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terça-feira, 10 de maio de 2011

MICHEL FOUCAULT: HISTÓRIA DA LOUCURA


O «milagre» de que algumas terapias apropriadas são «acusadas», é apenas um fenómeno vulgar que o estado pré-científico da ciência médica explica e provoca. O «milagre» resulta de uma simples relação lógica e ecológica, linear, de causa-efeito, que a medicina ainda não conseguiu enquadrar. Neste sentido, a medicina moderna está cada vez mais afastada da ciência das evidências ou do «fiat lux» que é a relação causa-efeito, repentinamente descoberta. Quanto mais a ciência moderna se afasta da condicionante ecológica, mais se afasta da relação entre causas e efeitos.
Quando se trata a história da Medicina, no entanto, sempre em termos de glorificação heróica, identifica-se com a história do combate (a posteriori) à doença, evidencia-se o carácter épico, desmesurado e ciclópico dessa luta. A história da loucura narrada por Michel Foucault na sua obra célebre «Histoire de la Folie à l'Age Classique», é um hino colossal à tenacidade humana contra esse flagelo - a loucura - que assolou e assola a espécie.
Poder-se-á perceber a reacção violenta que as soluções terapêuticas simples de Alquimia Alimentar - como a Oligoterapia, a Homeopatia ou a Macrobiótica - poderão obter ainda das pessoas, doutrinadas numa ideia de complexidade abismal em que a doença ainda mergulha. Vamos supor que o tratamento de um terreno orgânico carente em lítio, por exemplo, pode eliminar todos os sintomas da esquizofrenia (rótulo usado pela Psiquiatria). Quem irá acreditar, se a medicina nunca conseguiu debelar essa doença? Quem irá aceitar a simplicidade da terapia? Não admira que algumas proezas rocem o fantástico, quando a actuação humana é ainda tão pouco científica, quer dizer, tão incapaz de relacionar causa e efeito e de ir à causa rerum do que acontece. [1990]

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EDGAR MORIN NA BIBLIOTECA DO GATO






GOOGLE REGISTA E OBRIGADO:

1. http://catbox.info/big-bang/oescriba/morin-3.htm
2. http://catbox.info/big-bang/oescriba/+seleccao%20auto+.htm
3. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/fs-3.htm
4. http://catbox.info/big-bang/big-bang1/+bigbang%20arquivos+.htm

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FILES AC AFINS:

1-4 -morin-md-1-4-sexta-feira, 7 de Novembro de 2003

morin-1-ls- terça-feira, 24 de dezembro de 2002 - novo word - solta ou em secção «releituras do acaso» - suplemento «largo» - 1452 caracteres - correspondências mágicas - caminhos do maravilhoso


O SÁBIO É O INOCENTE: PENSAMENTO ANALÓGICO PARA PENSAR O IMPENSÁVEL

[ 3-2-1992] - Na sua obra «O Homem e a Morte», página 102 da edição em língua castelhana, Edgar Morin considera que a velha máxima ocultista «o «macrocosmos reproduz o microcosmos» é imediatamente mágica», isto é, «está intimamente ligada à vontade do microcosmos de identificar-se com o macrocosmos ou de se apropriar dele, imitando-o ou ordenando-o».
Edgar Morin cita depois S. Anthony para definir magia: «comportamento que implica que as coisas ocorrem tal como foram pensadas, desejadas ou imitadas.»
As tecnologias apropriadas (TA's) poderão ter algo de mágico, nesta acepção, mas a áurea mitológica desaparece dessas técnicas, que se mostram afinal de um pretenso rigor experimental e científico.
Tornar «mágicos» os poderes do homem é o convite das tecnologias humanas apropriadas, sem que esse objectivo de poderio seja necessariamente deliberado. Para não ser violência nem violento, o poder só pode acontecer em simultâneo com a sabedoria, que se traduzirá por inocência ou candura na nomenclatura original (radical, de raiz).
Daqui resulta a noção de oculto inerente ao poder verdadeiramente demiúrgico do homem possesso da sua ligação com Deus!
O pensamento contraditório ou paradoxal, a que os livros chamam analógico ou sincrónico, é, por isso, o único instrumento capaz de acompanhar o desafio do fantástico.
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1-3 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

A EQUIPA DE EDGAR MORIN E OS SÁBIOS  (*)

21-1-1973 - Sem perder o carácter de proliferação  que caracteriza o Sistema, as doenças do Sistema, os mitos, vícios, manias e alibis do Sistema, as " ciências humanas " estão a produzir uma explosão bibliográfica, como lhe chamava a revista " Psychologie”, no seu número de Dezembro último.

De facto, é impossível controlar esta crescente proliferação de " ciências humanas ". Quando não se pode convencer o estudioso pela razão, esmaga-se com " exaustiva bibliografia ".

Centenas de títulos por mês, só em França ( pátria destas coissas cartesianas), dão a medida de outros tantos especialistas empenhados na  tarefa de salvar o Sistema , à custa de desvirtuarem todos os outros (múltiplos, variados) sistemas de mitos e valores que, através do tempo e do espaço,  fingiram ignorar e por fim decidiram atacar pela porta sempre aberta nas "ciências experimentais ", mais tarde ditas humanas. Assim se põe na mesa de anatomia o que lograra escapar à ordem ocidental .

O Sistema analisa.  Goza a analisar. Mas, para analisar, a condição sine qua non é matar o bicho que pretende autopsiar. Para isso, coloca-o na mesa operatória e, depois de bem morto, começa o piedoso trabalho de autópsia.

As ciências humanas, que tanto se ufanam do título, são pois e sempre ciências necrófilas. E, além de necrófilas, uma petição de principio por definição. Matam primeiro a vida que pretendem conhecer, estudar, analisar.

Primeiro as "ciências humanas" desenham um mito, um molde, uma imagem puramente fictícia e fantasmagórica . Depois vá de censurar esse fantasma como se de realidade se tratasse e por não ser realidade.
E, depois, vá de classificar de utopia toda a proposta que, apesar das deformações sofridas, se apresenta evidentemente de qualidade superior às triviais e concorrentes propostas do Sistema único.
Dado que as "ciências humanas " têm, por objecto de estudo, que se debruçar sobre sistemas de valores que lhes são alheios e a que o Sistema é hostil, o fim das  "ciências humanas" é - quando surge um sistema, uma civilização, um módulo ou uma comunidade cultural de evidente qualidade e superioridade , cognominá-la de "infame utopia". 


ASTROLOGIA NUNCA EXISTIU

Exemplo faiscante é o da astrologia.

Astrologia é coisa que, em verdade, nunca existiu fora dos  catalogadores profissionais. Dos que levam a vida a espetar a borboleta na secretária e a fichá-la.

Vai daí, pegam na astrologia que inventaram e restabelecem a ordem.

Racionalistas de um lado, homens de fé pelo outro, sabemos o que tem sido a história do fantástico e, por extensão, da heresia imaginativa frente aos poderes constituídos. Sabemos muito bem quantas vezes se crucificou, crucifica e crucificará Galileu, em nome de razão, em nome da fé, em nome do Negócio.

Le Nouvel Observateur, hebdomadário de muita razão,  entrega a observação do fenómeno "astrologia" a uma bem apetrechada equipa de sociólogos.

O resultado saiu há pouco em edição portuguesa com o titulo «O Retorno dos Astrólogos».

Alguém definiu a sociologia como a « pescadinha de rabo na boca ". Outros, não gostando do plebeísmo, preferem a metáfora mais nobre: "a sociologia é a víbora que morde a sua própria cauda".

Relativamente aos sociologistas de Le Nouvel Observateur não se pode afirmar, com segurança,  se se trata de pescadinha, se de víbora.

Mas deixemos a metáfora e falemos em linguagem científica: a astrologia é vista, por este grupo de observadores novos, de todos os ângulos incluindo o de cima para baixo, apenas para que fique demonstrada a tese adrede preparada e mantida; só os pobres de espírito se dedicam à astrologia.

Os ricos como Le Nouvel já não precisam. Cultivam outras astrologias mais puras e eruditas.

Isto claro sem falhanços, depois de se ter dado da astrologia a minuciosa e única imagem que a sociologia pode dar, e que é o puro, exacto, rigoroso reflexo da sua própria pobreza de espírito .

Quer dizer; reduzindo esta e outras técnicas iniciáticas ao capítulo redentor das "ciências ocultas" (outro fantasma das cabecinhas sociológicas), analisando fenómenos que se começa por deformar.
Produto da sociedade que o consome (outra vez a pescadinha de rabo na boca) o psiquismo que se ocupa de horóscopos - concluem triunfalmente os  observadores de Le Nouvel - ou é de massas, ou burguês, ou de raiz culta mas ... idealista.

