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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ORTODOXIA E PLURALISMO MÉDICO





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TERAPIAS FIÁVEIS E TERAPIAS INVIÁVEIS

Lisboa, 2/12/1996 - Em determinado momento, nomeadamente quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) publicou o grosso tratado(*) em favor das medicinas tradicionais - caucionando assim uma área até então institucionalmente interdita - divulgou-se a ideia de que tínhamos passado de uma tirania monocromática - a medicina ortodoxa ou ordinária - para o reino do pluralismo médico.
A lista de terapias que então nos ofertavam era infindável.
Nada faltava nessa lista , desde a técnica mais antiga e comprovada - Acupunctura , por exemplo - até às novidades acabadas de sair do forno, ou seja, oriundas dos EUA , que é de onde chegam sempre as grandes e primeiras novidades.
Fred Wachsmann, que depois passou a assinar Fred Vasques Homem, num livro publicado em 1953 , «Milagre e Fé na Cura»(**), não hesita em nos repertoriar as artes e tretas mais variadas, numa mescla que , se não é de má fé, serve, pelo menos , a que os de má fé façam , logo por aí, o óbito das naturoterapias.
Vamos então à lista de Fred Wachsmann, autor de alguns bons livros sobre Ecologia Humana em geral e Ecologia alimentar em particular.
Eis a lista dele, que damos aqui por ordem alfabética:
Acupunctura
Aeroinoterapia
Amuletos
Antroposofia
Astrologia
Chiropratica
Christian Science
Cintos
Elixires
Espondiloterapia
Espiritismo
Exorcismos
Filtros
Homeopatia
Kneip (terapia)
Lahmann ( Terapia)
Magnetismo
Naturoterapia
Osteopatia
Ozonoterapia
Pedras Mágicas
Pranoterapia
Priessnitz ( Terapia)
Quiromancia
Sangue de Pombo
Schroth (Terapia de)
Talismãs
Treino Autógeno
Vertebroterapia

Esta lista, amálgama entre o relativamente bom e o claramente péssimo, serve, ao menos,de ponto de partida para, filtrada através da hipótese vibratória, virmos a saber que terapias são hoje fiáveis e quais, rapidamente, devemos remeter, rápido, para o caixote do lixo.
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(*) OMS - « Médecine Traditionelle et Couverture des Soins de Santé » - Genebra, 1983
(**) Dr. Fred Wachsmann - «Milagre e Fé na Cura» - Lisboa, 1953

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ECOLOGIA HUMANA 1983

1-9 -nc
merge de 8 files da série nc= notícias da clandestinidade


 os silêncios que falam
 manifesto dos silenciamentos
 chave para inéditos ac de 1983 regressos

A DOENÇA NO LOCAL DE TRABALHO

Nove milhões de portugueses, na maior parte trabalhadores, devem ignorar que existe, em Portugal, uma Caixa de Seguros de Doenças Profissionais. A doença no local de trabalho, de facto, foi, é e continua a ser assunto verdadeiramente proibido e tabu.
Tema tratado, pela primeira e última vez, em reportagem de «A Capital», publicada em [----] , seria o momento de regressar a ele, se o ambiente não fosse cada vez mais contrário e hostil a factos e à verdade dos factos. Quando a demagogia sobre a chamada «saúde» sobe em Portugal, valeria a pena - se valesse - correr o risco de perseguição e linchagem, só para mostrar que os verdadeiros problemas da saúde em Portugal, com todas as instituições aos gritos, continuam silenciados e rodeados de silenciamentos. A notícia sobre seguros de doenças profissionais, é, portanto, mais uma notícia da clandestinidade.
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nc-2

 notícias da ecologia humana

PARA UM DICIONÁRIO (INVENTÁRIO) DE ERROS CONTRA A HUMANIDADE(*)

3/10/1992 -

Açúcar industrial
Aditivos químicos na conservação alimentar
Alienação do trabalho
Alta tensão (Cabos de) - poluição eléctrica sobre habitações
Antibióticos (iatrogénese)
Centrais nucleares*****
Chernobyl
Chumbo na gasolina
Clorofluorcarbonetos****** (destruidores da camada de Ozono)
Corticosteroides
Decibéis em discotecas
Decibéis em locais de trabalho
Fornos microondas****
Frituras (Hábito das)**
Hemodiálise ( segmento da Iatrogénese)
Iatrogénese ******
Insecticidas domésticos ***
Insegurança no local de trabalho***
Irradiados (Alimentos) ****
Metais pesados na água, no ar e nos alimentos***
Monitores radioactivos***
Nitrato de Amila - afrodisíaco usado em saunas masculinos e que provoca imunodepressão *****
Pesticidas na rede alimentar
Petroquímica de Cabo Ruivo*****
Plutónio em viagem de França (La Hague) para o Japão******
Publicidade*****
Radioterapia do Cancro*****
Sondagens que manipulam opinião pública***
Three Mile Island******
Transplantes cirúrgicos***
Vacinas (obrigatoriedade das)*****
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 diario92
 remissas

Cabo, 3/11/1992

FÓRA DA ESTAÇÃO

Uma banda rock em acção no cemitério de Alto São João, é como eu vejo a febricitante actividade dita cultural das câmaras, nomeadamente a de Lisboa e a de Oeiras, nomeadamente Música, Palhaços, Ballet, Expoartes, Concertos, Robertos.
Ou, se preferirem, Sorvetes Gelados no Inverno.
Banda rock num funeral é de facto as expostas Artes Plásticas no âmbito de Bairros da Lata da Periferia.
As bibliotecas e hemerotecas, face ao trânsito caótico. Os jardins botânicos e zoológicos, face aos 40 mil fogos devolutos que os assassinos dos senhorios se recusam a alugar com a benevolência assassina da vereação camarária. Que depois nos dá música e desfiles de moda no Terreiro do Paço. A exposição Habitação, face à incidência de Mortalidade Infantil do Centro à Periferia. Banda de Rock em ritmo frenético no Cemitério dos Prazeres, é o incremento de Bares, Discotecas e outras casas de jogo e de prostituição, face às lixeiras fétidas que envolvem os centros urbanos e face ao Cianeto Vinil do Barreiro e aos fumos tóxicos da refinaria da Petrogal.

