeiros testemunhos, em França, a enfrentar o imobilismo de todas as frentes.

Edgar Morin já publicou em livro - Journal de Californie (1) – os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, - de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk de San Diego. Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: Que é a vida? Que é o homem? Que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase-mutação que esta revolução põe desde já à Humanidade.

Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tsé, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o vórtice onde a civilização se acelera, se destroi e renasce. E a cabeça investigante da nave espacial Terra . O fenómeno «hippy», as grandes cerimónias colectivas como park-in e concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.

Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.

Enquanto operava uma como que revisão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.

Para Jean-François Revel, autor de «Ni Marx ni, Jesus», a contra-cultura é apenas um pretexto de alimentar o seu anticomunismo e um alibi mais para impingir o manifesto radical do seu amigo Jean-Jacques Servan-Schreiber. Se ele conclui que a revolução está nascendo nos Estados Unidos, é apenas para demonstrar que ela não está feita, nem será feita em mais parte nenhuma, bloco socialista e Terceiro Mundo inclusive.

Vemos então como a contestação radical pode ser recuperada pela tecnocracia e seus funcionários, tipo Raymond Aron ou Jean-Fançois Revel ou Jean-Jacques Servan-Schreiber. Contradição esta que o estudioso não deixa de registar e de levar em conta, quando ler um livro que até convém que leia. Neste terreno fértil de contradições em que a dissidência nos lança, temos afinal o sinal evidente do seu carácter exorcistemático e da sua vitalidade... cultural.

(1) «Journal de Californie», de Edgar Morin, Seuil, Piais, 1970.
(2) «Ni Marx ni Jesus»,
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(*) Este texto de Afonso Cautela, breve nota de leitura, foi publicado em «Notícias do Futuro», jornal «Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970
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1-1 notas de leitura – inéditos ac de 1970

CALIFÓRNIA:
LABORATÓRIO DA NOVA ALQUIMIA

1970 - Edgar Morin publicou em livro - Journal de Californie (1) - os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk, de San Diego. O Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: O que é a vida? O que é o homem? O que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase mutação que esta revolução põe desde já à humanidade.
Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tse, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar, essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o cadinho onde a civilização se acelera, se destrói e renasce. É a cabeça investigante da nave espacial Terra. O fenómeno "hippy", as grandes cerimónias colectivas como park-in e rock-concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.
Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas, e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.
Enquanto operava uma como que re-visão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.
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(1) - Journal de Californie, de Edgar Morin, Seuil, Paris, 1970.■
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1-2- 6222 caracteres morte-1>fs-3 >priori> diário de uma descoberta – diário de um aprendiz

PRIORIDADE ABSOLUTA À TANATOLOGIA

30/8/1994 – Meu Caro F.S.: Sobre a morte e como ensinar os vivos (ou moribundos) a morrer, eis o meu programa de vida, actualmente, do qual só as necessidades de atender às exigências da sobrevivência me distraem. Gostaria de encontrar alguém com quem trabalhar nisto: que, para comprazer à parte material, teria também uma «vertente» de holodiagnóstico, um diagnóstico global ou «perfil holístico».
Tenho estado a preparar a m/ casa com vista a poder obter um espaço viável para esse efeito. Será um dia destes o momento de te dar conhecimento de alguns «files» que meti em computador - sobre esse projecto do «perfil holístico».
Só que, quanto a projectos, eu encontro-me numa fase em que toda a cautela é pouca: não se pode projectar nada enquanto não se integrar. E estando eu em Nigredo puro (desestruturação completa e violenta do suporte) não posso aspirar já a qualquer reestruturação projectiva, a qualquer forma assumida. Estou, creio, na fase de «mescla» em que a decantação está longe ainda de fazer-se.
Não quero converter ninguém a nada. Quanto muito, converter cada um a si próprio. Já Nietszche preconizava «ser o que se é», repetindo o Sócrates do «conhece-te a ti mesmo», o Sócrates que, por sinal, escreveu pouco - ou nada, o que faz suspeitar de que era analfabeto. Graças aos deuses (gregos), era analfabeto, pelo que nos falou a linguagem universal, herdada do egípcio Hermes Trismegisto, via Pitágoras.
Penso, neste momento, que devo partir de uma assumido analfabetismo, sem saber quando vou aprender e se vou aprender a nova «linguagem vibratória de base molecular». Entretanto e como «burro velho não aprende línguas», desisti de «aprender línguas», inclusive a mais aberrante de todas e com o diabo na alma que é a dos computadores. Ou essa língua de piratas e merceeiros que é o inglês. Ou essa outra de punhos de renda e rigores analíticos que é o francês.
Nunca vou é fazer carreira, se não aprender os léxicos todos que eles, os patrões, querem e adoram. Admiro é Ivan Illich que conseguiu dominar aí umas oito línguas, inclusive o rebarbativo português. Mas o que eu estou mesmo excitado em fazer é um apanhado divertido dos vários «léxicos» tecnocráticos com que os tecnocratas de todos os quadrantes nos divertem.
Aliás, um dos projectos que deixei em «stand-by» (este palavrão já aprendi) foi o de inventariar (listar) os palavrões dos modernos jargões com que nos moem a paciência. Claro que o meu jargão é mais do Cais do Sodré e menos dos «yuppies» nova vaga e «new age» (outro palavrão que eu aprendi).

Perante isto - perante esta nova Torre de Babel - máximas universais como «ser o que se é», «o Verbo é Deus», «ama-te a ti mesmo» são meras banalidades de base, ditas através dos tempos e das culturas e que só aguardam o momento de ser integradas no dia a dia da custosa, penosa, vaidosa tragédia humana.
Ecologia, por exemplo, se é que serviu para alguma coisa, veio ajudar a relativizar as coisas terrenas: e se a Ecologia nos diz que não há saída horizontal (porque não há mesmo, o chafurdo é mesmo chafurdo, o tremedal é mesmo tremedal), é de acelerar então a saída vertical. Deparamos com uma multidão de escolas, seitas, tradições, mas a gnose radiestésica tem talvez a vantagem de apurar todas as técnicas (sem holismo nem ecletismo) e unificá-las em uma só.
Sem vampirizar o duplo de cada um, o que - diz-se - acontece a todas as formas manipulatórias de energia: ganha-se, nessas egrégoras, em satisfações materiais (ainda quando levam o nome de espírito, mas que diz respeito ainda ao corpo espiritual) o que se perde em natureza essencial.
Uma palavra que vou imediatamente integrar no meu léxico de sucesso é o «Know-how», cheio de ressonâncias e de consequências. Fizeste com que me apercebesse disso, nunca tinha pensado nessa vantagem. É sempre bom ter alguma coisa que nos possa pôr em posição de vantagem face à bicharada que dia a dia nos suga. Como se diz em inglês «bicharada»? Mas a palavra «know-how», tão simpática, tem conotações para mim antipáticas, muito ligadas a «sapos vivos» e a «vontade de vingança»: se der atenção a esse passado de memórias, acabo por ficar com os cabelos eriçados, agora que o Delgado Domingos lança a revista de ecologismo, por exemplo, com prefácio de Mário Soares e com o José Mattoso amigo do ambiente, sinto-me ainda mais insignificante e inútil do que quando a Maria Santos se candidatou ao lugar de deputada europeia.
Se vou a pensar em termos de «know-how» e reavivar memórias de «sapos vivos», nunca mais saio desse lodaçal. Nem consigo apagar memórias que me apegam à vida e, como te disse, a morte é agora, tem de ser agora a minha prioridade. Como vou apagar memórias e apagar apegos, se der importância ao tal «Know-how»? Aliás, se falo muito em escrever as minhas memórias, esta carta não vai chegar ao destino, como aconteceu à outra...Se tiver que voltar a narrar a crónica dos sapos vivos, já tenho file , e já lá deitei considerandos, a propósito de alguns sv mais recentes: eles não faltam nunca neste país, como sabes.
Academia de artes primordiais? Só vejo, nas artes primordiais, esta que é indicada pela retoma do Egipto faraónico, dos seus deuses, da sua sabedoria, da sua gnose. Com as ciências dele advindas: Teurgia, Numerologia, Astrologia, Magia, etc. Os orientais são porreiros, especialmente os que inventaram essa magnífica vassoura que é o Zen (aspirador dos detritos da alma), mas agora estou mais virado para o Oriente próximo. Até que a morte tenha a complacência de me levar. Foi mesmo o acaso - que não existe - que nos fez encontrar aquele sábado, em que me emprestaste a revista «Caduceus» mas principalmente o artigo sobre Tanatologia e Música. Tanatologia é quanto a mim a arte (primordial) de todas as artes: pelo que lhe estou dando neste momento prioridade absoluta. Dentro daquilo que a vida deixa, só a Morte me interessa.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ECO-REALISMO: IVAN ILLICH E MICHEL BOSQUET





1-5-segunda-feira, 14 de Outubro de 2002- pronto a editar on line – com pouca censura – parece um texto impecável e até decente – a tese póstuma, sim senhor – dossiês de convergência holística, ok

5 páginas - inédito de 1977 - antecedentes da hipótese vibratória- capítulo do livro principal

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA: ETAPA DA CONSCIÊNCIA CÓSMICA

1977 - O mundo em geral, animado e inanimado, apresenta-se com uma forma e um comportamento em tudo semelhante ao mundo particular da vida e dos seres vivos.
Este é o salto qualitativo que uma leitura ecológica da realidade implica.
A leitura ecológica da realidade não visa especialmente escandalizar o burguês, embora também não veja inconveniente nisso: mas pode acontecer que escandalize mesmo, ao considerar, por exemplo, dois dos autores mais radicais do ecorealismo - Ivan Illich e Michel Bosquet - pouco menos que reformistas.
Quererá isso dizer que uma leitura ecológica da realidade obriga a pôr postulados e a dar saltos muito mais mortais do que os da convivencialidade, da autogestão, da autoregulação e da autosuficiência?
A ecologia ou dimensão biológica não entra ainda no discurso de ecopolíticos como Michel Bosquet e Ivan Illich. Tudo se passa e resolve exclusivamente em termos de relacionação social: o radicalismo de Illich e Bosquet só é ecológico porque o rearranjo da sociedade que eles propõem pressupõe que a vida, os seres vivos e todo o fenómeno vivo irá indirectamente sofrer alterações com essa mudança.
O que se propõe com uma leitura ecológica da realidade é um postulado muito mais ambicioso:
a) Que cada indivíduo seja entendido como um ecossistema
b) Que cada ecossistema seja entendido como um indivíduo, um corpo organizado, um mecanismo orgânico, uma ...pessoa
c) Que cada pessoa ou ecossistema seja considerado apenas uma célula do corpo ou ecossistema global chamado universo.
Talvez se classifique esta hipótese de trabalho como organicismo, pan-vitalismo, retorno a Taine, metafísica, fundamentalismo, etc.

DIAGNÓSTICO SEM TERAPIA

Fazer o diagnóstico não será, no entanto, propor a cura.
Em criança, pensa-se que o termómetro é que faz baixar ou subir a febre... Ainda hoje muitos adultos pensam que o diagnóstico já é a cura.
Se a leitura ecológica da realidade torna essa realidade (opaca, brutal e absurda) apenas um pouco mais legível, já é alguma coisa mas não é ainda a terapia da doença.
Sem mais exigências, pois, do que ser um método de diagnóstico, a ecologia humana dá um primeiro passo para que as terapias políticas possam avançar.
Os partidos têm agora o hábito de, aos fins de semana, realizarem uma «análise política da situação». É um método de diagnóstico como outro qualquer.
Tal como Freud nunca teve coragem de se autopsicanalizar, aplicando apenas e sempre aos outros a sua invenção, eis que os partidos padecem da mesma imodéstia, do mesmo «complexo de Freud»: excluem-se eles próprios da (psic)análise.
É como se os partidos - e Freud - postulassem a omnividência divina do diagnosticador, a sua impecável objectividade, o seu estado absoluto e permanente de saúde.
Como Freud e a medicina em geral, o médico age como Deus fora do mundo que analisa e diagnostica. Nunca se inclui como doente entre os doentes deste mundo. Até Einstein descobriu que o investigador é indissociável da investigação.
Eis porque uma leitura ecológica (ou ecoanálise) é diferente de uma psicanálise ou politicoanálise: o observador, investigador, analista ou diagnosticante inclui-se no contexto analisado, susceptível portanto de estar contaminado da mesma patologia. Estamos todos neste aquário, neste frasco de álcool: respiramos o mesmo irrespirável fluido ambiental.
De uma maneira geral , a doença é comum e os sintomas individuais não devem ser mais do que sinais a remeter-nos sempre para a doença. Quer dizer: para o ecossistema na sua generalidade e globalidade.

A MALHA TÂNTRICA

Corpo doente, a sociedade apresenta (também) os seus sintomas.
Uma leitura ecológica da realidade social, portanto, postula a existência desses corpos ou ecossistemas, susceptíveis de adoecer ou morrer como os indivíduos chamados homens.
E trata de interpretá-los para tentar saber de que doença principal sofre o ecossistema maior: e de que maneira se articulam as doenças dos vários ecossistemas, entrelaçados entre si, tal qual os fios de uma malha (tantra).
Uma leitura ecológica da realidade distingue-se da romântica convivencialidade (convivialidade) proposta por Ivan Illich e seguida por Michel Bosquet, em vários aspectos fundamentais:
a) O diagnóstico deles é, como o do médico, unilinear e acredita que há uma só linha que vai da causa ao efeito, da patogénese à patologia;
b) O ecodiagnóstico postula que ontem, hoje e amanhã estaremos sempre mergulhados num continuum, ora mais ora menos poluído, ora mais ora menos asfixiante, ora mais capitalista ora mais socialista, ora totalitário ora liberal e que a única coisa a fazer é sabermos de que doença sofremos: não termos nunca a petulância de considerar que alguma vez existiram, existem ou existirão ecossistemas totalmente sãos, quer dizer, em absoluto equilíbrio ou em equilíbrio estático;
c) Com a ecoanálise (ou leitura ecológica da realidade) cessa o aleatório de um presumível futuro, o messianismo do reformador, do apóstolo e do revolucionário, para ficar apenas o (eco) realismo do que existe em perpétuo movimento mas, por isso mesmo, sem mudança;
d) Sendo o pesadelo de ontem igual ao de hoje e ao de amanhã, a politicoterapia possível é a do instante. Quer dizer: seja qual for o ambiente, devo imunizar-me permanentemente, procurando muito menos mudá-lo do que encontrar eu próprio a maneira de a ele resistir ou de com ele conviver;
e) Seja qual for o status - estado totalitário de hoje ou repúblicas autogestionárias de amanhã - o que importa já para um entendimento imediato, quer dizer, ecológico da realidade é estar biofisicamente imunizado a ele.
E isto é que é tudo.

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS POR TUDO

Esta trama, este continuum, esta malha sem fim de causas-efeitos-causas, eis o que o nosso instinto de conservação rejeita com um certo mau-humor, porque nos recusamos fundamentalmente a considerar responsáveis por tudo o que acontece, porque tendemos a ilibar-nos da violência, do ódio, do sofrimento que varre, como um vendaval de inferno, o mundo.
A política, neste contexto, é a arte de encontrar bodes expiatórios das nossas próprias culpas.
A tal ponto os nossos mecanismos de autodefesa estão bem montados, que rotulamos de metafísica qualquer tentativa para mostrar a evidência: que tudo se liga a tudo, que tudo depende de tudo, que todos somos responsáveis de tudo, que todos criamos tudo o que nos acontece.
Tudo é energia. Tudo é infinito e eterno. Tudo existe sempre.
Por isso criamos uma infinita piedade pelo nosso ego. Inventamos mil argumentos para o desculpar.
Afinal - que injustiça! - porque nos atinge a inflação, o desemprego, a doença, o cancro, o defeito físico, o desastre, o acaso, o destino, a sorte?! Se eu fui sempre tão bom, tão bem comportado, tão esmoler, tão amigo das crianças e dos pobres, dos velhos e dos animais, porque sofro tanto, porque tenho tanto medo, porque sou tão perseguido?
Assim raciocina o nosso ego.
O nosso ego é não só a afirmação de auto-orgulho mas uma tentativa permanente para ilibar e encobrir a nossa condição totalitariamente condicionada. Para encobrir a evidência de que estamos condenados à Eternidade.
A nossa condição é totalitária e a este totalitarismo há quem chame karma. O nosso ego inventa então um mito chamado liberdade para esquecer aquela temível evidência totalitária. Um mito chamado livre arbítrio.

