domingo, 20 de janeiro de 2008

PRENDAM A WAKAME

quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

A INVASÃO POR MAR

Ontem eram os lobos a incomodar o orçamento de Estado, agora são as algas Wakame que nos invadem pelas costas e não dão tréguas às autoridades que vigiam noite e dia as nossa águas oceânicas.
Não se pode é viver descansado, é o que é. Nem ver às quartas feiras, pelas 19 horas, o programa Biosfera, da RTP2. Só sustos.
Há muitos anos, era o Jacinto de Água que afligia as hostes.
Depois foi o Moliço na Ria de Aveiro.
Agora é a alga Wakame que tem o descaramento de ser uma «espécie exótica» e, como se isso não bastasse, «invasora».
Enfim, uma verdadeira maldição que alguém se lembrou de trazer do Japão ou que proliferou por mera poluição petrolífera-ambiental. Pelo programa Biosfera, não consegui perceber se era uma coisa ou outra ou as duas juntas: apanhado de surpresa com uma notícia destas tão terrível, não consegui capturar os malefícios da alga Wakame, que da Galiza está a invadir águas portuguesas, sem qualquer respeito pela fronteira. Mas é coisa assente que as autoridades científico-ambientais consideram esta alga (a terceira mais usada para fins alimentares) uma perigosa espécie invasora.
Ontem, portanto, e como digo, eram os lobos a precisar de uma grande trepa: agora são as algas , especificamente a Wakame, que os macrobióticos pagam a peso de ouro importada do Japão e embalada pela firma Muso .
E não, não há solução: a Wakame reproduz-se a um ritmo alucinante e as autoridades (marítimo-científicas) não arranjam tecnologia que as possa ir apanhando, nem sequer podem ir informar-se do know-how junto da tecnologia japonesa que as apanha e exporta, já não dá tempo: ficaremos cercados por todos os lados de Wakame e nem para adubo ela irá servir. Ou para dar aos porcos (?).
Enfim, apanhar e aproveitar (reciclar) uma quantidade de matéria-prima que a Natureza prodigaliza em abundância, não é tecnologicamente possível nem , provavelmente, economicamente viável: são dois argumentos de peso que se ouvem há décadas para situações idênticas (lembram-se, por exemplo, de que o solar nunca seria rentável?).
A notícia (que me deixou boquiaberto e a tremer de medo) foi dada no programa Biosfera (16.1.2008) no contexto das poluições oceânicas. Será que ainda são restos do «Prestige» que deixou marca na costa da Galiza e principalmente que continua no fundo do mar sem se saber com que consequências? Se não puderam retirar o petroleiro do fundo (como o Ministro Paulo Portas ainda ameaçou na altura) algum efeito isso há-de ter sobre a fauna e flora, não?
Na minha ignorância formulo apenas uma pergunta:
As algas proliferam por excesso de poluição petrolífera, reconvertem-na e por isso se reproduzem de modo alucinante?
Ou nada têm que ver com isso e foram lá postas, ganhando assim o título de espécies exóticas ou invasoras?
Já que não podem ou não querem apanhar as wakame para alimentar o povo macrobiótico (que irá continuar a comprá-las de importação) deixem-nas então crescer até que elas estrangulem quem têm, neste processo todo, que estrangular.
Espero bem que seja mais uma prova da revolta da Natureza e que prolifere abundantemente.
Já o ano passado levantei aqui na Ambio a questão do Jacinto de Água e do Moliço. Responderam-me com questões de nomenclatura. Desta vez é a alga Wakame, a maldita, que eu tenho de comprar a 4 euros e 40 o pacote de 50 gramas.
Invasora e exótica é o menos que se pode dizer desta mentalidade científico-ambiental e deste ambientalismo de chacha sem H.
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Sobre infestantes, jacinto e moliço, rever :
http://ecologiaemdialogo.blogspot.com/2007_05_01_archive.html
https://mail.uevora.pt/pipermail/ambio/2007-May/007218.html

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