O PRINCÍPIO UNIVERSAL DA PRÓTESE

-> Quem mais ganha com as Notícias do Terror, são as companhias Seguradoras
-> Cada nova notícia sobre o incremento da SIDA - que está, por sinal a desicrementar - faz vender mais trinta caixas de Preservativos Caramelo
-> Cada nova notícia sobre a crise das empresas e dos bancos, mais três leis fascistas do Silva Peneda contra os trabalhadores
-> Cada nova notícia sobre o terremoto de 1789, mais propaganda às construções antisísmicas, em que ninguém acredita
-> Cada nova desgraça anunciada, mais vinte apólices que a Seguradora Pacífica da Costa ganha por dia
-> Cada nova notícia de um novo incêndio, mais uma trinta apólices por dia contra incêndios que entram na Seguradora Costa do Pacífico
-> Cada nova notícia sobre um desmoronamento de prédio em Lisboa, mais um toque de telefone no gabinete do Ministro da Habitação, para acelerar a Lei das Rendas mais favorável aos senhorios
-> Cada novo caso de Rubéola, mais 1000 vacinas que são enfiadas à autoridade sanitária
-> O princípio universal da Prótese é diariamente, hora a hora, religiosamente seguido e há jornalistas e jornais que refinam neste trabalho de fazer a vida (ainda mais )negra ao utente e engordar todas as indústrias que vivem de promover Angústia, o Pavor, o Stress, a Doença, a Neurose, a Frustração, (...)

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 diário
 inéditos 87

 QUE FALTARÁ AINDA INSTRUMENTALIZAR?

3/1/1987 - A característica dominante dos partidos é utilizarem em proveito próprio e das suas estratégias de poder mais ou menos ligadas e blocos imperialistas e variados internacionalismos ou seitas multinacionais, tudo quanto mexe e de qualquer modo pode suscitar os sentimentos fraternos ou humanitários das populações. Os fins transformam-se em meios e os meios transformam-se em fins - o que significa maquiavelismo. Quando se usam pessoas, sentimentos, causas ou ideais, está a praticar-se um acto de prostituição.
Instrumentalizar tudo o que é nobre, livre, bom, ou humano, tornou-se
prática corrente dos partidos ao serviço de blocos hegemónicos. Eles
são os primeiros a prostituir os valores em que dizem acreditar. De
facto, que faltará ainda instrumentalizar? A voracidade dos partidos,
no entanto, vai para os movimentos sociais que se possam esboçar em
defesa das várias classes, condições, situações vividas e sofridas
pelo cidadão:

Beneficiário
Consumidor
Criança
Deficiente
Inquilino
Lumpen proletariado
Munícipe
Peão
Reformado
Terceira idade
Utente
No singular, instrumentaliza-se:
- A Paz
- A Pobreza
- A Liberdade
- A Criança
- A Juventude
- A Terceira Idade
No plural, instrumentalizam-se:
- Os direitos do trabalhador
- As necessidades mais justas e prementes do cidadão
- As necessidades de reformados e desclassificados
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 diário
 cancro74 (continuação)
 manifesto dos silêncios
 análise de um discurso mistificador que se está repetindo ipsis verbis para a sida

1962-1974: 12 ANOS DE NOTÍCIAS SOBRE O CANCRO

Depressões como causadoras de cancro (6/8/1967)

Se mesmo os fumadores não querem reduzir o número de cigarros que fumam, não poderão os fabricantes reduzir as doses de matérias nocivas dos cigarros?

Casos de cancro relacionados com a pílula conceptiva(31/1/1971)

O fumo do tabaco contém um agente que provoca o cancro (11/12/1971)

Alarmante o ritmo do aumento do cancro nos Estados Unidos-experimentados por ano 300 a 400 de 200 000 novos produtos químicos (10/3/1972)

Menor do que se cria o perigo das radiações sobre as funções genéticas (9/9/1971)

INCREMENTO DA LEUCEMIA: 1965-1971:

E os rebentamentos atómicos na atmosfera? E as chuvas radioactivas de Hiroxima? E os mil novos produtos químicos todos os anos? E os medicamentos «leucemizantes»?

A leucemia ameaça o gado bovino (18/4/1967)

Aumentaram no mundo inteiro as percentagens de mortalidade por leucemia (22/6/1966)

Era um fabricante de ilusões o «biólogo» Naessens que «curava» a leucemia e por isso começou a ser julgado em Paris (4/5/1965)

Próxima descoberta de uma vacina capaz de proteger os seres humanos da leucemia (7/7/1971)

Leucemia e cancro em percentagem perturbadora entre aqueles que eram crianças quando do ataque a Hiroxima (30/7/1971)

A TESE ABERRANTE DO VÍRUS:

Em Moscovo - um cientista americano confirma que o cancro é provocado por um vírus (26/7/1962)

Contra o Cancro: um novo antibiótico, a Bleomicina (6/10/1968)

Vacina eficaz contra o cancro? ( 16/10/1969)

O vírus puro do cancro isolado na Colômbia (11/11/1969)

Abrem-se novas esperanças a centenas de milhares de cancerosos - Podem começar as pesquisas de nova vacina (5/12/1969)

É de grande importância a descoberta de um vírus do sarcoma no homem (5/12/1969)

Isolado o vírus do cancro humano (9/12/1969)

Vacina contra o cancro experimentada com êxito em animais (25/11/1970)

Isolado um vírus humano causador do cancro? (6/12/1971)

Cientistas procuram descobrir se o cancro é provocado por vírus ou por acção química (15/11/1972)

Origem virosa do cancro - Cientistas soviéticos de acordo com os americanos (20/1/1972)

Um vírus dormente na origem do cancro do seio? (15/6/1972)

O cancro dos animais é causado por vírus - diz perito da OMS ( 7/9/1972)

Cientistas israelitas cultivam um vírus esquivo que poderá ser o causador do cancro no seio (4/2/1973)

Vírus do exterior parecem ser a causa do cancro (25/2/1973)

Médicos italianos descobrem a ligação entre um vírus e o cancro das membranas (24/3/1973)

Poderá o cancro ser causado pelo vírus da gripe? (24/3/1973)

ICB 119 - Nova arma contra o cancro (1/6/1973)

Um certo gozo sádico acaba por se instalar no discurso debitado pelos cientistas:
Mudanças de sexo provocam cancro (12/4/1968)

Era já este o prenúncio da ignóbil «doença sexualmente transmissível» em que viria a transformar-se a sida-espectáculo, a sida-progrom, a sida-caça às bruxas, a sida-promoção da indústria de preservativos?

Também surge um discurso entre o gozo sádico e o sério: Imunizar doentes com o sangue de antigos cancerosos (7/4/1973) discurso onde, além do actual vampirismo médico, se patenteia a mentalidade mais do que medieval de uma ciência paranóica e totalmente pervertida.

MÉTODOS LÓGICOS PARA A TERAPÊUTICA:

Regime de fome - um novo método (?)

Descoberta de plantas com propriedades anticancerígenas (26/7/1972)

A grande batalha da ciência médica - Nas florestas do Quénia árvores «Maytenus» contêm um produto químico anticancerígeno (5/1/1973)

Dermatologistas afirmam : algumas lesões cutâneas são sintomas de cancros (25/5/1972)

Congresso de Veneza - alguns cancros internos manifestam-se por lesões na pele (25/5/1972)

A vitamina A cura o cancro? (15/7/1970)

Ondas electromagnéticas curaram ratazanas em que haviam sido enxertados tumores cancerosos e leucemias (?)