NASCER PARA A VIDA É NASCER PARA A MORTE

Nada do que acontece é por acaso, toda a desordem acontece porque há uma ordem infinita do infinito universo. Tudo acontece porque todos ajudamos a que aconteça.
Quando se diz nós, digo o corpo infinito e eterno do qual somos hoje apenas um momento, apenas uma célula, corpo que vai para trás até à eternidade e caminha para a frente até à eternidade.
A esta realidade puramente física chamam metafísica os homens assustados que recuaram ao saber que estavam condenados a ser para sempre. Inventaram a morte. Inventaram o suicídio.
Inventaram narcóticos e alucinogénicos. Inventaram a política e o xadrez. Inventaram o cinema e o futebol. Inventaram palavras - metafísica, religião, mito, misticismo - com que pretendem exorcismar a responsabilidade de ser (mos) não um ego ou ilha separada do todo mas a consciência do todo ou eu total.
Por isso talvez não haja exagero, face a este extremismo fundamentalista do óbvio e do evidente, considerar ecoreformistas um Ivan Illich, um Michel Bosquet.
Desde que se cai na rede, desde que se nasce para a vida (que é nascer para a morte como avisavam os cátaros, que por isso foram perseguidos como heréticos), desde que se entra no processo de putrefacção ou de-composição chamado mundo, desde que nos empurram para a caverna platónica chamada existência, todo o gesto ou acção com que se pretende amortizar o sofrimento irá, a curto ou médio prazo, agravar ainda mais esse sofrimento ou karma.
Irá internar-nos mais na caverna das sombras.
Uma vez enredado na inextricável trama chamada realidade, mundo, natureza, meio ambiente, ordem do universo, qualquer veleidade de sair significará sempre e cada vez mais o (afundamento no) caos, a doença, a violência instalada e instaurada, o absurdo em movimento, a infecção generalizada.
Desde que se entre, nunca mais é possível sair. Daí que os mitos de libertação, da evolução, da redenção andem a par com os mitos do futuro, do ideal, da salvação.
Uma vez enredado na malha, o bicho homem projecta na caverna a sua sombra e chama-lhe ideais (idola tribu lhes chamou Francis Bacon): Paz, Saúde, Felicidade, Justiça, Amor, eis a galeria de grandes palavras que cristalizam na mente humana as suas próprias sombras mais temidas. A utopia e o vício de sonhar ou idealizar caracteriza sempre a escravidão de facto.
Prisioneiro da caverna, o homem sonha que no futuro, sempre no futuro, verá o sol e a luz, sonha com jardins do paraíso, com o Eden de Adão e Eva, com o Jardim das Delícias, enfim, não faltam, nas mitologias douradas, de ontem e de hoje, referências constantes à utopia.
Realismo será a posição búdica que reconhece a queda, a escravidão, a caverna, a ilusão das ilusões ou sombras.
Realismo é saber que quanto mais esforços e acções se fizerem para sair do buraco, mais fundo nele ficamos.
O que uma ordem iniciática propõe é apenas a hipótese realista para encontrar a porta de saída da caverna, recuando em relação às sombras em vez de paroxisticamente nos colarmos a elas pelo cultivo da acção, pelo cultivo do ego, pela crença de que se chega mais depressa fortalecendo a vontade de chegar.
O esforço iniciático é uma pausa nesse paroxismo da vontade, uma retirada estratégica do foco infeccioso - o mundo das relações profanas ou ilusões - um recuo na orgia da acção que dê possibilidade de avançar na in-acção ou desfazer de mitos, ilusões, fantasmas.
Palavras-chave deste texto:
Caos
Caverna platónica
Continuum
Convivencialidade
Convivialidade
Ecoanálise
Ecopolítica
Ecossistema
Ego
Equilíbrio estático
Eternidade
Física e metafísica
Imunidade ortomolecular
Carma
Leitura ecológica do real
Malha de causas-efeitos
Metáfora orgânica
Mito da liberdade
Omnividência
Ordem iniciática
Politicoterapia
Rede
Tantra
Utopia

Autores citados:
Francis Bacon
Freud
Ivan Illich
Michel Bosquet
Platão
Taine

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sábado, 6 de novembro de 2010

PROFETAS DA VISÃO HOLÍSTICA




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O «REALISMO ECOLOGISTA» EM 1987: PROFETAS DA VISÃO HOLÍSTICA

Será a Ecologia Humana a ciência das ciências do futuro ou será antes uma fraude e os que, há quase vinte anos, a estudam, preconizam e defendem, uns atrasados mentais?
Terá razão a Tecnocracia que combate ferozmente as alternativas ecológicas de vida ou terão razão os que, em pequenos grupos como a «Frente Ecológica», há cerca de vinte anos tentam esclarecer as pessoas sobre o que mais importa à sua saúde, vida e segurança?
As edições da «Frente Ecológica» foram, durante década e meia, voz activa e participante nessa polémica de «vida ou de morte», documentam e testemunham o nascimento de uma ciência que ainda não nasceu: a Ecologia Humana. Irá ela algum dia nascer?
Se a aparentemente sem saída crise ecológica e a consequente derrocada do mundo actual se deve, principalmente, à ciência estabelecida, ajudada pelas tecnologias antiecológicas que essa ciência alimenta, não será, evidentemente, dentro da mesma lógica autodestrutiva, com instrumentos, cientistas e tecnologias do sistema estabelecido que iremos criar um distanciamento crítico necessário para perceber onde estamos, de onde viemos e para onde vamos.
Para sabermos como vamos sobreviver à catástrofe, ultrapassar a crise e reatar o fio perdido da «vida para viver» em vez da actual «vida para morrer», teremos - na opinião de alguns - de recorrer a outra ciência e a outra tecnologia diferente daquelas que promoveram a crise e apontam para a catástrofe.
A intuição holística e ecológica - o sentido profundo da Unidade - foi mantida, através dos séculos, por alguns profetas que nunca aceitaram, na totalidade, a ordem da desordem estabelecida, nem se conformaram com ela.
Curiosamente e como a obra de Fritjof Capra (*) vem, exaustivamente demonstrar, a ciência ocidental de ponta como a Física Atómica em que ele é especialista, conduz à inevitabilidade de regresso às fontes orientais do Conhecimento como o Taoísmo.
No meio da balbúrdia em que se transformaram as gralhas ditas ecológicas e ecologistas, tentaram alguns, em nome do «realismo ecologista», ordenar ideias e prioridades, inventariando obras de autores que, em maior ou menor grau, mantiveram sintonizado o comprimento de onda correcto e que foram, portanto, precursores e profetas da holística contemporânea.
Inventário discutível, sem dúvida, ele constitui um primeiro desafio aos que investigam no campo das ideias, para se defenderem das mentiras numérico-estatísticas que, em nome do rigor matemático e experimental, a ciência oficial vai impingindo.
Como se pretende mostrar pelos autores até agora inventariados pelo «realismo ecologista», num primeiro contributo a uma abordagem holística do real, verifica-se que vem principalmente de escritores, filósofos e homens de pensamento o melhor antídoto à mentira científica. É deles que vem, portanto, o contributo mais decisivo para a viragem contemporânea de mentalidades a que, por comodidade metodológica, chamamos Holística, palavra que sucedeu à palavra Ecologia, completamente desfigurada por todos os ecoequívocos, eco-oportunismos e ecotravestis.
Debaixo da palavra Ecologia, e abusando dela, se vieram acobertando os oportunismos, ao ponto de os ecologistas de sempre se sentirem completamente excluídos.
Com todas as limitações de uma lista mais do que provisória, eis, por ordem alfabética, alguns profetas da visão holística do mundo e da vida, a maior parte dos quais, como é óbvio, jamais pronunciou ou ouviu pronunciar a palavra Ecologia, até porque a maior parte deles viveu muito antes de que a palavra tivesse sido inventada.
Procura-se, com esta lista «inesperada», mostrar que a «filosofia» em que se fundamentam as ideias e o movimento ecologista, não são de ontem nem de hoje, mas de sempre. Como é de sempre a intuição que acompanhou os mais lúcidos sobre a unidade fundamental do universo.
Com o «realismo ecologista» trata-se de exercer uma pedagogia profunda, no sentido de ultrapassar, por um mergulho profundo nas raízes da Dialéctica taoísta do yin-yang, as antinomias clássicas da cultura europeia e ocidental (Ver Denis de Rougemont, «Cartas aos Europeus», pg. 54 da edição portuguesa (**). )
Com efeito, essas dicotomias e antinomias são responsáveis não só pela contradição fundamental que atravessa e dilacera a cultura europeia-ocidental - Homem contra Natureza - mas por outras lutas e antinomias que dela decorrem (homem contra o homem, luta de classes, luta de gerações, totalitarismo contra Liberdade, etc. )
A bipolarização a nível político, a dicotomia Esquerda-Direita levada a extremos patológicos, inviabiliza não só qualquer entendimento fraterno entre pessoas e povos, como conduz ao supremo confronto, ao supremo frente a frente dos dois blocos bélicos em uma guerra nuclear.
A aprendizagem da dialéctica yin-yang e a arte da liberdade será assim o objectivo supremo, o que implica um longo período de estudo e reconversão mental, para que gradualmente as caducas antinomias, as contradições inelutáveis vão dando lugar à contradição dialéctica e criadora que as filosofias do yin-yang como o taoísmo ensinaram na sua sabedoria mas a arrogância da chamada ciência europeia e ocidental não só destruiu (em muitos casos), como lançou nos porões da História.
Corolário desta antinomia que a própria Europa criou contra outros povos, culturas, civilizações e continentes, são todas as formas bárbaras de Biocídio, nomeadamente nas formas de Etnocídio e de Genocídio sistemático, que caracteriza as cruzadas do «espírito europeu» e as colonizações sangrentas levadas a cabo por ele.
Apoiam este trabalho de investigação e prospecção heurística, não só alguns textos produzidos e editados na «Frente Ecológica» sobre dialéctica yin-yang aplicada na Prática, mas fontes e autores, mais ou menos proféticos, que paulatinamente se foram aproximando da verdade, quase todos depois de terem percorrido a via dolorosa dos sistemas filosóficos de raiz racionalista, experimental e positivista.
É pelos resultados concretos e pelas consequências práticas no dia a dia dos factos e dos acontecimentos, que a Ecologia Humana pretende comprovar a validez ou invalidez de todo um sistema teórico, de uma ideologia e, se quiserem, de todo um padrão civilizacional, baseado nas armas, na violência e na morte. E na ciência, como corolário sine qua non.
Pela primeira vez na História, o combate ideológico trava-se ao nível dos acontecimentos e factos a que uma ideologia (a tecnocrática) deu lugar: os factos são a prova, a irrefutável prova que demonstra a invalidez de teorias, ideias, hipóteses da constelação tecnocrática.
Feita esta prova, efectuado o balanço crítico desta civilização, repara-se, por exemplo, que a Ecologia Humana e a crítica nela implícita à sociedade industrial, vem coincidir com os pressupostos teóricos e filosóficos da corrente teosófica que no mundo ocidental fundaria a sua primeira sociedade em 1875.
Há cento e poucos anos, em 1875, Madame Helena Petrovna Blavatsky, deixava testemunhado, na sua obra monumental, «Ísis Sem Véu», o combate com as correntes ideológicas que, em nome do progresso, do bem estar, da felicidade dos povos, da razão, etc., ainda não tinham sido postas à prova na realidade concreta dos povos e das pessoas.
Nessa data, quem não acreditava que o século das luzes despontava, que a paz e a felicidade eternas estavam a ser preparadas pela ciência e pela técnica, enfim, que o homem tinha na mão o próprio destino e que, se necessário fosse, escalaria o céu para matar Deus em pessoa?
Cem anos depois, a História dá toda a razão a Helena Blavatsky. A engrenagem ideológica que ela criticara, bem como as instituições que lhe servem de pilares, está podre.
Para honra de Blavatsky e desgraça nossa, mortais terrenos, provou-se, com a crise ecológica, que este ramo europeu da chamada evolução das espécies, estava não só errado de raiz, não só tinha havido um engano de agulha há muitos séculos, não só era estruturalmente violento e portanto autosuicida, como trazia a morte na alma e a vocação autofágica e canibalesca da sua própria destruição.
A crítica da Engrenagem tecnocrática feita pela Ecologia Humana possui, portanto, antecedentes e de certa força. Não tem de que se envergonhar das suas premissas e conclusões, que há cem anos já eram preconizadas por espíritos inconformistas e pouco dados a crenças e superstições.
A superstição científica já era então objecto de crítica: porque razão não o há-de ser hoje, em que estão bem à vista os frutos podres dessa árvore envenenada?
Um mundo que só tem o holocausto nuclear como «saída», está ou não suficientemente definido, julgado e condenado?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JOEL DE ROSNAY: ECO-TECNOCRACIA?







rosnay-2-ls-ie> domingo, 29 de Dezembro de 2002-scan

ESCOLA ECO-ENERGÉTICA NA UNIVERSIDADE NOVA?

[Depois de 1975, única data possível ... ] - A tradução em português do livro "O Macroscópio”, de Joel de Rosnay, vem relembrar-nos que a escola Eco-energética do MIT (o conhecido instituto de Massachussets) não é entre nós um ausente e que alguns técnicos ou pensadores que neste momento se ocupam e preocupam, em novas universidades novas, com as relações energéticas entre Ecologia e Economia, por lá passaram ou de lá receberam forte influxo informativo e formativo. Influxo energético...

Registemos o interesse que o Prof. Delgado Domingos tem consagrado à análise energética e a forma como o seu pensamento de técnico em Termodinâmica evoluiu até a descoberta das alternativas ou fontes infinitas do Futuro.

Não esqueçamos que o prof. Gomes Guerreiro, secretário de Estado do Ambiente no I Governo Constitucional, já em 1953, na sua obra "A Floresta na Conservação do Solo e da Água” defendia teses muita próximas da análise energética e que a sua passagem pela escola norte-americana da Califórnia não foi por acaso.

Também o Prof. Cruz de Carvalho, hoje em Portugal, a leccionar no Instituto Universitário de Évora, foi o primeiro no estudo entre Energia e Agricultura, Ecologia e economia Agrária, tendo trabalhado em universidades da Califórnia.

E outros citaríamos, de gosto, se a memória nos ajudasse. Ou viremos a citar, se alguém tiver a gentileza de nos escrever, indicando mais casos que nós ignoremos. ■
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16-12-1998

SUBLINHADOS DO LIVRO «A HISTÓRIA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO»

Todos os organismos são feitos de carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio e a sua fonte de energia, o sol.
Joel de Rosnay

O carbono (...) pode conduzir os electrões de ponta a ponta das suas cadeias, o que de certa maneira prefigura as redes nervosas e as redes de comunicação electrónicas.
Joel de Rosnay

Outrora não se sabia que as moléculas eram feitas de átomos nem que as células eram feitas de moléculas.