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1-2 - terça-feira, 24 de Dezembro de 2002-scan

DOIS TESTEMUNHOS SOBRE A DISSIDÊNCIA(*)

[«Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970 ] - Não é possível analisar, de uma só vez, as várias obras que, recentemente aparecidas, se ocupam do fenómeno «contracultura» com ponto de irradiação nos Estados Unidos - mas um primeiro balanço de títulos impõe-se, como medida prática de informação e como prefácio para análises mais detalhadas que venham a fazer-se dessas obras e de tudo quanto de urgente implicam.

Claude Roy não reuniu ainda em livro as suas reportagens nos Estados Unidos mas elas devem citar-se, nesta resenha de conjunto: publicadas em Le Nouvel Observateur, foram a posição lúcida de um intelectual que se interna e aventura em pleno terreno de contradições, sem receio dos mal-entendidos das academias.

Apenas ocupado e preocupado em compreender, em ver a verdade que só o conhecimento prático da realidade e a experiência vivida dão, Claude Roy foi dos primeiros testemunhos, em França, a enfrentar o imobilismo de todas as frentes.

Edgar Morin já publicou em livro - Journal de Californie (1) – os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, - de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk de San Diego. Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: Que é a vida? Que é o homem? Que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase-mutação que esta revolução põe desde já à Humanidade.

Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tsé, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o vórtice onde a civilização se acelera, se destroi e renasce. E a cabeça investigante da nave espacial Terra . O fenómeno «hippy», as grandes cerimónias colectivas como park-in e concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.

Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.

Enquanto operava uma como que revisão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.

Para Jean-François Revel, autor de «Ni Marx ni, Jesus», a contra-cultura é apenas um pretexto de alimentar o seu anticomunismo e um alibi mais para impingir o manifesto radical do seu amigo Jean-Jacques Servan-Schreiber. Se ele conclui que a revolução está nascendo nos Estados Unidos, é apenas para demonstrar que ela não está feita, nem será feita em mais parte nenhuma, bloco socialista e Terceiro Mundo inclusive.

Vemos então como a contestação radical pode ser recuperada pela tecnocracia e seus funcionários, tipo Raymond Aron ou Jean-Fançois Revel ou Jean-Jacques Servan-Schreiber. Contradição esta que o estudioso não deixa de registar e de levar em conta, quando ler um livro que até convém que leia. Neste terreno fértil de contradições em que a dissidência nos lança, temos afinal o sinal evidente do seu carácter exorcistemático e da sua vitalidade... cultural.

(1) «Journal de Californie», de Edgar Morin, Seuil, Piais, 1970.
(2) «Ni Marx ni Jesus»,
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(*) Este texto de Afonso Cautela, breve nota de leitura, foi publicado em «Notícias do Futuro», jornal «Notícias da Beira», Moçambique, 10-4-1970
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1-1 notas de leitura – inéditos ac de 1970

CALIFÓRNIA:
LABORATÓRIO DA NOVA ALQUIMIA

1970 - Edgar Morin publicou em livro - Journal de Californie (1) - os resultados da sua viagem ao extremo ocidental dos Estados Unidos, de Setembro de 1969 a Junho de 1970, a convite da Fundação Salk, de San Diego. O Salk Institute for Biological Research, para sermos precisos.
Nesse domínio da nova biologia, Edgar Morin é levado a interrogar-se sobre estas questões eternas que os progressos da revolução biológica fazem emergir de maneira nova: O que é a vida? O que é o homem? O que é a sociedade? Ao mesmo tempo, ele descobre o problema da quase mutação que esta revolução põe desde já à humanidade.
Como diria Fernando Pessoa, os extremos tocam-se: a Califórnia, esse Extremo Ocidente que parece agora fazer simetria com o Extremo Oriente de Buda, Lao Tse, Ramakrishna e Vivekananda, parece já anunciar, por vezes mesmo iniciar, essa mutação.
A Califórnia não é somente o novo Eldorado, é o cadinho onde a civilização se acelera, se destrói e renasce. É a cabeça investigante da nave espacial Terra. O fenómeno "hippy", as grandes cerimónias colectivas como park-in e rock-concerts, a floração de seitas místicas, marxistas, nirvânicas, a experiência das ervas e dos ácidos são, da mesma maneira, rostos provisórios da nova verdade, da nova religião, da nova sociedade que se procura.
Edgar Morin, segundo nos confessa nesse diário, viveu o profundo sentimento de se encontrar, durante alguns meses, no coração de todos os grandes problemas, e não foi por acaso que ele sentiu também situar-se no coração dos seus próprios problemas.
Enquanto operava uma como que re-visão do mundo, um concurso de circunstâncias levava-o a conhecer esta conjugação de paz, de plenitude e de intensidade que ele ousou - para não falar em satori ou em nirvana - chamar felicidade.
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(1) - Journal de Californie, de Edgar Morin, Seuil, Paris, 1970.■
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1-2- 6222 caracteres morte-1>fs-3 >priori> diário de uma descoberta – diário de um aprendiz

PRIORIDADE ABSOLUTA À TANATOLOGIA

30/8/1994 – Meu Caro F.S.: Sobre a morte e como ensinar os vivos (ou moribundos) a morrer, eis o meu programa de vida, actualmente, do qual só as necessidades de atender às exigências da sobrevivência me distraem. Gostaria de encontrar alguém com quem trabalhar nisto: que, para comprazer à parte material, teria também uma «vertente» de holodiagnóstico, um diagnóstico global ou «perfil holístico».
Tenho estado a preparar a m/ casa com vista a poder obter um espaço viável para esse efeito. Será um dia destes o momento de te dar conhecimento de alguns «files» que meti em computador - sobre esse projecto do «perfil holístico».
Só que, quanto a projectos, eu encontro-me numa fase em que toda a cautela é pouca: não se pode projectar nada enquanto não se integrar. E estando eu em Nigredo puro (desestruturação completa e violenta do suporte) não posso aspirar já a qualquer reestruturação projectiva, a qualquer forma assumida. Estou, creio, na fase de «mescla» em que a decantação está longe ainda de fazer-se.
Não quero converter ninguém a nada. Quanto muito, converter cada um a si próprio. Já Nietszche preconizava «ser o que se é», repetindo o Sócrates do «conhece-te a ti mesmo», o Sócrates que, por sinal, escreveu pouco - ou nada, o que faz suspeitar de que era analfabeto. Graças aos deuses (gregos), era analfabeto, pelo que nos falou a linguagem universal, herdada do egípcio Hermes Trismegisto, via Pitágoras.
Penso, neste momento, que devo partir de uma assumido analfabetismo, sem saber quando vou aprender e se vou aprender a nova «linguagem vibratória de base molecular». Entretanto e como «burro velho não aprende línguas», desisti de «aprender línguas», inclusive a mais aberrante de todas e com o diabo na alma que é a dos computadores. Ou essa língua de piratas e merceeiros que é o inglês. Ou essa outra de punhos de renda e rigores analíticos que é o francês.
Nunca vou é fazer carreira, se não aprender os léxicos todos que eles, os patrões, querem e adoram. Admiro é Ivan Illich que conseguiu dominar aí umas oito línguas, inclusive o rebarbativo português. Mas o que eu estou mesmo excitado em fazer é um apanhado divertido dos vários «léxicos» tecnocráticos com que os tecnocratas de todos os quadrantes nos divertem.
Aliás, um dos projectos que deixei em «stand-by» (este palavrão já aprendi) foi o de inventariar (listar) os palavrões dos modernos jargões com que nos moem a paciência. Claro que o meu jargão é mais do Cais do Sodré e menos dos «yuppies» nova vaga e «new age» (outro palavrão que eu aprendi).