O sadismo do aleatório revela-se em anúncios fraudulentos como este:
Dentro de um ano haverá no mercado um teste para detectar a presença de cancro nos seres humanos (19/5/1973)

A descoberta do veterinário farmacêutico de Córdova - Nova arma contra o cancro? (30/3/1968)
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 regressos & silêncios
 texto de 1984
 dez anos depois
 temas de ecologia humana

OS CRIMES DE PERIGO COMUM NO NOVO CÓDIGO PENAL DE 1982

A pena de prisão até seis meses ou multa até 50 dias, prevista no artigo 148 do Código Penal de 1982, tem atenuantes, desde que o «agressor» seja médico e que as «ofensas no corpo ou na saúde» provocadas «no exercício da sua função» não causem doença ou incapacidade para o trabalho por mais de 8 dias.»
«Intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos», matéria contemplada no artigo 150º do Código Penal, também despenalizam substancialmente a medicina:
Conforme refere o artigo 150º, «as intervenções e outros tratamentos que, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina, se mostram indicados e foram levados a cabo, de acordo com as «leges artis», por um médico ou outra pessoa legalmente autorizada a empreendê-los com intenção de prevenir, diagnosticar, debelar ou minorar uma doença, um sofrimento, uma lesão ou fadiga corporal ou uma perturbação mental, não se consideram ofensas corporais. »
[publicado]: Os «crimes de perigo comum» previstos no novo Código Penal de 1982, relacionam-se directamente com a segurança quotidiana do cidadão, devendo o consumidor conhecer este texto legislativo fundamental que eventualmente o poderá defender... Especificando esses «crime de perigo comum» em duas secções - «a) incêndios, explosões, radiações e outros crimes de perigo comum; b) dos crimes contra a saúde» - o novo Código Penal de 1982, integrou na legislação portuguesa conceitos e factores respeitantes à «qualidade de vida» que ainda há três décadas eram novidade...
Considerado, assim, bastante «evoluído» no contexto jurídico europeu - por integrar conceitos e factores já com algumas décadas de história... - o Código Penal publicado no «Diário da República», I série, em 23 de Setembro de 1982, anda ainda a ser estudado pelos técnicos, não tendo chegado à opinião pública naqueles capítulos que mais directamente a podiam interessar na medida em que mexem com a nossa integridade física imediata. De facto, o novo Código Penal, é um dos textos jurídicos portugueses em que os direitos do cidadão foram minimamente lembrados. Significativo é que, 11 anos depois da sua publicação oficial, ninguém se lembre disso: já ou ainda?
[ transcrevemos os artigos referentes à secção II do já referido capítulo III - Dos Crimes de Perigo Comum ]
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 notícias do crime médico
 notícias da clandestinidade
 gulag dos silêncios
 os silêncios que falam
 regressos & silêncios

IATROGÉNESE: HOMEM COBAIA DA MEDICINA

Há experiências «laboratoriais» com doentes em meio hospitalar?

Existe para aí uma comissão de Ética?...

A rapidez com que os medicamentos são testados e o número vertiginoso de especialidades farmacêuticas que todos os dias entra no mercado, torna óbvia esta necessidade: os medicamentos são testados na sua aplicação pelo médico ao doente. Como se chama esta situação? Como deve ser julgada etica e juridicamente? O poder médico justifica tudo? Será o «cobainato» mais lícito do que o Aborto e a Eutanásia? As experiências conhecidas praticadas em condenados à morte ou em presidiários condenados a prisão perpétua confirmam que a prática da «cobaias» não é uma ficção nem uma excepção. A própria essência da ciência experimental autoriza e fomenta essa prática. se se trata de ciências humanas, é lógico que a experimentação se faça em seres humanos. Experiência laboratorial com medicamentos receitados a doentes é ou não é praticada e é ou não reconhecida oficialmente? Há casos em que o médico já tem perguntado aos familiares do doente ou ao próprio se autorizam a experiência.
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NOTÍCIAS DA CLANDESTINIDADE (NC) inclui :

- CQNE - Cartas que não enviei
- EH - Ecologia Humana
- HOLI - Holística
- DN - Dicionário da Neguentropia ( ou Dicionário da Esperança)
- DE - Dicionário da Entropia
- KY-AQ - De Kali Yuga para o Aquário
- NAS - Notícias da Auto-suficiência
- NED - Notícias da Entropia Desenfreada
- NCC - Notícias da Cura do Cancro
- NTT - Notícias do Tecno-terror
- NQM - Notícias do que nos Mata
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 novos consumos novas doenças
 PISTAS DE INVESTIGAÇÃO EM ECOLOGIA ALIMENTAR
PARA UM BANCO DE DADOS NA ÁREA HOLÍSTICA
 CONSUMOS ALIMENTARES:
NOVOS E NOVÍSSIMOS HÁBITOS
NOVOS E NOVÍSSIMAS DOENÇAS

Aditivos químicos
Aves de Aviário
Córantes químicos
Embalagens plásticas (contaminação por contacto)
Fornos microondas
Hamburgers
Ketchup
Leite em pó para bébés
Margarina
Porcos de pocilga
Radiações (Isótopos radioactivos) na conservação de alimentos ■

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

ABJECÇÃO 1961

1-13- sexta-feira, 26 de Dezembro de 2003-habitat-md-ie-sw>

MERGE DE 4 OU 5 FILES DA SÉRIE HABITAT>

 link abjecção
 súmulas
 entrevista-testamento
 os dossiês do silêncio(prefácio)
 mein kampf
 as intuições de fundo
 os anos heróicos
 inventários 1971

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QUADRO ORGÂNICO DA ABJECÇÃO(*)
I

A bomba de hidrogénio e a chantagem da arma absoluta.
A maratona termo-nuclear entre outras maratonas de que participam os dois blocos: EUA e URSS,
A ameaça da guerra atómica para ocultar e escamotear as guerras parciais.
Maratona nuclear e corrida espacial: faces da mesma realidade ou coexistência pacífica.
A guerrilha como legítima contra-violência .
A competição militar mascarada de competição tecnológica e esta de competição científica .
A criminalidade das experiências nucleares que ninguém denuncia.
Aparelhos internacionais de controlo e repressão: Interpol, CIA , ONU, FAO, OMS, Olimpíadas, Prémio Nobel, Conselho da Europa.