Um organismo composto de células especializadas resiste melhor do que um conjunto de células idênticas, porque pode responder de diferentes maneiras às agressões do ambiente, o que lhe dá mais hipótese de sobrevivência.
Joel de Rosnay

Os sistemas monolíticos acabam sempre por desaparecer.
Joel de Rosnay

Um cristal não vive, reproduz-se mas não fabrica energia.
Joel de Rosnay

Um organismo vivo é um sistema capaz de assegurar a sua própria conservação, de se gerir a si próprio e de se reproduzir.
Joel de Rosnay

Somos verdadeiramente feito de poeira das estrelas.
Hubert Reeves

A centena de elementos atómicos que conhecemos na natureza, foram produzidos nas estrelas.
Hubert Reeves

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

NÚCLEO NOVA NATUROLOGIA





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NÚCLEO NOVA NATUROLOGIA

INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS:

UM NOVO PARADIGMA PARA UMA NOVA NATUROLOGIA

10/JUNHO/1999 - O que era, até há 10 anos, um défice de informação científica no campo da Naturologia, transformou-se, como por encanto, numa overdose informativa, que acaba por asfixiar, pela quantidade, o que antes havia de menos.
Trata-se agora, em Naturologia, de proceder a uma selecção rigorosa da informação científica disponível, quer em bibliografia, quer na Internet.
As novas gerações que enveredam pelas carreiras da Naturologia, certas de que o futuro está aí, deverão fundamentar um rigoroso critério de avaliação, selecção e hierarquização de conhecimentos científicos, a começar nas ciências do antigamente que deverão ser ou não ser ensinadas.
O peso destas ciências (a que corresponde uma velhíssima metodologia e uma ultrapassadíssima ideologia) no ensino da Naturologia é ainda opressivo, sem que as instituições (escolas e institutos de ensino, nomeadamente) possam fazer nada, elas próprias prisioneiras do impasse e bloqueio que o excesso de informação (do Novo e do Velho paradigma) foi criando nos sistemas de aprendizagem.
Se as instituições, pela sua inércia intrínseca e pelo seu natural imobilismo, nada podem fazer para avançar em frente e para garantir a viragem do novo paradigma científico, terão que ser os «contemporâneos do futuro», os núcleos de novos investigadores e de novos pesquisadores, os grupos de entusiastas, de pessoas com espírito de inovação que terão de encetar essa tarefa de inovação e desenvolvimento.
Maior equilíbrio entre teoria e prática, maior equilíbrio entre cérebro esquerdo e cérebro direito, maior equilíbrio entre teorias biológicas obsoletas e teorias biológicas do novo paradigma, maior equilíbrio entre memória e inteligência, maior equilíbrio entre acção e meditação, maior equilíbrio entre rotina burocrática e espírito de criatividade, maior equilíbrio entre hiperanálise e globalização holística, entre visão macroscópica e visão microscópica (hoje imperante e exclusivista) é o que a nova elite nascente terá de assegurar.
Para ajudar a formar essa elite de novos naturólogos - elite que irá, a pouco e pouco, constituindo um lobby de qualidade face aos lobbies (comerciais) da quantidade hoje dominantes, quer em alopatia quer em naturopatia, - foi criado o Núcleo de Estudos Avançados Nova Naturologia (abreviadamente Núcleo Nova Naturologia, ou ainda NNN) com a missão vanguardista de estudar algumas das linhas que fundamentam um novo critério para um novo paradigma de uma nova naturologia.
É assim que, sem descurar nem menosprezar os grandes sistemas tradicionais - medicina tradicional chinesa, ayurveda, medicina tibetana - , sem menosprezar a preciosa tradição hipocrática e neo-hipocrática, a prioridade do Núcleo NN se dirige ao trabalho de estudo, avaliação, selecção e afinamento das práticas e teorias terapêuticas surgidas no século que agora finda, algumas ainda mal testadas ou mal exploradas.
Se há no mundo de hoje uma contagem decrescente cheia de nuvens negras, com tintas apocalípticas e catastrofistas - há que contrapor uma contagem decrescente, um countdown de esperança, tal como o imperativo cósmico-biológico nos impõe.
Estamos no limiar da 2ª Idade de Ouro e seria uma pena que não fôssemos merecedores dessa dádiva cósmica. É a última chance do Planeta Terra.
Eis algumas linhas ou matérias curriculares, no campo das ideias naturológicas, que o Núcleo NN se propõe estudar, analisar, avaliar, avalizar e trazer ao limiar das 1ªs prioridades:
A) O novo e maravilhoso mundo das terapias vibratórias impõe-se, desde logo, como linha privilegiada.
B) Segue-se o campo das medicinas do terreno, «metabolic medecine», com uma problemática algo polémica e que tem de ser filtrada criticamente, para sabermos o que vale e o que não vale nestas práticas ortomoleculares
C) O renascimento das curas mágicas e alquímicas ( a que o médico norte-americano Deepak Chopra chama «curas quânticas») é outro campo que deverá passar ao crivo da crítica e transitar de tabu proibido a tema de livre e aberta discussão.
Muitos grupos falam de iniciação - alguns abusivamente - mas é urgente e necessário saber os fundamentos da cura iniciática e de que forma ela entronca, quer no esquema egípcio das 12 ciências sagradas, quer na nova ciência do novo paradigma.
D) As teorias biológicas que fundamentam a Nova Naturologia deverão também demarcar-se das que geraram a medicina hoje moribunda, sendo objecto de uma revisão crítica, na medida em que foram abafadas por teorias biológicas que conduziram ao sucesso comercial (mas à falência ideológica também) das actuais prática médicas - farmacêuticas e cirúrgicas.
O Núcleo NN depara-se assim com 2 desafios:
a) de um lado, as teorias biológicas (nomeadamente a microbiana, a darwinista e a maltusiana) que levaram à medicina alopática e químico-farmacêutica (e portanto ao fenómeno apocalíptico da iatrogénese);
b) do outro lado, as teorias biológicas esquecidas mas que é necessário ressuscitar no sentido do novo paradigma e do novo imperativo cósmico.
E) O espírito de trabalho que anima o Núcleo NN não é o de fazer crítica cerrada ao que está mal ou mesmo péssimo, mas investir todo o tempo e as melhores energias no estudo das alternativas ecológicas ao que está mal no sistema e na ideologia do sintoma.
Por isso uma das linhas dominantes do Núcleo NN será a linha ecológica, já que sem diagnóstico ecológico (até agora cantonado na área maldita da chamada Saúde Pública) não há hoje, na sociedade industrial de mil e uma poluições, possibilidade de estabelecer uma etiologia correcta e uma correcta terapia.
O diagnóstico ecológico (e a ecologia como alguns poucos a entendem) é assim decisivo pra a fundamentação científica da Nova Naturologia e das práticas dela decorrentes.
Entre outros motivos porque o diagnóstico ecológico (a despistagem de factores ambientais adversos na génese das doenças) é fundamental na opção-chave da Nova Naturologia, respeitadora das leis biológicas fundamentais.
F) Tratando-se, com efeito, não só de praticar alternativas ecológicas de vida e de cura às antigas terapias sintomatológicas (que multiplicam logaritmicamente as doenças, em vez de logaritmicamente as diminuir) mas de apontar para a nova linha do próximo futuro, que não será tanto o terapeuta no sentido clássico mas o professor de saúde no sentido ultramoderno.
O Núcleo NN, ao criar um grupo de elite que transmita a nova mensagem, dirige-se , fundamental e prioritariamente, à formação de professores de saúde, vanguarda da Naturologia.

Resumindo e concluindo: fazer a triagem crítica e analítica das terapias alternativas naturais que têm surgido nos últimos 10 ou 20 anos, é o principal objectivo do NNN.
Na lista publicada pela Organização Mundial de Saúde na obra « Médecine Traditionnelle et Couverture des Soins de Santé» ( OMS, Genève, 1983) , eram propostas cerca de uma centena de novas e antigas terapias como alternativas à alopatia. (Ver file plurimed> ).
É necessário e urgente estudar o valor relativo dessa terapias, as que, fundamentadas em bases científica e/ou empíricas, devem merecer a melhor atenção das novas gerações de naturólogos.
Os grandes sistemas tradicionais - acupunctura, ayurveda, medicina tibetana, etc - têm, como já dissemos, um lugar insubstituível na prática e no ensino da Naturologia, nomeadamente os que se fundamentam na mais antiga cosmobiologia da terra, que é o yin yang taoísta. O seu valor é indiscutível e não há nada a rever naqueles sistemas que os milénios consagraram. Há só que aprender.
Já o mesmo não acontece nas múltiplas terapias alegadamente baseadas em princípios da ciência analítica.
Com estes objectivos - talvez ambiciosos mas justos, urgentes e necessários - o Núcleo NN arranca a sua primeira iniciativa, um ciclo sobre «Informação Biológica e Saúde».
A bioinformação é, aliás, o campo onde o défice informativo de há 10 anos tem sido drasticamente alterado para o seu oposto: a overdose informativa nos livros, autores e Internet.
O Núcleo NN apenas deverá triar , com critério, - ou seja, com inteligência, com ideias e com intuição - esse manancial informativo, de modo a separar o trigo do joio, de modo a joeirar a palha que é a fibra celulósica necessária ao estímulo da vesícula biliar mas que, neste caso, bloqueia o processo de comunicação.
Há que peneirar a informação disponível.
Comunicação em geral e comunicação intercelular em especial bem pode ser o nosso slogan, o nosso emblema, o nosso programa e a nossa hipótese de trabalho a testar experimentalmente.
Docentes e discentes, todos podem juntar-se a nós e dizer se apoiam este programa de trabalho.
Deixem o vosso nome e morada, no papel distribuído para o efeito, para que sejam contactados nas futuras iniciativas públicas do Núcleo NN.
Neste momento - 10 de Junho de 1999 - assinam e respondem pelo Núcleo NN, os seguintes nomes:
Luísa Valdeira
Carlos Campos Ventura
Novaes
Afonso Cautela
Armindo Caetano

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

NOVA NATUROLOGIA



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NÚCLEO DE ESTUDOS AVANÇADOS NOVA NATUROLOGIA

INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS: UM NOVO PARADIGMA PARA UMA NOVA NATUROLOGIA


10/JUNHO/1999
- O que era, até há 10 anos, um défice de informação científica no campo da Naturologia, transformou-se, como por encanto, numa overdose informativa, que acaba por asfixiar, pela quantidade, o que antes havia de menos.
Trata-se agora, em Naturologia, de proceder a uma selecção rigorosa da informação científica disponível, quer em bibliografia, quer na Internet.
As novas gerações que enveredam pelas carreiras da Naturologia, certas de que o futuro está aí, deverão fundamentar um rigoroso critério de avaliação, selecção e hierarquização de conhecimentos científicos, a começar nas ciências do antigamente que deverão ser ou não ser ensinadas.
O peso destas ciências (a que corresponde uma velhíssima metodologia e uma ultrapassadíssima ideologia) no ensino da Naturologia é ainda opressivo, sem que as instituições (escolas e institutos de ensino, nomeadamente) possam fazer nada, elas próprias prisioneiras do impasse e bloqueio que o excesso de informação (do Novo e do Velho paradigma) foi criando nos sistemas de aprendizagem.
Se as instituições, pela sua inércia intrínseca e pelo seu natural imobilismo, nada podem fazer para avançar em frente e para garantir a viragem do novo paradigma científico, terão que ser os «contemporâneos do futuro», os núcleos de novos investigadores e de novos pesquisadores, os grupos de entusiastas, de pessoas com espírito de inovação que terão de encetar essa tarefa de inovação e desenvolvimento.
Maior equilíbrio entre teoria e prática, maior equilíbrio entre cérebro esquerdo e cérebro direito, maior equilíbrio entre teorias biológicas obsoletas e teorias biológicas do novo paradigma, maior equilíbrio entre memória e inteligência, maior equilíbrio entre acção e meditação, maior equilíbrio entre rotina burocrática e espírito de criatividade, maior equilíbrio entre hiperanálise e globalização holística, entre visão macroscópica e visão microscópica (hoje imperante e exclusivista) é o que a nova elite nascente terá de assegurar.
Para ajudar a formar essa elite de novos naturólogos - elite que irá, a pouco e pouco, constituindo um lobby de qualidade face aos lobbies (comerciais) da quantidade hoje dominantes, quer em alopatia quer em naturopatia, - foi criado o Núcleo de Estudos Avançados Nova Naturologia (abreviadamente Núcleo Nova Naturologia, ou ainda NNN) com a missão vanguardista de estudar algumas das linhas que fundamentam um novo critério para um novo paradigma de uma nova naturologia.
É assim que, sem descurar nem menosprezar os grandes sistemas tradicionais - medicina tradicional chinesa, ayurveda, medicina tibetana - , sem menosprezar a preciosa tradição hipocrática e neo-hipocrática, a prioridade do Núcleo NN se dirige ao trabalho de estudo, avaliação, selecção e afinamento das práticas e teorias terapêuticas surgidas no século que agora finda, algumas ainda mal testadas ou mal exploradas.
Se há no mundo de hoje uma contagem decrescente cheia de nuvens negras, com tintas apocalípticas e catastrofistas - há que contrapor uma contagem decrescente, um countdown de esperança, tal como o imperativo cósmico-biológico nos impõe.
Estamos no limiar da 2ª Idade de Ouro e seria uma pena que não fôssemos merecedores dessa dádiva cósmica. É a última chance do Planeta Terra.
Eis algumas linhas ou matérias curriculares, no campo das ideias naturológicas, que o Núcleo NN se propõe estudar, analisar, avaliar, avalizar e trazer ao limiar das 1ªs prioridades:
A) O novo e maravilhoso mundo das terapias vibratórias impõe-se, desde logo, como linha privilegiada.
B) Segue-se o campo das medicinas do terreno, «metabolic medecine», com uma problemática algo polémica e que tem de ser filtrada criticamente, para sabermos o que vale e o que não vale nestas práticas ortomoleculares
C) O renascimento das curas mágicas e alquímicas (a que o médico norte-americano Deepak Chopra chama «curas quânticas») é outro campo que deverá passar ao crivo da crítica e transitar de tabu proibido a tema de livre e aberta discussão.
Muitos grupos falam de iniciação - alguns abusivamente - mas é urgente e necessário saber os fundamentos da cura iniciática e de que forma ela entronca, quer no esquema egípcio das 12 ciências sagradas, quer na nova ciência do novo paradigma.
D) As teorias biológicas que fundamentam a Nova Naturologia deverão também demarcar-se das que geraram a medicina hoje moribunda, sendo objecto de uma revisão crítica, na medida em que foram abafadas por teorias biológicas que conduziram ao sucesso comercial (mas à falência ideológica também) das actuais prática médicas - farmacêuticas e cirúrgicas.
O Núcleo NN depara-se assim com 2 desafios:
a) de um lado, as teorias biológicas (nomeadamente a microbiana, a darwinista e a maltusiana) que levaram à medicina alopática e químico-farmacêutica (e portanto ao fenómeno apocalíptico da iatrogénese);
b) do outro lado, as teorias biológicas esquecidas mas que é necessário ressuscitar no sentido do novo paradigma e do novo imperativo cósmico.
E) O espírito de trabalho que anima o Núcleo NN não é o de fazer crítica cerrada ao que está mal ou mesmo péssimo, mas investir todo o tempo e as melhores energias no estudo das alternativas ecológicas ao que está mal no sistema e na ideologia do sintoma.
Por isso uma das linhas dominantes do Núcleo NN será a linha ecológica, já que sem diagnóstico ecológico (até agora cantonado na área maldita da chamada Saúde Pública) não há hoje, na sociedade industrial de mil e uma poluições, possibilidade de estabelecer uma etiologia correcta e uma correcta terapia.
O diagnóstico ecológico (e a ecologia como alguns poucos a entendem) é assim decisivo pra a fundamentação científica da Nova Naturologia e das práticas dela decorrentes.
Entre outros motivos porque o diagnóstico ecológico (a despistagem de factores ambientais adversos na génese das doenças) é fundamental na opção-chave da Nova Naturologia, respeitadora das leis biológicas fundamentais.
F) Tratando-se, com efeito, não só de praticar alternativas ecológicas de vida e de cura às antigas terapias sintomatológicas (que multiplicam logaritmicamente as doenças, em vez de logaritmicamente as diminuir) mas de apontar para a nova linha do próximo futuro, que não será tanto o terapeuta no sentido clássico mas o professor de saúde no sentido ultramoderno.
O Núcleo NN, ao criar um grupo de elite que transmita a nova mensagem, dirige-se , fundamental e prioritariamente, à formação de professores de saúde, vanguarda da Naturologia.