Perante isto - perante esta nova Torre de Babel - máximas universais como «ser o que se é», «o Verbo é Deus», «ama-te a ti mesmo» são meras banalidades de base, ditas através dos tempos e das culturas e que só aguardam o momento de ser integradas no dia a dia da custosa, penosa, vaidosa tragédia humana.
Ecologia, por exemplo, se é que serviu para alguma coisa, veio ajudar a relativizar as coisas terrenas: e se a Ecologia nos diz que não há saída horizontal (porque não há mesmo, o chafurdo é mesmo chafurdo, o tremedal é mesmo tremedal), é de acelerar então a saída vertical. Deparamos com uma multidão de escolas, seitas, tradições, mas a gnose radiestésica tem talvez a vantagem de apurar todas as técnicas (sem holismo nem ecletismo) e unificá-las em uma só.
Sem vampirizar o duplo de cada um, o que - diz-se - acontece a todas as formas manipulatórias de energia: ganha-se, nessas egrégoras, em satisfações materiais (ainda quando levam o nome de espírito, mas que diz respeito ainda ao corpo espiritual) o que se perde em natureza essencial.
Uma palavra que vou imediatamente integrar no meu léxico de sucesso é o «Know-how», cheio de ressonâncias e de consequências. Fizeste com que me apercebesse disso, nunca tinha pensado nessa vantagem. É sempre bom ter alguma coisa que nos possa pôr em posição de vantagem face à bicharada que dia a dia nos suga. Como se diz em inglês «bicharada»? Mas a palavra «know-how», tão simpática, tem conotações para mim antipáticas, muito ligadas a «sapos vivos» e a «vontade de vingança»: se der atenção a esse passado de memórias, acabo por ficar com os cabelos eriçados, agora que o Delgado Domingos lança a revista de ecologismo, por exemplo, com prefácio de Mário Soares e com o José Mattoso amigo do ambiente, sinto-me ainda mais insignificante e inútil do que quando a Maria Santos se candidatou ao lugar de deputada europeia.
Se vou a pensar em termos de «know-how» e reavivar memórias de «sapos vivos», nunca mais saio desse lodaçal. Nem consigo apagar memórias que me apegam à vida e, como te disse, a morte é agora, tem de ser agora a minha prioridade. Como vou apagar memórias e apagar apegos, se der importância ao tal «Know-how»? Aliás, se falo muito em escrever as minhas memórias, esta carta não vai chegar ao destino, como aconteceu à outra...Se tiver que voltar a narrar a crónica dos sapos vivos, já tenho file , e já lá deitei considerandos, a propósito de alguns sv mais recentes: eles não faltam nunca neste país, como sabes.
Academia de artes primordiais? Só vejo, nas artes primordiais, esta que é indicada pela retoma do Egipto faraónico, dos seus deuses, da sua sabedoria, da sua gnose. Com as ciências dele advindas: Teurgia, Numerologia, Astrologia, Magia, etc. Os orientais são porreiros, especialmente os que inventaram essa magnífica vassoura que é o Zen (aspirador dos detritos da alma), mas agora estou mais virado para o Oriente próximo. Até que a morte tenha a complacência de me levar. Foi mesmo o acaso - que não existe - que nos fez encontrar aquele sábado, em que me emprestaste a revista «Caduceus» mas principalmente o artigo sobre Tanatologia e Música. Tanatologia é quanto a mim a arte (primordial) de todas as artes: pelo que lhe estou dando neste momento prioridade absoluta. Dentro daquilo que a vida deixa, só a Morte me interessa.


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

RÉMY CHAUVIN: O ADN NAS ESTRELAS?




6278 caracteres-janº-30>j-c-m>cartas> leituras – notas de leitura – os dossiês do silêncio


MAIS UM PROBLEMA DE ECOLOGIA HUMANA
SÓ A NÃO-VIOLÊNCIA É PRIORIDADE, IMPERATIVO CATEGÓRICO DO ECOLOGISTA

Lisboa, 30/Janeiro/1992 - O conceito de violência foi sendo substituído pelo de Agressividade. Behavioristas como Konrad Lorenz, Rémy Chauvin, Louis Millet, Skinner, usam predominantemente o conceito de agressividade, pondo no homem (na natureza animal do homem) o ênfase que dantes era posto no contorno ambiental, na sociedade, na circunstância, no meio.
Isto equivale a uma viragem de 180 graus na tese que até então prevalecera em correntes «ambientalistas» ou «mesológicas», incluindo sociólogos e psicólogos marxistas: a Violência -- diz essa tese -- estaria fundamentalmente na sociedade e o homem, motivado pelo Meio (Ambiente) reflecte, muitas vezes com efeito de «boomerang», essa violência instalada. Muitos «casos de ecologia Humana» poderiam assim ser estudados, por exemplo, na área da criminalidade e da delinquência.
Mas sabe-se que existencialistas como Sartre e Simone de Beauvoir, estiveram -- perversamente? -- muito interessados em demonstrar que o homem era intrinsecamente e instintivamente mau (violento), potencialmente carrasco de si próprio. Com o acento tónico posto no «instinto de agressividade», o etólogo Konrad Lorenz, o psicanalista Friedrich Hacker, o ornitólogo Rémy Chauvin e o psicólogo Louis Millet, colocam à Ecologia Humana um problema redobrado.
Se o mal (violência) está no homem (nos instintos animais da natureza animal que há no homem), que percentagem de violência lhe cabe (nos cabe?). E que percentagem cabe à organização social injusta, à polícia, à universidade, à ciência, à tecnologia, à indústria, ao trabalho, à economia do desperdício, à entropia, à sobre-exploração, à manipulação do homem pelo homem, aos «cartoons», à engrenagem da concorrência, à luta de classes, às incompatibilidades rácicas da epiderme, à intoxicação medicamentosa, aos distúrbios endócrinos por causas alimentares, às disputas políticas, à inveja social, ao mal estar da pobreza, à solidão no meio da multidão, mas principalmente aos «media», aos audio-visuais que alimentam, acordam, fomentam, multiplicam, ensinam e refinam a violência quotidiana, porventura inata na natureza humana? Sairá o capitalismo ileso, com as teses dos «comportamentalistas»? E a tecnocracia limpará como sempre as mãos?
Entre a explicação sociológica ou mesológica da violência (com suas sequelas) e a explicação biológica dos etólogos, psicólogos e ornitólogos (que preferem falar de «agressividade») talvez a Ecologia Humana tenha a recomendar uma pausa, uma terceira via, recorrendo ao conceito de interacção cármica herdado das filosofas místicas do extremo Oriente.
O efeito de «boomerang» que tem toda a acção humana, só é verdadeiramente reconhecido e levado em conta (contabilidade cósmica!...) pelo pensamento místico das fontes orientais. A Ecologia Humana poderá progredir (como forma prática de conhecimento) alguns passos na morigeração da Violência, se advogar as técnicas (alimentares, entre outras) que, como diria Albert Camus, têm apenas o humilde objectivo de «diminuir aritmeticamente a dor do Mundo».
Leia-se violência onde ele escreveu «dor». Em sentido lato, as tecnologias leves ou eco-tecnologias têm esse objectivo: «diminuir aritmeticamente a violência», ajudar quem quer que seja a defender-se dela, a minorá-la. Ao propor-se dispensar a violência dos medicamentos ou da cirurgia -- e das próteses em geral -- a macrobiótica, por exemplo, não é uma seita sectária como alguns dizem mas uma tentativa, uma tecnologia mais, ainda que modesta, de «diminuir aritmeticamente a violência do Mundo».
Zen e Tao, ao que se sabe deles, estão exactamente na mesma linha de acção. Foi Georges Bataille que, ao descobrir «la parte maudite» (sinónimo de Diabo na hagiografia cristã...), identificou esta «parte maldita» com a violência mas simultaneamente com a Entropia, antónimo de Energia, antónimo de Economia. É por isso que às medicinas naturais, «paralelas», «alternativas» se deve chamar mais correcta e simplesmente «medicinas não violentas». Quando se evidencia o carácter não violento das medicinas ecológicas, a fanfarronice médica defende-se com a troça, acentuando a «mariquice» dos ecologistas, acentuando que a violência não é em si mesma critério «científico» que distinga a qualidade de uma tecnologia, de uma técnica médica. Infligir dor e sofrimento é para a medicina normalíssimo e está justificado pela ética médica que, transformando os fins em meios, se rege, não por critérios de amor ao próximo mas de eficácia sintomatológica.
É o «preço a pagar» por um bem adquirido, diz cinicamente a respectiva retórica. Daí à violência intrínseca e institucionalizada da ciência, da tecnologia e da indústria pesadas, vai um passo de formiga. E o megagigantismo com que se violenta o meio natural é não só aceite como glorificado, face aos valores que então se enfatizam: eficácia, metas económicas, lucro, rentabildade, ascensão social, etc.
A Ecologia Humana -- decididamente ainda que menos cientificamente -- vem mais uma vez dizer que o rei vai nu, afirmando que a não-violência é também uma questão de prioridades e de valores.

IMPERATIVO CATEGÓRICO

Se nas democracias europeias e ocidentais se goza o mínimo de liberdade que nos permite escolher -- embora com diminuta margem de manobra -- as «tecnologias não violentas» (medicinas não violentas, alimentação não violenta) é profundamente lamentável que se não faça. O estado histórico ou político de escravatura (e toda a dependência) é duplamente odioso, porque é não só a negação da liberdade, mas porque não permite opções não violentas -- a violência da opressão tem que ser aceite sem hipótese de remissão, ou reclama maior violência. Quem tem a «sorte» de viver em (ainda que relativa e precária) liberdade política, tem a estrita obrigação de tudo fazer para não acrescentar violência à violência do mundo. Tudo fazer para a evitar. Só por isso a ecologia (humana) seria uma Ética, uma norma de vida, um Imperativo Categórico.

ECOLOGIA DA VIOLÊNCIA - BIBLIOGRAFIA BREVE:
«Marcuse», J.M.Domenach, A. Clair e F. Chiropaz, Ed. Moraes, 1970
«Agressividade», Friedrich Hacker, Ed. Bertrand, 1973
«A Agressividade», Louis Millet, Ed. Pórtico, s/data

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ANDRÉ VOISIN: ECOLOGIA DO CANCRO

Quando, nos anos 50, André Voisin publicou «Solo, Erva e Cancro» já se sabia tanto de Oligoelementos como hoje sabe a Drª Maria de Sousa. Ou mais. Com esta vantagem para o comum das pessoas que sofrem: toda a gente, até os cientistas, compreendeu o cientista André Voisin, que falava claro. Por isso não lhe deram o Nobel. Nem encontrarão hoje o seu nome em nenhuma enciclopédia.