O HABITAT CAPITALISTA

O modus vivendi norte-americano e a colonização tecnológica da Europa.
Expansionismo de mercados, imperialimo, guerra .
Descolonização do negro americano, fase de uma descolonização que abrangerá a Europa.
Resistência no Vietname ou a Resistência das resistências .
O Terceiro Mundo e a Revolução Tricontinental iniciada em Cuba.
O fenómeno irreversível da descolonização.
O crime legalizado deixa de chamar-se crime .
Os criminosos no Poder deixam de se chamar criminosos.
O Poder gera sempre o crime?
Os crimes políticos nos Estados Unidos ,
A violência censurada por aqueles que suprimiram toda a possibilidade de diálogo.
Imperialismo: expansão territorial mediante agressão e guerra,
Emigração da riqueza dos países colonizados para os colonizadores.
Subdesenvolvimento das economias colonizadas.
35 milhões morrem anualmente de fome.
50 Milhões de pobres nos Estados Unidos, entre eles 20 milhões de negros.
Índia, Sicília, Nordeste brasileiro (28 milhões).

Migração internacional e instabilidade social dos que emigram, além da exploração económica.
Superpopulação urbana e patologia dos espaços restritos.

Desmond Morris e A Jaula Humana

O "encombrement" ou congestionamento urbano
Surménage generalizado, esgotamento no trabalho, depressão nervosa .
O automóvel, dono e senhor do espaço urbano, de onde o homem (peão) é expulso.
Óleos queimados, fumo, ruídos.

O retinir dos telefones como instituição.
Insanidade ou insalubridade do habitat. .
A psicose do consumo e seus reflexos no equilíbrio emocional.
O pesadelo climatizado das inabitáveis cidades

NEM SÓ DE CAPITALISMO VIVE A ABJECÇÃO

Se a crítica da economia capitalista está feita e bem feita pelo marxismo, muitos vectores da abjecção há que ela deixa de fora.

Proliferação nuclear, congestionamento urbano, poluição industrial, invasão dos "mass-media" - são apenas algumas ameaças que hoje põem em risco o homem de amanhã, que hoje comprometem a sobrevivência da espécie sobre o planeta que habita.

Circulação rodoviária, poluição , mass media, cirurgia, explosão demográfica, explosão nuclear, minorias oprimidas, são mais alguns aspectos da Abjecção.
- - - - -
(*) Este texto, que deverá ter sido escrito em 1971, foi publicado na colecção «Mini-Ecologia», nº 2, Ed. Frente Ecológica, 1974, pgs 26-39 – É complementar de um outro – Vectores da Utopia ou Revolução Cultural – de 15/Setembro/1971 e publicado na colecção Mini-ecologia, nº 8 ( Movimento Ecológico e Descolonização Cultural), pgs 23-25
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QUADRO ORGÂNICO DA ABJECÇÃO
II

O que se entende por mito numa sociedade burocrática de consumo dirigido.
A tirania psicológica da publicidade.
A publicidade substituindo, numa sociedade de massas, a Educação.
Função da rádio, cinema e TV no enraizamento de mitos.
O que pensa Aldous Huxley em The New Brave World sobre as novas técnicas da modificação de opiniões, de lavagem ao cérebro.
O indivíduo contra a corrente da opinião maciça.
Os mitos do cinema e literatura standart, sua única função de consumo.
Os perigos da abstracção ou despersonalização, previstos por Gabriel Marcel e Emmanuel Mounier, entre outros.
O Homem Contra o Mito, um livro de Barrows Dunham .
Pop - apenas uma palavra ou um fenómeno mundial? .
Subtil mas abissal diferença entre comunicação de massas e cultura de massas.
Quando a literatura toma consciência do problema "mito de consumo”, será função do escritor substituir os de consumo por mitos poéticos ou autênticos?
Demagogia ou as relações de propaganda com as massas.
Literatura de cordel (foto-novela) ou a demagogia ao nível dos sentimentos .
"Crónica Feminina" e seus 150.000 exemplares de tiragem.
Carências afectivas de uma sociedade alienante, supridas depois por uma literatura de consumo.
Lisonjear as massas, tanto pode ser com um discurso político como com uma novela onde tudo acaba bem .
Ocultar com as pequenas verdades as grandes mentiras, com reformas de superfície a revolução de base que se não faz, com pequenos benefícios os malefícios maiores, com rebuçados e bom-bons os maiores crimes, eis a demagogia .
Defesa dos valores que têm a simpatia das massas.
Inaugurar uma fábrica que é negócio de monopólios, deve dizer-se que é em beneficio da economia nacional, uma economia e um nacional sempre abstractos onde, no entanto, convém fazer crer a maioria.

A demagogia assim como o boato são produtos de uma sociedade fechada e corrupta, sem imprensa livre por onde respire a informação e sem parlamento onde as contradições se suavizem pelo reformismo demo-liberal ou social-democrata.

Ingredientes da demagogia: contradição, incoerência, fingimento, hipocrisia, discurso, promessa, apelo às massas, a parte como se fosse o todo, o particular como se fosse o geral, o secundário como se fosse o importante.


Mecanismos de opressão e técnicas de aviltamento: os mecanismos que liquidam a individualidade, cerceiam a liberdade, devassam a intimidade afectiva.

Delação, chantagem, carta e telefonema anónimos, censura de cartas, violação e devassa de domicílio, lavagem ao cérebro, interrogatórios, torturas.

Formas de bombardear a mente das massas e o comportamento individual: publicidade, espionagem, educação, informação.

Instituições que usam os mecanismos de opressão: serviços secretos, polícias, escolas, mass media.

O universo concentracionário em pleno quotidiano.
Publicidade é o fascismo das sociedades ditas democráticas .
Jean Luc Godard e a sua denúncia das mitologias que nos governam.
O cinema-indústria e sua má consciência no processo.

Os mecanismos de opressão e compensação, ou a mitologia degenerada.

Pela literatura ( fotonovela, policiais, espionagem), pela rádio (rádio-novela, policial, espionagem), pelo cinema (cine-novela, policial, espionagem), pela televisão (tele-novela, policial, espionagem): os seriais no equilíbrio emocional dos indivíduos alienados pelo trabalho, pela exploração do homem pelo homem, pela instabilidade social, pela doença, pelos traumas físicos e psíquicos .

Os mitos da violência sabiamente intercalados nos de demagogia sentimental que servem de isca à finalidade última dos empresários .
Técnicas de aviltamento: propaganda e publicidade como técnicas perfeitas de aviltamento
Os meios de Informação que deveriam ser de Educação de massas ao serviço da Intoxicação mental.

A crítica como técnica de higiene ou prevenção da saúde mental e ataque à doença.

Espionagem interna das empresas, escuta telefónica.

Indústrias distractivas ao serviço delas mesmas.
Estádios, olimpíadas, taças, campeonatos, rallis, lotarias, concursos, brindes, totobolas, mecanismos simultaneamente de distracção, aviltamento e compensação para as frustrações do tomem alienado.