Resumindo e concluindo: fazer a triagem crítica e analítica das terapias alternativas naturais que têm surgido nos últimos 10 ou 20 anos, é o principal objectivo do NNN.
Na lista publicada pela Organização Mundial de Saúde na obra « Médecine Traditionnelle et Couverture des Soins de Santé» (OMS, Genève, 1983), eram propostas cerca de uma centena de novas e antigas terapias como alternativas à alopatia. (Ver file plurimed> ).
É necessário e urgente estudar o valor relativo dessa terapias, as que, fundamentadas em bases científica e/ou empíricas, devem merecer a melhor atenção das novas gerações de naturólogos.
Os grandes sistemas tradicionais - acupunctura, ayurveda, medicina tibetana, etc - têm, como já dissemos, um lugar insubstituível na prática e no ensino da Naturologia, nomeadamente os que se fundamentam na mais antiga cosmobiologia da terra, que é o yin yang taoísta. O seu valor é indiscutível e não há nada a rever naqueles sistemas que os milénios consagraram. Há só que aprender.
Já o mesmo não acontece nas mútiplas terapias alegadamente baseadas em princípios da ciência analítica.
Com estes objectivos - talvez ambiciosos mas justos, urgentes e necessários - o Núcleo NN arranca a sua primeira iniciativa, um ciclo sobre «Informação Biológica e Saúde».
A bioinformação é, aliás, o campo onde o défice informativo de há 10 anos tem sido drasticamente alterado para o seu oposto: a overdose informativa nos livros, autores e Internet.
O Núcleo NN apenas deverá triar , com critério, - ou seja, com inteligência, com ideias e com intuição - esse manancial informativo, de modo a separar o trigo do joio, de modo a joeirar a palha que é a fibra celulósica necessária ao estímulo da vesícula biliar mas que, neste caso, bloqueia o processo de comunicação.
Há que peneirar a informação disponível.
Comunicação em geral e comunicação intercelular em especial bem pode ser o nosso slogan, o nosso emblema, o nosso programa e a nossa hipótese de trabalho a testar experimentalmente.
Docentes e discentes, todos podem juntar-se a nós e dizer se apoiam este programa de trabalho.
Deixem o vosso nome e morada, no papel distribuído para o efeito, para que sejam contactados nas futuras iniciativas públicas do Núcleo NN.
Neste momento - 10 de Junho de 1999 - assinam e respondem pelo Núcleo NN, os seguintes nomes:
Luísa Valdeira
Carlos Campos Ventura
Novaes
Afonso Cautela
Armindo Caetano

domingo, 1 de agosto de 2010

JOEL DE ROSNAY ENTRE PARÊNTESIS




1-3 quarta-feira, 23 de Abril de 2003-rosnay-1-ie-ls>

NOTÍCIAS DA GUERRA: A ECOLOGIA ORDINÁRIA DE JOEL DE ROSNAY (*)

[(*)Este texto de Afonso Cautela ficou inédito, graças a Deus, e pode ser datado do ano 1977, atendendo ao livro que comenta

(*) Comenta-se neste artigo o livro de Joel de Rosnay, O Macroscópio - Para Uma Visão Global, Ed. Arcádia, 1977]

Fora do M.I.T. não há salvação...
É mais ou menos esta a moralidade a retirar de livros como o de Joel de Rosnsy, que depois de criticar severamente a ciência pré-M-I-T., preconiza evidentemente a salvação no seio dos pressupostos e das teses dele (Instituto de Tecnologia de Massachusetts ) emanadas.
O famoso relatório "Os Limites do Crescimento" foi, à laia de manifesto, o primeiro convite para que todo o Mundo entrasse na solução proposta.
À parte as distorções que jornalistas desatentos fizeram da tese fundamental do M.I.T., - o "crescimento zero" ainda hoje retine como a mais polémica – é evidente que o relatório seria susceptível de críticas que nunca se fizeram porque relevavam de um salto "qualitativo" entre dois padrões de cultura (ou de ciência), ultrapassando, assim e, portanto, a mera análise economicista entre diferentes ideologias e políticas económicas.
Fazendo-se eco, tal como o relatório do M.I.T., do desencanto que as limitações cada vez mais reconhecidas pela ciência vieram instalar entre os próprios cientistas, o autor de O Macroscópio (*) propõe uma revisão da metodologia que tem presidido à ciência e sua proliferação até ao infinito ... microscópico.
Propõe uma visão macroscópica, portanto, por contraste à subdivisão ou atomização verificada na ciência analítica e que se generalizou a todos os recantos da sociedade industrializada e tecnologicamente refinada.
Joel de Rosnay, aliás, sabe que vem na onda, sabe-se embalado numa vaga de fundo que por toda a parte se verifica, como reacção àquela atomização: por toda a parte se "montam serviços de incêndio" procurando, de uma maneira ou de outra, combater e obviar às mais fortes e chocantes contradições a que a pulverização dos conhecimentos científicos conduz:
"Fala-se hoje muito da importância de uma "visão de conjunto" e de um "esforço de síntese". Atitudes consideradas necessárias para superar os grandes problemas do mundo moderno. Infelizmente, não nos parece que a educação que recebemos nos tivesse preparado para tal. Basta passar os olhos pela lista das disciplinas universitárias: fragmentam a natureza em outros tantos compartimentos estanques... " (pg. 10/11 da obra citada)
Neste sentido, a abordagem "macroscópica" - ou sistémica, como diz o autor puxando à sua numenclaturazinha tecno-arrevesada - tem muitos pontos de contacto e semelhança quer com a abordagem ecológica, quer com a análise energética, quer com a informática, pois, tal como estas, também procura relacionar e religar as partes e / ao todo, o todo às partes e as partes entre si...
É o que se chama, nos meios universitários, um esforço interdisciplinar.
É o que se chama, nos meios proletários, a quadratura do círculo...,
É o que se chama, entre ecologistas do centro, um projecto de síntese.
Consiga ou não o seu desideratum, na prática, e quer o macroscópio seja mais um instrumento lendário de ciência-ficção ou uma realidade corrente dos laboratórios do futuro, fica a crítica que o autor realiza a um sistema científico sem futuro, cujas aberrações já não é possível ocultar e que os próprios funcionários, devidamente bem pagos, se estão especializando em contestar. Como Joel de Rosnay. Para recuperar de novo o sistema...
Para dar o tom subversivo que sempre agrada às massas, não deixa o autor de ter sobre alguns críticos radicais da ciência - instituição paradigmática entre todas as instituições - como Wilhelm Reich e Ivan Illich, mas a sua argumentação repousa, evidentemente, sobre os seus mestres do M.I.T., principalmente Meadows e Matthews, de onde retira os fundamentos religiosos da sua "ruptura" aparente com o sistema.
Para este tipo de eco-reformismo tem Michel Bosquet um epíteto nada meigo: Bosquet lança-lhes o rótulo de eco-fascismo, soma e segue.
Não sei se é caso para tal violência de epíteto mas é evidente que se não trata em Rosnay de Ecologia no sentido selvagem, militante e prático mas de uma Ecologia com canudo, de uma nova arquitectura ou engenharia extraordinariamente sofisticadas e que na cibernética, na Informática e na Sofística vão repousar.
Em autores como Rosnay, a crítica da ciência ordinária não vai dar à ciência iniciática mas vai contribuir para refinar, sofisticar e remitificar a tecnologia que os induz àquela crítica.
Como diz o autor:
" Esta crítica fundamental dirige-se hoje de maneira difusa, ao progresso técnico - às finalidades da investigação ou do crescimento. De onde essa atitude extrema, anti-ciência, anti-tecnologia, anti-racional, que se encontra em tantos campus universitários.
" Uma tal crítica da razão conduz muitas vezes a atitudes extremistas ou ingénuas. Mas estas atitudes denotam uma vontade de abertura ao subjectivo. É aquilo que os observadores traduzem por vezes por "fuga" para o irracional ou para o misticismo. A inclinação pelas religiões orientais, pela astrologia e pela magia, a redescoberta de Jesus, e até mesmo uma espécie de panteísmo ecológico que termina num "eco-culto" - devoção pelos grandes ciclos naturais."
Se este discurso não é eco-fascista como não hesitaria em considerá-lo Michel Bosquet, tem pelo menos um dos seus ingredientes mais comuns, o paternalismo misto de safardanice envolta em palavrinhas doces com estricnina dentro.
Metendo a ciência iniciática no saco das "religiões", o autor finge ignorar que não há só uma ciência mas que as práticas e ciências de raiz iniciática, como o yoga , as artes marciais, o zen, o tao, a macrobiótica, etc., não só se apoiam na mais rigorosa "ordem do universo", numa poderosa cosmologia, numa recriação monista do ecossistema, não só dispensam totalmente a ciência ordinária e constituem para ela a única alternativa possível e capaz, como são cientificamente superiores trinta vezes a esta ciência ordinária dos rosnantes Rosnay.
Como dizia André Breton da literatura, não há dúvida que a Ecologia leva a tudo.
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(*)Este texto de Afonso Cautela ficou inédito, graças a Deus, e pode ser datado do ano 1977, atendendo ao livro que comenta

(*) Comenta-se neste artigo o livro de Joel de Rosnay, O Macroscópio - Para Uma Visão Global, Ed. Arcádia, 1977■

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rosnay-2-ls-ie> domingo, 29 de Dezembro de 2002-scan


ESCOLA ECO-ENERGÉTICA NA UNIVERSIDADE NOVA?

[Depois de 1975, única data possível ... ] - A tradução em português do livro "O Macroscópio”, de Joel de Rosnay, vem relembrar-nos que a escola Eco-energética do MIT (o conhecido instituto de Massachussets) não é entre nós um ausente e que alguns técnicos ou pensadores que neste momento se ocupam e preocupam, em novas universidades novas, com as relações energéticas entre Ecologia e Economia, por lá passaram ou de lá receberam forte influxo informativo e formativo. Influxo energético...

Registemos o interesse que o Prof. Delgado Domingos tem consagrado à análise energética e a forma como o seu pensamento de técnico em Termodinâmica evoluiu até a descoberta das alternativas ou fontes infinitas do Futuro.

Não esqueçamos que o prof. Gomes Guerreiro, secretário de Estado do Ambiente no I Governo Constitucional, já em 1953, na sua obra "A Floresta na Conservação do Solo e da Água” defendia teses muita próximas da análise energética e que a sua passagem pela escola norte-americana da Califórnia não foi por acaso.

Também o Prof. Cruz de Carvalho, hoje em Portugal, a leccionar no Instituto Universitário de Évora, foi o primeiro no estudo entre Energia e Agricultura, Ecologia e economia Agrária, tendo trabalhado em universidades da Califórnia.

E outros citaríamos, de gosto, se a memória nos ajudasse. Ou viremos a citar, se alguém tiver a gentileza de nos escrever, indicando mais casos que nós ignoremos. ■
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16-12-1998

SUBLINHADOS DO LIVRO «A HISTÓRIA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO»

Todos os organismos são feitos de carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio e a sua fonte de energia, o sol.
Joel de Rosnay

O carbono (...) pode conduzir os electrões de ponta a ponta das suas cadeias, o que de certa maneira prefigura as redes nervosas e as redes de comunicação electrónicas.
Joel de Rosnay

Outrora não se sabia que as moléculas eram feitas de átomos nem que as células eram feitas de moléculas.

Um organismo composto de células especializadas resiste melhor do que um conjunto de células idênticas, porque pode responder de diferentes maneiras às agressões do ambiente, o que lhe dá mais hipótese de sobrevivência.
Joel de Rosnay

Os sistemas monolíticos acabam sempre por desaparecer.
Joel de Rosnay

Um cristal não vive, reproduz-se mas não fabrica energia.
Joel de Rosnay

Um organismo vivo é um sistema capaz de assegurar a sua própria conservação, de se gerir a si próprio e de se reproduzir.
Joel de Rosnay

Somos verdadeiramente feito de poeira das estrelas.
Hubert Reeves

A centena de elementos atómicos que conhecemos na natureza, foram produzidos nas estrelas.
Hubert Reeves

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O CONTRIBUTO DE ÉTIENNE GUILLÉ






26144 bytes-novop-1> novo paradigma - notas de leitura

AVENTURAS E DESVENTURAS DO NOVO PARADIGMA: O CONTRIBUTO DE GUILLÉ

Lisboa, 20/6/1997 - O aparecimento de alguns filósofos e pensadores aparentemente insatisfeitos com o paradigma vigente, foi considerado um acto de coragem. E era.
Fritjof Capra elogiando as virtudes «científicas» do taoísmo (1) , o sr. Jeremy Rifkin, desmontando, em «Entropia» (2), os mecanismos autodestrutivos do macrosistema vigente (o tal que vive de ir matando os ecossistemas) ou mesmo Teilhard de Chardin, «charneira» entre o mundo da ciência analítica e as grandes sínteses cósmicas (cosmogonias), todos esses livros e autores pareciam trazer o suporte de ideias que faltava à anunciada Nova Idade, a profetizada Era do Aquário, a ansiada Nova Idade de Ouro, único antídoto contra o apocalipse.
A expressão «novo paradigma», inclusive, começou a ganhar terreno com a obra ensaística de Edgar Morin.
Cedo, porém, se verificou que esses prudentes e cautelosos autores de ponte só iam até onde o sistema os deixava ir. No campo santo da Santa Ecologia, proliferaram os simulacros de Novo (paradigma de) Pensamento. Única excepção conhecida: o filósofo Ivan Illich, eterno resistente.
Quando surgiu a obra de Étienne Guillé, já se poderia dizer, com toda a desconfiança, que também era pouco fiável, como os anteriores autores virados para o novo paradigma.
Uma análise mais atenta do contributo Guillé, porém, viria mostrar que era, realmente, o único capaz de assegurar a ponte entre os dois paradigmas. E que não havia tempo a perder.
Errado. Afinal, em todos estes anos, desde 1983, ano em que foi publicada a 1ª edição de «L'Alchimie de la Vie», (3) primeiro livro de Étienne Guillé, pouco ou nada se fez, a nível planetário, para aproveitar o legado insubstituível de Étienne Guillé. Os proliferantes aproveitamentos da sua obra para fins terapêuticos, inclusive alguns autores de livros que se desenvolveram à sombra do pensamento de Étienne Guillé (*), como foi o caso de Guy Londchamp, serviram, mais uma vez, o sistema estabelecido, em vez de o ultrapassar.
É de notar um autor, Guy Londechamp(4) , cujo primeiro livro apareceu nas edições Miexon, de Paris, em relação estreita com Patricia Kerviel e em que o segundo livro, «L'Homme Vibratoire» procedia ao aproveitamento das melhores teses holísticas de Étienne Guillé para as colocar, um pouco sectorialmente e de maneira redutora, ao serviço do sistema estabelecido - ou seja, o assistanato da sintomatologia ou a sintomatologia do assistanato: o aproveitamento para fins de terapia específica, e muito pouco ou nada holística, do melhor da holística de Étienne Guillé. Tal como acontece com os anteriores «autores de ponta e de ponte», Guy Londechamp cria, como médico, uma certa expectativa com a assumida atitude crítica em relação ao sistema em geral e ao sistema do assistanato em particular.
Preocupa-se com a destruição dos ecossistemas - claro! - mas quem não se preocupa hoje com os ecossistemas, principalmente os principais autores e actores da sua destruição?
Claro que Guy Londechamp faz críticas ao arcaísmo de um paradigma médico que continua a considerar a doença uma questão de vírus ou de bacilo, sem jamais questionar o terreno orgânico, onde, em matéria de saúde e doença, tudo se passa.
Claro que Guy Londechamp se mostra actualizado com os «avanços da ciência» na área quântica e em relação às descobertas da microfísica que, afinal, até confirma o que o taoísmo já dizia.
Mas a verdade é que se rende à auriculoterapia de Nogier, o que, não sendo muito, também não é um caminho que leve à necessária abertura holística da medicina, como os novos tempos impõem e exigem.
O sistema que vive de ir matando os ecossistemas, levou longe demais as suas próprias premissas para que a passagem se possa fazer com algumas críticas de pormenor ou superfície, deixando o fundo da questão inalterável.
No campo da Ecologia, a estratégia das ecoalternativas foi totalmente silenciada e recuperada. No campo da filosofia, os epistemólogos igualmente recuperaram o sistema dizendo que o contestavam. Além de Étienne Guillé, talvez um só pensador - Jean Baudrillard (*) - tenha conseguido escapar à contaminação, não ser perverso e não fazer a vontade ao sistema.
Em matéria de contaminações, estejamos seguros que o Establishment ainda não esgotou todas as reservas de miasmas que tinha para arrasar este pobre e triste Planeta.
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(1) «O Tao da Física», Fritoj Capra, Ed. Presença, Lisboa,
(2) «Entropia - Uma Visão Nova do Mundo», Jeremy Rifkin, Ed. Universidade do Algarve, Faro, s/d
(3) «L'Alchimie de la Vie», Étienne Guillé, Ed. Rocher, Paris, 1983
(5) «Simulacros e Simulação», Jean Baudrillard, Ed. Relógio d'Água, Lisboa, 1991
(4) «L'Homme Vibratoire», Guy Londechamp, Ed. Amrita, Paris, 1994■

quarta-feira, 17 de março de 2010

HOLÍSTICA 1988

1-23 domingo, 7 de Dezembro de 2003
segunda-feira, 14 de Outubro de 2002- urgente e necessária publicação on line deste texto decisivo e tipo manifesto – prioridade absoluta
merge da série wri holi e um grande conjunto do mesmo tema - para um manifesto da medicina ecológica- capítulo do livro principal - holi-0- -> 13 files wri HOLI num único file novo word - talvez com nomes diferentes de origem muitos destes files senão todos já foram reconvertidos em novo word e impressos manifes1> medicina> manifest>- 26 de Abril de 1984 a 20/Setembro/1992


1988: HOLÍSTICA - DA PALAVRA À ACÇÃO

1
Holismo , s.m. - Expressão comum a várias línguas ou a vários dialectos (do grego «holikos», universal).

2
Para lá da sua natural elasticidade e mobilidade, para lá da sua antiguidade mas, ao mesmo tempo, da sua quase repentina e renovada modernidade, a palavra «holística» tem a seu favor outro grande mérito: não tem o sufixo «logia», sufixo que integra todas as ciências estabelecidas, e fica por isso e assim livre de vassalagem ou submissão epistemológica a uma raiz científica ortodoxa.
Como a palavra indica, «holística» é o universo do diverso, fica na fronteira de todas as ciências humanas. Tal como a palavra «dialéctica», o dinamismo da palavra «holística» permite, à concepção que expressa, ultrapassar constantemente o imobilismo estático das palavras que carregam consigo o pesado lastro do sufixo «logia».
3
[Exemplos de entidades em cuja designação entra a palavra «holística»:
-Instituto Holístico para a Investigação de Doenças Metabólicas e Cancro
-Congresso Mundial de Medicina Holística - 1983 - Ceilão
-Centre Holistique Europeen
-Université Holistique]