Maria de Sousa, nome de uma ilustre professora-investigadora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, volta a elogiar no jornal «Público», 18/Setembro/1992) o livro que já elogiara na entrevista que concedeu à televisão.
Trata-se de um trabalho de investigação de Fraústo da Silva e R.J. Williams, «The Biological Chemistry of the Elements».

Quando, nos anos 50, André Voisin publicou «Solo, Erva e Cancro» já se sabia tanto de Oligoelementos como hoje sabe a Drª Maria de Sousa. Ou mais. Com esta vantagem para o comum das pessoas que sofrem: toda a gente, até os cientistas, compreendeu o cientista André Voisin, que falava claro. Por isso não lhe deram o Nobel. Nem encontrarão hoje o seu nome em nenhuma enciclopédia.
E por isso os Oligoelementos transformaram-se em uma indústria. Produto tornado necessário por toda a «poluição industrial», os Bioelementos passaram a ser uma terapêutica imposta por alguns refinados delitos que a indústria impunemente pratica contra a humanidade:
- a química dos adubos e pesticidas na agricultura.
- a refinação industrial de cereais e óleos alimentares;
- o abuso do açúcar industrial (como desmineralizante número 1);
- a poluição química de metais pesados (chumbo, mercúrio, cádmio, etc) na água, no ar e nos solos agrícolas;
- os aditivos químicos (incluindo metais pesados) na conservação dos alimentos;
- os medicamentos químicos onde é corrente a presença de metais pesados como o Cádmio, etc
Quando André Voisin publicava «Solo, Erva e Cancro» não sabia que com essa obra angular de Ecologia Humana estava a meter-se numa alhada.. E que o silêncio da comunidade científica iria, nos 40 anos subsequentes, fazer desse livro e desse tema ( o Cancro está na Química) um dos muitos temas-tabu do nosso tempo.
Quando a Oligoterapia se tornou um ramo interessante da medicina metabólica, o melhor, para doentes e terapeutas, foi fingir ignorar que essa terapia ajudava a fingir que ignoramos o Cancro Industrial em que nos atolaram a Medicina Química, a Agricultura Química, a Alimentação manufacturada, etc. , etc,. , etc,.
Notícia são, entretanto, livros de Ecologia Humana tão inconvenientes como:
- «AIDS & Natural Immunity», de Martha C. Cottrell ( Japain Publications, New York, 1990);
- «The Cancer Prevention Diet», de Alex Jack (St. Martin's Press, New York, 1983);
- «Crime & Diet», de Michio Kushi (Japan Publications, New York, 1987);
- «Le Germanium - Une reponse au Cancer et au SIDA», de Serge Jurasunas (Editions Aquarius, Geneve, 1989).
Curiosamente, todos estes livros têm interface com a questão Minerais/Metais, que é, no fundo, mais de 75% de todos os problemas de Saúde Pública hoje postos às autoridades ditas de saúde.

sábado, 20 de novembro de 2010

RENÉ DUMONT & RENÉ DUBOS


JEAN DORST

RENÉ DUBOS

 RENÉ DUMONT

Cientistas da Biologia escreveram livros de tonalidade ameaçadora. Pertencem a Jean Dorst, por exemplo, «Antes que a Natureza Morra» e «A Natureza Desnaturada», títulos de dois livros seus. Alegando a famosa  neutralidade que a ciência tem de manter, davam apenas argumentos «científicos» aos que preconizavam a luta política. Depois, lavavam daí as suas mãos de cientistas neutrais. Como se ciência e cientistas não tivessem sido o principal contributo à crise ambiental.
Militantes da ecologia como René Dumont vieram da Sociologia da Fome Mundial e das evidentes preocupações que a agricultura química intensiva (adubos e pesticidas) começava a suscitar, apesar das enormes pressões sobre a opinião pública da própria F.A.O., departamento das Nações Unidas, onde se destacou o cientista Norman Borlaug, «prémio Nobel ».
Em algumas ocasiões, no âmbito do M.E.P. e das edições «Frente Ecológica», esse tema-tabu da agroquímica e do agrobusiness foi abordado, já que era e tem continuado a ser um dos que a indústria mais tem silenciado, a pretexto do objectivo humanitário de «matar a fome mundial».
Como René Dumont, entre outros, desmascarou, não só não se mata a fome com uma agricultura auto-destrutiva, como cada vez mais se contribui para a fazer alastrar.
Ribeiro Telles, quando o deixam, tem sido uma das vozes a denunciar esta hipocrisia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ECO-REALISMO: IVAN ILLICH E MICHEL BOSQUET





1-5-segunda-feira, 14 de Outubro de 2002- pronto a editar on line – com pouca censura – parece um texto impecável e até decente – a tese póstuma, sim senhor – dossiês de convergência holística, ok

5 páginas - inédito de 1977 - antecedentes da hipótese vibratória- capítulo do livro principal

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA: ETAPA DA CONSCIÊNCIA CÓSMICA

1977 - O mundo em geral, animado e inanimado, apresenta-se com uma forma e um comportamento em tudo semelhante ao mundo particular da vida e dos seres vivos.
Este é o salto qualitativo que uma leitura ecológica da realidade implica.
A leitura ecológica da realidade não visa especialmente escandalizar o burguês, embora também não veja inconveniente nisso: mas pode acontecer que escandalize mesmo, ao considerar, por exemplo, dois dos autores mais radicais do ecorealismo - Ivan Illich e Michel Bosquet - pouco menos que reformistas.
Quererá isso dizer que uma leitura ecológica da realidade obriga a pôr postulados e a dar saltos muito mais mortais do que os da convivencialidade, da autogestão, da autoregulação e da autosuficiência?
A ecologia ou dimensão biológica não entra ainda no discurso de ecopolíticos como Michel Bosquet e Ivan Illich. Tudo se passa e resolve exclusivamente em termos de relacionação social: o radicalismo de Illich e Bosquet só é ecológico porque o rearranjo da sociedade que eles propõem pressupõe que a vida, os seres vivos e todo o fenómeno vivo irá indirectamente sofrer alterações com essa mudança.
O que se propõe com uma leitura ecológica da realidade é um postulado muito mais ambicioso:
a) Que cada indivíduo seja entendido como um ecossistema
b) Que cada ecossistema seja entendido como um indivíduo, um corpo organizado, um mecanismo orgânico, uma ...pessoa
c) Que cada pessoa ou ecossistema seja considerado apenas uma célula do corpo ou ecossistema global chamado universo.
Talvez se classifique esta hipótese de trabalho como organicismo, pan-vitalismo, retorno a Taine, metafísica, fundamentalismo, etc.

DIAGNÓSTICO SEM TERAPIA

Fazer o diagnóstico não será, no entanto, propor a cura.
Em criança, pensa-se que o termómetro é que faz baixar ou subir a febre... Ainda hoje muitos adultos pensam que o diagnóstico já é a cura.
Se a leitura ecológica da realidade torna essa realidade (opaca, brutal e absurda) apenas um pouco mais legível, já é alguma coisa mas não é ainda a terapia da doença.
Sem mais exigências, pois, do que ser um método de diagnóstico, a ecologia humana dá um primeiro passo para que as terapias políticas possam avançar.
Os partidos têm agora o hábito de, aos fins de semana, realizarem uma «análise política da situação». É um método de diagnóstico como outro qualquer.
Tal como Freud nunca teve coragem de se autopsicanalizar, aplicando apenas e sempre aos outros a sua invenção, eis que os partidos padecem da mesma imodéstia, do mesmo «complexo de Freud»: excluem-se eles próprios da (psic)análise.
É como se os partidos - e Freud - postulassem a omnividência divina do diagnosticador, a sua impecável objectividade, o seu estado absoluto e permanente de saúde.
Como Freud e a medicina em geral, o médico age como Deus fora do mundo que analisa e diagnostica. Nunca se inclui como doente entre os doentes deste mundo. Até Einstein descobriu que o investigador é indissociável da investigação.
Eis porque uma leitura ecológica (ou ecoanálise) é diferente de uma psicanálise ou politicoanálise: o observador, investigador, analista ou diagnosticante inclui-se no contexto analisado, susceptível portanto de estar contaminado da mesma patologia. Estamos todos neste aquário, neste frasco de álcool: respiramos o mesmo irrespirável fluido ambiental.
De uma maneira geral , a doença é comum e os sintomas individuais não devem ser mais do que sinais a remeter-nos sempre para a doença. Quer dizer: para o ecossistema na sua generalidade e globalidade.