Desportos de luxo, inverno, náuticos.

Foto-novela, romance de acção, (policial, antecipação, espionagem), bandas desenhadas
180 títulos de "comics" no mercado francês, tiragem global de mais de 15 milhões de exemplares .
Tintin, Astérix, Tarzan, Mandrake, Fantomas, Superman, Mickey.

Tiragem unitária, entre 80 e 200 mil.

Literatura marginal, não confundir com literatura paralela .

Indústria literária.
"Presse du coeur", tiragem global em França de 2 milhões.

O automóvel, mito estudado por Alfred Sauvy.

O "sistema da moda", ditadura imposta pelo sistema capitalista, motor da histeria do consumo.
Estreita cumplicidade entre publicidade e moda, capitalismo e moda, exploração e moda.

A indústria da imprensa da moda.

Cepticismo justificado quanto à possibilidade de a sociedade evoluir para a liberdade, sem constrangimento mitológico, sem aparelhos de lavagem ao cérebro, sem o bombardeamento de signos que conduzem, por reflexo condicionado, a um total embrutecimento.
Embrutecidas as massas, os governos farão delas o que quiserem.
Qualquer Hitler poderá levar uma nação inteira à guerra, em menos de três horas.

Roland Barthes e os seus livros Système de la Mode e Mithologies.
José Augusto França e António Osório, dois exemplos portugueses da sociologia do mito .
Em torno de certos complexos ou estruturas míticas congrega-se uma massa de público que dá ao fenómeno gravidade, extensão e importância política .
Também por aqui a tendência é de a cultura se politizar.
O público da Crónica Feminina, o público do Odeon, o público das séries televisivas, o público dos rádio-romances, o público dos folhetins, o público das notícias de crimes passionais, o público dos concursos OMO, o público das bandas desenhadas, o público do Parque Mayer (revistas): para cada um destes "mundos" ou "sistemas de mitos" há um público que com eles forma um sistema, circuito ou estrutura.
Haverá que julgar esta morfologia mítica ou apenas (como faz Barthes) estudá-la, analisá-la, desmontá-la, sem tomar partido?

Há que politizar o estruturalismo?

Filosofia dos mas media : Aldous Huxley, Marshall Mc Luhan, Roland Barthes .

Mitos da ciência e Barnard como exemplo de fenómeno pseudo-científico ao serviço da propaganda política .
A ciência manobrada pela tecnologia e esta pela indústria ou necessidade de explorar o homem pelo homem.
Corrupção da pretensa autonomia da cultura, pela pressão financeira das empresas a que o intelectual ou pensador tem que vender o trabalho.

Inevitabilidade de politizar a cultura.

Os prémios científicos, literários e a jornalistas, ou a chantagem pela competição.

A roleta na ordem da competição intelectual expõe o escritor à corrida como qualquer cavalo.
Os prémios Bayer de Jornalismo, o jornalista lacaio do negócio publicitário, ramo subalterno dos anunciantes de todas as banhas da cobra .

Testes psicotécnicos para admissão nas empresas, forma disfarçada de espionagem.
Investigação da vida familiar, para idênticos efeitos.
Hábitos eróticos do cidadão e sua ficha na Polícia de Costumes .
Espionagem nas empresas por escuta telefónica., minigravadores e teleobjectivas .


Papel do jogo no equilíbrio emocional do homem alienado.
Lotaria, totobola, corridas de cavalos e de automóveis, rifas e dados, jogos de azar e roletas, cartas e xadrez - sentido lúdico da existência a disfarçar uma existência alienada, vazia e sem sentido.

O problema do anonimato em jornalismo.

Opinião ou comentário (subjectivo) e a pretensa objectividade.

Inevitabilidade de o jornalista ser engagé, consciente e responsavelmente engagé , inevitabilidade de se politizar.

Não há jornalista sem crítica e não há critica sem opção de valores contra outros valores.

Urgente que a crítica se imponha frente à lavagem sistemática dos cérebros pela propaganda e pela publicidade.
A neutralidade requerida por alguns ingénuos só seria possível num mundo sem propaganda e publicidade .

Deontologia jornalística não é neutralidade e evasão, é tomada consciente de posição.

Moral é defender o interesse do público contra, por exemplo, os serviços públicos que mal o servem.
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QUADRO ORGÂNICO DA ABJECÇÃO
III

A Civilização como Doença ou Crise.
A Crítica como acto masoquista da Cultura para se salvar, limpar ou curar de si própria.
A Hipocrisia, terá de ser uma das constantes da civilização que alimenta contradições sobre contradições, que proclama uma coisa e faz outra, que em teoria é assim e na prática assado.
A Hipocrisia é consequência directa da constante incoerência.
E com a hipocrisia vem a Demagogia.

Incapaz de confessar, por exemplo, a sua natureza Homicida (a sua Violência inata) inventa os Humanismos para encobrir essa violência, inventa as Morais, os belíssimas Ideais, e daí a hipocrisia. constante (os ideais nunca se cumprem).

Quando a Hipocrisia se faz mensagem pública (através dos mass media) temos a Demagogia.
Uma civilização que é ela própria uma Doença, inventa., por exemplo, a sublime hipocrisia. do Desporto e da "alma sã em corpo são”.
Uma civilização violenta e homicida, por definição, natureza, origem e fatalidade, diz que defende e promove a saúde.
Usurpação a sobresuficiência são outras constantes da civilização que se julga com o monopólio de todas as Humanidades e Culturas Possíveis, que fala sempre como se tivesse procuração da humanidade passada, presente e futura. Umbilicalismo ridículo, Europocentrismo irrisório.

Teoria sem Prática, Análise sem Síntese: duas contradições que originam todas as demais.

O Especialismo e o Alibi do Especialismo: maneira pela qual o funcionário da Abjecção se escapa sempre às responsabilidades que lhe pedem.

Deus está morto mas os deuses proliferam.
Logos contra Mythos ou a Dissidência Original, a polémica das polémicas.
A partir deste pecado original, o princípio da Individuação cria todo o mal e toda a tragédia, cria a Cultura como um Sistema de Mitos.

Os mitos menores da cultura ocidental matando os mitos maiores das outras culturas.

O racionalismo ou Mitologia do Anti-Mito.
A Ordem que se diz racional alimenta a sua própria contradição e seguintes, safando-se das incoerências internas pelo alibi do Especialismo e do Tecnicismo - ninguém é responsável de nada, visto que a responsabilidade pertence sempre ao "técnico" vizinho e à técnica do vizinho - e pela Demagogia dos ideais a atingir.
O Culto da Personalidade e a Mitologia Política substituem em certos casos os deuses mortos.

Estrutura Hierárquica das Relações Humanas.

Exemplos de instituições fortemente hierarquizadas: Empresa, Igreja, Universidade, Exército, Estado, Escola, Academias, Hospital, etc.