HOLÍSTICA - Ideias-força

DA SAÚDE PÚBLICA À ECOLOGIA HUMANA

1- Se o cancro está no ambiente, só mudando o ambiente (inclusive alimentar) do doente se erradicará o cancro; atacar o sintoma é anticientífico e irracional; procurar a causa ambiental é radical, lógico, ecológico e científico
2 - A desastrosa sociedade industrial chama progresso à soma aritmética de retrocessos que são as calamidades e catástrofes industriais, com todos os seus reflexos na saúde das populações (a chamada «saúde pública»): na Idade Média chamavam-se «epidemias», hoje chamam-se «doenças da civilização»
3 - O mais conveniente para a saúde e segurança do consumidor é, infelizmente para ele, o mais impopular em termos de opinião pública e comunicação social: prevenir é sempre mais económico que remediar. O simples é sempre mais barato que o complicado. Não há economia, mesmo de saúde, enquanto sistematicamente se cultivar o desperdício
4 - Dado que o desenvolvimento económico é feito sempre à custa do subdesenvolvimento humano, deixar ao Estado a defesa do consumidor, em matéria de saúde pública, é o mesmo que entregar a Drácula um banco de sangue
5 - Prevenir é sempre mais económico que remediar. O simples é mais barato que o complicado. Não há economia, especialmente de saúde, enquanto sistematicamente se cultiva o desperdício. por mais óbvios que sejam os princípios desta natureza, os sociólogos querem ir mais longe, exigem dados numéricos
5 - De tal maneira as noções de profilaxia básica se arreigaram nas instituições - desde a escola aos governos - que ninguém vai para a mesa sem lavar as mãos...
Uma direcção geral da inspecção económica, por exemplo, ao defender a saúde pública e os direitos (interesses) do consumidor, é no campo do «asseio» e dos aspectos «sanitários» que actua com maior ênfase.
Da higiene que há um século se preconizava até à ecologia humana que se tornou a ciência angular das sociedades modernas e das respectivas práticas médicas ou terapêuticas, vai um longo e penoso caminho: do monopólio ao pluralismo, do monolitismo despótico à diversificação e liberalização democrática, da barbárie à civilização, do despotismo à liberdade.
5 - Às «grandes» políticas globais e abstractas (ditas macroeconómicas) o técnico holístico de saúde prefere raciocinar em termos de acções concretas e positivas: às «grandes soluções», que pouco ou nada solucionam, prefere o «faça você mesmo», o «small is beatiful» que, em termos de saúde, equivale ao «trate-se a si mesmo» e ao «cure-se a si próprio» das autoterapias
6 - Preconizando para problemas de raiz, soluções radicais, atribuindo, em matéria de saúde, prioridade à estrutura antes da conjuntura, à causa antes do sintoma, ao terreno orgânico antes do órgão, podem eleger-se palavras de ordem tão óbvias como: «diz-me que ar respiras, dir-te-ei quem és; diz-me o que comes dir-te-ei o que pensas; diz-me o que bebes, dir-te-ei o que sentes; diz-me que poluições apanhas e dir-te-ei de que doenças sofres... etc

DA MEDICINA HIPOCRÁTICA À HOLÍSTICA

1 - «Acima de tudo não prejudicar» e «Que o teu alimento seja o teu medicamento»: duas máximas hipocráticas que podem figurar à entrada da mais moderna ciência holística da saúde
2 - Algumas questões de fundo para reflectir:
Quem terá de se curar: os médicos (alguns) ou a medicina natural alternativa que vem desde Hipócrates? A medicina sem saúde ou a medicina que cura?
Autocura não é automedicação: quem poderia, estando de boa fé, pensá-lo?
Combater a doença é precisamente o contrário de conservar e defender a saúde

DA HOLÍSTICA À AUTOTERAPÊUTICA:DIREITOS E DEVERES
DESCOLONIZAR O DOENTE
5 pontos vitais:
1 - O seu a seu dono: a medicina para os médicos, a saúde para os doentes
2 - Pela saúde de todos: a cada um o que é de cada um
3 - O direito à saúde começa no dever de a saber conservar
4 - A medicina democratiza-se pelas autoterapêuticas
5 - Nós, consumidores de medicinas, também queremos a palavra
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6328 caracteres manifest>medicina>manifest>inéditos ac - 1988

SAÚDE SEM MEDICINA

(JOGAR À DEFESA)

Subsídios para um manifesto holístico
*
Holística é a ciência da saúde, Medicina é a ciência da doença.
Aos médicos, pois, a medicina e a Holística a todos os cidadãos-consumidores, nomeadamente os que se especializaram nessa área: os técnicos holísticos de saúde.
*

Uma política preventiva de saúde, nas suas duas vertentes, a da higiene pública e a das bioterapêuticas, permitirá economizar ao Estado ( a todos nós) milhões de contos por ano: ter isto sempre presente como um punhal cravado no escândalo do desperdício que são os gastos públicos com medicamentos, é o dever fundamental de qualquer pessoa minimamente consciente das suas responsabilidades como cidadão de um país pobre.
1
No momento crítico que as ecoterapêuticas atravessam face aos poderes públicos, com perseguições a rusgas policiais, rafeiros e mastins da Imprensa assolados às canelas, é urgente manter a serenidade (própria de quem está dentro da razão)e não oscilar nos pontos fulcrais de uma estratégia defensiva inteligente, face à ignóbil e suja guerra que a medicina move contra os seus doentes, vítimas e refens.
A única maneira de a Ordem dos Médicos ficar sem o seu alvo de ataque predilecto - usurpação de título é a única acusação até agora com algum fundamento, entre as que ela regularmente lança aos naturoterapeutas - é estes elegerem como tónica dominante da sua acção não a medicina, mas exactamente as terapêuticas, as técnicas terapêuticas - ou, ainda melhor, holísticas, às quais todas as pessoas, pelo facto de o serem, têm o direito de acesso reconhecido na Constituição da República.
O facto de as terapêuticas naturais ou/ e técnicas holísticas (profilaxia da saúde) estarem vocacionadas para defender e conservar a saúde e não para combater a doença, mostra qual deve ser a palavra de ordem de uma estratégia defensiva, dos que advogam uma política de saúde contra a malfadada política da doença.
Saúde, prevenção da saúde, higiene individual e profilaxia, profissões e profissionais de saúde, estudantes e professores de saúde, técnicos de saúde, consumidores de saúde - pode constituir assim a nomenclatura básica, os «cavalos de batalha» da nossa defesa, deixando a medicina aos médicos e a doença aos profissionais da doença.
Desde que a Medicina não interfira na nossa área - defesa da saúde, um direito fundamental do homem, a que a Constituição da República Portuguesa curiosamente chama também «dever» - não seremos nós, defensores da saúde pelos meios naturais, a preocupar-nos com a Medicina e a sua ordem.
2
Ideias de fundo a que deve obedecer a estratégia defensiva da naturoterapia:
-defender a saúde muito mais do que combater a doença
-despistar e debelar causas em vez de abafar e reprimir sintomas (efeitos)
-praticar a higiene alimentar de acordo com a mais antiga experiência dietética
-ignorar a medicina e a Ordem dos Médicos como elementar medida de higiene e profilaxia
-focar todo o discurso defensivo na palavra «saúde», na «conservação da saúde», na «higiene alimentar», na «higiene pública», na «saúde pública», nas «técnicas terapêuticas», nas «práticas holísticas», etc
-procurar enquadramento nas normas de índole progressista emanadas da OMS e condensadas no slogan «Saúde para todos no Ano 2000»
-alinhar pelos ensinamentos da ecologia alimentar, recusando alimentos refinados, industrializados, conservados, liofilizados, alterados, adicionados de químicas, desequilibrados, desvitalizados, etc.
-alinhar criticamente em todas as análises feitas pela ecologia humana à patológica, doentia e mortífera sociedade industrial, principal fonte contemporânea de doenças: raras são hoje as doenças que não sejam doenças do ambiente, da poluição, dos consumos, da civilização, do estilo de vida, do trabalho, do stress, etc.
-confiar na vitória final das técnicas holísticas e profilácticas, deixando a medicina reduzida aos seus redutos traumáticos, à cirurgia de urgência e pouco mais
-usar, sempre que possível, serenidade que não exclui energia, na análise dos sofismas e contradições com que a medicina química continua amarrando e colonizando as pessoas
-apelar a todos os profissionais de saúde para uma vigilante autocrítica e a uma constante cura de humildade
-elaborar, quanto antes, um código deontológico para a profissão de técnico holístico de saúde ou professor de saúde
-não confiar demasiado nem exclusivamente na «solução total» que o Estado possa vir a dar à chamada «oficialização» das medicinas livres
3
Se os doentes precisam de ver reconhecido o direito à medicina que cura e que escolheram como um direito fundamental do cidadão, a questão respeita unicamente ao consumidor de medicinas e a mais ninguém: é o momento de encorajar os consumidores de saúde a dinamizar o seu próprio movimento de autodefesa, frente a naturopatas e outros alopatas
-Tem havido, até agora, na polémica em torno das «medicinas leves», uma atitude bastante umbilicalista da classe dos naturoterapeutas: só muito raramente tem sido invocada a sua «base social de apoio», ou seja, o grande movimento de ideias e de opinião que são os adeptos e consumidores das ecoalternativas ecológicas e holísticas (alternativas médicas?) e das tecnologias terapêuticas apropriadas
-Entre a medicina que trata e a medicina que cura (ou previne), o consumidor de ambas deve constituir-se em Interlocutor Principal de toda esta guerra, com a qual, às vezes, até nem tem nada a ver ou da qual se limita a ser passiva vítima
-Se quem trabalha deve fazer-se pagar pelo preço justo e compensador, é tempo também de não ir longe demais nesta matéria: se se quer deontologia e moralização dos costumes naturopáticos, não nos podemos ficar apenas pelo campo das competências técnicas mas também exigir nível moral aos praticantes
4
CADA MACACO NO SEU GALHO

A Naturopatia aos naturopatas
A Naturoterapia aos naturoterapeutas
A informação aos jornalistas...

Se o campo da naturopatia ou naturoterapia está invadido de charlatães e aldrabões, também a informação alusiva às alternativas terapêuticas deixa muito a desejar, não sendo elaborada nem produzida pelos que tinham obrigação de a produzir com melhor qualidade, os profissionais da informação
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AFINAL ELAS EXISTEM
FACTOS CONTRA FANTASMAS

Testemunho pessoal em outubro de 1988 como contributo a um relatório impessoal sobre a necessidade e urgência de uma informação sobre o mundo (sector) holístico

Afinal as «medicinas heterodoxas» existem, apesar dos enormes esforços que em Portugal a Comunicação Social mais influente faz para as deixar despercebidas.
Como o que tem de ser tem muita força, volta e meia chegam notícias do «mundo holístico», aquele que tem como centro o universo humano, prioridade de todas as prioridades, provando que afinal alguma coisa mexe no campo da saúde (prevenção e profilaxia) e de que nem só do combate à doença (medicina) morre o homem.
[Se ainda não há muito tempo, toda a Comunicação Social deste País ignorou os «15 anos do Movimento Ecologista», exposição de 25 painéis que esteve patente 5 dias no Forum Picoas (entre 23 e 29 de Março), é muito provável que ignore também o mundo de factos e realidades que hoje se conhecem sob a designação de «movimento holístico».
A dúvida, aliás, é se há mesmo ignorância (e a natural inocência que a ignorância dá) ou se há demasiada ciência neste fenómeno de omissão e a arrogância que toda a ciência dá.
Excepção nesta «conspiração de silêncio» foi o presidente da República, que oficiou ao Forum Holístico Internacional a sua decisão de ter aceitado presidir à Comissão de Honra do Congresso Holístico, que em segunda edição se realizou em Lisboa, no Hotel Penta, dias 23, 24 e 25 de Abril de 1988.
Para a Presidência da República, pelo menos, o movimento holístico existe, o que não deixa de ser reconfortante e de nos dar uma certa esperança de ver um dia destes a luzinha ao fundo do túnel e melhores dias para este país de canibais à solta.]
[Claro que a dúvida hamlética sobre o ser ou não ser da Holística (das medicinas ditas naturais) é um facto praticamente exclusivo deste País de anedota, que elegeu Herman como seu patrono.]
Em qualquer parte da Europa dos Doze, as actividades holísticas são prática corrente e as medicinas ditas alternativas ou naturais consideradas como técnicas terapêuticas em pé de igualdade com a medicina estabelecida oficial. [: não só não comem crianças ao pequeno almoço como fazem ganhar bom dinheiro a muito boa gente.]
[Ser alternativa ao sistema já não é crime, em outros países da Europa mas aqui, em Portugal, ainda é vergonha, uma espécie de blenorragia que se esconde das visitas.].
[Mas nada como os factos para (tentar) desfazer nevoeiros de D D.Sebastião e fantasmas de obscurantismos e inquisições.
Contra o nevoeiro do obscurantismo português, em matéria de novos ventos que sopram para o «universo humano», os factos podem coligir-se em catadupa e a dificuldade está só em seleccioná-los.]

ACONTECIMENTOS NÃO FALTAM
DE ANTON JAYASURIYA (SRI LANKA) A FERMIN CABAL (ESPANHA)

Acontecimentos do mundo holístico, não faltam. Por exemplo.
Em Benalmádena-Costa, a 4 Km de Torremolinos e a 20 de Málaga, reuniu-se, de 21 de Abril a 1 de Maio de 1988, o 14º Congresso Mundial de Medicinas Naturais, iniciativa que regularmente se realiza em países europeus mas que irradia, imagine-se, do Sri Lanka, onde Anton Jayasuriya, com a sua organização «Medicina Alternativa» (assim mesmo, com este nome português, a lembrar que Sri Lanka já se chamou Ilha de Colombo e já foi do domínio português...) fez da medicina tradicional do seu País a melhor marca registada para levar a todo o Mundo o prestígio da sua própria cultura.
Com a Acupunctura, o Sri Lanka, através de Anton Jayasuriya, tem vindo a conquistar as elites europeias e não é por acaso que, dos países anglo-saxónicos, o eixo começa a deslocar-se para os países latinos, sempre mais demorados em reagir aos estímulos: é a segunda vez que o Congresso Mundial de Medicinas Naturais se realiza na Costa sul de Espanha.
É de recordar também que o primeiro Congresso Mundial da CIA-MAN (Confederação Internacional das Associações de Medicinas Alternativas Naturais), realizado em 25-27 de Abril de 1986, significou um esforço pessoal de Fermin Cabal, advogado de Madrid consagrado às medicinas que curam, para a definitiva consagração das medicinas leves.
O assunto da oficialização destas medicinas está ainda pendente nas instâncias do Parlamento Europeu, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenta libertar-se dos «lobbies» internacionais da Farmácia para poder pôr em marcha o programa de Alma-Ata em favor das terapêuticas naturais, campanha que vigora sob o eufemismo «Saúde para todos no Ano 2000».
A provar que o «movimento holístico existe» e que as medicinas alternativas são um facto científico comprovado, bastaria lembrar algumas instituições de prestígio que não se envergonham de ser quem são e de levar o nome que levam.
De um ficheiro onde se encontram arquivados cerca de 300 endereços de uma dezena de países, respigamos os nomes de algumas instituições que, por exemplares, podem servir de exemplo a uma realidade que teima em ignorar-se em Portugal, ou antes, que a Comunicação Social em Portugal teima em ignorar :
-American Biologic Hospital
-Arizona College of Homeopatic Medicine (Arizona)
-Community Helth Foundation(Associação de Medicina Holística) - (Londres)
-East West Foundation (Boston)
-East West Macrobiotic
-Escola Medicorum Botanicae (Barcelona)
-Faculdade de Medicina de Paris XIII - Departamento de Medicinas Naturais - (Bobigny)
-Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro (UNI-RIO)
(RIO DE JANEIRO)
-Hospital Saint-Justine (Monréal - Quebeque)
-International Institute for Research on Metabolic Diseases and Cancer
-London's Royal Homoepathic (Londres)
-New England School of Acupuncture (Boston - Massachusets)
-Nutrition - Hidden Walley - Humanities Califórnia Research
(USA)

ALTERNATIVAS NA TELEVISÃO PORTUGUESA
A atenção, ainda que viciada ou viciosa e sectária, por parte dos «mass media» em relação às «tecnologias alternativas de saúde», é também uma prova de que existem e de que não são um sonho.
A RTP apresentou, em 1988 (?), uma série sobre medicinas que curam, mas já em 1985 divulgara um programa de oito episódios «The Medicine Man», da Anglia Television.
À parte este caso, que foi certamente por acaso, quando a televisão se mete no «campo alternativo» é sempre para dar oportunidade à medicina química de impor os seus pontos de vista[, quase sempre de forma troglodita e escolhendo bem os alçapões onde há-de enfiar os opositores.]