A MALHA TÂNTRICA

Corpo doente, a sociedade apresenta (também) os seus sintomas.
Uma leitura ecológica da realidade social, portanto, postula a existência desses corpos ou ecossistemas, susceptíveis de adoecer ou morrer como os indivíduos chamados homens.
E trata de interpretá-los para tentar saber de que doença principal sofre o ecossistema maior: e de que maneira se articulam as doenças dos vários ecossistemas, entrelaçados entre si, tal qual os fios de uma malha (tantra).
Uma leitura ecológica da realidade distingue-se da romântica convivencialidade (convivialidade) proposta por Ivan Illich e seguida por Michel Bosquet, em vários aspectos fundamentais:
a) O diagnóstico deles é, como o do médico, unilinear e acredita que há uma só linha que vai da causa ao efeito, da patogénese à patologia;
b) O ecodiagnóstico postula que ontem, hoje e amanhã estaremos sempre mergulhados num continuum, ora mais ora menos poluído, ora mais ora menos asfixiante, ora mais capitalista ora mais socialista, ora totalitário ora liberal e que a única coisa a fazer é sabermos de que doença sofremos: não termos nunca a petulância de considerar que alguma vez existiram, existem ou existirão ecossistemas totalmente sãos, quer dizer, em absoluto equilíbrio ou em equilíbrio estático;
c) Com a ecoanálise (ou leitura ecológica da realidade) cessa o aleatório de um presumível futuro, o messianismo do reformador, do apóstolo e do revolucionário, para ficar apenas o (eco) realismo do que existe em perpétuo movimento mas, por isso mesmo, sem mudança;
d) Sendo o pesadelo de ontem igual ao de hoje e ao de amanhã, a politicoterapia possível é a do instante. Quer dizer: seja qual for o ambiente, devo imunizar-me permanentemente, procurando muito menos mudá-lo do que encontrar eu próprio a maneira de a ele resistir ou de com ele conviver;
e) Seja qual for o status - estado totalitário de hoje ou repúblicas autogestionárias de amanhã - o que importa já para um entendimento imediato, quer dizer, ecológico da realidade é estar biofisicamente imunizado a ele.
E isto é que é tudo.

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS POR TUDO

Esta trama, este continuum, esta malha sem fim de causas-efeitos-causas, eis o que o nosso instinto de conservação rejeita com um certo mau-humor, porque nos recusamos fundamentalmente a considerar responsáveis por tudo o que acontece, porque tendemos a ilibar-nos da violência, do ódio, do sofrimento que varre, como um vendaval de inferno, o mundo.
A política, neste contexto, é a arte de encontrar bodes expiatórios das nossas próprias culpas.
A tal ponto os nossos mecanismos de autodefesa estão bem montados, que rotulamos de metafísica qualquer tentativa para mostrar a evidência: que tudo se liga a tudo, que tudo depende de tudo, que todos somos responsáveis de tudo, que todos criamos tudo o que nos acontece.
Tudo é energia. Tudo é infinito e eterno. Tudo existe sempre.
Por isso criamos uma infinita piedade pelo nosso ego. Inventamos mil argumentos para o desculpar.
Afinal - que injustiça! - porque nos atinge a inflação, o desemprego, a doença, o cancro, o defeito físico, o desastre, o acaso, o destino, a sorte?! Se eu fui sempre tão bom, tão bem comportado, tão esmoler, tão amigo das crianças e dos pobres, dos velhos e dos animais, porque sofro tanto, porque tenho tanto medo, porque sou tão perseguido?
Assim raciocina o nosso ego.
O nosso ego é não só a afirmação de auto-orgulho mas uma tentativa permanente para ilibar e encobrir a nossa condição totalitariamente condicionada. Para encobrir a evidência de que estamos condenados à Eternidade.
A nossa condição é totalitária e a este totalitarismo há quem chame karma. O nosso ego inventa então um mito chamado liberdade para esquecer aquela temível evidência totalitária. Um mito chamado livre arbítrio.

NASCER PARA A VIDA É NASCER PARA A MORTE

Nada do que acontece é por acaso, toda a desordem acontece porque há uma ordem infinita do infinito universo. Tudo acontece porque todos ajudamos a que aconteça.
Quando se diz nós, digo o corpo infinito e eterno do qual somos hoje apenas um momento, apenas uma célula, corpo que vai para trás até à eternidade e caminha para a frente até à eternidade.
A esta realidade puramente física chamam metafísica os homens assustados que recuaram ao saber que estavam condenados a ser para sempre. Inventaram a morte. Inventaram o suicídio.
Inventaram narcóticos e alucinogénicos. Inventaram a política e o xadrez. Inventaram o cinema e o futebol. Inventaram palavras - metafísica, religião, mito, misticismo - com que pretendem exorcismar a responsabilidade de ser (mos) não um ego ou ilha separada do todo mas a consciência do todo ou eu total.
Por isso talvez não haja exagero, face a este extremismo fundamentalista do óbvio e do evidente, considerar ecoreformistas um Ivan Illich, um Michel Bosquet.
Desde que se cai na rede, desde que se nasce para a vida (que é nascer para a morte como avisavam os cátaros, que por isso foram perseguidos como heréticos), desde que se entra no processo de putrefacção ou de-composição chamado mundo, desde que nos empurram para a caverna platónica chamada existência, todo o gesto ou acção com que se pretende amortizar o sofrimento irá, a curto ou médio prazo, agravar ainda mais esse sofrimento ou karma.
Irá internar-nos mais na caverna das sombras.
Uma vez enredado na inextricável trama chamada realidade, mundo, natureza, meio ambiente, ordem do universo, qualquer veleidade de sair significará sempre e cada vez mais o (afundamento no) caos, a doença, a violência instalada e instaurada, o absurdo em movimento, a infecção generalizada.
Desde que se entre, nunca mais é possível sair. Daí que os mitos de libertação, da evolução, da redenção andem a par com os mitos do futuro, do ideal, da salvação.
Uma vez enredado na malha, o bicho homem projecta na caverna a sua sombra e chama-lhe ideais (idola tribu lhes chamou Francis Bacon): Paz, Saúde, Felicidade, Justiça, Amor, eis a galeria de grandes palavras que cristalizam na mente humana as suas próprias sombras mais temidas. A utopia e o vício de sonhar ou idealizar caracteriza sempre a escravidão de facto.
Prisioneiro da caverna, o homem sonha que no futuro, sempre no futuro, verá o sol e a luz, sonha com jardins do paraíso, com o Eden de Adão e Eva, com o Jardim das Delícias, enfim, não faltam, nas mitologias douradas, de ontem e de hoje, referências constantes à utopia.
Realismo será a posição búdica que reconhece a queda, a escravidão, a caverna, a ilusão das ilusões ou sombras.
Realismo é saber que quanto mais esforços e acções se fizerem para sair do buraco, mais fundo nele ficamos.
O que uma ordem iniciática propõe é apenas a hipótese realista para encontrar a porta de saída da caverna, recuando em relação às sombras em vez de paroxisticamente nos colarmos a elas pelo cultivo da acção, pelo cultivo do ego, pela crença de que se chega mais depressa fortalecendo a vontade de chegar.
O esforço iniciático é uma pausa nesse paroxismo da vontade, uma retirada estratégica do foco infeccioso - o mundo das relações profanas ou ilusões - um recuo na orgia da acção que dê possibilidade de avançar na in-acção ou desfazer de mitos, ilusões, fantasmas.
Palavras-chave deste texto:
Caos
Caverna platónica
Continuum
Convivencialidade
Convivialidade
Ecoanálise
Ecopolítica
Ecossistema
Ego
Equilíbrio estático
Eternidade
Física e metafísica
Imunidade ortomolecular
Carma
Leitura ecológica do real
Malha de causas-efeitos
Metáfora orgânica
Mito da liberdade
Omnividência
Ordem iniciática
Politicoterapia
Rede
Tantra
Utopia

Autores citados:
Francis Bacon
Freud
Ivan Illich
Michel Bosquet
Platão
Taine

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AS ALERGIAS SEGUNDO KEITH MUMBY