Escola Exotérïca ou Pedagogia do Medo.
Não foi por acaso que a revolução de Maio de 1968 explodiu no centro da Abjecção, a Universidade.

O Poder do Saber.
Hierarquia e Sabatina Jesuítica, autoridade em vez de liberdade, medo em vez de poesia, competição em vez de solidariedade, exploração em vez de amor.

Exame de Passagem e Promoção, Lotaria, Concurso, Rifa, Competição.

A violência resulta directamente da Estrutura Hierárquica: se só se passa vencendo o parceiro, combatendo o parceiro, deixando vítimas no caminho, pulando por cima de alguém, derrotando o próximo, todas as relações se encontram de raiz e automaticamente corrompidas, viciadas, comprometidas.

Mas como, para cada Crime da Civilização, há sempre um cristianismo a tentar santificá-lo, a ideologia fala então do "próximo", do "amor ao próximo", da "fraternidade", de "todos somos irmãos", de "beijo no leproso, etc, etc

Como, para cada Crime da Civilização, há sempre uma demagogia a justificá-lo, a demagogia dos "tempos livres", por exemplo, pretende ocultar a escravatura imposta ao homem pelo trabalho, pelo sistema industrial, por todos os sectores e vectores da Abjecção,
Condicionado pela inevitabilidade do Trabalho não criador, todas as "revoluções" o adoptaram.
A revolução está por fazer, enquanto o trabalhador estiver por libertar, por mais férias pagas que a demagogia inventar.

O Processo irreversível da Tecnologia.

A "revolução" industrial e o começo do fim.
A imparável Lógica da Violência, processo de autodestruição sem retorno.
As medidas antipoluição como expediente demagógico característico.

Civilização do Lixo, Civilização do Luxo.

Sociedade do consumo ou Sociedade do Desperdício?

O Supérfluo abunda, falta o Fundamental.

Degradada a Natureza., onde irá o homem depositar os inevitáveis Dejectos?

Boca, tubo digestivo, canal digestivo, cloaca.: retrato em corpo inteiro do Consumidor e de todo o processo civilizatório que transformou o Homem em animal de Consumo.

Bomba, fruto supremo da Lógica Tecnológica.
Até os jornais mais reaccionários estão a denunciar a demagogia do átomo pacífico.

Não há Átomo Pacífico, dizia O Comércio do Funchal, dia 21-3-1971
Í

Transformado o Homem numa Cloaca temos o que os demagogos chamam Sociedade Afluente, Sociedade da Abundância, Sociedade da Produtividade.

Consumo histeria do Consumo.

Todo o processo humano reduzido ao Processo Digestivo.
Indústrias em geral mas Indústrias Alimentares em especial, ao ataque.

Indústrias Distractivas também, os Mass media.

Indústria Armamentista muitíssimo em especial.

Industriocracia: é a Indústria e não a Economia, a Política, a Educação, a Poesia ou o Desporto o que decide de nós e nos governa.

Tecnocracia: a forma "inteligente" de se dizer que não são os industriais ( gente de pouco prestígio) mas os técnicos (ao serviço da tecnologia industrial) que comandam os cordéis da sociedade.
Mais uma pequena hipocrisia, mais um expediente demagógico, mais uma contradição não confessada.
Mercantilismo: herdado de todas as épocas áureas, eis o Esclavagismo disfarçado de todos os regimes.

Turismo - Michael Peters conta em Le Tourisme International um aspecto relativamente esquecido da Abjecção: empenhado em vender o que tem, cada país socialista entra no jogo que lhe é proposto pelo consumo capitalista.

Produção de meninos como ramo da produtividade em geral.

Administração de nascimentos e controlo da actividade sexual do produtor, do cidadão.

A explosão demográfica ou a grande chantagem: promove-se nuns sítios, restringe-se noutros. E a moral varia, conforme as conveniências das administrações: o solteiro é considerado um benfeitor da pátria, se há excesso demográfico; mas se o governo pretende acelerar os nascimentos porque há falta de braços e de cérebros para produzir, é considerado o solteiro um poltrão traidor à pátria.

INSTITUCIONALISMO

Conforme vieram repetir os jovens dissidentes de Maio 1968, a instituição é vector de Abjecção, visto que lhe está inerente a inércia que o transforma, em breve, na máquina trituradora que foram sempre as instituições.
Generalizado, o institucionalismo seria vector permanente da permanente Abjecção.


O ABSURDO URBANO

Por mais reformas urbanas que se proclamem, o congestionamento acelerado das cidades será cada vez mais um facto, devido exactamente a todas as características que se podem verificar como sendo as da Abjecção.
É um facto, portanto, a Inabitabilidade e inospitalidade das cidades, pesadelo climatizado que Henry Miller denunciou.
A Revolução só pode ser o regresso a um Comunalismo Rural, como os hippies têm vindo a ensaiar.

COMPETIÇÃO

A estrutura "competição" pertence ao sistema na totalidade.
Um dos equívocos em que o livro-filme Os Cavalos Também Se Abatem podia fazer-nos cair (e fez) é pressupor a competição exclusiva do capitalismo, quando a estrutura Competição abarca todo o sistema chamado Abjecção. E Abjecção se chama, exactamente, ao que é especifico da Cultura (ou caldo de) onde mergulha o homem chamado "civilizado".

O CALCULISMO DO CÁLCULO

Do ábaco ao computador, metendo no meio as matemáticas e as ciências nelas apoiadas - temos a história de uma pretensão que se tornou obcecante: tudo reduzir a termos quantitativos, significa que o espírito humano ganha uma sobresuficiência, que a ditadura do sofisma se pode exercer em nome da lógica e da ciência.

Para saber onde conduz essa idolatria do cálculo, basta verificar o que estão fazendo os discípulos de Max Bense - ou ciberneticistas da arte - e os tecnocratas do planeamento capitalista, para quem tudo se pode reduzir a um cálculo de custo-vantagens.
Esta é uma constante da cultura que nasceu com o cálculo e tem no cálculo o seu vector dominante. Tanto como na análise e no dualismo.

TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADES

Se se trata de reivindicar Beethoven, Matisse ou Dante, os funcionários da cultura não admitem fissuras, entendem que a cultura ocidental - aquilo a que chamam a Civilização, por antonomásia - é um todo uno e indivisível: os poços de petróleo e o cálculo infinitesimal, as barragens e a álgebra pertencem à mesma estrutura que as grandes criações artísticas
Tal obsessão unitária, porém, desaparece logo que se trate de indagar responsabilidades no mesmo corpo cultural.
Armamento, tortura física, poluição do meio, taxa de homicídios automóveis, doenças da civilização, espionagem como linguagem universal, a ditadura dos mass media, as grandes potências devorando as pequenas, etc, aí a "cultura" deixa de ser, na boca dos seus funcionários, um corpo unitário e os responsáveis da ciência física, por exemplo, dizem não ter nada a ver com os fabricantes da bomba, assim como os investigadores químicos se descartam quanto ao que da Química fizeram as indústrias alimentares para transformar a humanidade num açougue, numa imensa leprosaria da nova lepra chamada cancro.
Quando se pergunta quem são os reponsáveis por todas as matanças, descarta-se a ciência de responsabilidades, pois ela é pura e nada tem a ver com o aproveitamento que dela fazem os dementes e mal intencionados da tecnologia e da indústria. Rompeu-se a unidade do corpo cultural.
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 ecologia do comportamento=ecologia humana
 quadro orgânico da abjecção
 inédito ac 1963-1964 de 5 estrelas

1
AMBIENTE COMO DOENÇA

29/8/1963 - Quando se fala de felicidade, seria mais correcto falar-se de saúde mental numa dada cultura, sociedade ou época. E ao considerar a saúde mental na nossa cultura, sociedade e época, (do nosso mundo) há que ter em conta três ordens de factores que condicionam portanto a tão discutida felicidade:
1 - Os mitos menores alimentados pela máquina de propaganda, o noticiário nacional e internacional, os títulos, a histeria provocada e permanente das grandes imprensas ao serviço das grandes empresas ao serviço dos grandes capitais particulares ou do Estado, mitos que nos invadem pela rádio, pela imprensa, pela televisão, pelo cinema, pelo livro, pela revista, etc
2 - Para o envenenamento da atmosfera respirável não contribuem apenas os mitos. Mais reais, menos visíveis e espectaculares, as poeiras radioactivas, a poluição da atmosfera pelos resíduos da carburação, o ruído - são outros tantos factores que condicionam e conformam o homem da nossa cultura, da nossa sociedade, da nossa época.
3 - E só depois de ter em conta ambas estas ordens de factores, estaremos autorizados a ser juizes e críticos do comportamento "moral" dos homens: crimes, suicídios, alcoolismo, etc manifestações, afinal, de resistência às condições de inabitabilidade do planeta.

2
MORFOLOGIA DO HABITAT

1964 - Nem só os físicos atómicos e a sua herança contribuíram para definir a espécie de ar que hoje se respira e, por maioria de razão, se há-de respirar amanhã. Nem só as poeiras radioactivas, nem só a poluição do ar atmosférico pelas explosões, nem só a água do mar onde caem bombas perdidas (as que se sabe e as que não se sabe) de onde são ou não são retiradas, nem só o clima de histeria internacional criado pela corrida aos armamentos, nem só a propaganda em torno das mitologias ou ideologias políticas, nem só a demagogia pró-paz, nem só os jornais, as agências, a rádio e a televisão, contribuem para formar o "pesadelo climatizado" em que o homem vive.
Outros factores e ingredientes o constituem:
a atmosfera de industrialização maciça;
a super-população e o isolamento dos indivíduos em unidades fechadas;
o ruído difuso que corrói, o ruído directo que lacera;
o incremento de objectos domésticos e electrodomésticos, a alienação intelectual e afectiva a esses objectos, o espaço fechado dos arranha-céus, a desproporção entre o indivíduo e os espaços monstruosos edificados nunca a pensar nele;
a respiração física e moral dentro de ambientes viciados, o tédio intrínseco às super-organizações e respectivas hierarquias;
a ultra-burocracia, a velocidade;
a agressividade do trânsito automóvel sobrepondo-se ao peão e ferindo, golpeando, empurrando;
a devassa da vida privada, a que procedem as polícias com pretexto em trabalhos de investigação;
as devassas à intimidade do domicílio (livros, roupas, papéis, gavetas, etc);
a censura de actos, palavras, escritos;
a chantagem e a delação;
os interrogatórios e a lavagem de cérebro;
os tribunais e as câmaras de tortura;
a espionagem e a contra-espionagem., não só ao nível das relações internacionais - deteriorando na origem qualquer hipótese de convívio ou diálogo entre países – mas ao nível das relações individuais, no trato quotidiano e profissional (o empregado de uma grande empresa, por exemplo, onde pode ser espiado e submetido a técnicas de chantagem sob ameaça de perder o emprego);
a pena de morte efectiva ou a pena de morte disfarçada, intensificada através da mobilização militar obrigatória;
a escravatura efectiva ou a escravatura disfarçada de funcionalismo médio ao serviço do capital financeiro e do Estado;
os investimentos financeiros postos ao serviço do armamento e retirados à bolsa do contribuinte que, além desse, esportulará mais o imposto de sangue e quantos impostos a cadência inflacionária de todos os regimes lhe impõe.

Mas nem só, nem só estes pequenos nadas constituem a paisagem que rodeia, modela e determina o indivíduo: os valores, os chamados valores que filósofos fabricam nas universidades, discursam nas academias, inserem nas revistas da especialidade;
as chamadas controvérsias ou colóquios de Genebra;
as chamadas doutrinas ou teorias, ou humanismos, são ainda e também o habitat do homem "civilizado".
Arterioesclerose, depressão nervosa, cancro, alcoolismo, intoxicação pelas drogas medicamentosas ou alucinógenas, suicídio, acidentes de viação, acidentes de aviação, criminalidade - parecem ser os surtos endémicos protagonistas da comédia.
Agredido, bombardeado, atacado pelo ar que se respira, posto à prova nas suas defesas, na sua resistência e no seu poder de superação, as doenças epidémicas são apenas a única forma que resta aos indivíduos de reagir e sobreviver: doente, mas sobrevivente. As drogas ou "paraísos artificiais” já não chegam para atenuar a dor de existir em tal tempo e mundo; álcool, morfina, cocaína, LSD, tranquilizantes, narcóticos, já não chegam para atenuar a morte; por isso adoece, que é a única forma de estar vivo numa civilização de morte.