O EXEMPLO DE TRÊS REVISTAS FRANCESAS

Revistas francesas de grande prestígio não têm esquecido o tema.
Um número especial da revista «Autrement» era dedicado, em Dezembro de 1986, ao tema «Autres Médecines, Autres Moeurs», tinha 236 páginas e custava 80 francos franceses.
O semanário «Madame Figaro», de 13-19 de Dezembro de 1986, dedicava um dossier especial ao assunto «Médecines Douces», enquanto a «Elle» se ocupava de «Ayurveda - os segredos da Medicina indiana» - no seu número de 24/8/1987.
Em Março de 1985, era a revista «Science et Vie», tão ciosa dos seus pergaminhos científicos, que dedicava um dos seus números trimestrais às «Medicinas Paralelas».
No domínio da legislação progressista adoptada, a Austrália mostrava o caminho, fazendo aprovar, em 8 de Setembro de 1985, no Parlamento, a lei sobre Medicinas Naturais.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE AVANÇA

A Organização Mundial de Saúde editava, em 1983, a obra «Medicina Tradicional e Cobertura dos Cuidados de Saúde», o mais completo e sistemático repositório que já foi elaborado sobre o conjunto das mais preciosas medicinas tradicionais das grandes culturas do mundo como a tibetana, a chinesa, a indiana, etc.
Fazendo assim face às pressões multinacionais para ignorar ou omitir o assunto, a OMS consagra nesta obra e definitivamente as «artes terapêuticas» nas quais terá de se basear, para ser verdade e para ser democrática, a sua campanha «Saúde para Todos no Ano 2000», desideratum que só com as medicinas naturais e nacionais poderá conseguir-se, já que é impossível dotar todo o Mundo com os sistemas sofisticados e de alto custo para onde caminha a medicina de ponta... dita de «alta especialização»
No quadro que a seguir se apresenta, destacam-se com asterisco as «tecnologias apropriadas de saúde» que se encontram largamente referenciadas na obra monumental da OMS « Medicina Tradicional e Cobertura dos Cuidados de Saúde».

TERAPÊUTICAS HOLÍSTICAS de A a Z

Acupunctura*
Algoterapia
Aromoterapia
Astrodiagnóstico*
Aura*
Auriculoterapia
Biocatalítica
Bionergia*
Biofeedback*
Bioinformação
Bioquímica*/Biopatia/Bioterapia
Bioritmo*
Bromatologia
Celuloterapia
Cera (Benhos de)*
Cibernética humana*
Cólon (lavagens do)
Coluina (correcções da)
Crenoterapia/Balneoterapia*
Cromoterapia*
Desintoxação (cura de)*
Dianética*
Diatermia e micro-ondas*
Dieta de Proteínas*
Dieta vegetalina*
Dietética/Dietoterapia
Digitopunctura
Dissociação dos Alimentos
Do-In
Electrobiofísica
Electro-nipunctura
Electroterapia*
Emagrecimento (cura de)
Embrioterapia
Endocrinoterapia endógena*
Etiopatia
Enzimoterapia por lacto-fermentados
Farmacopeia vegetal/Fitoterapia*
Fisiognomia
Fisioterapia
Flores (tratamento pelas)*
Galvanismo*
Geotarapia/Argila*
Gestalterapia
Grafopatologia
Helioterapia(banhos de sol)*
Herbologia
Homeopatia*
HLB (Hemo-teste)
Hidroterapia*
Hipnoterapia*
Iman-terapia
Ioga-terapia
Ionoforese
Iridologia*
Jejum*
Lágrimas (terapia das)
Laserterapia
Kirlian (fotografia)*
Macrobiótica*
Magnetoterapia
Massagem terapêutica
Medicina antroposófica*
Medicina aiurvédica*
Medicina psiónica*
Mesmerismo*
Mesoterapia*
Monodietas*
Moxibustão*
Musicoterapia*
Naturopatia*
Neuralterapia*
Nutriterapia/Dietética*
Oligoterapia
Ondas galvânicas*
Ondas interferenciais*
Ondas curtas
Organoterapia
Orgon-terapia*
Osteoterapia*
Oxigeno-terapia*
Pedras preciosas*
Peeling (método)
Pirâmides (terapêutica pelas)*
Pranoterapia*
Psicanálise
Psicocibernética
Quinesiologia aplicada*
Quiropraxia*
Radiónica/Radiestesia*
Reflexologia/Reflexoterapia*
Relaxing/Training autogene*
Rejuvenescimento (regimes de)
Sauna terapêutico
Shiatsu*
Sofrognose/Sofrologia/Hipnose*
Sono (terapia do)
Sudação (banhos de)
Sumos de frutos(cura por)
Talassoterapia
Tai Shi Chuan
Termoterapia
Ultravioletas*
Ventosas*
Vitaminoterapia por germinados
---------
(*) O asterisco (*) indica as modalidades terapêuticas apenas enunciadas ou largamente analisadas pela obra monumental da Organização Mundial de Saúde sobre medicinas tradicionais publicada em 1983

O QUE DIZ «O LIVRO DA MEDICINA NATURAL»

Publicado em língua portuguesa pela editora Presença, «O Livro da Medicina Natural» (assim intitulado) considera um quadro de terapêuticas bastante bizarro, já que dele se excluem terapêuticas hoje não só evidentes como de grande público (caso da Acupunctura) enquanto se inserem outras (como a Bioquímica) que dificilmente podemos encontrar referida em fontes bibliográficas fidedignas sobres estes assuntos.
Quiroprática, Neuroterapia, Terapêutica segmentar, Terapêutica dos focos de doença e Terapêutica das zonas reflexas do Pé são as modalidades indicadas.

A LISTA DA REVISTA «TEST-ACHATS»

A eleição de novas terapêuticas faz-se, por vezes, em função da ordem indicada pelos números obtidos em sondagens.
No caso da revista belga «Test-Achats», cinco especialidades terapêuticas se encontram entre as mais votadas pelo público consumidor.
Homeopatia
Acupunctura
Terapêuticas manuais (Osteopatia e Quiropraxia)
Fiototerapia
Magnetoterapia

A LISTA DA REVISTA «SCIENCE ET VIE»

Ao reconhecer importância suficiente às «medicinas paralelas» para lhe dedicar um dos números (monográficos ou temáticos) trimestrais, a revista francesa «Science et Vie» convidou os seus colaboradores, quase todos catedráticos de Medicina, para falar das seguintes especialidades( assim pela revista classificadas), ou modalidades, aqui indicadas pela ordem como aparecem publicadas na revista:
Homeopatia
Acupunctura
Mesoterapia
Osteoterapia
Fitoterapia
Crenoterapia
Dietoterapia
Iridologia
Auriculoterapia
Paramedicinas
Psicoterapia
Epistemologia (?)


A LISTA DA REVISTA «VIE NATURELLE»

Os items seguintes foram indicados pela revista francesa «Vie Naturelle», que sobre eles organizou seminários e estágios:
Alexander (Método)
Análise conceptual
Análise transaccional
Artes Marciais
Astrologia médica
Bioenergia
Caligrafia Chinesa
Comunicação espontânea
Consciência do corpo (Método Feldenkrais)
Dietéticos (métodos)
Energética chinesa
Fitoterapia
Gestalt
Homeopatia
Iluminação intensiva
Integração postural
Iridologia
Karate-do tradicional
Massagens
Medicinas naturais
Meditações
Morfofisiologia
Musicoterapia
Naturopatia
Pintura chinesa
Programação neuro-linguística
Psico-síntese
«Rebirth»
Reflexologia
Relações pais-filhos
Relaxações
«Rolfing»
Sofrologia
Simbolismo
Tai-Chi
Yoga

A LISTA DA CIA-MAN
Ao convocar o Congresso Mundial de Medicinas Alternativas, a Confederação Internacional de Associações de Medicinas Alternativas Naturais (CIA-MAN) anunciava algumas técnicas como escolhas dos profissionais em Naturoterapia, na ordem em que se indicam a seguir:
Digitopunctura
Auriculoterpia
Herbologia
Iridologia
Sofrologia
Bromatologia
Grafopatologia
Psicocibernética
Tai Chi Chuan
Macrobiótica
Quiropraxia
Shiatsu
Do-In
Fisiognomia
Radiónica
Terapia Natural
Reflexologia
Laserterapia
Dietética
Osteopatia
Bio-feedback
Aromoterapia
Cromoterapia
Orgon-Terapia
Fisioterapia
Magnetoterapia
Ioga

A LISTA DA REVISTA «PLANETA»

Em número especial sobre «Terapias Alternativas», a revista «Planeta», do Rio de Janeiro, propunha as distinções seguintes, aqui indicadas pela ordem em que aparecem na paginação da revista:
Homeopatia
Acupunctura
Quiroprática
Termoterapia
Nutrição
Medicina herbária
Aromoterapia
Hidroterapia
Rolfing
Shiatsu
Do-In
Radiestesia
Energia piramidal
Cromoterapia
Análise transaccional
Antroposofia
Bionergética
Control Mental Silva
Gestalterapia
Meditação Transcendental
Musicoterapia
Dança
Psicanálise
Psicodrama
Relaxamento
Sofrologia
Ioga

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A MEDICINA YIN-YANG E O EMPIRISMO NEO-HIPOCRÁTICO - ECOS 84

Publicados os primeiros 5 parágrafos in «Guia do Consumidor», 26/Abril/1984


[Impublicável, pois arrasa à direita a medicina oficial e à esquerda as medicinas neohipocráticas ou naturistas]

Acupunctura - escudo invisível contra o poder despótico da medicina imposta

26/Abril/1984 -
A bem do consumidor, as relações entre medicina ortodoxa e medicinas alternativas naturais começam a civilizar-se, começam a processar-se com certa normalidade, depois de um tempo em que se agrediam mutuamente com acusações recíprocas de «obscurantismo».
A bem do consumidor, duas tendências se desenham actualmente em Portugal nas relações entre o sistema estabelecido e as medicinas livres, na valorização profissional e qualificação técnica dos novos terapeutas.
Curiosamente, a grande linha de clivagem passa pelas «agulhas da Acupunctura».
É aqui, na mais antiga medicina do Mundo, que o poder médico não quer perder terreno nem está disposto a transigir um milímetro sequer.
«Técnico de saúde em medicina oriental yin-yang», sim, talvez, é possível, desde que na Acupunctura sejam só os médicos a mexer.
***
[ É assim que, enquanto decorrem ou vão decorrer, em Lisboa e Porto, cursos de Acupunctura só para médicos, o leque de oportunidades se abre, como veremos a seguir, a não médicos, no campo das «técnicas terapêuticas orientais».
Dando alento à primeira tendência, o Porto vai dinamizar o direito à saúde pelas medicinas naturais, através de um curso de Acupunctura, a iniciar no próximo mês de Maio, tecnicamente apoiado pelo corpo docente do Instituto Médico-Naturista de Lisboa e patrocinado pela Associação Portuguesa de Naturopatia.
Dando força à segunda tendência - a liberalização das técnicas terapêuticas e o alargamento de oportunidades a quantos o desejarem - outras iniciativas estão a ser apoiadas por estas duas instituições.
***
Há uma questão de fundo que a «luta pela qualidade» levanta ao movimento holístico português neste momento.
Parte das novas terapias encontra-se ainda na fase de investigação, como é o caso da Magnetoterapia, da Aromoterapia, da Cromoterapia, da Hipnoterapia, etc.
Ora, se nada impede a investigação e ela á salutar, não se podem, no entanto, confundir tateamentos no escuro, como os da terapia pelo íman, com sistemas antiquíssimos de rigor comprovado através dos séculos e das civilizações. Não se podem confundir experiências e experimentações com técnicas absolutamente e definitivamente assentes, com bases filosóficas até hoje inultrapassáveis.
A acupunctura é uma ciência de rigor, a única medicina de rigor, aliás, que se conhece e frente à qual todas as ciências ocidentais são arremedos grotescos.
A Acupunctura não é só científica, é a mais científica e até a única científica das Medicinas, na medida em que é a única dialéctica global entre macro e microcosmo, a única capaz de acompanhar o fluxo vivo da vida. A única que não opera em cadáveres nem em órgãos isolados do contexto...
Nada, absolutamente nada é hoje comparável - nem as próprias medicinas naturais do campo hipocrático - ao sistema médico yin-yang.
***
O pluralismo, portanto, não pode ser ecletismo. O pluralismo não pode servir de pretexto a todo o empirismo que grassa nos meios ditos de medicina natural e que parece querer apenas estender até ao infinito o número de terapias, numa lista infindável destinada a confundir ou encandear os desprevenidos e potenciais utilizadores de tanta maravilha «natural».
Calma, pois, e «stop» às longas listas de terapias com nomes sonantes.
A única medicina com provas dadas, no conjunto das medicinas heterodoxas, é de facto a medicina a que se pode, com propriedade, chamar Energética. O resto, incluindo a própria medicina oficial, anda há muito a tactear no escuro e vai caminhando por aproximações ou afastamentos. A Acupunctura em particular e toda a medicina energética que dela irradia em geral, é a única a ir ao «ponto» exacto, como decorre da própria anatomia destas coisas.
***
Se tivermos que ser dogmáticos, pois há que sê-lo, nesta hora decisiva da verdade.
O único sistema médico que hoje pode fazer frente, em terreno seguro, ao sistema alopático da morte lenta, é a Medicina Energética ou medicina divina do yin-yang.
É o único com «back-ground». É o único que cobre todas as gamas, desde as urgências à doença crónica, desde os cuidados primários à prevenção, desde o diagnóstico à anestesia, desde a libertação do doente colonizado pelo sistema até à libertação humana total. É a única medicina com milhares de anos de validade prática ininterrupta. É a única que não precisou de evoluir para ser perfeita. É a única que os médicos têm que respeitar, se não quiserem ser desrespeitados por irresponsabilidade histórica.
As próprias medicinas ditas «naturais» com mais probabilidade de se fazer ouvir e de vingar só o conseguirão no contexto teórico do sistema energético, da dialéctica yin-yang.
Homeopatia, Oligoterapia, Cromoterapia, Musicoterapia, Aromoterapia são alguns (poucos) ramos terapêuticos com possibilidade de se impor para lá do empirismo e do experimentalismo, sob a condição de serem entendidos no mesmo contexto vibratório ou ondulatório, dos mesmos pressupostos onde radica a dialéctica yin-yang e terapêuticas ou artes derivadas.
Ao lado disto, a própria medicina neo-hipocrática do tipo colucciano, ou do tipo «castrista», ou do tipo «alimentação racional» são formas meramente empíricas, embora muito mais eficazes do que a medicina química, que nem empírica chega a ser Apresentam-se extremamente duvidosas, vulneráveis e, neste momento, marginais ao processo de autodignificação da actividade profissional na área holística.
***
Não se quer, com estas palavras, dividir o meio da medicina holística, já de si tão dividido e cheio de lutas intestinas, mas também não se pode, em nome da unidade, continuar admitindo tudo o que na essência o destroi e que, no fundo, se pode resumir a «incompetência» e «falta de qualidade».
Comparado ao sistema yin-yang, a tentativa neo-hipocrática de reformar por dentro a transviada medicina europeia, é empírica e frágil. Não se pode iludir esta realidade, nem deixar de a reafirmar, em nome de um pluralismo que é preciso preservar. Claro que é preciso preservar um pluralismo terapêutico, pois de «partido único» estamos bem fartos: mas o que está ainda no domínio empírico e da pesquisa experimental, não se pode dar como aquisição definitiva e infalível.
Fale-se então de «medicinas experimentais», mas não se meta nisto a medicina yin-yang, maior a vacinada, adulta e responsável, definitivamente crescida, que tem inscritos no céu da Perenidade os seus princípios eternos, que se identifica com a própria aventura humana no passado, no presente e no futuro, com o próprio destino do Planeta e das espécies que nele vivem.
Não são os macrobióticos que têm de ceder às experiências hipocráticas - que em matéria alimentar se podem chamar «lacto-ovo-vegetarianos» - que tiveram, aliás, um papel pioneiro mas cuja estagnação em que caíram é sinal das suas próprias debilidades.
Se todos os que praticam shiatsu, artes marciais, macrobiótica, acupuntura, moxa, digitopunctura, etc, percebessem a unidade essencial e primordial de um sistema que é não só o melhor mas, como sistema, o único coerente, tudo seria mais fácil para o movimento alternativo em geral e o movimento ecologista em particular.
Se tudo é energia - e não há dúvida que é - tudo seria fácil e até o reconhecimento oficial das novas medicinas se faria com muito mais rapidez.
Este é o caminho, sem cedências e se quisermos que a medicina moribunda vergue à força da verdade, do rigor, da qualidade, da ciência e da técnica indiscutíveis.
[Uma regra de oiro , a seguir sem hesitações, se poderá induzir da avalanche de comunicações presentes no Congresso de Madrid, dispersão de temas e técnicas, panorama heteróclito que não prenuncia nada de positivo e coerente para os próximos anos das terapêuticas naturais.]