1-1- mumby-6 >adn> - leitura analítica de keith mumby(*) - notas de leitura
DAS VACINAS À SIDA COM AS ALERGIAS PELO MEIO (*)
17/8/1994 - 1 - Quando alguns médicos dizem que a Alergia se esconde por detrás de doenças vulgares como Artrite, Eczema ou Enxaquecas, estão a dizer uma notável verdade, embora sem o saber. E é o Fígado, sempre o Fígado, o órgão comum às duas sintomatologias, o órgão que de facto determina Alergias, como determina Eczemas, como determina Enxaquecas (Vesícula). O tratamento do Fígado é o tratamento comum a Alergias, Eczemas, Enxaquecas: o Enxofre. Os alimentos com Enxofre. Nunca esquecer que o Enxofre, princípio masculino por definição, como a radiestesia ensina, é o princípio destrutor (ou desestruturante). Ou seja: sob a acção do Enxofre, o organismo reencontra um movimento de desestruturação que deverá ser aproveitado como oportunidade e acompanhado por todo um conjunto de cuidados de higiene alimentar.
2 - Notável é que Mumby faça uma única referência de duas linhas ao eventual papel do Fígado nas Alergias. E que nem uma só vez a palavra desintoxicação apareça no livro: quando é de desintoxicação (e do Fígado como principal órgão eliminador) que se trata, quando estudamos Alergias. Nem uma só vez também o Enxofre é referido como «des-sensibilizante» universal. Face a esta aproche das Alergias, vê-se assim que o método da radiestesia - e o trabalho dos Metais com o Pêndulo - pode significar uma revolução na terapêutica e na profilaxia.
3 - Se o ano de 1902 é a data em que surgiu a palavra Alergia, há que procurar, perto desta, a data em que o uso obrigatório da Vacina se generalizou. E talvez se possa estabelecer uma correlação de causa-efeito entre as Vacinas e as Alergias. De que, por exemplo, a imunodeficiência crónica e endémica (apelidada de sida) é apenas o fenómeno mais recente. Mas a sida é ainda uma Alergia, na doença ambiental definida para a Alergia. A escalada, que tem um século, deu-se ao nível da transmissão de informação entre células. A imunodeficiência (doença das Vacinas, fundamentalmente) é o ponto zero da inter-informação vibratória entre as células. O total bloqueio. A incrustação desordenada de metais (alguns dos quais seriam, nessa situação, classificados de Alergenos). Não deixa de ser curioso que os laboratórios andem à procura de uma vacina para a sida, quando a sida, a ser alguma coisa, é apenas o último elo de um processo histórico que começou exactamente com o advento, generalização pública e obrigatoriedade da Vacina. De toda a espécie de Vacinas. Cujo princípio universal, como se sabe, é inocular a própria doença...

4 - MUMBY ANTOLÓGICO

«A maioria dos alérgicos a produtos químicos têm um sentido do Olfacto muito apurado».
Mumby, 75

«Por norma o radiestesista usa um pêndulo, posto em movimento por cima da amostra do cabelo. O movimento altera-se em caso de alergia. Não tenho nenhuma objecção contra esta espécie de coisas desde que sejam feitas por um radiestesista (o que geralmente não se verifica). O custo geralmente é moderado (cerca de 3 contos) pelo que, do meu ponto de vista, ninguém está a ser roubado. Posso apontar com segurança um certo número de exemplos dos meus arquivos onde as melhoras se registaram ao eliminar os alimentos identificados por intermédio da radiestesia.»
Mumby, 101

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(*) «O Tratamento das Alergias», de Keith Mumby, edições 70, Lisboa, 1990

sábado, 6 de novembro de 2010

PROFETAS DA VISÃO HOLÍSTICA




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O «REALISMO ECOLOGISTA» EM 1987: PROFETAS DA VISÃO HOLÍSTICA

Será a Ecologia Humana a ciência das ciências do futuro ou será antes uma fraude e os que, há quase vinte anos, a estudam, preconizam e defendem, uns atrasados mentais?
Terá razão a Tecnocracia que combate ferozmente as alternativas ecológicas de vida ou terão razão os que, em pequenos grupos como a «Frente Ecológica», há cerca de vinte anos tentam esclarecer as pessoas sobre o que mais importa à sua saúde, vida e segurança?
As edições da «Frente Ecológica» foram, durante década e meia, voz activa e participante nessa polémica de «vida ou de morte», documentam e testemunham o nascimento de uma ciência que ainda não nasceu: a Ecologia Humana. Irá ela algum dia nascer?
Se a aparentemente sem saída crise ecológica e a consequente derrocada do mundo actual se deve, principalmente, à ciência estabelecida, ajudada pelas tecnologias antiecológicas que essa ciência alimenta, não será, evidentemente, dentro da mesma lógica autodestrutiva, com instrumentos, cientistas e tecnologias do sistema estabelecido que iremos criar um distanciamento crítico necessário para perceber onde estamos, de onde viemos e para onde vamos.
Para sabermos como vamos sobreviver à catástrofe, ultrapassar a crise e reatar o fio perdido da «vida para viver» em vez da actual «vida para morrer», teremos - na opinião de alguns - de recorrer a outra ciência e a outra tecnologia diferente daquelas que promoveram a crise e apontam para a catástrofe.
A intuição holística e ecológica - o sentido profundo da Unidade - foi mantida, através dos séculos, por alguns profetas que nunca aceitaram, na totalidade, a ordem da desordem estabelecida, nem se conformaram com ela.
Curiosamente e como a obra de Fritjof Capra (*) vem, exaustivamente demonstrar, a ciência ocidental de ponta como a Física Atómica em que ele é especialista, conduz à inevitabilidade de regresso às fontes orientais do Conhecimento como o Taoísmo.
No meio da balbúrdia em que se transformaram as gralhas ditas ecológicas e ecologistas, tentaram alguns, em nome do «realismo ecologista», ordenar ideias e prioridades, inventariando obras de autores que, em maior ou menor grau, mantiveram sintonizado o comprimento de onda correcto e que foram, portanto, precursores e profetas da holística contemporânea.
Inventário discutível, sem dúvida, ele constitui um primeiro desafio aos que investigam no campo das ideias, para se defenderem das mentiras numérico-estatísticas que, em nome do rigor matemático e experimental, a ciência oficial vai impingindo.
Como se pretende mostrar pelos autores até agora inventariados pelo «realismo ecologista», num primeiro contributo a uma abordagem holística do real, verifica-se que vem principalmente de escritores, filósofos e homens de pensamento o melhor antídoto à mentira científica. É deles que vem, portanto, o contributo mais decisivo para a viragem contemporânea de mentalidades a que, por comodidade metodológica, chamamos Holística, palavra que sucedeu à palavra Ecologia, completamente desfigurada por todos os ecoequívocos, eco-oportunismos e ecotravestis.
Debaixo da palavra Ecologia, e abusando dela, se vieram acobertando os oportunismos, ao ponto de os ecologistas de sempre se sentirem completamente excluídos.
Com todas as limitações de uma lista mais do que provisória, eis, por ordem alfabética, alguns profetas da visão holística do mundo e da vida, a maior parte dos quais, como é óbvio, jamais pronunciou ou ouviu pronunciar a palavra Ecologia, até porque a maior parte deles viveu muito antes de que a palavra tivesse sido inventada.
Procura-se, com esta lista «inesperada», mostrar que a «filosofia» em que se fundamentam as ideias e o movimento ecologista, não são de ontem nem de hoje, mas de sempre. Como é de sempre a intuição que acompanhou os mais lúcidos sobre a unidade fundamental do universo.
Com o «realismo ecologista» trata-se de exercer uma pedagogia profunda, no sentido de ultrapassar, por um mergulho profundo nas raízes da Dialéctica taoísta do yin-yang, as antinomias clássicas da cultura europeia e ocidental (Ver Denis de Rougemont, «Cartas aos Europeus», pg. 54 da edição portuguesa (**). )
Com efeito, essas dicotomias e antinomias são responsáveis não só pela contradição fundamental que atravessa e dilacera a cultura europeia-ocidental - Homem contra Natureza - mas por outras lutas e antinomias que dela decorrem (homem contra o homem, luta de classes, luta de gerações, totalitarismo contra Liberdade, etc. )
A bipolarização a nível político, a dicotomia Esquerda-Direita levada a extremos patológicos, inviabiliza não só qualquer entendimento fraterno entre pessoas e povos, como conduz ao supremo confronto, ao supremo frente a frente dos dois blocos bélicos em uma guerra nuclear.
A aprendizagem da dialéctica yin-yang e a arte da liberdade será assim o objectivo supremo, o que implica um longo período de estudo e reconversão mental, para que gradualmente as caducas antinomias, as contradições inelutáveis vão dando lugar à contradição dialéctica e criadora que as filosofias do yin-yang como o taoísmo ensinaram na sua sabedoria mas a arrogância da chamada ciência europeia e ocidental não só destruiu (em muitos casos), como lançou nos porões da História.
Corolário desta antinomia que a própria Europa criou contra outros povos, culturas, civilizações e continentes, são todas as formas bárbaras de Biocídio, nomeadamente nas formas de Etnocídio e de Genocídio sistemático, que caracteriza as cruzadas do «espírito europeu» e as colonizações sangrentas levadas a cabo por ele.
Apoiam este trabalho de investigação e prospecção heurística, não só alguns textos produzidos e editados na «Frente Ecológica» sobre dialéctica yin-yang aplicada na Prática, mas fontes e autores, mais ou menos proféticos, que paulatinamente se foram aproximando da verdade, quase todos depois de terem percorrido a via dolorosa dos sistemas filosóficos de raiz racionalista, experimental e positivista.
É pelos resultados concretos e pelas consequências práticas no dia a dia dos factos e dos acontecimentos, que a Ecologia Humana pretende comprovar a validez ou invalidez de todo um sistema teórico, de uma ideologia e, se quiserem, de todo um padrão civilizacional, baseado nas armas, na violência e na morte. E na ciência, como corolário sine qua non.
Pela primeira vez na História, o combate ideológico trava-se ao nível dos acontecimentos e factos a que uma ideologia (a tecnocrática) deu lugar: os factos são a prova, a irrefutável prova que demonstra a invalidez de teorias, ideias, hipóteses da constelação tecnocrática.
Feita esta prova, efectuado o balanço crítico desta civilização, repara-se, por exemplo, que a Ecologia Humana e a crítica nela implícita à sociedade industrial, vem coincidir com os pressupostos teóricos e filosóficos da corrente teosófica que no mundo ocidental fundaria a sua primeira sociedade em 1875.
Há cento e poucos anos, em 1875, Madame Helena Petrovna Blavatsky, deixava testemunhado, na sua obra monumental, «Ísis Sem Véu», o combate com as correntes ideológicas que, em nome do progresso, do bem estar, da felicidade dos povos, da razão, etc., ainda não tinham sido postas à prova na realidade concreta dos povos e das pessoas.
Nessa data, quem não acreditava que o século das luzes despontava, que a paz e a felicidade eternas estavam a ser preparadas pela ciência e pela técnica, enfim, que o homem tinha na mão o próprio destino e que, se necessário fosse, escalaria o céu para matar Deus em pessoa?
Cem anos depois, a História dá toda a razão a Helena Blavatsky. A engrenagem ideológica que ela criticara, bem como as instituições que lhe servem de pilares, está podre.
Para honra de Blavatsky e desgraça nossa, mortais terrenos, provou-se, com a crise ecológica, que este ramo europeu da chamada evolução das espécies, estava não só errado de raiz, não só tinha havido um engano de agulha há muitos séculos, não só era estruturalmente violento e portanto autosuicida, como trazia a morte na alma e a vocação autofágica e canibalesca da sua própria destruição.
A crítica da Engrenagem tecnocrática feita pela Ecologia Humana possui, portanto, antecedentes e de certa força. Não tem de que se envergonhar das suas premissas e conclusões, que há cem anos já eram preconizadas por espíritos inconformistas e pouco dados a crenças e superstições.
A superstição científica já era então objecto de crítica: porque razão não o há-de ser hoje, em que estão bem à vista os frutos podres dessa árvore envenenada?
Um mundo que só tem o holocausto nuclear como «saída», está ou não suficientemente definido, julgado e condenado?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ORTODOXIA E PLURALISMO MÉDICO