3
A BESTA ADORMECIDA

1964 - Alienado às forças que o manejam, comandado por causas que desconhece, mistificado por mitos que inconsciente ou involuntariamente alimenta e coadjuva, o homem das sociedades industriais (a leste e a oeste, capitalistas e socialistas), por muitos desportos que pratique, por muitas olimpíadas em que participe, por muito tecnologia que o conforte e muitos ideais de propaganda que o embalem, por muitos governos que o sirvam mas que ele acaba por servir, é apenas um drogado, dormindo um interminável sono cataléptico, letárgico ou sonambúlico.
A máquina humana funciona apenas e sempre de meio para servir fins alheios, de objecto para uso dos que, em nome da pátria, do progresso, de deus, do partido, da classe, da liberdade, etc., dele se servem. Atrofiada ou hipertrofiada, conforme importa ou interessa às instituições que a usam, alienada a tudo o que a transforma de sujeito em mero objecto ou utensílio, a máquina humana que os "humanistas" designam de maravilhosa é para cada indivíduo, à mercê dos "humanistas", apenas um pesadelo, uma doença, um fardo.
O desporto - mentira máxima dos "humanistas" - não se destina a desenvolver a máquina e a coordenar-lhe harmoniosamente as funções mas apenas a fazer dela a "máquina de competições" que sirva nas pistas e nos estádios. O desporto, no clima de alienação geral, é apenas uma fábrica de mitos com que se jugulam massas ou se estabelece competição de homem para homem, de região para região, de cidade para cidade, de país para país, de continente para continente. O desporto é mais uma força de alienação, uma forma de adiar e distrair, de tornar dóceis grandes massas humanas para os fins últimos que as potências se propõem, de as escravizar à vontade dos que (hipocritamente em nome delas) delas decidem.
O habitante das sociedades hiper-organizadas, dorme. Este "sono", porém, não tem o carácter de um sono sadio e reparador, mas sim o carácter mórbido de uma intoxicação colectiva.
Karen Horney chamou-lhe a "personalidade neurótica do nosso tempo", mas não é necessário perfilhar a doutrina psicanalítica para reconhecer um estado ou clima geral para o qual os homens procuram remédio em (paradoxalmente) mil outras formas de sono, esquecimento ou intoxicação: álcool, drogas, estupefacientes, religiões, ópios - eis os sonos a que recorre para não se lembrar que dorme. Ainda que inconsciente, o estado de alienação é para ele insuportável a procura derivativos, ersatzs que o adormeçam e entorpeçam mais profunda, mais completamente.
Neste contexto, se algum há com forças para reagir, é ele afinal que adquire sintomas neuróticos. O que reage, por explosão ou descontrole de nervos, por uma revolta ou inconformismo sistemáticos, às condições mórbidas do ambiente, à sociedade doente, o que resiste e reage, é afinal o inadaptado. O que surge nas clínicas para curar a sua "neurose" é –efectivamente o amoral e às vezes o suicida, o que ainda possui demasiada saúde ou individualidade, o que procura "curas de sono" porque tem ainda consciência do sono colectivo. Para os que se julgam sãos, é ele o doente. Mas para quem saiba que o doente é a sociedade e doentes os que se incorporam nela sem desajustes, - facilmente se concluirá que os neuróticos ou anormais são ainda, no meio da demência colectiva, os únicos sãos.
Pensaram alguns que, se na sociedade está a doença, ninguém individualmente poderá nada contra um estado de coisas colectivo.
Freud e a psicanálise, Mesmer e o magnetismo animal, por exemplo, teriam sido tentativas, historicamente localizadas mas frustradas, de curar as neuroses individuais.
Pensaram outros, entretanto, que a político-terapia seria um caminho, porque só transformando politicamente as sociedades, o indivíduo poderá curar-se.
Até agora e entretanto, porém, as soluções políticas totalitárias assemelham-se muito àquela receita panglossiana que, para curar a dor de cabeça, manda cortá-la. Cortando o mal pela raiz, as soluções totalitárias teriam suposto que eliminavam o mal - a neurose generalizada - apenas porque eliminaram de facto o sujeito ou indivíduo. Se era isso o que se pretendia, (o que vinte séculos de retórica humanista judaico-cristã pretenderam com a exaltação do indivíduo e da "pessoa humana") então já o conseguiram. E acabaram-se os problemas.■

segunda-feira, 14 de abril de 2008

VAI TUDO RASO

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FLAMINGO AMIGO O POVO ESTÁ CONTIGO
PROGRESSO DESTRUINDO O PROGRESSO

9 de Abril de 2008

Já tem maquete, vai ser metálica e fica pronta em 2014.
De um dia para o outro, é a já famosa ponte Chelas/Barreiro que irá destruir, para ser construída, tudo à sua passagem, progresso e tudo, no concelho do Barreiro em geral e na freguesia do Lavradio em especial.
Conforme pormenorizava a notícia, no contexto do artigo assinado pela jornalista Leonor Matias (in «Diário de Notícias», 9 de Abril de 2008) vai tudo raso. E as demolições são em série para o comboio de alta velocidade (CAV) passar.
Ainda não veio a Quercus, mas há-de vir, a requisitar uma de «impacto ambiental», mas a razia vai começar e descreve-se assim:
A ponte Chelas/Barreiro, com uma estrutura idêntica à ponte 25 de Abril, vai obrigar (na freguesia do Lavradio) a uma série de demolições, afectando principalmente o Bairro dos Engenheiros, onde serão demolidas quatro vivendas (quatro!).
Simbolicamente, a série de demolições vai afectar principalmente este Bairro dos Engenheiros. Quem com ferro mata, com ferro (neste caso metal) morre.
Quanto à Escola Básica Álvaro Velho, o termo moderno do progresso é «deslocalização»: a escola fica no enfiamento do traçado do comboio de alta velocidade, pormenorizava a notícia.
Nem o hipermercado Feira Nova, à entrada da Quimiparque escapará, «assim como a maior parte do parque industrial , que terá de ser alvo de um longo processo de descontaminação ao nível dos solos, onde são visíveis grandes montes de resíduos resultantes da extracção das pirites», sublinhava a notícia.
Ficamos também a saber que a partir de agora uma tal Rave (com ar de sigla mas em minúsculo) vai passar a ser muito falada. Trata-se, com certeza, de uma nova sigla, criada de um dia para o outro (tal como a Ponte) e quando se trata de siglas os jornais partem do princípio de que toda a gente já sabe a tradução.
Mas esperem aí que a coisa ainda não terminou:
«As indústrias localizadas na zona de amarração vão ter de sair do Parque e entre elas está a IPODEC, que faz a incineração dos resíduos hospitalares.»
E a pequena grande notícia terminava com uma nota de vida: «apesar da degradação e poluição, a zona ribeirinha é habitada por dezenas de flamingos.»
Claro: os únicos que em 2014 (data da prevista ponte metálica) irão sobreviver por ali: se sobreviveram à primeira e segunda «revolução industrial» , irão evidentemente sobreviver também à 3ª e última.
Do resto, progresso e fanfarrões do progresso, espero que nem restos haja.
Nas fileiras dos flamingos, a palavra de ordem já se ouve: contra as pirites, o betão e agora o ferro metálico, marchar, marchar. Não são os heróis do Mar, são os heróis do Rio.
Só mais um pormenor sem importância no meio destas singelezas: como não existem em Portugal metalomacânicas suficientes com capacidade para fornecer a nova estrutura, «as metalomecânicas espanholas já estão a cobiçar», conforme realçou realçando o responsável da Rave nas declarações que fez à jornalista Leonor Matias, in «dn», 9 de Abril de 2008.