O dualismo será também aqui a máxima perversão a ser evitada. A luta pela Unidade continua. Depois da autocrítica, é urgente a autoselecção interna das prioridades, saber por onde começar, já que as energias de cada um - médico e doente - não sendo inesgotáveis, têm de ser devidamente geridas e administradas.
Gerir a energia é o segundo princípio que se torna urgente concretizar em toda a extensão do campo naturoterapêutico.
Não se pode já colocar, em pé de igualdade, métodos e escolas que a experiência de séculos concluiu, por triagem natural, serem de níveis de rendimento diferentes. Poupar energias obriga a seleccionar técnicas. Se tudo aponta para uma concepção panenergética do Universo vivo, não é mais possível continuar teimando, inconsciente e acriticamente, em métodos que não se equacionam em função da concepção energética.
Se a bússola é o yin-yang, não se poderá usá-lo apenas para tapar buracos que os outros métodos, sem norte, sem oriente( desorientados portanto) vão abrindo.
Ainda aqui manda a moral que se seja humilde para aceitar a óbvia superioridade do sistema médico chinês tradicional, face, por exemplo, aos contributos mais ou menos aproximados das modernas formas naturoterapêuticas e biomédicas.
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2221 caracteres atelier>prontuar

CENTRO HOLÍSTICO DE INFORMAÇÃO

Dispositivo complementar do atelier yin-yang, o Centro Holístico de Informação abrange um conjunto de serviços integrados, de suposta utilidade pública, e centrados num espólio bibliográfico que, na perspectiva da unidade holística, é o mais completo e diversificado que existe no País.
O Centro Holístico de Informação abrange, assim, actividades convergentes, todas de interesse público e em defesa do consumidor, irradiando de uma base - o livro (biblioteca), o documento, o banco de dados, etc.
Poderá considerar-se o CHI como unidade-piloto, célula-base de toda uma rede futura, de todo um tecido que, na sua expressão alargada, seria o Plano de Informação e Ajuda ao Consumidor (P.I.A.C.).
O Centro Holístico de Informação integra desde já os seguintes serviços:
-Telefone-gravador de pronto socorro - Atendimento personalizado do consumidor - Informações de urgência para casos de urgência
-Gabinete de Diagnóstico Holístico - Diagnóstico precoce e prevenção natural - Ficha holística ou perfil
-Boletim holístico - Sumário de notícias do País e do Mundo - Mini-agência do consumidor

-Biblioteca - com serviço de consulta à distância e fornecimento
de fotocópias
-Clube do Livro Saudável -
-Página periódica em revista ou jornal
O CHI actuará essencialmente no campo noticioso, informativo e documental, pretendendo constituir-se como:
ponto de encontro e convergência;
intercomunicador noticioso entre todos os amigos das ecoalternativas, consumidores e produtores;
centro de apoio informativo à comunicação social;
e centro documental para estudantes e professores de saúde.
O CHI irá desenvolver as seguintes actividades e funções:
- Biblioteca de convergência holística
- Mini-agência noticiosa de ajuda ao consumidor
- Telefone-gravador de primeiros socorros em terapêuticas naturais
- Atendimento - consultório de primeiros socorros
- Publicação periódica que dê voz ao movimento holístico internacional
- 20 mil dados em computador para resposta aos apelos de 1ºs socorros
- Gabinete jurídico na área holística de saúde e segurança
- Actividade editorial sobre etapas da autocura
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1033 caracteres mandamen>prontuar

[Contributo a um manifesto da Esperança]

OS 10 MANDAMENTOS DA LEI UNIVERSAL
- Introdução a uma medicina ecológica segundo o princípio yin-yang -

Medicina yin-yang, porquê?

Porque:
é necessário evitar a doença em vez de a combater
é necessário realizar o diagnóstico em função do meio ambiente
é necessário exaurir o nosso carma em vez de o carregar
é necessário descolonizar o doente e libertar as pessoas da dependência média
é necessário ensinar a conservar a saúde em vez de continuar a combater a doença
é necessário preparar o advento da era que aí vem e que virá quer a medicina vigente queira ou não queira
é necessário substituir a imunização das vacinas pela imunização natural ou profilaxia alimentar
é necessário viver em vez de vegetar agonizando

***

Todos podem aprender a curar-se: as artes operativas orientais são acessíveis a todos, nos seus níveis elementares, e a sua eficácia, mesmo a nível elementar, só depende da vontade que cada um puser na sua aplicação.
+
6326 caracteresholi-7>naturº>revista>

INÉDITO AC 1986
[[ para ilustrar este artigo: fotos de Lyon de Castro e Fritjof Capra e /ou capas dos seus livros]]

# MANIFESTO «CONVERGÊNCIA HOLÍSTICA» [DA ECOLOGIA ALIMENTAR À ECOLOGIA HUMANA E DA ECOLOGIA HUMANA À HOLÍSTICA]
# SOBRE MOVIMENTO NATURO-VEGETARIANO EM PORTUGAL - AGHEGAS A UMA HISTÓRIA
# NOTÍCIAS DA ÁREA HOLÍSTICA
# EDITORIAL DA «REVISTA HOLÍSTICA DE SAÚDE»: UNIR VÁRIOS FIOS DA MESMA REDE, RAMOS DA MESMA ÁRVORE
# QUESTÕES DE NOMENCLATURA E/OU LÉXICO

Com nomes mais ou menos semelhantes -- «naturismo», «vitalismo», «vegetarianismo», «higienismo» -- tem vindo a designar-se, de maneira bastante difusa e por vezes confusa, uma série de práticas, pessoas e actividades que se dizem ligadas à Natureza, respeitando as leis naturais e preconizando o que chegam a chamar de «saúde natural».
[Ainda hoje estou para saber o que é «saúde natural» e se alguma coisa a distinguirá da artificial. ]
Nomenclatura como esta é, só por si, elucidativa da confusão que tem existido em certos meios ditos naturopáticos, os quais, aparentemente, teriam a ver com Ecologia Humana mas que, feliz ou infelizmente, se verifica pouco ou nada terem a ver com ela, e já tantamos explicar porquê. O facto de invocarem figuras e entidades tutelares comuns -- como por exemplo «Natureza», «Leis Naturais, «Biologia», etc., -- não é suficiente, nem pouco mais ou menos, para uma perfeita identidade de objectivos e propósitos. Feitas as contas e realizado o balanço crítico, conclui-se que o número de coisas que separa o «naturismo» da «Ecologia alimentar»(para só falar desta) é muito maior do que aquilo que eventualmente os possa unir. Para já, o pendor «moralista» ou «predicante» inerente ao discurso naturista clássico é uma das razões que mais o distanciam da Ecologia Humana, pedra angular das modernas ciências humanas. Evitando a carga ideológica do «ismo» inerente ao naturismo, verificou-se recentemente um esforço, por parte de alguns naturistas de velha data para «inventar» a palavra «Naturologia», que seria a ciência básica em que assentaria o naturismo como ética e movimento.
Conforme prova o livro do veterano em Naturopatia José Lyon de Castro , intitulado «Naturologia» e subintitulado « --------», a Naturologia não se mostra menos carregada de ideologia e prédica que o próprio «Naturismo.-----
O livro de José Lyon de Castro tem o mérito de deixar tudo isto bem evidente, em 1986, quando a evolução das ideias no campo das «alternativas naturais à medicina química» entrou num verdadeiro «boom» e aponta para uma rápida selecção de valores, para uma hierarquia drástica de conceitos, levando a separar, de uma vez por todas, o trigo do joio.


ENTRE CILA E CARIBDES

Para o bem ou para o mal, a nossa época aponta para o pragmatismo das tecnologias, independentemente de ideologias, talvez como resposta salutar à tecnocracia dos que impõem as tecnologias de violência, morte e doença. Isto mesmo no que toca às tecnologias de saúde, extremando-se totalmente os campos entre o que se entende por «tecnologias apropriadas de saúde» (aquilo a que hoje se chama «medicinas alternativas, paralelas, doces, heterodoxas, etc.) e as «tecnologias violentas de combate à doença» (aquilo a que a Ecologia Humana decidiu chamar Biocracia).
Uma coisa é certa: face à «homilia» que o discurso dito naturista ou «naturopático» insiste em ser, mais próximo de um religiosismo fanático do que de uma ciência, a Ecologia Humana não poderá aceitar os pressupostos desse «religiosismo», dito «naturismo», só porque do outro lado se encontra, de boca aberta, a tecnocracia ameaçadora da Biocracia médica.
Mais uma vez a Ecologia Humana escolhe a terra de ninguém, que é a terra de todos. Dizendo «não» aos mitos naturistas, vitalistas, higienistas, nudistas, vegetarianistas, etc., por muito que lhe deva historicamente alguma coisa, mas dizendo simultaneamente, e por outro lado, «não aos mitos da Biocracia que se acolhe hoje na prática médica dominante, quase exclusivamente a dominando.
Ecologia Humana há-de conquistar o seu espaço, por mais que naturistas sejam ridicularizados pelos médicos e por mais que os médicos sejam temidos ou odiados pelos naturistas.

SECTARISMOS RELIGIOSOS E DIALÉCTICA TAOÍSTA

É um facto que as diversas opções religiosas, nomeadamente hinduísmo, judaísmo e adventistas do Sétimo Dia, põem nas suas prédicas uma tónica importante nos regimes alimentares, que classificam de «vegetarianos», sustentando, em termos mais emocionais do que científicos, a polémica de «vegetarianos» contra «carnívoros».
É certo, também, que algumas seitas o fazem com mais tolerância e outras com menos, com um discurso mais ou menos inteligente. O que interessa apurar de tudo isto, na perspectiva de Ecologia humana e de convergência holística, que não quer imiscuir-se em motivações de ordem religiosa -- quando se trata pura e simplesmente de eleger as tecnologias apropriadas de saúde ao campo alimentar -- é o que fica, como técnica alimentar e terapêutica, de todos esses discursos, ora no tom de prédica, ora no tom de homilia, ora no tom de sermão.
É a prédica, a homilia e o sermão que a Ecologia Humana rejeita, já que fundamenta o seu raciocínio na pura relação de causalidade e efeito entre duas realidades: pessoa humana e meio alimentar.
Acontece que o sistema taoísta, de onde irradia aquilo a que modernamente se chamou Macrobiótica, é o sistema que garante essa dialéctica ágil de causa-efeito, único princípio inamovível da Ecologia Humana, sem nenhuma tonalidade religiosa ou sectária.
Físicos modernos como Fritjof Capra encontram no taoísmo o mesmo rigor que exigem à ciência física.
Essa é uma das razões porque a Ecologia Humana manifesta a sua clara opção pelos princípios taoístas do Yin-Yang, não se deixando entalar enre os sectarismos religiosos naturo-alimentares e a Biocracia (tecnocracia da vida) em que degeneraram as chamadas ciências da vida e ciências humanas ocidentais.
Isto sem falar da medicina mais antiga do Mundo, a Acupunctura, que é a medicina total por excelência e também a medicina ecológica por natureza.
Não admira que a Ecologia Humana reconheça nela e em todo o sistema yin-yang -- matemáticca eterna -- o seu mais nobre antepassado, a sua mais remota, profunda e firme raiz.

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2498 caracteres holi-8>prontuar>

NOMES DE PESSOAS, FIRMAS E ENTIDADES
NA ÁREA HOLÍSTICA EM PORTUGAL

- Dr. Fernando Soares - APAE
- Dr. Joaquim Almeida - APAE
- Dr. Mitsuharu Tsuchya
- Drª Luísa ? -- Asma Brônquica
- Manuel Fernandes -- R. Camilo Castelo Branco, 31 -2º - 54 21 91 (consultório)
- Vítor Cunha -- Parque Miraflores, lote 24 - 9º- Esq - 1495 Lisboa
- Unimave - Centro Macrobiótico Vegetariano -- Cooperativa de Responsabilidade Limitada -- Rua Mouzinho da Silveira, 25 - 1200 Lisboa -- Tel. 355 73 62
- Mireille Rodriguez -- Drenagem Linfática -- Rua F.R. Pacheco, Lote 2, Galiza Estoril - Por marcação -- Tel: 466 1369
- Fénix -- Editores e Livreiros -- Rua de Timor, 23 -- 1100 Lisboa -- Tel: (01) 82 24 14
- Sivananda -- Associação de Yoga -- Formação de Instrutores - Meditação -- Naturopatia - Astrologia - Rua das Amoreiras, 50 - r/c-Esq - 1200 Lisboa - Tel (01) 69 38 02
- Próvida -- Produtos Naturais -- Quinta dos Linhais -- Cortegaça -- 2715 Sintra -- Tel: 927 05 40
- José Bento Barros Soares -- Quinta do Ceilão -- Olho Marinho -- 2510 Óbidos -- Tel: (062) 96 93 0
- J.L. Ferreira -- Importador Distribuidor de Artigos Naturais -- Rua Victor Cordon, 3 -- 1200 Lisboa -- Tel: 342 10 63
- Psicanálise Integral -- Para crianças, adolescentes e adultos -- Av Almirante reis, 156 - 1º -- 1000 Lisboa -- Tel: (01) 53 52 06
- Resende & Rijo -- Paula Cristina A.P. Resende Rijo -- Produtos Naturais Ramiro Leão
- Ecolândia ? - representante em Portugal da linha «Megafood» --
- Joaquim Pereira Marujo -- Unidade de Investigação em Antropociências -- UITI -- Apartado 4231 - 1506 Lisboa Codex
- Art & Factus - Novo Conceito de Artesanato -- Centro Comercial da Mopuraria -- Loja 408 - Piso 1 -- 1100 Lisboa
- José Faro - 52 98 91
- José Louza - Helena Louza ( Colaboradores de «Vida Maior»)
- Luís Silva
- Luís d'Avillar
- Luz Ventura

SAÚDE PÚBLICA

- Emergência Nacional - 115
- Centro de Informação AntiVenenos - 795 01 43
- Centro SOS - Voz Amiga - 54 45 45
- SOS Criança - 793 16 17
- Linha Aberta - Informação sobre uso e abuso de drogas -- 726 77 66
- Centro das Taipas - 342 85 85
- Linha SIDA - 759 99 43
NO ESTRANGEIRO
- Prof. Dr. J. Bossy - Director Científico da federação Mundial de Acupuinctura e Moxibustão
- Dr. Nguyeeen Van Ghi - Vice-presidente da Federação Mundial de Acupunctura e Moxibustão - Presidente da Associação Francesa de Acupunctura e Moxibustão - Presidente da Associação Europeia de Oftalmologia /Medicina Tradicional Chinesa
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satillar-1035 caracteres

Ninguém está inocente das doenças que tem.
Após a cura de Satillaro - em 15 meses de macrobiótica - já ninguém pode hoje alegar ignorância.
Após 8 seminários de Michio Kishi em Lisboa, após 12 restaurantes a funcionar, só na área de Lisboa, após a publicação em português de duas dezenas de livros e de um periódico que se chamou «Jornal da Via Macrobiótica», já ninguém pode hoje dizer que desconhecia e, por isso, adoeceu.
Ninguém está inocente das suas próprias doenças.
Curar é fácil, e prevenir ainda mais. Difícil é vencer a opacidade estúpida e arrogante, a inércia da asneira, os interesses e monopólios da indústria alimentar que mata, a fraude publicitária e a mentira dita científica.
A verdade não está só nos livros, nem está principalmente nos livros. Depende essencialmente dos olhos puros e sem preconceitos que queiramos abrir à maravilhosa e poderosa Ordem do Universo. Cujas leis teimamos em não respeitar. Em não conhecer. Em ignorar.
Porque sabemos demais das ciências que temos.
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2237 caracteres holi-10>prontuar>yoga>guia> artes de viver

A PRÁTICA MILENAR DO YOGA

27/3/1991

Houve tempo em que sabíamos respirar -- tal como o instinto inato nos ensina. Depois, com os hábitos da civilização urbana, com a poluição atmosférica, com os gases deletérios, nomeadamente o chumbo na gasolina e a gasolina com chumbo, o acto de respirar tornou-se um problema. O congestionamento dos brônquios por catarros não eliminados -- outro flagelo do nosso tempo e outro problema da saúde pública, veio dificultar a situação.
Surgiu então no Ocidente a técnica do yoga -- palavra de origem oriental que significa «religação» e de onde não está, portanto, ausente o conceito da palavra religião, união do céu e da terra.
Mas a sociedade de consumo transformou o yoga em simples técnica de atingir «performances». Desligando-se do seu contexto de religação cósmica -- o Universo em sintonia com o universo individual -- o yoga tornou-se no Ocidente quase sinónimo de ginástica, ao lado da chamada «ginástica sueca». Não afecta a essência desta prática milenar, desta forma de gnose, que tem a ver com um vasto fundo de sabedoria, mas diminui a sus eficácia técnica. E nós, na sociedade de consumo, temos a perfeição técnica como religião, dizemos colocar a eficácia, a rentabilidade, acima de todas as coisas.
Mas não há mal. O yoga está aí, interpretado de mil maneiras, umas mais correctas ou ortodoxas do que outras.
Em Lisboa, o yoga tibetano pode aprender-se na Rua do Salitre, ------ É só telefonar para -----e marcar. Há também uma escola de grande influência internacional, o Unyoga, ligada ao célebre mestre brasileiro----- Vários ginásios anunciam cursos de yoga, à mistura com aeróbica e dança jazz. Nada disso mancha ou incomoda esta ancestral maneira de viver respirando e de respirar vivendo. A pouco e pouco, o consumidor apressado do nosso agitado frenesim urbano, verifica que as artes de viver não têm época nem lugar e de que são para aprender já. São universais e eternas, e podem, por isso, a qualquer momento, ser moda, estar na moda.
Voltaremos a falar de yoga: por hoje queríamos só começar por ele (os brasileiros acham que é ela, fazem da yoga um substantivo feminino) uma digressão calma e relaxante pelas artes de viver.