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TERAPIAS FIÁVEIS E TERAPIAS INVIÁVEIS

Lisboa, 2/12/1996 - Em determinado momento, nomeadamente quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) publicou o grosso tratado(*) em favor das medicinas tradicionais - caucionando assim uma área até então institucionalmente interdita - divulgou-se a ideia de que tínhamos passado de uma tirania monocromática - a medicina ortodoxa ou ordinária - para o reino do pluralismo médico.
A lista de terapias que então nos ofertavam era infindável.
Nada faltava nessa lista , desde a técnica mais antiga e comprovada - Acupunctura , por exemplo - até às novidades acabadas de sair do forno, ou seja, oriundas dos EUA , que é de onde chegam sempre as grandes e primeiras novidades.
Fred Wachsmann, que depois passou a assinar Fred Vasques Homem, num livro publicado em 1953 , «Milagre e Fé na Cura»(**), não hesita em nos repertoriar as artes e tretas mais variadas, numa mescla que , se não é de má fé, serve, pelo menos , a que os de má fé façam , logo por aí, o óbito das naturoterapias.
Vamos então à lista de Fred Wachsmann, autor de alguns bons livros sobre Ecologia Humana em geral e Ecologia alimentar em particular.
Eis a lista dele, que damos aqui por ordem alfabética:
Acupunctura
Aeroinoterapia
Amuletos
Antroposofia
Astrologia
Chiropratica
Christian Science
Cintos
Elixires
Espondiloterapia
Espiritismo
Exorcismos
Filtros
Homeopatia
Kneip (terapia)
Lahmann ( Terapia)
Magnetismo
Naturoterapia
Osteopatia
Ozonoterapia
Pedras Mágicas
Pranoterapia
Priessnitz ( Terapia)
Quiromancia
Sangue de Pombo
Schroth (Terapia de)
Talismãs
Treino Autógeno
Vertebroterapia

Esta lista, amálgama entre o relativamente bom e o claramente péssimo, serve, ao menos,de ponto de partida para, filtrada através da hipótese vibratória, virmos a saber que terapias são hoje fiáveis e quais, rapidamente, devemos remeter, rápido, para o caixote do lixo.
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(*) OMS - « Médecine Traditionelle et Couverture des Soins de Santé » - Genebra, 1983
(**) Dr. Fred Wachsmann - «Milagre e Fé na Cura» - Lisboa, 1953

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JOEL DE ROSNAY: ECO-TECNOCRACIA?







rosnay-2-ls-ie> domingo, 29 de Dezembro de 2002-scan

ESCOLA ECO-ENERGÉTICA NA UNIVERSIDADE NOVA?

[Depois de 1975, única data possível ... ] - A tradução em português do livro "O Macroscópio”, de Joel de Rosnay, vem relembrar-nos que a escola Eco-energética do MIT (o conhecido instituto de Massachussets) não é entre nós um ausente e que alguns técnicos ou pensadores que neste momento se ocupam e preocupam, em novas universidades novas, com as relações energéticas entre Ecologia e Economia, por lá passaram ou de lá receberam forte influxo informativo e formativo. Influxo energético...

Registemos o interesse que o Prof. Delgado Domingos tem consagrado à análise energética e a forma como o seu pensamento de técnico em Termodinâmica evoluiu até a descoberta das alternativas ou fontes infinitas do Futuro.

Não esqueçamos que o prof. Gomes Guerreiro, secretário de Estado do Ambiente no I Governo Constitucional, já em 1953, na sua obra "A Floresta na Conservação do Solo e da Água” defendia teses muita próximas da análise energética e que a sua passagem pela escola norte-americana da Califórnia não foi por acaso.

Também o Prof. Cruz de Carvalho, hoje em Portugal, a leccionar no Instituto Universitário de Évora, foi o primeiro no estudo entre Energia e Agricultura, Ecologia e economia Agrária, tendo trabalhado em universidades da Califórnia.

E outros citaríamos, de gosto, se a memória nos ajudasse. Ou viremos a citar, se alguém tiver a gentileza de nos escrever, indicando mais casos que nós ignoremos. ■
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16-12-1998

SUBLINHADOS DO LIVRO «A HISTÓRIA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO»

Todos os organismos são feitos de carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio e a sua fonte de energia, o sol.
Joel de Rosnay

O carbono (...) pode conduzir os electrões de ponta a ponta das suas cadeias, o que de certa maneira prefigura as redes nervosas e as redes de comunicação electrónicas.
Joel de Rosnay

Outrora não se sabia que as moléculas eram feitas de átomos nem que as células eram feitas de moléculas.

Um organismo composto de células especializadas resiste melhor do que um conjunto de células idênticas, porque pode responder de diferentes maneiras às agressões do ambiente, o que lhe dá mais hipótese de sobrevivência.
Joel de Rosnay

Os sistemas monolíticos acabam sempre por desaparecer.
Joel de Rosnay

Um cristal não vive, reproduz-se mas não fabrica energia.
Joel de Rosnay

Um organismo vivo é um sistema capaz de assegurar a sua própria conservação, de se gerir a si próprio e de se reproduzir.
Joel de Rosnay

Somos verdadeiramente feito de poeira das estrelas.
Hubert Reeves

A centena de elementos atómicos que conhecemos na natureza, foram produzidos nas estrelas.
Hubert Reeves

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ECOLOGIA DO CANCRO: CARÊNCIAS MINERAIS







Maria de Sousa, nome de uma ilustre professora-investigadora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, volta a elogiar no jornal «Público» (18/Setembro/1992) o livro que já elogiara na entrevista que concedeu à televisão.Trata-se de um trabalho de investigação de Fraústo da Silva e R.J. Williams, «The Biological Chemistry of the Elements».

Quando, nos anos 50, André Voisin publicou «Solo, Erva e Cancro» já se sabia tanto de Oligoelementos como hoje sabe a Drª Maria de Sousa. Ou mais. Com esta vantagem para o comum das pessoas que sofrem: toda a gente, até os cientistas, compreendeu o cientista André Voisin, que falava claro. Por isso não lhe deram o Nobel. Nem encontrarão hoje o seu nome em nenhuma enciclopédia.
E por isso os Oligoelementos se transformaram em uma indústria. Produto tornado necessário por toda a «poluição industrial», os Bioelementos passaram a ser uma terapêutica imposta por alguns refinados delitos que a indústria impunemente pratica contra a humanidade:
- a química dos adubos e pesticidas na agricultura;
- a refinação industrial de cereais e óleos alimentares;
- o abuso do açúcar industrial (como desmineralizante número 1);
- a poluição química de metais pesados (chumbo, mercúrio, cádmio, etc) na água, no ar e nos solos agrícolas;
- os aditivos químicos (incluindo metais pesados) na conservação dos alimentos;
- os medicamentos químicos onde é corrente a presença de metais pesados como o Cádmio, etc
Quando André Voisin publicava «Solo, Erva e Cancro» não sabia que com essa obra angular de Ecologia Humana estava a meter-se numa alhada... E que o silêncio da comunidade científica iria, nos 40 anos subsequentes, fazer desse livro e desse tema (o Cancro está na Química) um dos muitos temas-tabu do nosso tempo.
Quando a Oligoterapia se tornou um ramo interessante da medicina metabólica, o melhor, para doentes e terapeutas, foi fingir ignorar que essa terapia ajudava a fingir que ignoramos o Cancro Industrial em que nos atolaram a Medicina Química, a Agricultura Química, a Alimentação manufacturada, etc,etc,etc.