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Em artigo do «Le Nouvel Observateur», reproduzido por «O Jornal» [?????]escrevia-se sobre o yin-yang alimentar o seguinte passo de antologia:
«Maio 68. A China, os Beatles e os «hippies» estão na moda. As dietas acompanham essa moda. Os filhos revoltam-se contra os pais, que queriam obrigá-los a comer para crescerem. E determinam: fora com a sopa, o chouriço, a carne de porco, todos os pratos reaccionários! Viva a alimentação que equilibra o nosso yin profundo com o nosso yang subconsciente. A dieta zen, que vem directamente do Oriente misterioso, é constituída por 70 a 90 por cento de cereais e 10 a 30 por cento de legumes, regados com uns goles de água pura de tisana ou temperados com um fio de azeite. Vantagem: o consumo de calorias é praticamente nulo, a monotonia dos pratos tira o apetite ao mais comilão. Inconvenientes: carências de proteínas, vitaminas, cálcio, ferro. A pessoa não emagrece, mas sofre de carências alimentares. Por vezes essa desnutrição provoca alucinações interessantes.»

Obras e autores recentes exemplificam, de maneira clara, o que se entende por Holística moderna e seu principal objectivo: o «aggiornamento» das ciências de ponta com as mais antigas fontes da sabedoria.
Em ...., por exemplo, o físico nuclear Fritjof Capra, lança um corajoso desafio com a obra «O Tao da Física», enfrentando a estrita ortodoxia científica com uma tese então herética nos meios académicos: A cosmologia taoísta antecipa de alguns séculos os princípios da física nuclear e, de certo modo, as leis da relatividade.
Não contente com este seu trabalho de aproximação entre a vanguarda da ciência ocidental e uma das fontes mais antigas da filosofia oriental, Fritjof Capra publicou depois, em ......, uma obra de fundo, uma revisão histórica e panorâmica das diversas teroias e paradigmas que têm marcado o pensamento humano, para chegar, am última instância, ao paradigma holístico, que consdiera o ínico capaz de corresponder ao avanço da ciência e da tecnologia.
Mas no campo da Biologia molecular, a surpresa seria igualmente chocante, quando em ...., Etienne Guillé publicava em França o primeiro volume da sua obra gigantesca «L'Alchimie de la Vie». Viriam depois, com a mesma marca da heresia criadora, « » e « ». Guillé tem hoje ----anos, e nunca se sentiu tão à vontade para defender a mais absoluta e estrita identidade hologramática entre a ,moderna Biologia molecular e a sabedoria ancestral de perdidas civilizações, tal como a egípcia, a chinesa, a hindu, a azteca (?) e a cabala judaica. O à vontdade com que Guillé se move na floresta de símbolos e signos, não é o único fascínio da sua obra. Como investigador do Cancro, durante mais de duas décadas, ele encontra nesta doença da civilização o interface onde convergem todos os caminhoa da entropia destruidora e da neguentropia reconstrutiva. Como se isto fosse pouco, Guillé pega no pêndulo e descobre a linguagem universdal por excelência a que chamou linguagem vibratória. Hoje, ele é um profeta humilde e paciente que aguarda o momento cósmico em que a sua mensagem possa ser escutada e possa servir de colossal ajuda à Humanidade armadilhada no terror que ela própria acumulou.
Já em 1992, surge outro grande livro da esperança: Martha C. Cotrell é um dos nomes que assina a obra acabada de sair sobre « SIDA, Macrobiotics». A constutição deste elenco é já por si significativa do espírito holístico da obra. Médica endocrinologista, Martha C. Cotrell encontra-se em diálogo perfeito com Michio Kushi, o mais conhecido profeta, depois de Jorge Oshawa, do yin-yang taoísta aplicado à ecologia Alimentar. O trabalho de Martha C. Cortell é verdadeiramente genial: guiada pela intuição a que o taoísmo chama «discernimento», ela analisa e sistematiza os factores ambientais (quase todos) que conduzem à imunodeficiência e, portanto, ao reaparecimento da mais antiga forma da evolução biológica, a dos Vírus. Mas esta conquista cada vez maior de «terreno» que se verificou, nas últimas décadas, por parte do vírus, não é apenas o único ponto em que a abordagem de Martha Cottrel se mostra de natureza holística, relacionando o mais antigo com o ultramoderno. É também nas terapêuticas sugeridas para a mais moderna das epidemias, a sida: curiosamente, essas terapêuticas, globais e ecológicas, encontram-se definidas para todo o sempre no sistema taoísta, que, entre outras terapias, daria lugar à acupunctura tradicional chinesa e à recente Macrobiótica (não se sabe bem porquê, mas, para o bem e para o mal, assim rebaptizada).
Já em ...., Michio Kushi se associara a outro grupo de médicos para analisar e sistematizar aquilo a que podemos chamar a Ecologia do Cancro (tal como à mais recente obra podemos chamar uma introdução à Ecologia da SIDA). À disposição da humanidade que sofre, está esse livro de orientação e que se chama Cancer Diet»...
Detectando esta vaga de fundo, este Grande Rio que vai buscar afluentes a diversas correntes do pensamento europeu, uma autora norte-americana resolve, em ......, historiar os livros e autores que convergem na Linha de Heresia criadora:

No Brasil, .... , principal animador da corrente holística, promove em...., um primeiro Congresso e publica em uma cuidada revisão dos nomes e iniciativas que convergem nessa ideia.
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NOMES, DATAS E FACTOS PARA A HISTÓRIA DO MOVIMENTO HOLÍSTICO INTERNACIONAL
1
J.I. RODALE: O CONCEITO DE ORGÂNICO EM AGRICULTURA

O «papel da alimentação num meio ambiente poluído» constitui matéria de um estudo elaborado pela Rodale Press e apresentado na exposição internacional de Alimentação sã e de Produtos Naturais, realizada em Bruxelas, a 7 de Setembro de 1973.
As datas têm alguma importância, já que a Rodale Press reivindicava, nesse ano de 1973, o pioneirismo da sua acção, explicando que, através da publicação periódica «Prévention» - «jornal para uma melhor saúde» - desde 1950 se fizera porta-voz do movimento em favor da saúde pelos produtos naturais.
Tal como um livro de um escritor francês, Pierre Fournier, também comprova ( «Où on va? J,en sais rien mais on y va», ed. do Square, Paris, 1973), os movimentos nem sempre convictamente apelidados de naturistas contribuíram, mau grado os seus múltiplos equívocos, para engrossar uma corrente que só nos anos 70 viria a ter um perfil definido, coerente e ideologicamente politizado.
Do referido artigo publicado pela Rodale Press, cite-se ainda:
«Prévention nasceu do que nós chamamos o «conceito orgânico». O seu fundador, J.I. Rodale, esforçou-se em aperfeiçoar a teoria de base, que o material orgânico é o elemento mais vital na fertilidade do solo e de que a destruição da substância orgânica do solo pelos métodos modernos de exploração, é a causa tanto de problemas de produção como de saúde.
«No momento da sua morte, em 1971, J.I. Rodale sabia que o método orgânico se tornara na agricultura mundial, uma força vital. Ele sabia que o método orgânico estava vivo e efectivo, e que o seu filho Robert era particularmente dotado das capacidades necessárias para continuar a tarefa que consistia em fazer do método orgânico a alternativa do meio para a agricultura futura.»
***
[ Ciência da Nutrição: cuidado com o Cão]

Temos, felizmente, em língua portuguesa e em edição de preço relativamente acessível, da Fundação Calouste Gulbenkian, um tratado de Nutrição Humana, do Prof. Gonçalves Ferreira, uma das autoridades mundiais na matéria. O facto de termos à mão um livro que esgota, praticamente, tudo o que a ciência da Nutrição conseguiu até hoje apurar, torna-o também útil para percebermos as limitações dessa Ciência quando confrontada com as exigências da Ecologia Humana. Para já, a limitação mais importante parece ser, exactamente, os extremos de análise a que a ciência de Nutrição leva uma arte (a de comer) que tem de ser prática e útil no dia a dia, dominada por todos nós e nem só por especialistas. O exemplo das Vitaminas é bastante elucidativo: pode ver-se o número de páginas que o assunto ocupa no referido tratado. Poderá ver-se a bibliografia infindável que se tem escrito sobre Vitaminas. Poderá ver-se, também, que além dos quadros práticos que já foram elaborados - úteis no dia a dia como base de consulta - falta ainda e no entanto fazer um dicionário que permita a consulta rápida - imediata - de dados que nenhuma memória consegue reter. Quando se fala em Germinados de cereais como fonte de Vitaminas, está a dar-se uma alternativa global, ecológica, prática, barata, para toda essa ciência de mil nomes difíceis que vem da página 173 à página 594 do tratado de «Nutrição Humana». Quando se fala de Algas e de Sal Integral, está a dar-se uma alternativa global, ecológica, prática, barata (em suma, holística) para toda a ciência dos Sais Minerais e Oligoelementos que vem da página 595 à página 648 do mesmo tratado de «Nutrição Humana». Quando se aconselha a Macrobiótica como opção alimentar mais próxima da Ecologia Humana é exactamente porque a Macrobiótica é, de todas as escolas dietéticas, a que aponta para essas soluções globais, práticas, ecológicas, baratas, aplicáveis (em suma, holísticas) enquanto a grande e alta ciência da Nutrição nos afoga primeiro em ciência, para depois nos fazer o enterro prático.

2
[ AGOSTO, 1987] - ARRAIAL DE EQUÍVOCOS

Confundir as eco-medicinas do próximo e inevitável futuro com superstições, crendices e mágicas de uma certa tradição popular, tantas vezes mal recriada por manipuladores modernos, tem sido uma das formas de prejudicar, junto da ordem médica e da opinião pública, o direito à aut~enticas alternativas naturo-terapêuticas.
Misturar técnicas naturoterapêuticas estritamente racionais e rigorosas com bruxos, magos e místicos é, como estratégia, um suicídio do próprio movimento naturista, mas continua a ser cometido irresponsavelmente por movimentos, entidades e figuras que se reclamam da Naturoterapia(como tantos ainda insistem em dizer).
Um boletim editado. em Julho de 1987, pela Federação Nacional das Medicinas Alternativas do Brasil ( FENAMAN), organismo que se pretende ligado à Organização Mundial de Saúde e à organização das Nações Unidas, via CIA-MAN (o que não corresponde factualmente à realidade, pelo menos até Agosto de 1987) exemplifica essa tendência para misturar alhos com bugalhos, prejudicando os que investigam as eco-medicinas com espírito crítico e científico.
Reabilitar o curandeirismo e o charlatanismo não é, de facto, o que pretendem as novas correntes da Naturoterapia com os novos movimentos alternativos da Medicina: trata-se, sim, de abrir a ciência, como aliás lhe competia e não é nenhum favor, a linhas de investigação até agora tabu, e desde que respeitam o bom senso, a razão e a inteligência crítica, de acordo com uma filosofa holística do homem.
A nova naturoterapia combate o charlatanismo onde quer que ele estiver: na medicina ortodoxa oficial (onde aliás abunda), tanto como nas medicinas ditas heterodoxas, paralelas, alternativas ou naturais.
No Brasil, com efeito, que se gaba de possuir muitos praticantes de terapêuticas naturais entre os médicos formados pelas faculdades de medicina clássica, há correntes insistindo no equívoco fatal de misturar »formas mágicas de curar» com técnicas terapêuticas simples mas precisas e eficazes.
No Brasil, onde o movimento holístico de livros e autores, por exemplo, tem contribuído nos últimos anos para elevar e dignificar a imagem das eco-medicinas, desde Ernesto Bono e Jaime Landmann, há ainda organizações, como esta FENAMAN, pretensamente representativas de toda uma classe profissional, contribuindo para prorrogar e agravar o equívoco.
«Harmonistas» de denominaram a si mesmo os autores de uma publicação francesa, impressa em tinta azul, com a figura de S. Francisco de Assis por patrono e intitulada «Vivre en Harmonie», uma das que largamente contribuiu para a confusão entre técnicas e regras dietéticas com procedimentos ou regulamentos morais.
Para as correntes dietéticas como esta dos «harmonistas», é mais importante julgar o comportamento individual (fumar ou não fumar, por exemplo) do que as grandes opressões institucionais ou empresariais sobre os indivíduos, grupos ou mesmo sobre toda a humanidade.
Exemplar de uma distorção mental infelizmente bastante comum em correntes ditas humanistas e espirituais é esta frase colhida num dos números da revista «Vivre en Harmonie»:
« ...espectáculo proporcionado por ferozes militantes anti-nucleares que, entretanto, se dedicam com igual violência ao tabagismo e ao álcool, com o espírito aparentemente em paz.»
Idealismo da pior qualidade é a ideologia de muitos movimentos ditos harmonistas que apontam, aparentemente, para metas comuns dos ecologistas e dos holísticos mas que nada têm a ver com eles, como se pode verificar por afirmações daquele teor.
3
[ Nota inédita de 1979 sobre a revista «Natura»] - Com a marca inconfundível de Indíveri Collucci, o emigrado da Itália de Mussolini que em Portugal encontrou acolhimento e em Portugal fez carreira de Naturoterapeuta, a revista «Natura» acompanha mensalmente, desde 1954, os altos e baixos de uma determinada concepção de heterodoxia médica (dita, mais tarde, lacto-ovo-vegetariana) com algumas qualidades e bastantes defeitos.
Se é certo que através da revista «Natura» - assinalável, que mais não fosse, pela sua permanência e regularidade, ao longo de mais de 40 anos - se travaram alguns bons combates pelo alimento integral e biológico, contra as vacinas e os medicamentos, etc. - também é certo que à revista «Natura» se devem alguns mitos e conceitos extremamente negativos para a imagem que as medicinas naturais criaram em Portugal face ao poder monopolista da Medicina Química.
O discurso naturo-vegetariano nunca foi, na corrente representada pela revista «Natura», além de um empirismo elementar, cristalizou sem evoluir, repetindo-se até à exaustão: como se pode, aliás, verificar comparando artigos publicados nos primeiros números da revista «Natura», há 34 anos, e os que ainda hoje aí se podem ler.
A reincidência nos temas tratados pela revista ilustra este marcar passo de uma concepção dita «vegetariana» ou «lacto-ovo-vegetariana», que aguarda o momento dialéctico de ser ultrapassada por outros movimentos que têm sabido sintonizar a realidade global do ambiente, para lá das necessidades meramente alimentares e das doutrinas sobre nutrição que se deixaram fossilizar.
[ Ver contributos convergentes desta posição in «Contributo à Revolução Ecológica» ]■