Notícia são, entretanto, livros de Ecologia Humana tão inconvenientes como:
- «AIDS & Natural Immunity», de Martha C. Cottrell (Japain Publications, New York, 1990);
- «The Cancer Prevention Diet», de Alex Jack (St. Martin's Press, New York, 1983);
- «Crime & Diet», de Michio Kushi (Japan Publications, New York, 1987);
- «Le Germanium - Une reponse au Cancer et au SIDA», de Serge Jurasunas (Editions Aquarius, Geneve, 1989).
Curiosamente, todos estes livros têm interface com a questão Minerais/Metais, que é, no fundo, mais de 75% de todos os problemas de Saúde Pública hoje postos às autoridades ditas de saúde.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CARTA A AL GORE



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CARTA AC AO AL GORE E AOS ALGORISTAS

6-3-2007

Meu Caro Al Gore:
O teu filme trata, principalmente, de uma ameaça global, aquela que actualmente é mais propalada, sabe-se lá se assoprada por interesses inconfessáveis ou que não se manifestam abertamente.
Mas, como bem sabes, há outras ameaças globais que, desde os anos 60 e princípio dos anos 70, têm vindo a ser denunciadas, não só por cientistas (que regra geral estão sempre muito ocupados ou distraídos com o pormenor não abarcam o global) mas por homens de pensamento, filósofos atentos ao status quo mundial, profetas e visionários (místicos, anarquistas, pensadores, escritores), que intuíram ou verificaram, com intuição, sensibilidade e amor, as ameaças que há pelo menos 40 anos começaram a tornar-se nítidas no horizonte global.
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6-3-2007

Meu Caro Al Gore:
Afinal és um gajo porreiro e contas a tua história de maneira comovente. Tens os cientistas do teu lado e o teu inimigo principal é a estupidez de alguns interesses comerciais, de alguns lobbies, de alguns gananciosos que nem a eles próprios se querem salvar. Preferem prioritar os interesses petrolíferos de anónimas multinacionais. Coitados deles e das almas deles.
Em princípio e até ver, o teu alerta ecológico não serve segundas intenções, ou serve apenas uma intenção lícita: a tua promoção como eventual candidato à presidência.
Serve o lobby nuclear mas indirectamente: honra te seja feita.
E acima de tudo marcas a diferença relativamente às posições dominantes hoje acerca das ameaças globais.
Entre as carpideiras do Juízo Final e os Panglosses do costume, meu caro Al Gore, tu traças um itinerário inesperadamente honesto, confessional, redentor, com uma esperança infinita de que o Planeta Terra há-de sobreviver a esta crise apocalíptica.
Claro que não vai e o fim da Planeta Terra está mais do que próximo, está iminente.
Mas ficam-te bem esses sentimentos e a esperança que finges acalentar.
Uma esperança desesperada como dizia o poeta.
Já alinhei, como tu, nos niilismos radicais e disso não me arrependo mas acho que também não contribuí, com esses alertas, com esses alarmes (e alarmismos) para agravar a situação.
É o que fazem hoje os especialistas chamados cientistas – mais ou menos de boa fé – multiplicando globalmente, com a ajuda dos media globalizantes, o niilismo e a raiva.
Não tens como eu nenhuma seita do fim do mundo a defender e por isso és um espírito livre em que outros espíritos livres podem confiar e em que se podem apoiar.
O teu poder é redentor e bem o provas neste filme que os Óscares premiaram porque não tinham outro remédio.
Aqui para nós, meu Caro Al Gore, tu é que premiaste a Academia (e de uma vez por todas) anualmente encarregada de distinguir nenhuma coisa no meio de coisa nenhuma. E ainda ganhaste outro prémio com a proclamação que Madona fez do teu filme: «o melhor documentário de sempre» disse ela.
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7-3-2007

Se estou hoje interessado em militar (com power point e tudo) na hipótese vibratória recebida do Etienne Guillé, é porque considero fundamental esse passo – a que chamei ecologia alargada - ou imperatico cósmico – para não continuarmos a patinar no desespero e no caos a que planetariamente fomos chegando como bem contas no teu filme.
Filme que, apesar de apontar as metas da globalização, foi feito em função do meio norte-americano e suas taras ou idiossincrasias.
Confesso que nunca pensei que fosse tão grande a mediocridade por ti enfrentada, para já não falar dos interesses rastejantes que te rasteiraram a carreira política.
Está explicado porque nunca ganhaste a presidência mas está explicado também porque havia uma predestinação na tua missão de vida.
E a predestinação.
E esta: ficaste um dos apóstolos mais influentes deste nosso tempo e mundo, em favor da boa nova.
Não foram os Óscares mas a Madonna que classificou o teu filme como «o melhor documentário de sempre.»
O que nem sequer é difícil, dada a tal generalizada mediocridade de quase tudo o que vem com o carimbo «made in usa» , mediocridade a que tiveste de fazer frente quando decidiste percorrer um determinado caminho eleitoral.

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8-3-2007

Se os que detêm o poder (político, económico, religioso, financeiro, nuclear)nada têm feito e nada querem fazer para contrariar e acima de tudo evitar as ameaças globais que pendem sobre o Planeta, não serão as pessoas que, individualmente, ou em grupos ecológicos, ou mesmo em ong’s, vão poder alguma coisa.
E muito menos quando num país como os Estados Unidos da América ganham os candidatos que não deviam ganhar e perdem os candidatos que deviam ganhar.
É aí que a viragem terá de se fazer, a nível de paradigma e em que a mudança de paradigma terá que se fazer, a bem ou a mal.
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9-3-2007

A questão das eco-tácticas, com que finalizas o teu documentário, nem sequer é o de serem uma pinga de água no oceano de destruição e poluição.
Além de ingénuas – uns 5% do que seria necessário para travar e inverter a escalada da destruição, as eco-tácticas ainda por cima, vão encorajar os fautores da hecatombe: vão ficar mais uma vontade, porque as multidões decidiram agir ecologicamente falando.
Uma ditadura da qualidade que obrigue os delinquentes a retroceder, é indispensável se queremos mesmo evitar o inevitável caminho para o abismo.
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De Ecologia Humana (-eh) só pudeste citar o triste e trágico episódio da tua querida irmã, que morreu com cancro no pulmão. Precisaríamos de outros tantos documentários como este teu para citar, mesmo ao de leve, tantos itens que este teu amigo, ao longo dos tempos, ao longo dos séculos, teve a ousadia de inventariar, tendo cunhado a palavra Ecologia Humana e Ecologia do Cancro.

POST SCRIPTUM:

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+ ÍNDICES DE ENTROPIA

 ACTUALIZAR DIA A DIA A LISTA DO COMPUTADOR
 RECORRER AOS RECORTES DA PASTA [ABJECTOS]

BIOMASSA
CLOROFLUORCARBONETOS
BURACO DO OZONO
NUCLEAR
RADIAÇÕES IONIZANTES
TRANSGÉNICOS
ENGENHARIA GENÉTICA
MANIPULAÇÃO GENÉTICA
MEGALOMANIAS & MEGAGIGANTISMOS
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
HACKERS & Cª
MEGA BARRAGENS HÍDRICAS

Todo aquele que promova, elogie, mercadeje qualquer destes itens deverá ser declarado, à luz da consciência humana, predador intencional, porque nem sequer tem a desculpa de ser um predador natural como alguns animais.
Nem sequer a crítica é aceitável.
Apenas a rejeição radical pura e simples.


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[Links para essas antevisões do futuro próximo podem ser encontrados a partir de alguns itens , como por exemplo:
Temas:
exaustão de recursos planetários
economias do desperdício
consumismo desenfreado
exploração do terceiro mundo pelo imperialismo capitalista
crescimento da fome mundial
destruição das duas florestas equatoriais: Amazónia e África Central, pela ganância de muitos gananciosos
a utopia trágico do crescimento económico infinito e exponencial]
+
[escrever esta carta com o mapa dos 500 links à frente, como reavivar a memória]
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[na Mesa de Files, o código –sc= scan deve ter bastantes títulos de catálogo já no big-Bang ou a juntar ao Big-Bang]